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AR DA DESGRAÇA – A Enigmática Perpétua Sinfonia Black Metal

AR DA DESGRAÇA, horda que iniciou suas atividades em meados de 2005, a primeira vez que ouvi o som da banda foi na coletânea Extremo Underground Vol.2 (comp. organizada por meu amigo Fabricio MaleficaruM), a música era a fuderosa “Caim, o Primeiro Assassino”. Com mais de uma década e meia atuando na cena Black Metal Underground, vociferando seus hinos em nossa língua pátria. Já possui 2 CDs demos e 2 CDs full lançados…, o mais recente é Enigmática Perpétua Sinfonia, lançado em 2020.

Conversamos com o “Pestenegra”, guitarra e vocal da horda, o mesmo nos fala das atuais batalhas da horda …, respirem agora, o AR DA DESGRAÇA!

AR DA DESGRAÇA, mah, acho muito interessante a simplicidade do nome e colocação verbal, dá aquele tom de old, hehe! A banda foi formada em 2005, tem uma Demo, um EP e dois Full CDs lançados…, como se deu o início da banda? Os primeiros ensaios!

Pestenegra – Me lembro de que alguns anos antes da formação da banda eu já tinha interesse pela música extrema, e quando conheci e compreendi melhor o Black Metal esse interesse se intensificou. Foi então que surgiu a intenção de iniciar o projeto. No início éramos apenas em dois, “Pestenegra” (guitarra e vocal) e “Algoz” (bateria). Nesse período as primeiras músicas do Ar da Desgraça começavam a surgir.

“Crucificado, Morto e Sepultado”, primeiro CD Demo da banda, lançado em 2009, de forma independente. Como se deu o processo de criação dos sons, arranjos… até a finalização do CD já em mãos, o resultado final foi o esperado? (em se tratando de um primeiro CD). Este também teve uma versão Demo Tape/K7 lançado via Depressive Illusion Records da Ucrania, limitado em 66 cópias.

Crucificado, Morto e Sepultado, CD 2009

Pestenegra – Se não me falha a memória, todas as músicas desta demo foram compostas durante o período que a banda seguia só em dois integrantes. Alguns desses riffs foram os primeiros que compus na guitarra, portanto são muito simples e diretos. Eu não tinha muito conhecimento musical e nenhuma experiência em estúdio. Era tudo muito novo, íamos evoluindo juntos conforme a banda ensaiava e formava corpo. Nesse período sentimos a necessidade de integrar outro guitarrista e um baixista para dar mais peso às músicas, foi assim que convidamos “Ódio” (guitarra) e “Nefasto” (baixo). Em pouco tempo estávamos gravando a demo “Crucificado, Morto e Sepultado”. O resultado foi interessante para uma demo e teve uma repercussão relevante. Existem pessoas hoje em dia que cultuam esse material. O relançamento em 2019 foi uma forma de celebrar os 10 anos desse registro.

“Praeludium Tenebras”, o primeiro full CD da banda, lançado em 2017, 8 anos após a Demo, por que esse hiato tão grande de um lançamento para o outro?

Praeludium Tenebras, CD 2017

Pestenegra – Vários fatores em conjunto justificam esse intervalo. Durante esse período a banda continuou em atividade, ensaiando e participando de alguns eventos. Houve um tempo que cada integrante residia em uma cidade diferente o que inevitavelmente aumentou o custo operacional, fazendo com que as reuniões fossem menos frequentes e quase sempre com algum desfalque. Esse fator atrasou bastante o processo. Não posso também ignorar que para fazer algo no mínimo aceitável é preciso de um investimento. Nunca tivemos ajuda financeira de ninguém e com o tempo fomos desistindo de tentar encontrar algum selo disposto a nos ajudar com o lançamento. Bem no fim acabamos fazendo por nós mesmos.

 

Enigmática Perpétua Sinfonia, CD 2020

“Enigmática Perpétua Sinfonia”, o mais recente trabalho de vocês, e, diga-se, que CD magnífico, muito bem produzido, sonoridade ímpar…, limitado a 500 cópias, digipack com slipcase…, creio que este CD deu um pouquinho mais de trabalho que o anterior?

Pestenegra – Em nome do Ar da Desgraça agradeço todo o reconhecimento positivo. Não, na verdade o “Enigmática…” foi mais fluído em todos os sentidos, aconteceram alguns contratempos durante a gravação, mas nada comparado ao primeiro álbum que levou muito mais tempo para ficar pronto. Além do mais, vale a pena ressaltar que com a repercussão do “Praeludium Tenebras” conseguimos recursos financeiros suficientes para bancar tanto a gravação quanto a prensagem do material novo. Isso tudo só foi possível graças aos inúmeros apoiadores que adquiriram nosso primeiro álbum e demais itens da banda.

“Enigmática Perpétua Sinfonia” teve uma versão bem bacana, ultralimitada, apenas 10 unidades, que se trata de uma caixa de madeira + CD + camiseta + patch + porta-copo. Vocês pensam em reeditar esta versão? Aliás, este também poderia ter uma versão tape pra agregar mais gana, hehe!

Pestenegra – Sim, houve uma edição especial como mencionaste. Não penso em reeditar nada que tenha sido lançado de forma limitada, até para que nossos apoiadores que optaram por essa versão tenham exclusividade absoluta. Sobre uma versão em tape, divulgo aqui em primeira mão nossa intenção de lançar os dois álbuns nesse formato em 2021. A quantidade vai ser limitada e divulgaremos melhor quando estiver próximo do lançamento.

Como está a atual formação do AR DA DESGRAÇA? Com o início do novo normal, como estão sendo agendados ensaios?

Pestenegra – Hoje o Ar da Desgraça segue com “Pestenegra” (guitarra e vocal), “Spectrum” (guitarra, baixo e vocal de apoio) e “Necrolupus” (bateria). Seguimos ensaiando normalmente, ficamos um período sem ensaios enquanto focávamos nas gravações do novo álbum. A questão da paralisação não nos afetou tanto assim.

Eu sei que vocês já têm algumas músicas novas prontas, podemos afirmar que em breve o “Enigmática Perpétua Sinfonia” já deva ter um sucessor? Visto que, creio eu, o CD teve um atraso, deveria ter sido lançado em 2019.

Pestenegra – Sim, é verdade que já temos algumas músicas novas. Em algum momento pensei que poderíamos encaixar alguma destas no “Enigmática Perpétua Sinfonia”, mas visto que ainda não estávamos ensaiando esses novos sons optei por deixar para um próximo registro. Tínhamos intenção de gravar o disco novo em 2019, por vários contratempos acabamos adiando e finalmente em 2020 conseguimos entrar em estúdio para gravá-lo.

Este CD já tem um nome definido? Será lançado de forma independente ou já há parceiros/selos…

Pestenegra – Temos algumas ideias para lançamentos futuros, mas ainda é muito cedo comentar sobre isso visto que muita coisa pode mudar no decorrer do processo. Referente às parcerias isso vai depender do momento. Existem selos nacionais competentes que fazem um trabalho excelente. Ainda assim não é algo essencial para a subsistência da banda, conhecemos bem os caminhos para mais uma vez lançar de forma independente caso se faça necessário.

2021 promete ser uma temporada bem atípico, no mal sentido da palavra. Não se sabe ao certo quando a liberação dos shows possa acontecer, mas, em se tratando de algo essencial, o como o AR DA DESGRAÇA está a se programar, ou, não têm planos de shows futuros?

Pestenegra – No momento não temos planos para shows em 2021. Como os eventos que eram para ocorrer em 2020 acabaram sendo cancelados (por motivos óbvios), nós aproveitamos para concluir e lançar nosso mais recente álbum. Aparentemente 2021 continuará na mesma linha, o Ar da Desgraça, desde a sua concepção, nunca teve como objetivo principal se apresentar. Isso tem sido muito mais uma consequência do que uma necessidade. Sendo assim continuaremos ensaiando e focando em novas composições. Pouca coisa muda para nós.

“Aborto Maldito”, o cover do ABISSAL, como chegaram a escolher deste som?

Pestenegra – Quando comecei a me interessar pela música extrema, mais especificamente pelo Black Metal nacional, sempre tive um apreço especial pelas bandas que escreviam suas músicas em português, foi daí que acabei conhecendo o Abissal e muitas outras, que um pouco mais à diante me influenciaram (inclusive a escrever em português). Tenho amizade de longa data com alguns dos integrantes e para mim foi uma grande honra poder ter gravado esse tributo.

Mah, agradeço imensamente o apoio e consideração! Deste este espaço para algo mais que vocês queiram falar… Valeuz!

Pestenegra – Muito obrigado pelo espaço cedido e principalmente pelo interesse em nossa música. Nos vemos por aí, seja em 2021 ou mais além. Ainda que eventos não ocorram em breve, seguiremos trabalhando e nos dedicando aos nossos ideais!

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Hioderman ZArtan

Editou os zines "Anaites" e o "Guerreiros Zineiros". Designer gráfico Underground e mentor do Anaites Records.

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