Entrevistas

ALKYMENIA – …curto e grosso nas letras, vivemos ainda numa realidade muito precária…

Tour, serão dois meses viajando pelo território Europeu.

A Alquimia do Thrash Metal tocado com o feeling que o estilo pede; batemos um papo com a banda Alkymenia, que, nos relata os preparativos para a próxima tour e também um pouco do que o recém lançado CD “Libertad” é capaz de transmitir…

Lalo, Foto por Divulgação

Pesquisando sobre a nomenclatura da banda, não há uma tradução exata do nome ALKYMENIA. Achei interessante pois lembro bem do logo e de alguns cartazes e uma gravação em uma demo tape que ganhei de um amigo. O correto seria afirmar que Alkymenia seria uma releitura da palavra Alquimia?

Lalo Silva – Exatamente, no início a banda se chamava Alquimia, criei a logomarca para esse nome, fizemos alguns shows usando essa logo, porém apenas depois de algum tempo viemos notar que já existiam algumas marcas usando esse nome inclusive bandas de outros estilos, daí veio a ideia de criar um nome próprio com influência da palavra Alquimia e assim conseguir adequar o novo nome a nossa logo.

Creio que o som que eu ouvi gravado na fita, seja parte do CD demo “They Don’t Deserve Respect”, por falar nisto, o título fuderoso, direto e simples. A banda foi formada em 2003, mas este CD demo foi lançado em 2009, de forma independente. Esse hiato se deve aos problemas com a formação?

Lalo – Em 2003 quando formamos a banda eu e Dennis éramos moleques, não tínhamos condições nenhuma de fazer uma gravação, a banda começou como quarteto com Cristiano nos vocais que decidiu sair da banda quando estávamos produzindo esse primeiro registro, isso também acarretou na demora para encontrar o Anderson Chino, e em seguida recriar alguns arranjos e letras conosco para dar seguimento nas gravações e assim lançar o “They Don’t Deserve Respect”, esses foram os motivos!

2012 – Dark And Nebulous “CD”

“Dark And Nebulous” é o primeiro full, lançado em 2012, contendo 10 sons. Nos conte um pouco sobre o processo criativo deste álbum. A capa é uma verdadeira obra de arte do Thrash Metal.

Lalo – Obrigado, nós precisávamos mostrar um trabalho mais elaborado principalmente por se tratar de ser nosso Debut álbum, já estávamos atuando como Power Trio e a banda estava cada vez mais insana, passamos um tempo fazendo vários shows pela cena do Nordeste, tocamos em festivais importantíssimos, vencemos a seletiva Pernambucana do Wacken Metal Battle em 2009 e tocamos na final nacional no Rio de Janeiro-RJ, dividimos palco com grandes bandas que admiramos muito, tudo isso nos inspirou e nos deixou sedentos para dar uma pausa nos shows e nos dedicar apenas as composições, o disco foi produzido e gravado em São Paulo-SP no Datribo Studio, com o Ciero no comando das produções, as gravações foram feitas no sistema analógico, demos muita atenção e nos dedicamos muito para fazer a direção da arte da capa, os desenhos foram criados pelo Hugo Silva e nossa idéia era realmente criar elementos obscuros e coincidentemente a capa impressa acabou saindo bem mais escura do que esperávamos e isso acabou também dando mais ênfase a temática do disco.

E, com este CD, vocês realizaram uma turnê pela América do Sul e Europa, como foi organizado tudo, digo, os preparativos e a agenda de shows?

Lalo – Desde o início da banda nós nunca ficamos parados aguardando convites, corremos sempre para poder levar nosso trabalho cada vez mais longe, nós somos os principais organizadores de todos os projetos da banda, tendo um full lançado em mãos, nós atacamos em enviar esse registro para todos os nossos contatos e nos disponibilizamos ainda mais para poder viajar e apresentar o trabalho em shows, largamos tudo e caímos na estrada, com isso conseguimos nossa primeira turnê pela Europa, os shows foram insanos, conhecemos excelentes bandas e fincamos nossa bandeira no velho continente, tudo isso de forma independente.

2019, Divulgação

A cena Pernambucana tem crescido bastante, como está o circuito de eventos?

Lalo – Eu sou suspeito pra falar porque curto bastante a cena Pernambucana, mas há décadas Pernambuco já tem uma cena muito ativa, com bandas muito acima do nível, excelentes shows autorais com bom público, com o passar dos anos a cena tem crescido ainda mais, além de cada vez mais entrar no circuito de grandes shows, sempre tem shows com bandas locais apresentando seus trabalhos, isso me dá muito orgulho e muito mais forças para mantermos nossos sonhos.

2019, Divulgação

“Strong and Unfailing As a Thunder”, segundo full da Alkymenia, e novamente lançado de forma independente,  em 2017. No início vocês optaram por lançar desta forma ou era mesmo por causa das dificuldades em conseguir um selo para lançar o CD?

Lalo – Nós passamos um ano e meio morando em São Paulo-SP, fizemos shows importantes na cena de SP e nos dedicamos em nos trancar sozinhos no Datribo Estudio para produzir esse segundo álbum, todo o processo de produção e gravação foi feito apenas pela banda, além das composições como habitual, nesse disco cada botão girado na mesa de som, cabo plugado, cada microfone posicionado foi feito pela banda, nós queríamos soar ainda mais sujos e gravamos tudo tentando seguir os moldes da velha escola do Rock N’ Roll, não tivemos tempo para procurar selos e estudar propostas para lançamento físico, assim como também optamos por lançar as músicas sem mixagem e sem masterização, gravamos dois video-clips em estúdio para as músicas “As the Father’s Son” e “Keep your Feet…”, e em seguida lançamos o disco completo em todas as plataformas digitais, tivemos um feedback muito bom desse disco do público gringo.

2019 – Libertad “CD”

“Libertad”, CD 2019, lançado via Dead Paradise Records, selo do meu grande irmão Hugo Veykon. Este CD mostra a banda mais madura, coesa no som, pelo que notei, a banda está muito mais ciente do poderio sonoro que possuem e, construiu sua identidade. O CD ficou muito bom, desde a capa, fuderosa por sinal à gravação…

Lalo – Obrigado, nós fomos privilegiados em ter ganhado a oportunidade de gravar esse disco na Dinamarca pelas mãos, ouvidos e produção do mestre Tue Madsen, ele é responsável por produzir e trabalhar com grandes bandas que curtimos muito, como Meshuggah, Rob Halford, Suicide Silence, Behemoth e outros, estávamos em turnê pela Europa e quando recebemos a proposta de uma possível gravação para esse novo trabalho decidimos nos focar e dar nosso melhor, não foi fácil pois estávamos fazendo shows a noite e gravando durante o dia! RS. Também tivemos um excelente apoio da querida fotografa Melissa Ghezzo que fez todo o ensaio fotográfico para esse disco na Itália, o excelente trabalho gráfico de Felipe Vaz, e o reconhecimento e parceria para lançamento pela Dead Paradise Records que já se destaca pela seriedade e competência nos seus trabalhos.

Foto por Divulgação

Com o Libertad vocês já se prepara para uma nova tour, o que podem nos adiantar?

Lalo – Recebemos propostas para shows de lançamento do Libertad desde o ano passado enquanto ainda estávamos em tour pela Europa, com o lançamento o feedback foi ainda maior, aproveitamos esse momento para lançar o disco e poder apresentar o show novo da banda, serão dois meses viajando pelo território Europeu, além de shows podemos adiantar que temos outros compromissos profissionais por lá essas novidades iremos logo mais lançar nas nossas páginas.

Notei uma preocupação na mensagem que a banda retrata nas letras, em alguns vídeos notei que vocês engajam Educação, Arte e Cultura de uma forma bem simples e direta, algo um pouco diferente do Thrash Metal de outrora.

Lalo – Sim, estou tentando ser cada vez mais direto, curto e grosso nas letras, vivemos ainda numa realidade muito precária, aqui é normal esconder as sujeiras em baixo do tapete, além da falta de educação, arte e cultura, estamos lutando contra todo tipo de preconceito e a liberdade de viver a vida sendo quem você deseja ser acreditando que outro mundo é possível.

Foto por: Melissa Ghezzo

Lalo, lembrei de uma informação, você fez parte da banda “PsychAcid” (curto muito a demo We Are Next to the End), mas, acho que não chegou a gravar nada com eles…, o Sandro Silva também tocou no Kavla (hard rock, tenho o CD aqui, Dream or Reality, 1995).

Lalo – Sim, eu fui convidado a tocar baixo na banda, foram momentos bem loucos e divertidos! RS. Não participei de gravações, mas eles lançaram um vídeo de um show que participei acredito que tenha disponível na internet.

Sobre Sandro Silva acredito que seja coincidência do mesmo nome por que Sandro nunca participou desse trabalho e falou que ta sabendo agora disso! RS. [N.E.: Kkkk. Agora foi longe, kkk!]

Creio ser tudo por esta, valeuz ai! Obrigado por ceder um tempo para responder minhas perguntas.

Lalo – Nós que agradecemos o apoio e a oportunidade Hioderman ZArtan e todos do Lucifer Rising, Obrigado pelas palavras e elogios, todas as trocas de ideias e críticas são muito bem vindas e servem de inspiração para melhorarmos e mantermos nossos sonhos, queremos deixar aqui nossos links e esperamos encontrar vocês o mais breve possível! Abração a todos!

Contatos:

e-mail:
bookingsalesalkymenia@gmail.com

Páginas da banda:

www.alkymenia.com
facebook.com/alkymeniaofficial
@alkymenia
Youtube.com/alkymeniachannel

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Hioderman ZArtan

Editou os zines "Anaites" e o "Guerreiros Zineiros". Designer gráfico Underground e mentor do Anaites Records.

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