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AS DRAMATIC HOMAGE – Avantgarde/Extreme/Dark Metal from Brazil

...A vida e seus complexos estágios para evolução...

A vida e seus complexos estágios para evolução, o poder do pensamento identificado em algumas filosofias, através de questões elementares de ordem e caos, em que podemos viajar e descobrir novas dimensões. São essas as influencias do AS DRAMATIC HOMAGE, uma veterana banda Doom Metal, que, possui uma longa história no underground!

Conversei com o amigo Alexandre Pontes, que nos relata a existência do ADH nesta terra perpetuando o seu Avantgarde/Extreme/Dark Metal.

Confiram!

Alexandre Pontes, por Divulgação

E ai meu amigo de longas datas, Alexandre Pontes. O As Dramatic Homage foi criado há quase 2 décadas, no início era um Death/Doom Metal hoje em dia o estilo está como Avantgarde Metal …, essa definição é a mais adequada?

Alexandre Pontes – Fala meu amigo! Espero que esteja tudo bem com você! Pois é cara, esse nosso contato, amizade e respeito já dura um longo tempo não é mesmo rs. A proposta inicial da banda foi realmente essa, fazer esse segmento musical Death/Doom e que marcou nosso início, mas com o tempo houve uma necessidade de expandir e agregar outros elementos em nosso som e isso também culminava em desafios e acho que fomos melhorando alguns aspectos ao longo do tempo.

Pra ser sincero eu nem acho que mudamos tanto nosso som, considero que fomos evoluindo dentro da mesma proposta. Sobre o termo Avantgarde Metal acho que é a definição mais apropriada porque ele abrange um termo artístico amplo, onde são agregadas várias possibilidades artísticas, não está preso á uma forma de expressão única e isso representa nossa música e ideias.

Duas décadas, a banda prepara algo para comemorar está proeza underground?

Alexandre Pontes – Eu realmente gostaria, mas infelizmente tive que adiar alguns planos sobre essa questão, porém não está descartada a possibilidade de algo ser realizado.

Da formação original na banda somente você seguiu com a banda, mas você também já participou de diversas outras bandas (Caos Primitivo, A.M.T, Morbonia Modulandus, Refugium Pecatorum, Statik Majik), atualmente você está somente com o A.D.H.?

Alexandre Pontes – Atualmente sim, hoje em dia é um tanto complicado estar integralmente envolvido com tanta seriedade em outros projetos, envolve muito investimento (tempo e dinheiro) e devido a prioridade em dar continuidade nas novidades do ADH prefiro me focar somente nesses aspectos,  mas pode ser que eu esteja envolvido em alguns outros projetos futuramente, gosto de compartilhar ideias além das minhas pois acabo aprendendo também com outros músicos e isso é realmente gratificante poder abrir espaço para que outras pessoas agreguem algo da personalidade delas nas ideias que tenho e vice-versa, é algo realmente compensador .

A Deep Inner Recital, CD Demo 2001

“A Deep Inner Recital”, que demo maravilhosa, a primeira demo da banda, que aliás, foi lançada 2 anos após a formação da banda. Qual a possibilidade de um dia você relançar esta demo ou, quem sabe, estas musicas saírem de bônus em algum outro material?

Alexandre Pontes – Obrigado irmão, esse trabalho representou uma época de descobertas musicais e de envolvimento muito profundo com o que eu estava buscando. Ele sempre será muito importante pois nos proporcionou um começo relevante e visto com bons olhos para os fãs do estilo e mídia especializada em tão pouco tempo de banda. Existe um planejamento sobre isso sim e estou negociando um apoio com o selo Eclipsys Lunarys que tem feito um trabalho maravilhoso e muito importante com as bandas nacionais para fazer esse lançamento em 2020, será de fato algo especial.

Consternation, Single Digital 2018

“Consternation” seria o trabalho mais recente da A.D.H., o mesmo é um single lançado em plataforma digital. Este é uma prévia do possível full para 2019? A arte ficou magnifica, muito elogiada na mídia underground…, e, por qual motivo optaram por lançar neste formato (digital)? O EP “Enlighten” também foi lançado em formato digital, não é?

Alexandre Pontes – Eu não costumo olhar muito para trás quando se trata de algum recente trabalho mesmo que ele tem tido um certo  reconhecimento,  não acho que a música Consternation represente o que tem sido criado para o novo CD, claro, existem aspectos dela que se integraram a linguagem musical do que tem sido preparado mas nada que eu pudesse dizer que ela é um parâmetro para o próximo lançamento, ainda é cedo para falar algo sobre o próximo trabalho mas sinto que o novo material será muito expressivo em dimensões mais marcantes, mantendo a intensidade e profundidade dos temas líricos.

A arte ficou magnífica e o Gustavo Sazes é um designer que dispensa muitos comentários, seus trabalhos representam toda a qualidade e criatividade que ele possui como pessoa e artista. Acho que esses formatos tornam algumas coisas mais práticas, os meios de comunicação, e público absorvem de maneira mais objetiva, quando é um lançamento mais completo e físico acho que a maneira de trabalhar o material já deve ter outra forma de divulgar pois o foco é bem diferente.

Alias, vocês participaram de um tributo que também foi lançado de forma mídia digital. Que, por sinal, ao meu ver, este tributo deveria ser lançado em mídia física.

Alexandre Pontes – Esse tributo que você se refere foi o “Em nome do Medo” dedicado ao Moonspell (muitas pessoas ainda não sabem que houve esse trabalho somente com bandas brasileiras) foi muito legal e foi uma pena não poder ter sido lançado fisicamente, não lembro muito bem de detalhes mas acho que foi por conta de direitos autorais de ex-integrantes da banda que tornaram complicado o lançamento desse material fisicamente.

Enlighten, EP-CD 2016

Alias, esta mesma música está no EP Enlighten, um clássico, Full Moon Madness. Com este crescente ideia de tributos virtuais, o ADH já recebeu convite para outros? Creio que vi anunciar um do Novembers Doom mas, não o sei se o ADH está neste…

Alexandre Pontes – Eu considero essa música do Moonspell um hino e foi uma satisfação incrível ter feito parte desse trabalho memorável junto com tantas outras bandas ótimas do nosso cenário brasileiro, um dos meus maiores orgulhos de nossa carreira.  Recebemos sim o convite para esse tributo do Novembers Doom mas havia muita coisa acontecendo nesse período e assim decidi não fazer parte por essas questões que eram de maior prioridade.

Como tem sido os shows da A.D.H.? E o set live?

Alexandre Pontes – Não tocamos muito ao vivo, eu até gostaria mas é complicado pois certas coisas demandam muito esforço que as vezes acabam trazendo exaustão para poder fazer o seu trabalho de forma mais profissional possível dentro de determinadas condições básicas que infelizmente as vezes não se tem e isso é um pouco desanimador. Todo show deve haver um tipo de consciência do produtor e das bandas, é um negócio afinal e que deve ser bom pra ambas as partes, agora quando alguém se submete ou oferece qualquer condição apenas para fazer um evento ou tocar ao vivo isso já me soa um pouco amador e geralmente sempre se tem problemas. Aqui no Rio temos duas produtoras que gostaria de destacar por estarem fazendo ótimos trabalhos de shows, e são a Be Magic Produções e a No Class.  O set ao vivo procuramos tocar as músicas que tem mais haver com a proposta de cada evento já que facilmente podemos estar em eventos segmentados ou diversificados de uma maneira bem representativa, sobre as músicas variam enfatizando as mais atuais.

Sim, a “Be Magic Produções”, produtora do Carlinhos (Statik Magik) tem se despontado com excelentes eventos, vi algumas publicações no fb. (É um batalhador esse nosso amigo Carlinhos). Conversando com alguns amigos, notamos que os eventos Doom Metal estão voltando aos poucos, alguns somete bandas doom metal, mas, aproveitando o ensejo, a banda teria algum empecilho em dividir o palco com bandas de outros estilos?

Alexandre Pontes – O Carlinhos sempre foi um cara extremamente batalhador, os trabalhos que ele tem realizado ao longo dos anos seja com suas bandas, blog e com produções falam por si e isso no final das contas é o que vale, não é só questão de falar, mas sim de criar e fazer acontecer mesmo com as dificuldades do cenário ou até pessoais que todos nós temos, então é um cara que respeito e admiro demais por isso, como disse, ele tem feito e isso é mérito por amor a cultura do Rock/Metal. Sim tenho visto os eventos rolando e isso é muito gratificante pois indica que mesmo um segmento para poucos ele tem se mantido de forma constante por pessoas realmente envolvidas em levar adiante a importância que o estilo tem em meio aos mais populares. Nunca teríamos problemas em dividir o palco com outros estilos, se você tocar em festivais na Europa vai ver que boa parte dos principais eventos tem essa relevância por terem essa diversidade, acho que isso torna interessante e claro, é possível.

Crown, CD 2012

Mah, o CD “Crow”(2012), um CD que superou muito as expectativas…, a banda continua com o feeling e identidade intacta. Geralmente você quem cuida dar artes da banda, acho que desde o início, o logo você que criou…, além da A.D.H., você trabalha com artes undergrounds para outras bandas?

Alexandre Pontes – Muito obrigado pelo reconhecimento em torno do CD Crown meu irmão. É muito importante saber que os companheiros de luta e de longa data tem essa percepção. Sobre o que temos feito desde o início, fico lisonjeado, então, sobre o full lenght Crown mesmo ele trazendo uma abordagem musical um pouco diferente de nosso início acho que ele representou uma evolução até aquele período e ainda se mostra interessante de se ouvir e embarcar em todo contexto que ele trás. Realmente a identidade é a mesma só que transmitida de maneira ampla. No início eu cuidava sim da parte gráfica depois só cuidei da criação dos logos, eu trabalhei alguns anos, mas não atuo mais nesse ramo, o máximo que fiz foi participar da concepção de algumas artes mas acho interessante a visão do artista que cria as artes pois acaba agregando identidade e uma parte do que nossa música possa representar, essa conexão da arte visual com a musical acho primordial ser mantida.

Mah, achei interessantes os arranjos da música “Lessons”, um instrumental bem engajado…, poderias comentar a inspiração para este som; e, também, “The Age of Transition”, outro instrumental, este que que fecha o CD. Algo que sempre achei interessante nas bandas Doom, é iniciar e finalizar o CD com uma instrumental, acho primordial!

Alexandre Pontes – Na época durante as gravações eu queria iniciar o cd com algo que pudesse sinalizar parte da  personalidade das pessoas envolvidas na época da gravação.

Atmosphere of Pain – Anthems of Hate, CD Demo 2005
Ominous Force for Ascension, Single Digital 2010

Mas eu não tinha uma ideia que pudesse expressar isso então o guitarrista Eliebert apresentou essa ideia e curtimos bastante e assim ela abriu o CD. Sobre a The Age of Transition eu queria expressar algo de maneira mais reflexiva e sem letra, que a música pudesse guiar  os sentimentos e pensamentos, ela representou os pensamentos sobre o tempo de mudança, particularmente era algo que estava acontecendo comigo e consequentemente com as ideias sobre a banda. Acho que isso ocorre mais quando a banda tem algo consideravelmente conceitual ou que os temas de alguma maneira estejam amarrados, no nosso caso não foi nem uma coisa nem outra, mas a minha preocupação era fazer com o que o ouvinte pudesse ter essa dimensão sobre o começo meio e fim ao transitar por cada música.

Creio ser isso meu amigo, mas, deixo aqui espaço para que explane algo mais que desejes relatar. E, mais uma vez obrigado por ceder um tempo de sua vida corrida para responder esta humilde entrevista! Stay Doom!!!

Alexandre Pontes – Cara, sou muito grato por sua amizade e respeito depois de tantos anos e por acreditar no meu trabalho, me sinto realmente lisonjeado por isso, obrigado por essa oportunidade tão gratificante em poder conversarmos um pouco e divulgar o meu trabalho, você é um cara batalhador e tenho muita admiração por todo seu trabalho, luta e por todo cuidado e amor com sua família, Obrigado mesmo, desejo tudo de melhor pra você.

E aos leitores do portal/revista Lucifer Rising continuem apoiando o cenário do metal nacional, mídia especializada, shows, etc, sem contar que todos nós sabemos da incrível variedade e qualidade de nossas bandas no país, mantenham a chama viva, mais uma vez obrigado meu irmão por essa  ótima oportunidade, um grande abraço á todos!

CONTATOS:

https://www.facebook.com/groups/asdramatichomage

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Hioderman ZArtan

Editou os zines "Anaites" e o "Guerreiros Zineiros". Designer gráfico Underground e mentor do Anaites Records.

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