Resenhas - LPs/Cds/K7sStormy News

ARTHANUS – King Of Azuris

Hammer Of Damnation (Nacional)

Não sei o quanto Viking Metal/Death Metal você curte, mas eu curto muito! E que felicidade achar um dos bastiões do Viking Metal neste país, estou falando nada mais nada menos que os paulistas do ARTHANUS! Isso mesmo, a banda de Death Viking Metal de São Caetano do Sul destruiu em seu debut álbum “King Of Azuris” e vale muito conferir, especialmente se você curte som na linha Amon Amarth, mas acha que as músicas do Amon Amarth são “todas iguais”, como alguns críticos dizem. O lançamento veio sob o banner da infame Hammer Of Damnation!

Então, o Arthanus tem muita garra e muita cultura Viking para distribuir no campo de batalha. Além de um Metal pesado, bem trabalhado e com arranjos elaborados, o Arthanus traz a alma de um projeto bem-sucedido, seja na sua linha temática, instrumental ou pelos guerreiros que formam este fronte viking. Nada mais nada menos do que Fellipe Magri, Gustavo Abreu e Saulo Peghin e Atila Paloppi, e tudo isso levado aos urros do grande Thiago Valente. Você vai achar esses caras em outros projetos e se você for psicopata no meu nível vai colecionar tudo que esses caras fazem!

Fenrir, the Giant Wolf” inaugura o álbum e ela é poderosa e as guitarras são destruidoras. Os riffs são elaborados e o vocal a la Amon Amarth do Thiago põe tudo a baixo. Puta que som! Se você abrir uma cerveja você vai brindar com os deuses da guerra. Sem dúvidas. Destaque para o contrabaixo devastador padrão V8 de Atila que parece manter as estruturas desta bomba sonora.

 

A melodia dos riffs de “Ode to My Enemies” são acompanhadas de uma batida com blasts velozes no melhor Death Metal anos 80. O mix das guitarras melódicas e a cozinha seguida de um baixo grave e bem trabalhado mais característicos do gênero são um destaque. Bem como as marteladas dos riifs e a criatividade desses caras em NÃO cair na repetição do Amon Amarth. Se você não conhece o Arthanus esta é a hora e esta é a faixa. As guitarras aqui são fenomenais, o Saulo é hoje um dos melhores guitarristas que temos no Metal Extremo e ao lado do Fellipe Magri é muita técnica e precisão juntas, os caras fazem mais e mais….longe de fazerem mais do mesmo.

Resultado de imagem para arthanus band
Arthanus (Bandcamp foto)

Balder, the God of Light”… que introdução! Peso e melodia, clímax de uma nau Viking prestes a aportar e que comece a pancadaria. Cavalgada, intensa, melódica e desafiadora, pois mescla o peso dos vocais a um instrumental leve e compassado. O destaque aqui são as vozes que dão ao Viking Metal os urros de um beserker em campo de batalha. E por falar nele, a sequência com “Fear the Berserk” segue a mesma linha, lenta e compassada ganha ritmo em um looping contínuo até que tenhamos as ondas da batalha nos ouvidos. Aqui a maior glória e o maior medo se misturam: A vitória ou a morte a honrar os deuses. Melódica e brutal!

Arthanus, King of Azuris” leva o nome do álbum e da banda! Épica, uma típica faixa de Viking Metal sueco qualquer ouvinte diria, mas é nossa! Toda a qualidade, todos os elementos épicos encontrados em bandas como Tyr, Amon Amarth, Thyrfing e Windir estão aqui. Cântico de guerra, de ode aos inimigos e glória aos deuses nórdicos.

A próxima engatilhada mostra muita harmonia, compasso e timing. É uma faixa bem europeia e de uma qualidade espetacular. “Bastard” veio para ser uma das caras da Banda. Ela possui praticamente tudo que o Arthanus vem apresentando ao longo do álbum e é um ponto de maturidade e consolidação do estilo no Brasil. Sempre que ouço esta faixa posso visualizar a dor do guerreiro ao segurar a esposa em seus braços e esperando o momento da vingança em uma batalha que a cada luta ele mata um pouco de si, mas a vingança é o único caminho. Os arranjos proporcionam esse clímax intrincado e difícil de ser exposto em acordes, o amálgama sonoro entre guitarras e baixo são brilhantes e essa faixa é uma das minhas favoritas!

Legion of Gods” traz muito ritmo e imponência. É uma faixa forte, power death metal, viking em essência e com uma letra fantástica que vale você conferir. E aqueles hammer ons a la Zakk Wylde? Se você curte como eu…. falo mais nada! OUÇA!

Das ruínas da batalha, a paz reina entre deuses e homens, lutamos e morrermos no Ragnarok. É bem por aí que “Valkyries” chega ao álbum. O cântico para que os guerreiros sejam levados para o salão de Odin em Valhalla é o centro do peso e da intensidade da fixa que tem diversos h=momentos harmônicos e de forma alguma por ser um pouco mais lenta ela deixa de ser uma faixa extrema: aqui temos diversos elementos e as guitarras criam uma aura poderosa em torno da voz de Thiago e só nos resta bater cabeça e pedir aos deuses a passagem segura com as valquírias onde outros guerreiros esperam pelos que caíram!

“Serpent of the World” encerra o álbum e é uma escolha perfeita, a batalha com a Serpente que circunda Midgard é um tema rico e que deu ao álbum uma dimensão interessante, pois  a banda conseguiu dar atmosferas interessantes a medida que a letra avança, não perdemos aqui o elemento épico e a faixa soa incrível.

Eu não menti, ainda resta uma faixa: “Asgard Palace” do EP de mesmo nome contendo três faixas. O EP é de 2013, e sim, nós vamos caçar até obtermos este EP e você vai afzer o mesmo com este debut álbum. Esta última faixa do EP nos permite compreender bem a evolução da banda, os riffs perturbadores e melódicos e há um solo de guitarra fantasmagórico.  Muita harmonia e um peso digno de um Death Metal melódico.

O que falar deste álbum? Só que eu o ouvi 12 vezes antes de fazer a review. Saio para o trabalho e volto com ele nos ouvidos. A formação da banda é incrível e tem membros do Walsung – uma das minhas bandas favoritas ao lado do Evil – e eles representam muito bem a cena carente de Viking Metal que merece ser mais bem explorada em território nacional e que bom que o Arthanus e o Walsung existem para trazerem renovação essencial e cultural para os nossos ares.

NOTA: 10/10

Resultado de imagem para arthanus band

 

Mostrar mais

Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

Veja também...

Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar