Coberturas

[1 / 3] Resenha Setembro Negro – SEXTA-FEIRA: O DIA DO BATE CABEÇA!

Primeira parte da cobertura do Setembro Negro 2019

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Setembro Negro, desde o início de suas atividades em 2002, é um dos festivais mais aguardados pelo público do metal, extremo e underground. O evento compõe casts que mesclam bandas nacionais e internacionais de diferentes gêneros das vertentes mais pesadas, desde clássicos setentistas de precursores do metal, às mais insanas bandas de black, death e grind. Até 2012 houve uma frequência anual do SN, quando passou por um hiato até 2017. Nesse ano, retornou com sua 11° edição e permaneceu desde então diabolicamente com sua anuidade. Já recebeu nomes como Morbid Angel, Autopsy, Gorgoroth, Dark Funeral, Dissection, Incantation, Coven, Razor, Wolfbrigade, Belphegor, Sadus, Destroyer 666, Ragnarok, Enthroned, Schirenc Plays Pungent Stench, Morbid Saint, Purgatory, entre outras destruições de lugares diferentes do globo. O festival também tem hábito de trazer bandas internacionais inéditas em terras brasileiras. Na 12° edição, o festival foi mais ousado e montou um cast distribuído em 2 dias; neste ano de 2019, na 13° edição, realmente fizeram algo inovador e trouxeram um cast extremamente brutal distribuído em TRÊS FUCKING DIAS! Quando vi o flyer, meu primeiro pensamento foi que se tratava de um festival estrangeiro, tamanha a quantidade de bandas internacionais, de peso, no cast. Muito me surpreendi quando vi que não. A maioria delas nem havia pisado aqui no Brasil ainda!

Foram 24 bandas! 17 internacionais e 6 nacionais. Essa edição já ficou para a história! Nunca houve nada parecido no Brasil; três dias seguidos de insanidade pura, com nomes grandes de vários lugares do globo!

Setembro Negro é, sem dúvida, o maior festival brasileiro do underground. Merece uma cobertura e reconhecimento, pois neste final de semana tivemos um dos maiores odes a música maldita já vistos no Brasil. Aos nostálgicos do Monsters of Rock e a frases como “o metal/rock morreu”, quem morreu foi você demônio! Já pode parar de chorar praga! Afinal, apesar de o público não ser mais aquele de lotar estádios (por várias questões), as opções ainda estão aí! Maníacos vindos de vários estados e países agradecem a Tumba Prod pelo empenho. E encerro essa introdução com uma frase do organizador Eduardo, da Tumba Prod, quando perguntado por outro veículo sobre porque estava ampliando um festival maldito em um período político complicado:
“Somos uma cultura que nunca dependeu do ‘mainstream’, nem da igreja, nem da política, nem da economia do país ou de setores conservadores” 

O local

A 13° edição do Setembro Negro foi realizada em São Paulo. A casa escolhida e já conhecida do festival foi a Carioca Club, localizada próximo ao metrô Faria Lima, linha 4 – Amarela, região nobre de São Paulo. O local é grande e comporta 1000 pessoas. Possui a pista e há camarotes nos mezaninos. Os camarotes são confortáveis, com bancos estofados e todos dão boa visibilidade ao palco, toalete exclusivo e bar exclusivo. Apesar de a bebida ser bem cara no camarote (18$ uma Heinkein!). Também conta com equipamento de som e luz para apresentações grandes e área de fumantes aberta. Há equipe de seguranças e estacionamento com seguro e manobrista, na porta no local. Nos arredores da casa, há diversos barzinhos e, sempre que há algum evento, há também opções de lanches rápidos. O Carioca não é conhecido por ter um consumo barato. Mas nessa edição, foi feita uma parceria com a DK Cast, que contribuiu com um preço justo por chopps e lanches. Essa parceria funcionou muito bem, porque desafogou a fila enorme que geralmente tinha no Carioca; e o espaço utilizado foi na área externa, sem competir com a pista. O local do merchan também ficou separado da pista, em uma área mais iluminada e confortável para analisar os materiais. Essa área externa costumava ser mais utilizada por fumantes e geralmente não ficava tão cheia. Foi melhor aproveitada. A organização disponibilizou, como no último ano, uma fita em tecido para identificar aqueles que tem acesso ao show. As fitas eram de cores diferentes e especificavam se a pessoa adquiriu o ingresso de sexta, de sábado, de domingo, o combo dos três dias, se era de banda ou se era imprensa. Para cada uma dessas situações havia uma fita de cor diferente. Quem estava com o combo ou a fita de banda e imprensa deveria manter a fita no braço durante os três dias sem remover. Como era de tecido, não era inconveniente.

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1° dia: Sexta – feira: O dia dos bate-cabeças enérgicos
Chega a tão aguardada data! Às 18h abriram-se os portões do Carioca, para a entrada do público.
Os comentários sobre o festival haviam se intensificado na semana do evento e um número grande de pessoas estavam ansiosas por comparecer. Tanto que, é um mau hábito da maioria da cena paulistana presenciar apenas as últimas bandas ou apenas a banda internacional. No caso do Shaytan, já havia um público considerável preenchendo a pista. Nesta edição, apareceu uma novidade: havia um telão eletrônico grande, do tamanho do fundo do palco, que informava o logo da banda que estava tocando. E a bateria estava posicionada no palco um pouco mais à frente que o normal, possibilitando melhor visualização do baterista, que geralmente fica quase escondido.

Shaytan: Black metal underground com pegada de banda grande
19h as 19h35min

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Abrem-se as cortinas, começa o Shaytan. Vale a pena presenciar! Já havia visto outras vezes; Shaytan é frequente no underground de São Paulo. E achei uma ótima execução e justa oportunidade, afinal o desempenho dedicado e enérgico que observei em casas menores e algumas com o equipamento precário ficou gigante no palco do Carioca. Uma boa banda que pôde divulgar seu trabalho de forma mais ampla. O vocalista Blasphemoon tem muita presença de palco e um vocal potente. As cordas fazem trabalhos técnicos e criativos e o baterista é monstro! Faixa a faixa a banda mostra competência e atrai a atenção do público local, que se aglomera em torno ao palco. Atenção para a faixa “Lords of Hell”: destruidora! A variação que Getúlio faz na bateria junto com o trabalho das cordas de Alan (baixo) e Claudius (guitarra) é de uma potência maquiavélica! Levou o público, composto de gente de todo lugar do Brasil e de outros países a deslocarem seus pescoços sem dó! O Shaytan possui um single e um EP. Três das faixas tocadas na apresentação não pertencem ao EP, então leva a concluir que em breve estarão lançando material novo. Encerraram a apresentação com os riffs grandiosos de “Dark Mistress of Death”, recebendo bastante apoio dos maníacos presentes no recinto! Black metal de Mogi das Cruzes abrindo o maior festival do Brasil!

Setlist:
Intro
Night of Sacrifice
Lords of Hell (EP, 2017)
Ishtar (EP, 2017)
Naturom Demonto
Mysterium Baphometis Revelatum
Funeral Soul (EP, 2017)
Dark Mistress of Death (EP, 2017)

Sobre Shaytan:
Da região de Mogi das Cruzes, foi fundada em 2015. A banda, de black metal, é conhecida dos paulistanos e já se apresentou em locais diferentes de sua cidade. Abordando uma temática interessante e não tão usual como a mitologia assíria-babilônica, obscuridade humana e satanismo. Como informação adicional, o vocalista Daniel Blasphemoon já foi vocal do NervoChaos. Possui o “Single 2017” e o EP “Ancient Shadows”, 2017.

Grave Desecrator – Os monstros do death/black carioca independente de tudo 
19h50min as 20h30min

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O todo poderoso death/black metal do Grave Desecrator invade o palco do Carioca! Grave Desecrator é, em minha opinião, uma das bandas mais hostis nacionais do gênero. Esses demônios em cima de um palco é destruição certa! E, não importa quantas vezes o público já viu, é uma banda que sempre atrairá platéia. Aqui em São Paulo, a última vez que havia presenciado foi em 2012, no “United Forces of Evil I”. A última vez em São Paulo foi em julho do ano passado (2018), no evento “Ritos Svbterrâneos” e que eu só não fui porque não estava no estado. Ambos os eventos encheram de maníacos.

No Carioca, não foi diferente. Um público bastante significativo – ainda mais lembrando que o Carioca é um lugar grande – Em torno do palco, que estava com duas caveiras dentro de caixões em tamanho real, uma em cada ponta, o público se reuniu para acompanhar os pesados acordes de pútrida violência dessa banda maldita. De início, a guitarra e a bateria estavam baixas. O que estava mais nítido era vocal, baixo e o bumbo. A áurea mórbida poderia ter sido quebrada também devido a iluminação utilizada no início: feixes de luz rosa (? – talvez na intenção de ser violeta), mas mesmo assim isso não aconteceu. A energia do metal da morte se fez presente apesar desses percalços e, com muita vontade de estar ali e convicção do som que estavam produzindo, o Grave Desecrator foi maior do que os problemas técnicos. O desgraçado vocal de Butcherazor poderia reviver as caveiras do palco! Assim que o som foi ajustado, aí é que a legião que compunha a platéia foi a loucura mesmo. Aquela energia brutal já conhecida, preenchendo bangers do sentimento furioso que é o metal extremo. Então segura a bateria bélica de M. Kult! Chegou a ter um bate-cabeça, onde até um cara que estava de muleta entrou no meio. Fodido que, o início do setlist já veio com a pancada de pura dor “Sign of Doom” e seguida pela faixa também seguinte no álbum, “Revelations”. Mas o álbum mais tocado da apresentação foi o último do Grave Desecrator, “Dust to Lust”, que tomou metade do setlist. As cordas insanas de Black Sin e Butcherazor e o peso cabuloso do baixo de Sub Umbra fizeram não sobrar pedra sobre pedra. Pancada!

Setlist:
Intro
Sign of Doom (álbum 1, 2008)
Revelations (Of the Beast) (álbum 1, 2008)
Gods of Death (álbum 3, 2016)
Temple of Abominations (álbum 3, 2016)
Funeral Mist (álbum 3, 2016)
A Witching Whore (álbum 3, 2016)
Serpent Seedline (álbum 2, 2010)
Insult (álbum 2, 2010)

Sobre Grave Desecrator:
 A banda carioca, de 1998, desde sua fundação dedicou sua jornada ao metal impuro e impiedoso. Suas letras falam sobre satanismo, morte, luxúria e ocultismo. O primeiro álbum, “Sign of Doom”, em minha opinião, é uma das obras mais supremas que o metal nacional produziu! A banda possui três álbuns: “Sign of Doom”(2008), “Insult”(2010) e “Dust to Lust” (2016), entre a demo, EP’s, ao vivo na França e poderosos split’s. O primeiro split (Tombs on Fire, 2010)  foi com o brutal e pouco citado Catacumba, do Espírito Santo. Também possui um split (Bloody Deathcross) com Augrimmer, da Alemanha, um nuclear DVD ao vivo da 2° edição do festival Brazilian Ritual (com Black Witchery, Impurity, Archgoat e Grave Desecrator) e outro poderoso split (Musica de Nuestra Muerte) com os insanos chilenos do Slaughtbbath. Particularmente, o Grave Desecrator foi uma das apresentações mais aguardadas por mim do dia. A última vez que havia visto esses demônios foi em 2012. Os membros que já fizeram/ainda fazem parte de bandas como como Apokalyptic Raids, Poeticus Severus, Into the Cave, Unearthly entre outras. Ano que vem farão parte de um cast poderoso em Baltimore, nos EUA, no evento “Maryland Deathfest”, que tem como headlines ninguém menos que Bloodbath e Dismember, entre várias outras agressividades.

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Gorgasm – Destruição americana do metal da morte
20h45 a 21h30min
A primeira banda internacional do Setembro Negro é logo uma que nunca tinha vindo para cá, porque a Tumba Produções, se nunca esteve pra brincadeira, esse ano vieram pra massacrar mesmo. Gorgasm entra no palco com uma qualidade de áudio boa! A banda, muito pesada, rápida e desgraçada, não descansou enquanto não exauriu os presentes do recinto até o último suspiro. Não tardou a bateria frenética de Matt Kilner provocar os instintos mais primitivos na platéia e abrir uma roda com homens e mulheres que girava cada vez mais rápido, na tentativa de acompanhar o instrumental. Com três vocais – o principal de “Tom” Leski e os backing vocals do guitarrista Sacha e do baixista Anthony – duas guitarras e uma bateria, não houve momento em que o som não estivesse preenchida pelo som odioso. Mesmo quando haviam passagens mais cadenciadas, eram preenchidas de sonoridade mórbida. O kit de pratos usado pelo insano Kilner continha pratos de efeito, que ele usou com muita propriedade. Enquanto o pessoal que estava próximo a grade dedicava mais atenção ao palco, percebia-se, no meio da platéia, uns insanos abrindo um bate-cabeça nas passagens mais frenéticas da bateria! Dava para sentir um misturado da vibração do chão e do áudio; e o impacto do bumbo tocando por dentro do sistema nervoso. Nos intervalos das faixas, Leski interagia com o público, inflamando ainda mais. E no final, o público chamava pelo Gorgasm, alucinado! A apresentação foi curta e terminou tão súbita quanto iniciou. Ferocidade assassina!
Cobriram os lançamentos bem. Tocaram desde os sons mais antigos, como a totalmente destruidora “Corpsefiend”, que apareceu na demo de 96 até faixas do último álbum, como a veloz “Infected with Lunacy”. Subiu uma onda de ódio extremamente ignorante e o público estava realmente tomado por aquela energia brutal. Eu estava na pista e via expressões de fúria no rosto das pessoas. Provavelmente o meu estava do mesmo jeito!

Uma criatura dedicada do underground, com registro no YouTube de Eduardo Paulovich, filmou alguns minutos da apresentação do Gorgasm!
https://www.youtube.com/watch?v=geUHivGkWME

Setlist:
Dirty Cunt Beatdown (álbum 3, 2011)
Starved for Perversion (álbum 4, 2014)
Lesbian Stool Orgy (álbum 1, 2001)
Anal Skewer (álbum 2, 2003)
Stabwound Intercourse (demo, 1996)
Bleeding Profusely (álbum 1, 2001)
Corpsefiend (demo, 1996)
Mouthful of Menstruation (álbum 4, 2014)
Seminal Embalment (álbum 2, 2003)
Infected with Lunacy (álbum 4, 2014)
Disembodied (two-track promo, 1997)
Deadfuck (álbum 2, 2003)

Sobre Gorgasm:
O americano Gorgasm é um death metal brutal imundo de 1994. Originalmente da região de Indiana. Suas letras falam sobre perversões, assassinatos, carnificinas, torturas e sexo. Possuem três álbuns: “Bleeding Profusely” (2001), “Masticate to Dominate” (2003), “Orgy of Murder” (2011) e “Destined to Violate” (2014). Possuem ex-membros do Incinerate e Damian “Tom” Leski – vocal e guitarra – tocal no Serpents Whisper e já tocou ao vivo com o Disinter. 

Legion of the Damned – Os holandeses de volta ao Brasil. Depois do ocorrido, será que voltam outra vez?

21h45min a 22h35min

A imagem pode conter: 1 pessoa, no palco, tocando um instrumento musical e violão


O thrash metal do Legion of the Damned, ex- Occult, é recebido por um público fiel. Gritavam o nome da banda só pela simples aparição do baterista Erik Fleuren, o primeiro a surgir no palco. A banda tem boa técnica, apesar de eu particularmente achar o som um tanto plástico e sem grandes novidades. Mas independente de minha opinião pessoal, a apresentação foi sim muito boa. A qualidade do áudio estava boa, havia energia na postura de palco; e os fãs da banda estavam bastante frenéticos com a apresentação. Os músicos são técnicos e o vocal de Maurice Swinkels é bom. A pista lotou para presenciar os holandeses e havia bastante gente muito empolgada com as faixas. Nota-se bastante influência de Sodom. E há umas passagens e pesos do death metal. A bateria tem pegada. Um som correto e isso. No camarote (sempre mais contido), a maioria das pessoas acomodaram-se nos bancos estofados e assistiram a apresentação sem grandes arroubos de emoção. Já na pista, o bicho comia solto. Como disse acima, sexta-feira foi o dia dos mosh pit e no Legion of the Damned não foi diferente. Abre-se novamente um bate-cabeça frenético tomando parte da galera e durou boa parte do show. Os fãs agitaram muito em faixas como “Bleed for Me”, “The Widow’s Breed” (e olha que essa faixa é bem recente, do álbum novo, de 2019) e na faixa “Legion of the Damned”, que encerrou a apresentação com boa parte da pista numa pancadaria só. A banda deu uma percorrida em seus lançamentos pelo setlist, mas deram preferência ao álbum de lançamento do que as faixas mais antigas. O álbum “Slaves of the Shadow Realm”, de 2019, tomou metade do setlist.

Após o show, a banda “Legion of the Damned” publicou uma foto em suas redes sociais com três dos membros cada qual com uma banana na boca; e cada um fazendo os sinais de “surdo, cego e mudo”, referência conhecida por ser feita por macacos. Na legenda, escreveram: “Bye bye Brasil”. Houve uma repercussão bastante negativa devido essa atitude e a banda chegou a escrever uma nota se desculpando pelo que chamaram de “brincadeira”. Uma atitude, de fato, primata.  

Cadastrado no YouTube com o nome de Amaurirosen, publicou uma filmagem da apresentação do Legion of the Damned completa:. https://www.youtube.com/watch?v=SynNQ6qXq8o

Setlist:
Warhounds of Hades (álbum 7, 2019)
Son of the Jackal (álbum 2, 2007)
Palace of Sin (álbum 7, 2019)
Bleed for Me (álbum 1, 2006)
Slaves of the Southern Cross (álbum 7, 2019)
The Widow’s Breed (single 2018, álbum 7 2019)
Pray and Suffer (álbum 4, 2008)
Doom Priest (álbum 6, 2014)
Dark Coronation (álbum 7, 2019)
Legion of the Damned (álbum 1, 2006)

Sobre Legion of the Damned:
Vindos de Limburg, nos Países Baixos, é uma banda de death/black/thrash de 2005. Suas letras abordam temáticas como guerra, história e ocultismo. Essa banda pode-se dizer de certa forma que é de 1992, visto que membros do L.D. de 92 ano até 2005 formavam o Occult, que era black/thrash. Entre os membros houve quem participou de bandas como Disgorge, Bethlehem, Bestial Summoning, Flesh Made Sin e Sauron. O Legion of the Damned possui 7 full-length, entre compilações, ao vivo, singles e splits, como um split que saiu pela revista alemã “Legacy” com sons do Carcass, Hypocrisy e Legion of the Damned no Party.San. Também possuem um split com o Kreator. O primeiro álbum do L.D. é de 2006, “Malevolent Rapture” e o último é desse ano, 2019, “Slaves of the Shadow Realm”.

At War – Ordenados para Matar!
22h50min a 23h50min

Segurem um poderoso power trio chamado At War! Uma banda que toca num evento com outras bandas que possuem mais instrumentistas vai ficar devendo e dar a sensação na platéia de um som ralo? Existem casos em que isso acontece, mas com o At War, porra nenhuma! Pioneiro é pioneiro!
Ver o At War tocando é aula! Total domínio sobre palco e instrumentos! No primeiro acorde, já chegou o mosh-pit! Pensa em um monte de bangers, mulheres e homens, membros de bandas nacionais, zineiro, fotógrafo e tudo quando foi gente entrou naquele bate! A pegada thrash metal com speed particular do grupo, com os vocais de Paul Arnold (da formação orginal) junto com Shawn Helsen na guitarra (também da formação original) e mais a bateria de pegada foda de Brian Willians colocou o Carioca abaixo! Tente imaginar o que aconteceu na hora que começou a clássica “Ordered to Kill”, já logo o segundo som do show! E que puta presença de palco, mesmo sem andar muito. Ao invés de cerveja, durante os intervalos, eles só nas garrafinhas de água. Já na platéia, loucura total. Chegou a acontecer de um cara sair da roda procurando o sapato que havia perdido, enquanto algumas pessoas subiam nas costas de outras – já que não era possível subir no palco devido a área de segurança – e saíram no stage dive por cima da galera. E as viradas e quebras no ritmo da bateria comendo soltas.O set list desceu a marreta e cobriu bem os três álbuns da banda, com uma atenção especial ao primeiro álbum, o clássico “Ordered to Kill”. Tocou quase inteiro. Foda um cara da platéia que ficou pedido para tocar a “Capitulation”, que foi das poucas faixas do álbum que não tocou, muito azar. Em compensação todo o setlist foi pesadíssimo. Destaque para a execução de “Dawn of Death”, suprema! No final, deu até briga por quem pegaria as palhetas que jogaram do palco.

Setlist :
Conscientious Objector (álbum 2, 1988)
Ordered to Kill (álbum 1, 1986)
Semper Fi (álbum 3, 2009)
Ilsa (álbum 1, 1986)
Dawn of Death (álbum 1, 1986)
Assassins (álbum 3, 2009)
Creed of the Sniper (álbum 2, 1988)
Gutless Sympathizer (álbum 2, 1988)
Mortally Wounded (álbum 1, 1986)
The Hammer (cover Motorhead, álbum 1, 1986)
Repechase (álbum 1, 1986)
At War (álbum 3, 2009)
Eat Lead (demo, 1985)

Uma alma underground dedicada, cadastrada no YouTube com o nome de Amaurirosen, presenteou com uma filmagem de parte da apresentação do At War, para quem não viu e para quem quer ver de novo.
https://www.youtube.com/watch?v=iseP0pFxJnA

Considerada uma das bandas mais aguardadas da noite, At War é um violento speed/thrash americano de Virgínia, formado em 1983! Possui três álbuns. O primeiro, “Ordered to Kill” (1986) é um dos clássicos de um gênero; e até hoje esse álbum possui uma legião de fãs bem fiéis. O segundo, “Retaliatory Strike” (1988) e Infidel (2009). O At War ficou sem fazer apresentações por um grande período (1994-2006), mas depois retornou! Suas letras falam sobre guerra, o que casa bem com a velocidade e agressividade do som.

Exodus – Destruição dos pioneiros do Thrash Metal!
00h05min a 01h15

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas tocando instrumentos musicais, pessoas no palco, violão, noite e área internaFoto: Leca Suzuki

Vai ser até difícil lembrar de cada detalhe, porque no show do Exodus aconteceu de tudo. Trazer o Exodus – que foi incluído no cast depois que o primeiro flyer havia sido lançado – foi uma decisão acertada. Quando terminou o At War, as pessoas foram rápidas em seus afazeres de intervalo – banheiro, comprar materiais, cerveja, fumar um cigarro, ir para a frente da casa comentar sobre o show anterior – e logo retornaram. E quando retornaram, puta que pariu. Pensa em um lugar cheio. Mal dava para andar dentro de uma casa em que a capacidade máxima é de mil pessoas! E olha que o Exodus já tinha vindo ao Brasil. Haviam alguns nobres trabalhadores que só conseguiram chegar mais tarde por conta do trabalho, entre outros causos. E que estavam lá para ver uma das maiores bandas de thrash metal da Bay Area e um dos criadores do gênero.
As cortinas se abrem, os diabos sobem ao palco. E, por trás da fumaça e da luz vermelha, surge Steve “Zetro” Souza , erguendo os braços. E de fundo, adivinha que o que rolava? Aquela curta e clássica introdução que, nem tem nota nenhuma e já diz qual é o primeiro som: Bonded by Blood! O primeiro acorde nem tinha tocado e já começou uma gritaria da porra! Mosh pit comendo! A própria banda, os membros além do vocal cantando junto, o áudio sensacional! Eu tava no camarote essa hora e do alto, via pista e área vip em total euforia desde o primeiro milésimo de Exodus. Começou a Blood In/Blood Out e segura a bateria do Tom Hunting! No mesmo camarote que eu tava parou do meu lado o Fogaça, do programa MasterChef. Será que ele tinha uma receita para fazer uma banda daquele nível? Pensei nessa piada ruim pra porra na minha cabeça e ri com vergonha de mim enquanto descia para a pista. Observei que não fui só eu a ter a mesma ideia. O que se via eram saindo pragas de todos os buracos do Carioca e tomando a frente do palco, cantando enquanto andavam, alguns até, a medida do possível, tentavam correr para passar pelas áreas tumultuadas.  O mosh pit estava gigante! Mas não havia salvação: ou você seria tragado por aquele redemoinho de patches e coletes ou tragado pelas cordas malditas de Gary Holt, Lee Altus (guitarras) e Jack Gibson (baixo). Apesar de eu não entrar nos bate-cabeças, é uma obra de arte ver aquela propagação de caos e fúria!

Foto: @psychokillerblues

Foi uma apresentação foda de assistir. Era um show de banger para banger. Independente da idade dos membros, continuavam ali, com suas camisetas de banda, patches e agitando, urrando para a galera, indo para a área frente as caixas de som para se aproximar mais do público. Na “And Then There Were None” (ÔOOOOO), aconteceu uma situação meio bizarra: algum elemento jogou uma camiseta do Slayer no palco, para o Zetro, que devolveu com uma certa esportiva. Independente da intenção da criatura, Zetro continuou com sua postura de palco foda. Seguiu clássico atrás de clássico, muitas das faixas foram do Bonded by Blood. Mas também fizeram uma boa cobertura de toda a carreira, apesar de não tocarem tudo dos 11 álbuns, até porque é bastante coisa. Foi pancada atrás de pancada. Era o último show da noite e você não via ninguém cansado procurando um banquinho para sentar. Tinha tanta gente ali que todas as faixas davam em coro. Se em um momento não era uns que conheciam a faixa, eram outros. Isso é algo foda, ainda mais para uma banda com tantos lançamentos. Além das músicas supracitadas, outras faixas que causaram muito impacto foram “Blacklist” (não é toda banda oitentista que consegue tornar uma faixa um clássico depois dos anos 2000), “A Lesson in Violence” – clássica! Nessa o tempo fechou mesmo, loucura total, todos se moviam de alguma forma, ninguém estava indiferente ali. E o batera só na marreta! Na blasfema “War is My Shepherd”, um acontecimento inusitado: a faixa é interrompida logo no início e o baterista levanta. Achei que tinha dado algum problema no instrumento. Mas em seguida, veio alguém da equipe do Carioca com um bolo (?) cheio de velas estrela. Gibson, o baixista monstro, havia feito 50 anos no dia 4 de setembro. E o baterista foi até a frente do palco e puxou um “parabéns para você”. Gibson ficou um pouco tímido. A produção levou uma bandeja com bebidas para cada um. Viraram de uma vez, fizeram uma careta e voltaram a tocar. Em vários momentos as cordas interagiam entre si. E vale a pena dizer. Que fôlego desses caras, que já não são tão novos assim, rs! Instrumental e vocal em mesma potência o show inteiro. 

Após a “Strike of The Beast”, o Exodus se despede. Zetro passa frente ao palco com uma câmera, filmando o público. Tiram uma foto no palco e saem. Porém, voltam! O público estava pedindo mais e vieram com duas pauladas do primeiro álbum: “Metal Command” e a que não podia faltar, “Piranha”! Energia em estado bruto corria como um animal indomável pelas criaturas que estavam ali, seja na roda insana ou nos amontoados de pessoas. Abaixo, fiz um vídeo curto, para quem não foi ter uma melhor noção de como estava o público na situação:

 

Uma alma underground dedicada, cadastrada no YouTube com o nome de Amaurirosen, presenteou com uma filmagem da apresentação do Exodus completa, para quem não viu e para quem quer ver de novo.
https://www.youtube.com/watch?v=t1jWK_10fPg

Setlist:
Bonded By Blood (álbum 1, 1985)
Blood In / Blood Out
And Then There Were None (álbum 1, 1985)
Iconoclasm (álbum 8, 2007)
Fabulous Disaster (ábum 3, 1989)
Body Harvest (álbum 11, 2014)
Deathamphetamine (álbum 7, 2005)
Blacklist (álbum 6, 2004)
A Lesson In Violence (álbum 1, 1985)*
War Is My Shepherd (álbum 6, 2004)
Toxic Waltz (álbum 3, 1989)
Strike Of The Beast (álbum 1, 1985)*

+

Metal Command (álbum 1, 1985)
Piranha (álbum 1, 1985)

Sobre Exodus:
Os americanos do Exodus, da clássica cena Bay Area é o headline do primeiro dia de Setembro Negro. Desde 1979 na ativa (!) com temáticas como política, violência, metal e antireligião, foi fundada por Tom Hunting e Kirk Hammett (que depois foi para o Metallica. Nomeou o Exodus e deixou poucos registros na banda). O Exodus, até mesmo pelo longo tempo de atividade (40 anos!) tem uma infinidade de materiais lançados, onde dividiu splits em épocas douradas, como o split Combat Tour Live com o Slayer e Venom, split MTV Headbangers Ball com Helloween e Anthrax, split Victims of Death – The Best of Decade of Chaos (1999), com Dark Angel, Death, Forbidden e Possessed, entre outros splits, singles, full-length e todo o tipo de extensão e formato que possa existir. Ainda recente, em 2018, estavam lançando splits de peso como o “Gathred At the Altar of Blast” com Immolation, Corrosin of Conformity, Kataklysm, Possessed e Municipal Waste. Exodus é uma banda antiga que nunca aquietou em dois ou três álbuns e marcou a história por seu primogênito, o atemporal “Bonded by Blood”, onde as primeiras faixas de cada lado do bolachão “Bonded by Blood” e “Piranha” são alguns dos hinos clássicos do thrash metal, assim como “A Lesson in Violence”. E esse é um dos 11 álbuns que o Exodus forjou em sua extensa carreira. Agora em 2019 soltaram um single, “No Love”, pela Nuclear Blast, um live do “Day in the Dirt”, de 1984.

Saindo do Carioca o que se viu foi um público destruído porém extasiado. Quando cheguei na calçada frente o Carioca, vi um cara que saiu de lá de dentro gritando: “O som não vai morrer nunca caralho! Isso não vai morrer nunca caralho”!
E achei que, parafrasear essa frase, foi uma boa forma de concluir a resenha de sexta-feira!

Acompanhe o portal, em breve as resenhas de sábado e domingo! Caos!

 

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Sophia Losterh

Editora do zine Natimorto e organiza eventos de metal extremo underground em SP. Amante das expressões blasfemas de arte. Hail caos, Hail metal negro!

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