Entrevistas

ABERRATION DOOM – A volta triunfal de um gigante que estava adormecido

"...tenho recebido muitos feedbacks positivos e isso me incentiva em continuar e quem sabe transformar esse projeto em uma banda..."

É muito gratificante quando vejo a velha guarda na ativa, com a verdadeira chama do underground queimando em seus corações e mesmo depois de décadas estão aqui fazendo trabalhos extraordinários. O Rogério Marques é parte da gloriosa história underground de Brasília e deste país, uma pessoa íntegra, comprometida e que agora acordou o gigante que estava adormecido chamado Aberration Doom como one man band.
Boa leitura a todos!!!

Rogério Marques, foto por: Divulgação

Saudações meu amigo, vamos lá! Você é um dos mais antigos headbangers de Brasília e que até hoje mantem essa chama acesa dentro do peito. Aberration Doom se não me engano não é uma banda nova, vocês vem dos anos 90. Nos fale um pouco da história da banda, o seu hiato e sobre essa volta como One Man Band…

Rogério Marques – Saudações grande Lozano, primeiramente é um prazer e uma honra estar batendo esse papo com você e gostaria de agradecer pelo apoio que você e a Lucifer Rising sempre deram para o underground e obrigado pelo interesse pelo meu trabalho com o Aberration Doom.
Bom, o Aberration surgiu no final de 91 comigo na guitarra, Luciano no vocal, Samio na bateria e Cristiano no baixo, e na época fizemos poucos ensaios, tudo muito precário, mas chegamos a compor e gravar 2 músicas que se perderam com o passar dos tempos e logo depois a banda acabou e eu fui convidado para assumir a guitarra base no Embalmed Souls e o Luciano e Samio logo fariam parte do Amenthis, ambas bandas de Death Metal do cenário candango da época.
Permaneci no Embalmed Souls por 3 bons anos, de 92 a 95, onde realizamos shows memoráveis aqui em Brasília e cheguei a gravar a demo ensaio The Lament of Souls em 92, nessa mesma época também toquei no Death Slam do saudoso e grande fomentador do underground candango Felipe CDC.
Quando sai do Embalmed Souls e do Death Slam acabei me isolando um pouco da cena, mas nunca deixei de acompanhar e continuei tocando e compondo em casa, até que no ano passado tive a vontade de voltar e gravar e como hoje em dia tudo está mais fácil eu tive essa ideia de voltar a tocar e gravar Death e Doom Metal, meus estilos preferidos dentro do metal.
Resolvi usar o velho nome Aberration com a adição do Doom em homenagem aos meus antigos companheiros que infelizmente não estão mais entre nós e o fato de optar em ser uma One Man Band é mais pela comodidade e falta de opções de amigos para tocar junto.

Embalmed Souls (1994), foto por: Acervo Pessoal

Antes falarmos sobre sua passagem no grande Embalmed Souls, vou tocar num assunto triste sobre a carreira do Aberration Doom. Dois ex-membros e amigos pessoais seus infelizmente faleceram, o que tenho certeza que pra você foi algo muito marcante. Me lembro que em nossas conversas como amigos que somos, você me disse que nas músicas que compõe existe muitos sentimentos que envolvem os fatos aqui mencionados…

Rogério Marques – Sim, foi muito marcante e inclusive na letra do novo single do Aberration Doom “Slowly Dying” fala sobre a morte e de como todos nós lidamos com esse fardo, recentemente também perdi meu pai e estamos vivendo um período tão difícil com essa pandemia, com tantas perdas, infelizmente a morte sempre estará presente nas nossas vidas e não há nada que podemos fazer, e esse sentimento de impotência diante disso me incomoda muito.

Agora falando sobre a sua passagem no grande e obscuro Embalmed Souls onde você permaneceu por 3 anos e gravou dois registros entre eles o Lament Of Souls. E que também você esteve na formação de uma das passagens mais importantes da banda ao vivo e que me recordo de ter visto os cartazes, se eu estiver errado me corrija, foi em 1993 que vocês tocaram com o Overdose (MG) e o Restless. Como foi essa experiência de ter feito parte de todas essas realizações desbravadoras na cena de Brasília na época…

Rogério Marques – Foi uma época muito boa e muito intensa, onde além de me divertir muito eu adquiri muita experiência, sempre brinco e falo que o David, guitarrista do Embalmed Souls foi o meu primeiro professor de guitarra, pois foi tocando com ele e com a banda que aprendi o pouco que sei e até hoje, tenho muita influência e acredito que isso transparece naturalmente no meu som, sobre a demo e esse show, foi muito bom fazer parte daquela época, pois mesmo a demo sendo um ensaio gravado em um tape deck simples, teve grande repercussão no meio underground nacional e até mesmo internacional, pois a gente se correspondia com muita gente do mundo todo, enviando a demo e trocando material, o show com o Restless e Overdose – MG em 93 no extinto Gran Circo Lar foi memorável, pois tinha muita gente e foi muito bem organizado e com ótimo equipamento, onde pudemos executar com maestria tudo o que fazíamos nos ensaios, foi um grande show. Inesquecível!!!

Embalmed Souls – “The Lament Of Souls” (Demo 1992)

De fato você é parte do começo de tudo em Brasília e pra mim é uma honra conversar com pessoas como você que não se perderam pelo caminho. Você tem acompanhado a cena local? o que pode nos falar sobre a cena atual de Brasília?

Rogério Marques – Brasília sempre teve uma cena muito forte, com muitas e boas bandas, muitos shows e algumas pessoas muito engajadas em fomentar tudo isso, atualmente temos bandas muito boas como Beholder’s Cult que fazem um Doom Metal pesado, melódico e melancólico excelente, virei fã deles..rs
Inclusive recentemente convidei o vocalista Felipe Stock do Beholder’s Cult para participar do novo single do The Aberration Doom “Slowly Dying” e ele fez um vocal com muito sentimento num trecho da música e caiu como uma luva, engradecendo ainda mais, foi uma honra pra mim ter essa parceria.

Firt Act – EP (2020)

Confesso que quando ouvi o EP “First Act” fiquei surpreso e encantado ao mesmo tempo, é um trabalho sensacional pela sua estrutura e por ser instrumental… Como surgiu a ideia de estrear essa volta dessa forma?

Rogério Marques – Esse EP foi o primeiro passo desse meu retorno, eu já tinha muitos riffs antigos gravados e acabei utilizando tudo nas musicas do EP que teve a produção, parte rítmica e mixagem a cargo de um grande musico e amigo meu daqui de Brasília, o Lucas Santiago, que até hoje me ajuda nessa parte. E o fato de ter optado em ser instrumental foi simplesmente por não ter um vocalista disponível para gravar nesse EP e tem a participação do Fabio Herenio do Apostasis no solo da música Battle of the Wings também.

Agora está tudo esclarecido, atitude honrada. Depois fiquei surpreendido quando ouvi o single em que você fez uma versão instrumental para o Mandylion do The Gathering, que vale ressaltar que a capa merecia um pôster de tão bela. E depois fiquei surpreendido novamente ao ouvir e ver o lyric video da Slowly Dying, onde você assumiu os vocais e que diga-se de passagem, vocais poderosos… e teve uma participação também nos vocais mais melódicos como você já nos disse acima. Nos fale sobre esse trabalho, a incursão de vocais, a produção…

Mandylion – Single (2020)

Rogério Marques – A gravação da versão da Mandylion foi meio que sem querer, pois eu nem mesmo conhecia muito o The Gathering… rs… e fui convidado para participar de um tributo à banda, mas logo depois eu não sei o que ouve mas me tiraram do cast e como eu gostei muito da versão e já tinha gravado aí acabei resolvendo lançar como single, parece que esse tributo ainda vai sair.
Sobre o novo single “Slowly Dying” eu resolvi me arriscar nos vocais pois essa música fará parte da coletânea Brazilian Doom Metal, que será lançada agora em março com 11 grandes nomes do Doom Metal nacional pela Pagan Tales Records e tive a ideia de convidar o vocalista Felipe Stock do Beholder’s Cult para fazer o vocal num trecho mais melódico e melancólico da música e caiu como uma luva, pois ele colocou exatamente a dramaticidade e sentimento que a música precisava, ficou excelente e foi uma honra ter essa participação dele e quanto ao meu vocal muito obrigado pelo elogio, eu nunca tinha feito vocal antes na vida e foi um grande desafio… rs… e a produção dos singles foi feita também com a ajuda do Lucas Santiago.

Fantástico! espero ansioso por essa coletânea. E como está sendo a reação do público diante a estes trabalhos?

Rogério Marques – O Aberration Doom está tendo uma boa recepção e repercussão por parte da galera, tenho recebido muitos feedbacks positivos e isso me incentiva em continuar e quem sabe transformar esse projeto em uma banda para poder fazer alguns shows no futuro, está sendo muito gratificante ser ouvido em todos os cantos do mundo, curto muito mídias físicas, mas é inegável o poder que a internet e as plataformas digitais tem para divulgar música por todo o mundo.

Slowly Dying – Single (2021)

Eu prevejo ouvindo estes singles que logo pode vir o primeiro álbum rsrsrs. Pode nos adiantar quais serão os próximos ataques do Aberration Doom?

Rogério Marques – Eu tenho bastante material que futuramente poderá ser gravado e a ideia é continuar tocando, gravando e fazendo o bom e velho Death Doom Metal que tanto amo, talvez eu grave um novo EP nesse ano com vocais, ou até mesmo um álbum cheio, mas estou gostando bastante desse formato de singles, pois assim os lançamentos podem ter uma periodicidade melhor.

Meu grande amigo, muito obrigado pela honra de suas palavras em nosso portal. As considerações finais são suas…

Rogério Marques – Lozano, muito obrigado a você e a Lucifer Rising pelo interesse e pelo espaço cedido à minha música com o Aberration Doom e foi um grande prazer bater esse papo com você e lembrar das histórias do passado, pra mim foi uma grande honra e vida longa ao Doom Metal, ao metal nacional e a Lucifer Rising.

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Luis Lozano

Programador e designer gráfico para a web, com diversos trabalhos realizados com foco na informação e fortalecimento do underground.

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