Entrevistas

AMEN CORNER – Uma jornada amaldiçoada ao lado de Satanás

Um dos nomes mais proeminentes do black metal nacional, verdadeiros desbravadores, entre os pioneiros a hastear a bandeira de Lúcifer nas terras brasileiras e com uma gloriosa história e longa lista de serviços prestados ao underground… Anunciamos o AMEN CORNER!

Sucoth Benoth, Foto por: Divulgação

Saudações nobre camarada Sucoth Benoth! Seja bem vindo! É a primeira vez que entrevisto o AMEN CORNER e obviamente possuo uma quantidade absurda de perguntas, mas por questão de logística muitas delas ficarão para uma próxima ocasião. Bom, vamos começar falando de Under The Whip And The Crown o mais recente trabalho do AMEN CORNER. Apresente este disco para nossos leitores.

Sucoth Benoth – Salve!! O Under The Whip And The Crown é o nosso sétimo CD oficial ele foi gravado e mixado aqui em Curitiba no Avant Garde estúdio foi produzido pelo Maiko Thomé e por nós da banda. As gravações tiveram início em Julho e finalizamos em Novembro de 2018. O lançamento ficou a cargo da Mutilation Records, nesse álbum tivemos a estreia da baterista Tenebrae Aarseth e do baixista Coveiro que havia tocado comigo no final dos anos 80 no Infernal. Ainda teve a participação de Fernando Nahtaivel nas introduções e no teclado da música Heir Of Lust Heir Of Pleasure. Esse CD foi lançado em Dezembro de 2018 em duas versões, acrílico e Digipack. A temática envolve o império Romano suas conquistas, religiosidade, deuses guerras e a conquista de Jerusalém e a perseguição aos cristãos…

A faixa Heir Of Lust Heir Of Pleasures está no debut álbum da banda não é mesmo? Porque regravar esta música?

Sucoth Benoth – Sim está presente novamente a primeira vez foi em 1993 no álbum Fall Ascension Domination. Nós resolvemos regravá-la pois muita gente nova não conhece e além de todos nós da banda gostarmos dela, ela combinou com a temática do novo álbum, império Romano.

Murmurio, Foto por: Divulgação

Os álbuns conceituais se tornaram mais notórios nas bandas de heavy metal, no entanto, bandas de vertentes mais extrema também se arriscam nessa direção. Você disse que o novo disco fala sobre o Império Romano. Podemos considerar este material como sendo um álbum conceitual?

Sucoth Benoth – Ele é um álbum conceitual porém não falo apenas do império Romano em si, eu falo de coisas que englobavam o império. Falo de possessão diabólica, traição de Judas, Rituais a outros deuses, escravos etc..

Este disco apresenta uma arte muito bem elaborada, lembrando as tradicionais capas desenhadas à mão. Eu particularmente gostei bastante do resultado. Você poderia nos dar mais detalhes a respeito?

Sucoth Benoth – Sim, a idéia foi de passar a letra Under the Whip and the Crown no desenho dar vida a capa e o Marcos Miller conseguiu mostrar isso na ilustração. Ele é um grande artista e nos surpreendeu com um desenho realmente destruidor!! Foi todo feito a mão, o lance foi de resgatar as coisas mais antigas, mais natural e menos artificial.

A capa do disco anterior, Christ Wolrdwide Corporation, em minha modesta opinião, teve uma ótima ideia, porém, com um resultado que a meu ver ficou um pouco artificial. Isto influenciou a banda a escolher uma arte mais orgânica para o novo disco?

Sucoth Benoth – Fazia tempo que queríamos trabalhar de forma mais orgânica na arte da capa, voltar aos tempos mais antigos do desenho a mão mesmo. Eu achei que o Under The Whip And The Crown superou a capa do Christ Worldwide Corporation. Eu não achei a capa do Christ… tão artificial assim, mas o novo ficou muito melhor mesmo!!

Tenebrae Aarseth, Foto por: Divulgação

Sim, achei um retorno ao Fall Ascension Domination esteticamente falando. Bom, vocês estão com a Mutilation Records nesse disco mais recebe. Gostaria que você falasse sobre essa nova parceria. Porque não continuaram com a Cogumelo? Aquelas histórias que rolavam nos anos 1990 e 2000 de que havia problemas contratuais entre a Cogumelo e o AMEN CORNER procedem?

Sucoth Benoth – A mudança de gravadora pra esse álbum foi opcional até porque a proposta foi muito boa e não teve nada pessoal. A Cogumelo sempre nos apoiou em tudo são profissionais e aquelas histórias eram apenas histórias.

Você passou um tempo fora do AMEN CORNER e nesse tempo a banda andou com as próprias pernas, lançando um disco, muito bom por sinal. Sei que você já deve ter falado isso em outras entrevistas, mas gostaria que fizesse uma breve narrativa a respeito deste período. Fale sobre suas razões para sair e para voltar à banda.

Sucoth Benoth – Então, esse período foi uma época que rolou alguns desentendimentos, mas uns mals entendidos, eu resolvi montar um projeto chamado Camos e que levei de 2001 a 2008. Em 2008 eu resolvi voltar pro Amen Corner após conversas com o guitarrista Murmúrio. Sempre foi meu amigo e resolvemos voltar a tocar juntos novamente e estamos firmes de volta desde então.

Eu lembro desse projeto, cheguei a ouvir uma demo. Bom, as notícias que correm a respeito do vocalista que te substituiu e gravou o álbum Lucification é que ele tem posições políticas de extrema direita. Só que quando falam do vocalista do AMEN CORNER inevitavelmente nos lembramos de você. Já enfrentou algum problema ou mau entendido por conta das concepções políticas do outro vocalista?

Sucoth Benoth – Não, não tinha nada político. Amen Corner sempre teve uma postura bem Satânica totalmente voltado só Metal negro e o vocalista que me substituiu na época era um cara normal.. Nunca ouvi falar de extrema direita ou coisa parecida..

Covero, Foto por: Divulgação

Recentemente o Jachol Ve Tehila foi relançado. Este disco provavelmente é o mais climático e ritualístico do AMEN CORNER. Alguns consideram o melhor trabalho da banda. Quais são suas impressões acerca desse trabalho? E o que tu achou do relançamento? Atendeu suas expectativas?

Sucoth Benoth – Nós tínhamos lançado o 12″ EP The Final Celebration um ano antes, e já havíamos deixado as músicas mais climáticas, mais trabalhadas eu acredito que o Jachol Ve Tehilá ficou mais técnico mais limpo do que o Fall Ascension Domination de 1993, mas ficou muito poderoso e muitos o consideram o melhor da banda. O relançamento ficou muito fudido o digipack e com bônus ao vivo.

Algumas bandas conseguem emplacar além de discos full alguns eps clássicos. O AMEN CORNER tem dois eps que entram nessa categoria: The Final Celebration e Darken In Quir Heresete. Falando sobre o Darken In Quir Heresete, ele marcou o retorno da banda banda, um material novo depois de um significativo hiato, e possui uma das melhores músicas da banda, (a minha preferida) The Creator’s Pride. O que tu lembra dessa época e da repercussão desse material? Tem mais algum ep previsto na trajetória da banda?

Sucoth Benoth – Por enquanto nós não temos idéia de lançar outro EP, lembro bem deles, o Darken… nós gravamos ele bem rápido pois já estávamos ensaiando as músicas fazia tempo então chegamos no estúdio e gravamos ele em um dia. Acabou ficando fudido mesmo. Foi gravado todos juntos e não separado.

2018 – Under The Whip And The Crown “Novo Álbum”

O Darken In Quir Heresete deu um novo fôlego ao AMEN CORNER, recolocou a banda em evidência e na época eu me recusava a acreditar que era um ep e o considerava-o full, coisa de gente radical hahaha! Lembro eu a música que eu citei acima (The Creator’s Pride) estava presente num cd coletânea que era lançado junto com uma revista chamada Planet Metal. Se bem me lembro a música estava na edição 4, mesma edição que o AMEN CORNER foi entrevistado. Lá eles colocaram seu pseudônimo como Scott Benoth… Você lembra dessa entrevista? Quais as publicações que tu considera mais relevantes para a história do metal brasileiro? Qual a pior?

Sucoth Benoth – O Amen Corner vinha lançando um álbum atrás de outro desde 1992 até 1995 então parou.. Devido aos integrantes abandonarem a banda ficando apenas eu o Guitarrista Tito (Murmúrio), então ficamos 1996 a1998 nos reestruturando. Acho que por isso a sensação da banda não ter continuado com a sequência de lançamentos. Mas em 1999 após reestruturação, conseguimos lançar o Mini CD ou EP Darken In Quir Haresete, claro que aí foi a maior divulgação, shows, muitas entrevistas em zines e revistas e também em Rádios, foi uma grande tempestade infernal, estávamos de volta fortes e renovados e com muita sede. Me lembro de todas as entrevistas e tenho todas elas guardadas aqui comigo. Rock Brigade, Planet Metal, etc… Todas elas foram muito importantes e relevantes!!

Você e Murmúrio são os mais antigos na banda. Essa parceria ainda vai render muitos discos, certamente. Rapaz, para encerrar eu quero dizer 3 coisas: nunca imaginei uma mulher fazendo parte da formação do AMEN CORNER (não há nenhuma machismo aqui, apenas nunca imaginei), é difícil imaginar outro disco do AMEN CORNER sem você nos vocais, e espero ver o AMEN CORNER um dia tocando aqui em Teresina. O espaço é seu… Até breve.

Sucoth Benoth – Sim estamos juntos a muitos anos eu e o Tito. Espero continuar assim até o fim. Com certeza ninguém imaginava uma mulher fazendo parte da banda, mas ela se mostrou muito capaz e competente e mereceu ganhar essa oportunidade!! Estamos para tocar em Teresina dia 06/09 praticamente fechado!! Vejo vocês guerreiros infernais!! Obrigado pela entrevista irmão, foi uma honra!!!

  Entrevista realizada entre os dias: 20/01 e 02/02/2018

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Carlos Soares

Edita os fanzines: Pecatório (desde 2001) e Sindicato Dos Assassinos (desde 2012). Já participou de diversas bandas dentro do underground.

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