Entrevistas

AD BACULUM – Somos negros, nordestinos e fazemos o real e autêntico Death Black Metal doa a quem doer

"Pode ser em qualquer lugar do mundo com separatismo ou não eles vão ter que nos engolir!!!"

Os Soteropolitanos do Ad Baculum vem conquistando legiões de fãs por todo mundo com uma sonoridade autêntica. Isso nos mostra que o Negro Underground brasileiro está muito vivo e se espalhando pelos quatro cantos do planeta. Gentilmente os membros, Lord Hades e o Inquisitor, nos falam à respeito de toda história do passado e do presente da banda, suas experiências nos shows, suas influências e também suas aspirações para o futuro. Eles também nos falam sobre o novo trabalho, “Birth of Human Tragedy” , recém lançado pela Brazilian Ritual Records.

Lord Hades, Foto por: Divulgação

Você com certeza é um dos percussores do Metal Negro na América do sul, você foi o primeiro vocalista do grande Mystifier e outrora era chamado como Meugninuosoan, como ainda é conhecido por uma legião de seguidores. Como se deu o fato de trocar o pseudônimo? foi por causa do contexto musical/ideológico da banda?

LORD HADES – Saudações à todos os Death Black Metal maníacos ao redor do mundo!!!
Na verdade, éramos 4 garotos malvados, Eu, e o Beelzebubth fundamos a banda e depois vieram Behemoth e Lucifuge R. pra completar o tormento! A primeira apresentação da banda foi uma loucura. Foi em um festival patrocinado pela prefeitura em que qualquer banda poderia subir no palco e mostrar seu som. Quando entramos em ação as pessoas ficaram horrorizadas em ver cruzes invertidas, pregos, correntes e sangue de animais no palco. Logo começou a rolar brigas no público causada pela energia negativa e clima de podridão no ar.
Eu saí do Mystifier por problemas pessoais e profissionais, mas depois do Mystifier e Necrolust, eu ainda criei outro projeto, o Ritual. Fizemos algumas apresentações, porém, os outros membros não se mostraram interessados em continuar e a desgraça acabou.
O meu pseudônimo agora é Lord Hades, e o significado dispensa comentários já que é bem conhecido entre os apreciadoras da antiga mitologia grega.

Com o Mystifier fez grandes trabalhos e na minha opinião o disco mais importante do Black Metal sul americano, o álbum Wicca. O Ad Baculum tem uma sonoridade autêntica, muito diferente dos seus trabalhos no passado. A aspiração de fazer o som que faz hoje já vinha desde o passado?

LORD HADES – As composições do Ad Baculum atualmente soam muito diferente do antigo Mystifier. Minhas inspirações são variadas, não me prendo à modismos. É tanto que o Ad Baculum está na contramão de outras bandas do estilo que vemos por aí. Estamos adentrando um clima mais mórbido, um clima chegando no Morbid Black Death Doom.

O Ad Baculum inicialmente foi idealizado para ser um projeto com apenas um membro, você. Como surgiu a ideia de tornar o Ad Baculum uma banda?

LORD HADES – Quando eu pertencia ao Mystifier eu colaborava com letras, mas o instrumental eu não fazia. Na mesma época eu cantava e fazia bateria no Necrolust, mas os compromissos com o Mystifier fizeram com que eu me afastasse do Necrolust.
Agora com o Ad Baculum, nas gravações, sempre toco todos instrumentos exceto a bateria. Atualmente encontro-me extremamente satisfeito com o Ad Baculum em formato power trio tornando-se uma banda. Após conhecer o Inquisitor, passamos som juntos e percebi o potencial do Ad Baculum como uma banda. Convidamos o Splatter como baterista e começamos a fazer apresentações. Fiquei bastante satisfeito com o resultado. Após algumas mudanças, hoje somos Eu, Inquisitor e Lunatic a formação oficial do Ad Baculum.

Inquisitor, você participou de grandes bandas como o Poisonous com características muito diferenciadas. Como está sendo a experiência de estar no Ad Baculum?

INQUISITOR – A experiência de fazer parte do Ad Baculum é das melhores possíveis. Eu sempre fui um maníaco por Death Black Metal!!!! Eu já era fã da banda antes mesmo de fazer parte dela. Hoje, ajudo o Lord Hades a dar forma às músicas do Ad Baculum. Isso para mim é uma verdadeira honra!!! HAIL SATANÁS!!!

É notório que a banda tem uma identidade única em suas composições. As composições ficam unicamente centradas no Lord Hades ou hoje como uma banda, todos compõem juntos?

LORD HADES – Eu componho as letras do Ad Baculum, faço também as linhas musicais. Após isso, Inquisitor vem e dá uma forma mais nítida e brutal nas músicas.

Foto: Divulgação

A banda até este momento tem 6 trabalhos e 1 ao vivo. A divulgação tem sido satisfatória? está havendo distribuição fora do país?

INQUISITOR – Sim, com certeza. Temos uma aceitação muito boa fora do Brasil. Temos também uma gravadora extremamente competente que lançou nosso último álbum, a Brazilian Ritual Records que espalha suas pragas por todo o continente. Estamos em negociação também com a Regain Records da Suécia para relançar nosso último álbum nos EUA e Europa.
Pode ser em qualquer lugar do mundo com separatismo ou não eles vão ter que nos engolir!!! Somos negros, nordestinos e fazemos o real e autêntico Death Black Metal doa a quem doer! Eles aceitando ou não! Fodam-se!!!

O álbum anterior “Summe Potens & Callidus” lançado em 2017 teve ótima repercussão entre os seguidores, cheguei a ouvir que este até o momento é o melhor álbum da banda. Na opinião de vocês este de fato é o melhor álbum da banda?

LORD HADES – Não acho esse o melhor álbum da banda, eu gosto muito do clima caótico do Morbid End of Cannibalistic Cosmos e também gosto da evolução musical do Opening the Abyss, já que iniciamos à partir desse trabalho como uma banda e não mais como um projeto “one man band”.
INQUISITOR: Gosto muito do resultado do que fiz no Summe Potens & Callidus, mesmo não tendo tempo hábil para ter criado mais nele. Mas os meus álbuns prediletos do Ad Baculum são o Blackness Doctrine e o Opening the Abyss.

As capas de todos os álbuns são muito bem feitas. De quem vem as ideias para criação destas artes?

LORD HADES – Quem construiu o logo foi o famoso artista mexicano Alemsahim. A capa do ” Blackness Doctrine” é de autoria do francês Chris Moyen. O álbum Abstract Abysmal Domain teve a capa feita pelo italiano Ahrin Von Past. No “Morbid End…” eu mesmo fiz a montagem para a capa. O “Opening the Abyss” tem na capa uma pintura do artista medieval Paul Gustave Dore, 1869. Que desenhou as ilustrações para o livro A divina Comédia, de Dante Alighieri. O álbum “Summe Potens & Callidus” tem a capa feita pelo paulista Natan Viana.

Você pode nos falar um pouco a respeito do novo álbum?

LORD HADES – No Álbum anterior explorei as ideias do grande filosofo do seculo Dezesseis e racionalista René Descartes. Em suas meditações ele citou que o Deus Judaico Cristão e o Demônio era uma unica entidade. Formulou a hipótese da existência de um demônio maligno como o próprio Deus, uma personificação “tão inteligente e enganadora quanto poderosa, que dirigiu todo o seu esforço para iludir os seres humanos com suas contradições”. O autor refe-se a uma passagem na Primeira Meditação, na qual Descartes declarou que ele não era um Deus ideal, mas sim um demônio maligno “Summe Potens & Callidus”. Nas Meditações, Descartes pensou que o “deus enganador” e o demônio maligno são os mesmos. Foi acusado de Blasfêmia pelos protestantes e quase acaba morto. Quando li suas meditações fiquei impressionado e tive a ideia de adaptar suas ideias às letras da banda. Já o nosso trabalho atual “The Birth of Human Tragedy”, Continuo tendo influencias nas letras dos grandes filosofos dos século Dezesseis e Dezessete, mais estou sendo mais fatalista e aceitando a morte como uma amiga próxima e sinistra que ao qual não se pode tentar evita la e sim entender toda a mecânica da entropia universal como os antigos ocultistas faziam. Estou destruindo a machadadas o altar teológico dos tolos seguidores da famigerada e mentirosa doutrina do Status Quo atual, que através dos séculos se mantem como mecanismo de controle pelo medo. Em termos musicais acho que a banda encontrou a maturidade, bases mais solidas e diversificadas mantendo mais um clima de batidas mais cadenciadas.

Nos fale sobre a tematica de “The Birth of Human Tragedy”…

LORD HADES – Nesse estou sendo menos ortodoxo do que o álbum anterior. Digamos que estou sendo pessimista mais com um toque de humor como nas letras do grande Autopsy.

Foto: Divulgação

Você vem se mantendo fiel ao estilo e toda sua ideologia por todos esses anos, o que é louvável. Como você enxerga hoje o cenário como um todo?

LORD HADES – Atualmente gosto muito das cenas do Chile e Grécia. No Brasil, nos anos 80, Belo Horizonte em MG, tinha maior cena que revelou bandas de potencial internacional. Atualmente está muito decadente. Nos anos 80 tínhamos muitos problemas com brigas sangrentas com punks e carecas nacionalistas aqui em Salvador. Mas, atualmente, esses movimentos políticos têm bem menos notoriedade aqui na cidade. Foram exterminados até o último homem. Só o que resta é o império do metal underground!!!
Aqui no estado tem surgido bandas de potencial muito grande como: Escarnium, Poisonous, Morbid Perversion, Putrid Sêmen entre outras que não vêm à mente no momento. Além das já renomadas de outrora como: Headhunter DC, Bennemerinnen, Deformity BR entre outras que infestam nossa terra de peste negra!!!!

Eu fico horrorizado com o nível de ativismo politico no comportamento dos MetalHeades atualmente. Devemos ter em mente que o Metal é um movimento rebelde e anti sistema. Não devemos ter posicionamento politico, sindical, social ou religioso. No começo da década de oitenta o que dominava aqui em Salvador era o Hard Core. Eu sempre gostei de bandas Hard Core independente de algumas abordarem temas políticos, inclusive ainda ouço muito Hard Core podrão, mais o que mim motivava a ir em apresentações de bandas desse estilo era a agressividade e a postura FUCK OFF. Toda ideologia de massa foi feita pra escravizar mentalmente os ignorantes. Todo Headbanguer deve ser individualista e sentir nojo de toda essa lavagem cerebral socio cultural. Devemos ser cada um o “super homem” pregado por Friedrich Nietzsche.

Os álbuns são bem conceituais, as letras são muito bem escritas. Quais são suas inspirações na hora de escrevê-las?

LORD HADES – Minhas inspirações vêm do meu interesse por antigas civilizações e o lado obscuro do cosmos. Ainda acrescento o que tem de pior na natureza humana em minhas composições, alertando o quanto decadente é a nossa civilização ao ponto de tornarmo-nos criaturas parecidas com pragas nas plantações.

Foto: Divulgação

Durante a carreira do Ad Baculum houve uma mudança intensa de selos, vocês lançaram seus álbuns pela Undercover, Craneo Negro, Hammer of Damnation e Brazilian Ritual Records. Como foi a relação da banda e os selos? O novo trabalho já tem o selo definido para o seu lançamento?

LORD HADES – Muitos selos nos procuram para lançar nossos álbuns. Damos prioridade aos mais comprometidos com a causa underground, que é a nossa cena. Temos sempre uma ótima relação com esses parceiros que se interessam em espalhar nossas pragas em forma de música pelos 4 cantos desse local imundo chamado de planeta terra.

Quais são suas principais influências?

LORD HADES – Minhas influências são os primórdios do metal maldito feito nos anos 80. Acho que isso é o bastante!

INQUISITOR – Black Sabbath, Slayer (old), Possessed, Celtic Frost (old), Warfaire Noise 1 Compilation entre outros!!!

Quantos aos shows, vocês já tocaram em diversos estados brasileiros e inclusive participou da 4º edição do importante festival Brazilian Ritual onde foi feito um registro ao vivo da banda. Como foram os preparativos e a produção para este registro?

INQUISITOR – A experiência de fazer parte do cast do festival Brazilian Ritual em São Paulo foi diabólica. Experiência ímpar! O idealizador do festival, Eduardo Beherit é um verdadeiro guerreiro da cena underground brasileira. Fomos muito bem recebidos até o último momento pela produção do evento! Só temos a agradecer ao idealizador desse festival e desejar que venham vários outros!!!

Foto: Divulgação

Como tem sido a receptividade da banda nas cidades por onde passaram? Já houve algo vocês desaprovaram?

LORD HADES – Até o momento só fizemos shows fudidos ao redor do Brasil. São Paulo, Aracaju e Rio Grande do Sul ofereceram as melhores estruturas para o Ad Baculum até o momento.

Vocês pretendem divulgar o trabalho que está sendo concebido em uma turnê internacional?

LORD HADES – Sim, com certeza! Estamos recebendo algumas propostas e avaliando as melhores formas para podermos espalhar nossa praga em outras civilizações!

Tenho muitos contatos em muitos países e principalmente os amigos que estão espalhados por toda América do sul me perguntam sempre sobre vocês. Existe uma pretensão de visitar os nossos países vizinhos e sanar a grande vontade que os nossos Hermanos têm de vê-los ao vivo?

LORD HADES – Temos um grande interesse em excursionar pelo nosso continente sul americano. Ouço muitas bandas desses países e eles respiram o verdadeiro underground! Espero que em breve nos convidem para fazer alguns rituais por essas terras!!!

2019 – The Birth Of Human Tragedy “Novo Álbum”

Quais são as aspirações da banda para o futuro?

INQUISITOR – Vamos continuar trabalhando até o último suspiro e fazer nosso trabalho em nome da maldição e da intolerância! Nosso principal argumento é: falar menos e fazer mais!!! Por isso já estamos dando forma ao novo álbum.

Meus amigos, eu agradeço muito a entrevista cedida e por toda atenção. Um forte abraço a vocês…

LORD HADES – O Ad Baculum é que agradece o espaço cedido, Eden! Um grande hail à Lucifer Rising e aos leitores maníacos por metal maldito!!!!

Ouça abaixo a faixa The Birth Of Tragedy pertencente ao novo álbum:

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Luis Lozano

Programador e designer gráfico para a web, com diversos trabalhos realizados com foco na informação e fortalecimento do underground.

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