Entrevistas

AGAUREZ – 20 anos de estrada maldita e de muita desgraça

"O Underground mineiro sempre foi uma das maiores potências do metal nacional e, na nossa opinião, continua sendo..."

A maldição mineira AGAUREZ completou 20 anos de estrada maldita e de muita desgraça promovida no underground. Atualmente eles se preparam para lançar o segundo disco que virá após um longo intervalo de 16 anos desde o lançamento do debut álbum.  Conversamos com estes maníacos a respeito do novo disco, do redirecionamento musical e de outros pormenores… leiam e caiam em desgraça.

Agaurez, Foto por: Divulgação

Saudações, maníacos. Agradeço o tempo que destinam a responder esta entrevista. O que o AGAUREZ está preparando para os próximos dias?

Agaurez – Saudações! A banda está mantendo o cronograma regular de ensaios, e no dia 12 de abril, temos um show marcado no Underground Noise Fest, em Sete Lagoas. Fora isso, planejamos o lançamento do nosso próximo disco para o meio deste ano, assim como alguns shows ainda não confirmados.

Sobre o novo disco o que vocês poderiam adiantar para o público?

Agaurez – É um disco cujas músicas foram escritas desde a volta da banda à ativa, em meados de 2013, e nenhuma delas teve algum registro até hoje. Estamos trabalhando nessa gravação desde 2016, e depois de alguns contratempos, finalmente teremos esse material em mãos. Ficamos bastante felizes com o resultado; será um disco rápido, brutal e barulhento!

Vocês já têm alguma proposta de lançamento? Algum selo ou gravadora já está na jogada para colocar este material no “mercado”? Aliás, ainda vale à pena lançar material físico hoje em dia, em plena era das plataformas digitais e do download?

Agaurez – Queremos fazer um show de lançamento assim que estivermos com o material pronto, em conjunto com uma divulgação massiva nas nossas redes e nos canais disponíveis. Sobre o selo, sim: estamos com uma negociação encaminhada. Porém, ainda não podemos divulgar o nome, por razões contratuais, mas, assim que tivermos com tudo alinhado, vamos revelar essa parceria. E finalmente, a respeito do material físico, essa é uma pergunta difícil, considerando qual o objetivo de cada banda, mas nós consideramos que sim, vale à pena. O “mercado” sempre passou por vários ciclos e após as pessoas passarem os últimos anos ouvindo música através de plataformas de streaming e mp3, notamos um contra-movimento onde muitos estão voltando a comprar CDs, vinis e até mesmo fitas K7. Além da fidelidade superior que o material físico geralmente tem sobre o áudio comprimido do mp3, o material físico é um complemento estético do som, ali podemos colocar um pouco da atmosfera do álbum, as letras, uma concepção visual, etc.

Agaurez, Foto por: Divulgação

O debut álbum do AGAUREZ é de 2002. Faz tempo heim? Depois disso vocês lançaram um single em 2014. Além dos problemas normais que toda banda enfrenta há algum elemento extra para que tenha se passado tanto tempo entre os lançamentos?

Agaurez – Sim! Na verdade, a banda teve algumas mudanças de formação desde o lançamento do debut. Eu mesmo, (V. Cenobite) entrei nos vocais substituindo o Diaz M. em 2004, e tivemos um pequeno lançamento em 2006: duas músicas foram incluídas na coletânea Extreme Underground Vol. III. Depois disso, novas mudanças aconteceram na formação e a banda encerrou as atividades em 2007. Este hiato durou até 2013, quando o D.Hell, C. Alok, F. Impious e eu decidimos nos reunir para voltamos com as atividades da Agaurez. Desde então, fizemos vários shows e escrevemos muito material, e já temos o álbum gravado e pronto para sair, estamos só buscando a parceria com o selo, como comentei anteriormente, mas nossa expectativa é termos o disco pronto e lançado no meio deste ano.

Caralho, vocês ficaram um bom tempo hibernando. Tem ideia do que a banda deixou de conquistar nesse período?

Agaurez – Talvez! Mas nós tentamos nunca pensar no que poderíamos ter conquistado, e sempre olhar para frente. Nunca saberemos se deixamos de conquistar alguma coisa por causa desse período, mas por outro lado, voltamos com um novo fôlego e novas ideias depois deste hiato, e na nossa visão essa pausa pode ter sido mais construtiva do que uma perda.

2002 – Un Virtue Vitae “Full-length”

E quem escutar o novo disco do AGAUREZ (que ainda vai chegar aos nossos ouvidos) e escutar o Un Virtue Vitae vai conseguir perceber que é a mesma banda, já que 17 anos separam os dois trabalhos?

Agaurez – O estilo mudou bastante! O Un Virtue Vitae tinha bastantes teclados, um ar mais atmosférico e sinfônico. O material novo tem mais influências de death e thrash metal, uma orientação mais agressiva. E em termos de produção está bem melhor, até porque a tecnologia evoluiu bastante. Certamente quem ouvir os dois discos na seqüência sentirá um baque! Mas a intenção é essa.

Lembro que em Un Virtue Vitae havia umas linhas de baixo que se sobressaiam. Aquele camarada tocava muito. No atual momento quem comanda o dito instrumento é a Carina Alok. O que podemos esperar das linhas de baixo nesse novo disco?

Agaurez – Na verdade a Carina é a guitarrista solo hoje em dia. Ela já foi baixista na época em que entrou na banda, antes do lançamento do debut. Quem gravou os baixos do Um Virtue… foi o W. Malicious, que também gravou os baixos neste disco novo. Atualmente contamos com R. Necro na posição, que já fez parte do Luxuria de Lilith, e assumiu as quatro cordas em meados do ano passado.

C. Tenebrae Alok, Foto por: Divulgação

O cenário underground mineiro mostrou muita qualidade e quantidade desde os anos 80. Hoje em dia ainda podemos dizer a mesma coisa?

Agaurez – Com toda a certeza! O Underground mineiro sempre foi uma das maiores potências do metal nacional e, na nossa opinião, continua sendo até hoje. Inúmeras bandas continuam produzindo um material de extrema relevância nos dias atuais, e temos orgulho de algumas vezes poder dividir o palco com elas. A Agaurez tem total orgulho de vir de uma terra onde o metal é levado a sério.

E em termos de eventos e público, como as coisas seguem por aí? Pergunto isso porque o país inteiro tem registrado queda na quantidade de público nos shows e em consequência dessa baixa procura os organizadores não se sentem tão estimulados a realizarem shows.

Agaurez – Não sei, acho que essa questão da queda do público é um pouco cíclica. Eu não sei quanto a números de ingressos vendidos, ou dos custos para realizar eventos, mas minha impressão é que os shows de BH estão contando ainda com um público bom. Talvez uma eventual queda seja relativa à crise que o país está vivendo… O custo de vida está alto, o desemprego também, e isso com certeza gera um impacto nos eventos.

A sonoridade em relação ao primeiro álbum mudou. Você mesmo disse isso há pouco. “Un Virtue Vitae tinha bastantes teclados, um ar mais atmosférico e sinfônico. O material novo tem mais influências de death e thrash metal, uma orientação mais agressiva”. Que fatores ou concepções contribuíram para essa mudança? O que diria para aqueles que apreciam a sonoridade de Un Virtue Vitae e de repente não se agradam do que a banda faz atualmente?

F. Impious, Foto por: Divulgação

Agaurez – Essa transformação foi orgânica. Não foi um caminho que decidimos seguir deliberadamente, mas foi acontecendo sozinho, talvez pelas influências que a formação atual tem e pelo tipo de som que nos agrada. As musicas simplesmente foram por este caminho e nós gostamos do resultado. Mas os primeiros passos nessa direção começaram a ser trilhados pouco depois do lançamento do Un Virtue. Musicas de 2004, como Coagulation Complex e Through Morphine Conscious Labyrinth, que tocamos até hoje, já apontavam para essa direção. Para os que gostam da sonoridade do primeiro disco, pensamos em regravar algumas musicas antigas em breve, na pegada atual. Acho que toda banda passa por um processo evolutivo, e acreditamos que o som atual faz parte disso.

E vi que se refere à parte lírica, houve alguma alteração significativa?

Agaurez – Não. As letras continuam com uma temática que mistura filosofia, ocultismo e anti-religiosa. O que mudou é que antigamente as letras eram escritas pelo guitarrista Azper e hoje eu sou o letrista, mas em essência não houve uma alteração significativa. Hoje em dia eu também procuro basear algumas músicas em algumas obras que tenham me influenciado, como é o caso da música Carcosa, por exemplo, cuja letra eu escrevi na época em que eu estava lendo o livro “O Rei De Amarelo”, do Robert Chambers, que foi o fio condutor da temática que eu utilizei.

Valeu maníacos, agradeço a atenção e a gentileza para responder a esta entrevista. Espero ouvir em breve o novo material de vocês. Valeu e até mais… Deixe suas considerações.

Agaurez – Nós é que agradecemos pela oportunidade, Carlos! Nosso novo lançamento demorou para sair, mas vai valer à pena! Assim que tivemos mais notícias do material, entramos em contato. Todo o sucesso para a Lúcifer Rising e para o Pecatório. Ad Majorem Sathanas Gloriam!

Ouça abaixo a música The Will To Power pertencente ao álbum The Five Sigils:

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Carlos Soares

Edita os fanzines: Pecatório (desde 2001) e Sindicato Dos Assassinos (desde 2012). Já participou de diversas bandas dentro do underground.

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