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ALCEST – Spiritual Instinct

Nuclear Blast (Importado)

O Alcest está de volta com um novo álbum e aqui temos algo interessante: A banda ainda tem sua base atmosférica que alicerça o álbum, mas parece que o Alcest voltou às suas raízes de true Black Metal que tanto esperávamos. Estamos falando do proeminente “Spiritual Instinct” via Nuclear Blast.

O álbum é recompensador, ele te recompensa a medida que você ouve, pois a cada audição, percebemos as camadas sonoras que o compõem. Um contraste nítido de atmosfera e peso e de luz e trevas. Um destaque aqui são as passagens limpas de guitarra e de vocal, coisa que já vinha sendo feita em alguns álbuns recentes da banda. Todas as faixas apresentam focos específicos em que temos um vocal destruidor e passagens mais nítidas de Black Metal, como podemos constatar do riff de “Protection” ou na sufocante “L’île des morts” ou “A Ilha dos Mortos”, a faixa mais longa do álbum, mas também, a mais progressiva, com elementos mais nítidos do que o Alcest vinha fazendo em álbuns como “Kodama” ou “Les voyages de l’âme”.

Nos dois álbuns acima citados e na presente faixa do álbum temos um trabalho próximo de baixo e bateria gerando um sentido de preparação e antecipação que deságua em um escapismo interessante que parece que não funcionaria, mas é surpreendente!

Ao todo são seis faixas que funcionam muito bem em sequência, na estrutura tópica do álbum. Os riffs de guitarra têm em geral características de “heavy pickup”, o que parece deixá-los rasos em algumas passagens, fato que é compensado pelos vocais e pelo instrumental. Em algumas passagens eu achei que a banda se repetia um pouco, o som acaba ficando com um loop de “já ouvi isso antes”, mas não gera nenhum demérito á qualidade do trabalho que evolui a medida que você ouve mais e mais vezes, mas eu gostaria de sentir isso desde a primeira audição. Isso evitaria a sensação de “qual faixa estou ouvindo?

Apesar destes pequenos detalhes, o Alcest conseguiu mesclar em sua essência um pouco do post-rock com elementos clássicos do Black Metal, o que é bem impressionante ao longo do álbum. O que torna este álbum um para-raio de todas as transformações que o gênero vem sofrendo ao longo dos anos recentes.

NOTA: 8/10

 

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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