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AKUÃ – Construindo novos caminhos para o Black Metal com muita sabedoria

Akuã é uma banda que nos intriga e nos causa curiosidade por ser diferente… sim… uma banda que adotou uma temática e uma ideologia completamente fora do comum, principalmente no Black Metal por ser um estilo de identidade muito radical. Confesso que fiquei deveras impressionado ao conversar com as integrantes  F.M.E. Ikikunari e Wolf Woman, elas detém muito conhecimento e que conseguem de forma honrosa transmitir a sua mensagem através de suas músicas. Foi um imenso prazer poder realizar esta entrevista com estas guerreiras de espíritos ancestrais.

F.M.E. Ikikunari, Foto por: Divulgação

Salve, para começar gostaria de saber qual o significado de AKUÃ e o porque deste nome para a banda?

F.M.E. Ikikunari – Saudações, Xohã! Primeiramente temos que falar da linguarem Pataxó. Língua: Patxohã – A linguagem é uma das formas de expressão da identidade cultural mais fortes que um povo pode ter. Como já observado, a língua falada pelos Pataxós pertence ao tronco linguístico Macro – Jê.

Akuà significa FLECHA no dialeto linguístico Pataxó. Queríamos um nome forte, que de uma certa maneira representasse a proposta da banda. Então consideramo – nos como uma flecha que veio para atingir ao público mais seleto da cena Underground.

A proposta, pretensiosa, de ter como temática principal o resgate da cultura ancestral dos povos indígenas é muito interessante. Como surgiu e de quem partiu essa proposta?

Wolf Woman – A proposta partiu da vocalista, ela possui uma pertinência sobre a cultura indígena brasileira, e partindo deste princípio fomos construindo as músicas da Akuã. Com a inserção de instrumentos indígenas e a mistura do peso fomos moldando o que hoje é a Akuã.

Como é uma temática bastante diferenciada dentro de um estilo onde é muito mais comum falar de temas como Satanismo ou mesmo abordar temas como culturas pagãs europeias. Como foi a recepção do publico ao se deparar com sua proposta?

Wolf Woman – Tem sido muito boa, percebemos a surpresa em relação a temática que usamos e ao som também, devido ao uso de instrumentos de sopro, percussão, as pessoas têm se interessado pela banda e apoiado na medida do possível. Ficamos felizes por isso.

Wolf Woman, Foto por: Divulgação

Ao ouvir a demo “AKUÔ confesso que fiquei impressionado com a competência demonstrada neste material. As composições ficam concentradas em algum membro ou todos participam? E não sendo clichê, quais as influências musicais do Akuã?

Wolf Woman – De modo geral todos participam, mas a parte lírica e das letras elas ficam exclusivamente com a nossa vocalista, que escreve e encaixa da melhor forma no instrumental, e a criação dos riffs é minha parte, que crio mostro para eles e vamos montando a música da melhor forma, sempre encaixando as ideias de todos.

Nossas influências variam bem, do black metal mais tradicional e clássico, até o thrash metal e Heavy metal tradicional da minha parte principalmente, além disso nossa vocalista tem muita influência da música folclórica latina, Inka Black Metal e Aztec Black.

E falando da parte lírica que claro, é a parte mais importante de sua proposta. Você pode nos falar um pouco sobre o embasamento lírico de suas músicas?

F.M.E. Ikikunari – A base principal é sobre indigenismo, natureza, mitologia, mitos, folclore e ameríndio. Dentro destes temas abordamos sobre guerra, genocídio, cultura, música e natureza.

Haveriam algumas dicas de livros para que nós pudéssemos poder entender ainda mais toda filosofia por trás do Akuã?

F.M.E. Ikikunari – A inspiração para elaborar as letras vem de muita leitura como autores: Ailton Krenak, Daniel Munduruku, Magda Pucci, Berenice de Almeida. Livros como Popol Vuh e Dresden Codex (livro da civilização Maia) fazem parte para o prefácio da Akuã.

Frau Modresnasch, Foto por: Divulgação

E falando da demo “Akuã”, vocês trazem aqui 4 excelentes músicas em uma produção muito bem-feita. Como foi todo processo deste material de apresentação da banda?

Wolf Woman – A banda iniciou em 2016, e eu não fazia parte da banda ainda, então praticamente 3 das músicas que estão na demo foram feitas antes de eu entrar. Mas após minha entrada as músicas é claro acabaram ganhando uma outra identidade e algumas modificações, que é o caso da Dzules que tiramos uma parte dela e acrescentamos uma outra mais rápida e violenta e a Lobo que mudamos totalmente o andamento dela , e Ritual de Celebração aos Povos mortos que criamos com a atual formação com a intensão de fazer um som simples e rápido.

E como está sendo a distribuição da demo? Existem ainda cópias disponíveis para o leitor que se interessar em adquirir?

Wolf Woman: A distribuição da demo está sendo feita totalmente de forma independente, enviamos para alguns zines e distros do Brasil e fora para divulgação, distribuímos entre os amigos e demais interessados, sempre que vamos em shows levamos e passamos aos interessados. Ainda temos o material em mãos para quem quiser, basta entrar em contato na página da banda ou com qualquer um dos três integrantes.

A banda foi formada em 2016, estou certo? Como tem sido as apresentações da banda? Existe alguma apresentação em especial que marcou vocês?

Wolf Woman – Apesas da banda ter começado em 2016 ela acabou ficando bastante tempo parada, sem ensaios e depois um pouco mais até que se deu a minha entrada, e mesmo assim acabamos ficando muito focados no estúdio e não fazendo apresentações ao vivo. Recentemente fizemos a primeira no Barphomet na Varzea Paulista que foi muito legal e especial para nossa primeira apresentação, e agora estamos ansiosos e com muita vontade de nos mantermos firmes nos ensaios e nas apresentações.

2019 – Akuã “Demo”

Pelo que ouvi, na sua proposta musical o Akuã é uma banda que está pronta. A competência de passar a sua mensagem de forma direta é notória. Existe a possibilidade de vir um debut álbum por aí?

Wolf Woman – Gravar um debut é uma grande vontade de todos nós, é um objetivo, mas precisamos antes fazer mais shows e divulgar mais nosso trabalho, talvez um EP daqui um tempo seria o mais viável por enquanto e bom para banda, mas um debut sairá sim.

A Lucifer Rising agradece demais a honra poder entrevista-las e assim trazer aos nossos leitores um pouco mais sobre o grande Akuã. Sinta-se à vontade para escrever suas considerações finais…

Wolf Woman – Em nome de todos da banda agradeço muito esse espaço que nos foi dado é muito importante para nós, e também uma honra, Lucifer Rising e Luis Lozano o trabalho de vocês e dos demais envolvidos é muito importante para as bandas, principalmente para as que estão começando agora. Força e vida longa ao trabalho de você.

Muito obrigada também a todos que de alguma forma tem apoiado e dado força ao trabalho da Akuã, estamos empenhados em fazer um trabalho melhor a cada dia, para quem quer conhecer o nosso som entre em contato conosco. Contato: https://www.facebook.com/akuablackmetal/

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Luis Lozano

Programador e designer gráfico para a web, com diversos trabalhos realizados com foco na informação e fortalecimento do underground.

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