Resenhas - Zines

ARMAGEDOOM FANZINE I – Março/2021

Ler esse fanzine me fez lembrar de uma época, há muitos anos atrás, onde tudo era um pouco mais simples. Onde nos autodenominávamos headbangers e onde ouvíamos simplesmente, Metal. E entre esse chamado Metal haviam bandas de Doom Metal, que para mim se resumiam em meia dúzia ou um pouco mais de bandas: My Dying Bride, Paradise Lost, Anathema, Celestial Season, Serpent Rise, Candlemass, Solitude Aeternus  e The Cross. E por assim foi durante muitos anos, onde me limitei a ouvir principalmente o que chamamos de Death Doom.

Porém, devido aos diversos contatos e por uma amizade totalmente envolvida neste estilo lúgubre, descobri que o Doom Metal vai muito mais além daquele “mundinho limitado” que criei, onde tinha como principal clássico do estilo a canção “Sear Me”.

Não posso deixar de registrar outro grande zine responsável por isso também, o Mors Venit zine de Manaus (conheça clicando AQUI e AQUI), como também, uma pessoa que contribui bastante com o Doom Metal nacional, o batalhador e incessante Leandro Fernandes da Eclipsys Lunarys Productions. Para ambos, acendo uma vela para suas almas.

Para ampliar meu conhecimento do estilo e suas diversas vertentes, eis que surge este ano o ARMAGEDOOM FANZINE IO Portão, Cemitério de lágrimas e tristezas.

O coveiro Carlos Soares abre o portão desse universo de condenação e danação eterna:

A primeira cova que nos deparamos é do ABSKE FIDES (lançaram um interessante trabalho denominado ” O Sol Fulmina a Terra”, saindo daquele tradicional modelo de adoração ao frio, montanhas e florestas geladas que tanto vemos por aí. Com inspirações literárias de Graciliano Ramos e Euclides da Cunha). Mais à frente encontramos uma cova já conhecida e que vem ganhando grande destaque: ODE INSONE (procurem ouvir o cover para a música O ‘Tempo não Para’ de Cazuza, bem como, o clipe oficial para a música ‘Sem Despedida’  que relata o momento atual da pandemia). A próxima cova é dos pernambucanos do UNDER THE GRAY SKY onde descrevem em sua lápide um pouco da história da banda.

Na parte estrangeira do cemitério, encontramos uma sepultura à esquerda  do DOOM ARCHITECT. Duas almas ligadas pelo matrimônio, oriundas da Rússia e que já possuem três full lenght lançados. Um sepultura mais antiga é avistada logo ao lado, datada da década de 90 com o nome de NORTT, podendo ser considerada como uma das bandas criadoras do Funeral Doom vinda da fria Dinamarca.  À direita, separada da sepultura russa, provavelmente por motivos óbvios, temos a sepultura dos americanos do EVOKEN (outra banda bastante conhecida no cenário mundial e contemporânea a outras também consideradas fundadoras do Funeral Doom) e do VACANT EYES (com um singelo dizer: “o Vacant Eyes fornece um lugar para nos conectarmos com nossas emoções, dor, tristeza, desejo e questionamento”).

Adentrando mais ao cemitério encontramos uma quadra repleta de jazigos que representam novamente o cenário nacional. Uma nova, com apenas 5 anos, aparece logo aos nossos olhos com o nome de SEGREGATORUM (“A nossa temática é pecados capitais, práticas pecaminosas, falhas e corrupções humanas…”).  Vejo em seguida um mausoléu onde presto as devidas homenagens. Pois para mim, ao lado de nomes como Mythological Cold Towers, Jupiterian e Nigrae Lunam, PANTÁCULO MÍSTICO representa o lado mais obscuro e oculto do Doom Metal brasileiro. Não mais representativo é o jazigo do HELLLIGHT, refletindo lá de dentro sua luz infernal (“Posso dizer que, honestamente não foi fácil trilhar esse caminho durantes tantos anos…O Brasil realmente tem a característica de bandas mais velozes e agressivas…’). Encontramos ainda o WITHBLOOD com seu Dark Doom Metal (se você quer alguma referência, procure a cova do Moriendi),  e por fim AGONY VOICES e THE TACITURN, fazendo um apanhado de suas trajetórias.

O mural com resenhas de diversos lançamentos se encontra no final do cemitério, onde também encontramos indicações de discos e bandas mais lado B de Stoner e Doom, feitas por outro coveiro, o Sr. Claudio Screpetz, baterista da banda CRIMSON DAWN PROJECT.

E assim o Portão se fecha, aguardando por novas visitas.

Contato da adm do cemitério: (86) 99828-5234

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Giovan Dias

Editor do The Glory Of Pagan Fire Zine, trabalho iniciado ainda na década de 90, voltado ao Black, Death, Doom Metal.

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