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BLUTFAHNE – Twilight of Faith

Independente

Nenhuma descrição de foto disponível.O ano de 2019 está chegando ao final, mas ainda temos uma safra de coisas boas chegando para fechar o ano com chave de ouro. E falando em preciosidades, recebi em exclusividade o novo álbum do BLUTFAHNE. Você não conhece? Vamos dar um panorama, porque vale a pena.

O duo ucraniano lançou seu debut em 2010 intitulado “The Circle of Eternal Return” e de lá para cá tivemos quatro splits, com parcerias como Walsung (BR) e Elegiac (USA). O álbum mais recente que recebi do meu grande amigo Imogrim do Blutfahne, uma parceria que tenho um enorme prazer de poder contar e divulgar, extremamente atencioso e genil, é o “Twilight of Faith” que acabou de ser lançado.

Em geral o conteúdo das letras do Blutfahne são ancestrais, cósmicas e essencialmente cruas em essência. É um Black Metal de heranças europeias mescladas com esoterismo e misticismo filosófico. Então, vamos conferir este lançamento?

Após uma introdução típica das monarquias europeias dignas do Ancien Régime, temos a faixa “The Drink Mead of Nav” com um Blacl Metal brutal e agressivo, com blasts claustrofóbicos e uma bateria que marca a faixa como uma bateria antiaérea. As guitarras compassadas dão uma aura austera à música. Rítmico e destruidor. Com vocal típico da primeira onda do BM, Imogrim sabe o que deseja fazer do Blutfahne, um pilar de resistência ao moderno. Se este álbum tivesse uma faixa, seria essa!

Atmosfera de uma floresta que renasce longe da intervenção humana é como posso traduzir “Echo of the Dead Forest“. Muita essência e muito sentimento de magia e renovação. Destaque aqui para os instrumentais compassados, melódicos e surreais. A melodia parece fazer as arvores e suas folhas balançarem. Uma das faixas mais surpreendentes do álbum!

Com muito peso “Dust Of Time” traz toda eminência escatológica do tempo e sua digressão sobre a essência humana. Com um instrumental marcado pelo majestoso talento em transformar a destruição em melodia – típica do Blutfahne – seguimos a trajetória não linear do tempo que parece adentrar as querelas filosóficas de sua transcendentalidade.

The Dark Road of Thoughts” tem uma essência que nos prepara para a faixa mais Pagan Black Metal de clima nebuloso. Uma instrumental encantadora que lembra o Mistigo Varggoth Darkestra. Tudo isso para cairmos no halo de “Abandoned Verities” que traz toda a essência do que se fazia no BM dos anos 90, mas aqui a técnica é a mola-mestra do desenvolvimento. Muito peso, atmosfera caótica e melódica. Flores que brotam do asfalto, é o que faz o Blutfahne. Uma das bandas mais completas do Pagan Blck Metal mundial.

Toda a brutalidade e agressividade se centram na faixa “Where is No Return “, tudo que foi feito, construído e preparado para a guerra pagã não permite aos guerreiros voltarem atrás, o mundo moderno vai cair e derrubar seus baluartes é imperativo. Uma Cruzada contra a Igreja e seus valores, contra a humanidade e seus costumes. No limiar da espada não há volta.

O álbum nos deixa órfãos com “Whiff of Death” instrumental e medieval. Um último lembrete de que os lobos ainda espreitam pelas florestas sombrias e pelos campos gélidos. Jamais serão domados pela sociedade doente em que vivemos, eles ainda se alimentam de sangue e carne. Dia após dia.

O que falar deste álbum? Independente da amizade, do amor pelo BM ucraniano, eu acredito que este álbum deve ser ouvido. O Blutfahne deve ser conhecido e apreciado. O álbum é brutal e genial, mas é delicado e tem uma essência pagã devocional. É um álbum que dita as linhas gerais do que o Black Metal está se tornando e ao que anseia regressar em essência.

 

Nota: 10/10

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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