Resenhas - LPs/Cds/K7sStormy News

BATHORY – Under the Sign Of the Black Goat (VA)

Hammer Of Damnation (Nacional)

Você conhece o Bathory, sabe a importância de Thomas Börje Forsberg para o metal extremo. Não? Então talvez o nome Quorton seja familiar a você. Gênio criativo e um dos pais do Black Metal e do Viking Metal, Quorton mudou Estocolmo (Suécia) em 1983 ao criar algo magnífico e a ditar os moldes do que seria o metal extremo escandinavo. O Bathory, que leva o nome baseado na condessa Erzsébet Báthory, considerada a serial-killer mais famosa da Hungria.

O Bathory chegou ao seu fim em 2004 com a morte de Quorton. A história mostra que não e a Hammer Of Damnation veio provar que a chama negra do metal criada por Quorton ainda reluz e transforma os corações e almas do que toca. Prova disso é o tributo lançado em 2019/2020 que celebra a obra e vida deste grandioso arquiteto lírico.

A morte sobre nós pendia, sobre nós, sobre os móveis, sobre as taças… Tudo era depressão, tudo, menos as chamas dos lampiões de ferro que ardiam pálidas, imóveis, como línguas de luz. E no espelho que elas formavam na mesa débano, redonda, cada um de nós, sentado, distinguia o palor do próprio rosto e o brilho inquieto das pálpebras pesadas dos amigos…

Edgar Alan Poe

Reunidos sob o banner da Hammer Of Damnation, um grupo seleto de músicos gravou hinos do Bathory em um tributo ambicioso. Mas não foi só isso, as bandas imprimiram sua personalidade, relembraram suas influências, cultuaram uma vez mais e gravaram a ferro e fogo, um embate sonoro que ecoa na eternidade. Mais que uma review, aqui vamos dissecar um pouco as bandas, as faixas originais do Bathory e o ouvinte pode testemunhar a essência colhida da chama primordial ao ouvir o tributo.

A review segue a ordem do tributo!

Obs: Como ler esta review?

1) Ponha o tributo para tocar

2) Ouça os links que inseri com as faixas originais do Bathory

3) Leia a review e forme a sua opinião de sobre cada cover

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ARTHANUS – One Eyed One Man (Álbum – Blood On Ice)

A escolha do Arthanus foi perfeita para a banda. Formada em 2010, o Arthanus tem um EP e um full álbum chamado King of Azuris. A escolha da faixa casou bem com a proposta de Death / Viking Metal do grupo. Se você ouviu Arthanus sabe o que poderia esperar: Hino de Guerra, vocais fortes, muito peso e guitarras furiosas. Houve muita fidelidade instrumental com uma qualidade impecável, personalidade e essência caminham de mãos dadas aqui. Além disso, o Arthanus pôde criar um riff dentro da faixa do Bathory, dando mais ainda personalidade…vamos ver se você sabe o que foi inserido e o que saiu….

CARPATUS – Blood Fire Death (álbum – Blood Fire Death)

 

 

Formado em 1999, o Carpatus conta com três álbuns lançados, o último Malus Ascendant de 2017. O peso do Black Metal do Carpatus é bem semelhante ao que o Bathory fez neste período, com certeza, uma grande influência para a banda. Ao ouvir, fiquei curioso sobre o que o Carpatus faria com as passagens de teclado e harmonias faixa. Mas o Black Metal do Carpatus manteve a essência harmônica e isso foi genial, a faixa ganhou uma dimensão bem mais profunda e tudo que eu pude pensar é se o Quorton pudesse regravar essa faixa com a tecnologia de hoje. O vocal é bem linear e não temos as “quedas” de gutural para um vocal quase limpo que o Quorton fazia, o que dava uma cara única para p Bathory nesta fase. Destaque para os minutos finais!

ETERNAL SACRIFICE – Enter the Eternal Fire (Álbum – Under the Sign Of the Black Mark)

Oriundo de Salvador, surgido em 1993 com 6 demos e 3 álbuns, sendo o mais novo Ad Tertivm Librvm Nigrvm, o Eternal Sacrifice é um dos grandes nomes do Pagan Black Metal nacional, segundo a banda, a faixa Under the Sign of the Black Mark é um hino do Bathory que eles sempre se identificaram e sempre quiseram tocar esta faixa, Anton Niberius ainda comentou que “muitas bandas já fizeram/fazem música influenciadas por esse som do Bathory e no convite, foi para eles a escolha mais acertada! Não pensaram duas vezes.Há um link emocional entre o Eternal Sacrifice e o Bathory neste caso, e é bom tocar “essa música maldita” que muitos ouviram enquanto cresciam e “há muitos símbolos emotivos envolvidos” finaliza Niberius.

O Eternal Sacrifice elevou o trabalho de Quorton a um patamar interessante. Há crueza, mas há muita técnica e peso que condizem com o que a banda faz. As harmonias e o ocultismo reinante em toda a faixa são um tribulto a uma alma criativa. É possível “ouvir” o sentimento de tributo manifestar-se aqui.

 

EVIL – Massacre (Álbum – Under the Sign Of the Black Mark)

Com uma discografia que envolve nada menos que 39 lançamentos de 1993 até então, o EVIL é um constructo paulista multifacetado. Infames e odiados ou amados e adorados, o Evil trouxe sua crueza, seu recrudescimento, sua maquiavélica forma de subverter o mundo moderno e fazer-se presente neste tributo com uma faixa que tem muito da sua essência, estamos falando de Massacre do álbum Under the Sign of the Black Mark. O Evil fez o que sabe fazer: trouxe ódio, subversão, rancor e mais agressividade para o que já era considerado brutal.

O Evil levou o metal extremo nacional para direções as quais jamais em anos passados poderíamos imaginar.

GOAT PRAYERS – For all those who Died (Álbum: Blood Fire Death)

Banda fundada em 1992 e com alguns splits e uma compilação lançada, o Goat Prayers faz um Melodic Black Metal interessante e eu estava curioso ao ouvir esta faixa. Não falta contrabaixo aqui. O peso é gritante, muito bom! Uma pegada Black Metal bem interessante com um peso peculiar, e uma releitura mais moderna e o grande destaque vai para as passagens de contratempos entre instrumental e voz. Essa faixa é uma das minhas favoritas, e me deu muita curiosidade de conhecer mais o Goat Prayers.As guitarras aqui e o solo é impecável. De arrepiar.

IMPURE ESSENCE – Man Of Iron (Álbum: Blood on Ice)

Aqui eu chorei.  Essa faixa original acústica tem uma carga emocional muito forte para mim. Relembrar essa faixa é voltar aos anos em que tive pessoas ao meu lado que hoje não estão mais aqui. Ao ouvir os mesmos tons acústicos realizados por Luvarth mesclados desta vez com agressividade em uma guitarra me mostrou o quanto esta faixa tem potencial. E como o Bathory pode ser relido e manter a sua essência.

O Impure Essence surgiu em 2006 e entre splits e demos, temos dois álbuns, sendo o último Diabolic de 2015, o projeto one-man-band faz um Trash/Black Metal intenso e rasgado. Como música é mais que um conjunto de acordes, a melodia e a personalidade trouxeram várias e várias camadas de interpessoalidade e com certeza pode mudar, como mudou para mim o significado deste hino.

LALSSU – The Stallion (Álbum: Blood on Ice)

 

    One-man-band sugido em 2011 e com dois álbuns lançados, Lalssu escolheu a épica “The Stallion” do álbum Blood on Ice. Fiel ao seu Ambient/Doom/Black, o Lalssu deu características marcantes na música escolhida. Destaque para os vocais que ficaram bem BATHORY, mesclando a essência com um instrumental que tem uma pegada mais seca e melódica. Me deu muita vontade de conferir esta banda, recomendo o mesmo a vocês.

 

 

LONEHUNTER – Call from the Grave (Álbum: Under the Sign of the Black Mark)

O duo Lonehunter surgiu em 2016 em Franca e acabou de lançar seu EP “Beyond the Portals of Death” em formato físico. Se você não conferiu, é uma obrigação. Death Metal de qualidade, coisa de gente grande. O que eles fizeram com Call from the Grave? Vestiram seu metal da morte e sua harmonia ao longo da faixa do Bathory, o que temos é um casulo que a cada segundo que a faixa passa, vemos ressurgir a essência do Bathory e o tempo voa e você vai ouvir de novo, de novo e de novo… viciante! É preciso muita confiança e conhecimento para uma versão feita dessa forma, parabéns!

MALEDICTION 666 – Reaper (álbum: Bathory)

Banda de Suzano, SP faz um Death/Black metal insano. A faixa escolhida foi Reaper que eles teceram nos moldes que a banda geralmente aplica em seus álbuns. São 03 fulls, sendo o último de 2019 “We, Demons”. Fernando Iser não economiza no vocal e na qualidade das cordas. A música é intensa.

PROMETHEAN GATE: 13 Candles  (Álbum: Under the Sign of the Black Mark)

Banda paulistana que surgiu em 2016, não tem um full álbum ainda, mas já trouxe em seus spkits e demos. Capitaneada por Promethean P. Priest que faz tudo como tem que ser, a banda veio ao tributo com a faixa 13 Candles e deu uma aura de misticismo muito fiel à faixa. Com um instrumetal coeso e uma releitura obscura, a faixa é genial!

RAVENDARK’S MONARCHAL CANTICLE – Born for Burning (Álbum: The Return of the Darkness and Evil)

Lobos sulamericanos sedentos de sangue vem cravando suas garras no Brasil e na América do Sul desde 2004.  Famosos por um Death/Thrash War Metal brutal, sem frescuras e não indicado para pessoas sensíveis e de mente fechadas, além de letras extremamente bem escritas como voc nunca viu outra banda fazer, o RMC é uma das bandas mais respeitadas da cena nacional, com diversos splits e três álbuns, o RMC chega ao tributo com a faixa Born for Burning e é bom estar preparado para arder nas chamas. Eles não econimizam brutalidade.

Guitarras cortantes e uma bateria devastadora, elevou-se à máxima potência a frieza desta faixa. E claro, aquele vocal do Holokhaosto dando vida às letras do do SOLRAC MCM/32 que a gente conhece, que parece amordaçado em uma máscara de gás cuspindo ódio e rancor. RMC é uma das minhas bandas favoritas, tem todos os elementos que eu aprecio e não faz nada repetitivo e sem razão. Cada elemento empregado tem a sua importância material e psicológica. Imagine ouvir Bathory… agora imagine ouvir Bathory enquanto há um bombardeio durante a WWII ou quando os panzers passavam sobre cidades transformando-as em cinzas, este é o efeito. Do tributo inteiro, você deve ouvir esta faixa primeiro!

SULPHURIS OBLIVIO – Necromancy (Álbum: Bathory)

Projeto obscuro, evocação de um Rural Black Metal tenso, sem line up e sem vestígios de sua atuação, os renegados apresentam um cover gritante de Necromancy. Fiel ao extremo e muito intenso, imprimindo crueza e malevolência a cada acorde.

WALSUNG – The Land (Álbum: Nordland II)

Mestres do Pagan Black Metal com diversos splits e o full “Perpetual Blood”, que considero um marco no Pagan Metal nacional. Não apenas pela qualidade, mas pela pegada clássica do que o Pagan Metal deve ser liricamente falando, o Walsung tem uma trajetória memorável e dos meados de 2015 para cá vem impressionando bastante.

Muitas das características que citei estão presentes na faixa cover “The Land“. Além de manter a ideia do Quorton para a faixa, o Walsung imprimiu nela marcas pagãs próprias e deram à sonoridade uma aura majestosa de oferenda e tributo. O duo do Walsung a cada lançamento só me traz a certeza de que estamos bem aquém de conhecer o potencial císmico que a banda vem acumulando ao longo dos anos.

WOLFLUST – Sacrifice (Álbum:Bathory)

Os paranaenses do Wolflust  imprimem uma pegada de death/black virulento, que transborda pus. É como expremer uma ferida, a batida é intensa e deu a Sacrifice um caráter amaldiçoado de marcha infernal. O tributo acaba e você fala: PORRA, vou ouvir de novo! Fiz isso com a faiza do Wolflust pelo menos três vezes.

Hail Wolflust!

NOTA: 666/10

E parabéns à HAMMER OF DAMNATION por esse tributo fantástico, por honrar o Bathory e reconhecer o alicerce dele dentro do metal extremo e prineipalmente, por reunir as principais e melhores bandas do cenário nacional – gostem ou não – dentro de um artefato que desde a sua capa e encarte, encantam. Mostram a dedicação e o cuidado com o cliente e consumidor de materiais físicos! Aqui nada de mp3 hipsters, o que a HOD faz é valorizar quem adquire material e ajuda de forma significativa o Underground.

 

Ouça “One Eyed One Man” no link abaixo:

https://hammerofdamnation.bandcamp.com/track/one-eyed-one-man?fbclid=IwAR1lKJN-dQWUlNJslRbmmxdmppuEFfty8VqBNE9uqf_OF9zTFaUS2m3G-rA

Link para compra: https://blackmetalstore.com/produto/v-a-under-the-sign-of-the-black-goat-bathory-tribute-digipack-cd/

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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