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CANYON – Hard/Progressivo

Sempre buscamos imprimir nossa personalidade nas composições e é isso que nos motiva cada vez mais

O CANYON executa um Hard/Progressivo com eximia maestria, formado por músicos experientes, vindo de outros projetos undergrounds de nossa Ilha do Caos. Recente lançaram o primeiro CD oficial, intitulado “Older Than Time”, conversamos com o Ramon Silva, que nos conta um pouco da história da banda, os percalços para o lançamento do CD, e sua vivencia underground, confiram!!!

 

E aí Ramon e CANYON, tudo beleza?! Mah, vocês tocam um Hard/Rock trampado, repleto de referências aos 60’s, 70’s e 80’s, de onde veio a ideia de juntar os 4 músicos pra criar o Canyon!

Ramon Silva – Tudo tranquilo meu amigo. Bom, a ideia de criar o Canyon foi do nosso baixista, Leo Vieira. Ele, Jobson e eu já nos conhecíamos há uns 15 anos e havíamos perdido contato por uns 2 anos, um dia nos reunimos e durante uma conversa entre a gente decidimos montar a banda e apesar de sermos crias do Metal, estávamos ouvindo muito as bandas de Hard e Progressivo dos anos 70, então concordamos em adotar essa sonoridade para a banda que foi pioneira aqui no Maranhão se tratando de som autoral.

Realmente, o estilo é bem escasso, pelo menos como você fala, “autoral”, na real, a maioria das bandas hard são mais é covers; A CANYON se destaca por não seguir este molde clichê. Me recordo de um tempo o termo Hard Rock ser associado a música melosa, hoje é bem diferente, as bandas têm trabalhado bastante em criar algo que os difira dos demais!

Ramon Silva – Existe uma diferença entre o Hard 70 e o praticado nos anos 80. Essa faceta mais “melosa” a que você se refere é mais associada às bandas oitentistas, quando o Hard Rock era representado pela exposição de bandas como Poison, Bon Jovi, Warrant e outras mais que por incrível que pareça vieram do Heavy mais clássico do começo da década e que foram amansando o som se popularizando pelas baladas que estouraram nas paradas. Eu gosto também desse tipo de som, mas quando eu classifico nossa música como Hard eu me refiro ao que era chamado Hard Rock ou Heavy Rock nos anos 70 e aí sim entram influências de Deep Purple, UFO, Grand Funk, Thin Lizzy, Nazareth, Uriah Heep, The Sweet e outras e isso sempre mesclado com o Progressivo antigo. E falando da atualidade realmente muitas bandas atualmente estão praticando um Hard mais pesado e de muita qualidade já puxando pro lado Hard/Heavy, inclusive no Brasil. Mas voltando ao nosso som, realmente sempre buscamos imprimir nossa personalidade nas composições e é isso que nos motiva cada vez mais.

Iron Giant, EP 2014

Conheci o trampo do CANYON através da divulgação do EP “Iron Giant”, comente como foi lançar este EP de forma independente, diria na “raça mesmo”, hehe! Os trampos anteriores, creio que há um CD demo “Life After All” ou uma demo tape não é isso? 

Ramon Silva – Até o lançamento de Iron Giant já havíamos lançado as demos Elegy For The King (2012) e Canyon (2014) e Life After All foi uma compilação de shows que disponibilizamos pra download. O Iron Giant foi um single de um lado em vinil transparente e foi uma ideia minha. Saíram apenas 20 cópias. Foi mais por uma satisfação pessoal, mas a resposta foi muito positiva e hoje já se tornou uma raridade absoluta e garanto que não faremos nunca mais uma nova tiragem desse material, então quem tem que guarde.

Older Than Time, CD 2019

“Older Than Time”, primeiro CD oficial da banda, isso uma década após a banda ser formada. O CD contém sons da primeira demo, repaginadas, e também do 7”EP Iron Giant, e, outras novas. Um CD muito bom, recheado de músicas boas. Como surgiu a ideia até a consolidação do CD?!

Ramon Silva – Esse primeiro trabalho foi composto por material que escrevemos ao longo desses 10 anos. Muita coisa foi rearranjada pois éramos um trio até 2015,eu era baterista e com a entrada de Ítalo Silva passei para a guitarra, teclado e voz o que ampliou nossas possibilidades na composição. As músicas novas que entraram são justamente frutos dessa nova fase como quarteto que são um pouco mais pesadas e com bastante guitarras. Nosso avanço em relação à realização do CD em muito se dá pela entrada de Ítalo já que ele também produziu o material, eu ajudei na captação, mas toda mixagem e máster ficou sob sua responsabilidade, o que foi muito desgastante pra ele, mas foi essencial para que pudéssemos materializar esse trabalho.

O Ítalo trampa com masterização e até criou o AEON SOUND STUDIO, ele fez mixagem de algumas demos e CDs de bandas da Ilha, realmente, o esmero com o trampo é um fator há mais pro CANYON.

Ramon Silva – Realmente temos sorte de contarmos com um artista tão gabaritado como Ítalo junto da gente, seu conhecimento e sua vontade de sempre entregar o seu melhor musicalmente e artisticamente falando nos cativou. O convite saiu de minha parte e desde que ele aceitou essa missão a banda só avançou. Fora da banda ele também se mostra como um profissional excepcional e a cada dia suas produções melhoram. Todo trabalho tem suas falhas e nós somos cientes disso, tanto a execução quanto a produção do disco em determinados pontos poderiam ter sido melhores, mas como sempre falo, era pra ser assim, foram quatro homens, não máquinas e baterias eletrônicas que gravaram esse trabalho cada nota e cada batida, cada voz foi gravada com a intensidade do momento no maior esforço possível de cada um de nós. E como produtor Ítalo soube sintetizar tudo isso. Somos muito gratos por sua contribuição na banda.

Houve um problema ai na época e lançar o CD, antes não seriam os selos “Gadanho Recs” e a “Cianeto Discos” a capitanear essa empreitada, não é mesmo?!.

Ramon Silva – Isso foi uma longa história e uma grande dor de cabeça. O selo Megahard/Progressive Rock Worldwide iria lançar o CD, mandou o contrato e tudo (Tenho guardado aqui inclusive) e no último momento desistiu alegando não ter gostado do som por não ser “progressivo “ o suficiente, sendo que eu havia mandado todas as músicas para eles ouvirem. Achei isso uma falta de profissionalismo enorme pois sempre alertava que o som era uma mistura de Hard Rock com Progressivo, não éramos uma cópia de Yes ou Genesis ou Emerson Lake & Palmer como muitos por aí e mesmo assim confirmaram o interesse e eu inclusive divulguei aos quatro ventos via rede social, e no fim eles simplesmente dizem que não iriam mais fazer. Foi uma decepção. Mas enfim, corremos atrás de outros contatos entre eles o Gil Dessoy proprietário da Cianeto e que já havíamos conversado na época do lançamento do Canyon (2014) pra fazer pelo selo mas na época não rolou. Ele de pronto se dispôs a ajudar a gente e igualmente o Nilberto (Gadanho) que também deu um grande apoio pra gente. Também quero ressaltar a Fanzine Produções (Natanael ex-Ansia de Vômito) que também colaborou substancialmente não só para o CD como para nosso show de lançamento que foi memorável. Eu sempre falo que tenho muito orgulho do Canyon ter sido acolhido pelos apreciadores do Metal extremo, nosso primeiro feedback positivo aqui na cidade foram de ouvintes desse estilo e não de fãs de Prog ou Rock clássico como imaginávamos que seria. O underground e assim mesmo feito de amargas derrotas é doces vitórias. Quem não está preparado joga a toalha mesmo.

Older Than Time tem uma belíssima capa/arte, e, aproveitando o gancho, você criou a arte e todo o layout do CD, isso dá mais gana para criar o conceito do que seria um sonho pra uma banda? E, qual é a história do personagem da capa do CD!

Ramon Silva – Nós temos sorte de podermos contar com essa facilidade de membros da banda chamarem pra si outros processos da construção do trabalho como um todo além da música. Sempre desenhei e isso pra mim me completa. Eu costumava fazer logos pras bandas cujo o logo eu achava feio e mandava pelo Correio algumas usaram, inclusive o logo do Nosferatu e do Denim And Leather bandas Heavy de SP são criações minhas. Então pra mim isso é natural. E realmente fica mais fácil eu colocar no papel o que eu quero do que explicar pra outro fazer, meu maior brainstorming foi criação de um conceito que ligasse a arte gráfica à música mas quando saiu a ideia inicial o desenvolvimento foi tranquilo. A figura da capa é um ser que é retratado na letra da faixa título, ele é tudo e nada ao mesmo tempo ele é o vácuo ,ele é anterior até  a criação do universo, anterior ao deus cristão e a todas as outras divindades que o homem acredita. Foi uma ideia que eu tive depois de acumular muitas leituras e “viagens “ na minha mente. Mas o conceito é esse. Mas pode ter sua interpretação particular de cada um.

Os k-ras da CANYON creio que todos têm ou tiveram trabalhos paralelos, podem relatar um pouco dessa vida underground de tocar em diversas bandas…, de imediato me recordo do HOPKINS que é uma banda que curti muito o trampo, fora o nosso amigo Ítalo, que toca também em algumas bandas extremas da nossa cena maranhense.

Ramon Silva – Todos nós temos já uma vivência dentro do underground. Desde 1993 que comecei a querer integrar bandas, em 1996 entrei em um projeto no Rio chamado Dark As Hell que era gothic rock mas não foi pra frente e em 1998 de volta pra cá entrei na Eutanasia e depois fundei a Insomnia junto com outros amigos, sai da banda em 2000 e fiz acho que uma participação  com a Schizofrenia banda de Thrash daqui em 2002 mais ou menos, montamos o Heaven and Hell nessa mesma época (Léo, Jobson e eu) depois disso fiquei sem fazer parte de nenhuma banda mas sempre tocando em casa, compondo até que surgiu o Canyon. Em 2014 decidi desovar composições que tinha escrito ao longo desses anos todos desde 1993 e criei o Hopkins onde fiz absolutamente tudo sozinho. Da capa à produção e esse material teve muita receptividade dos fãs de Heavy na linha NWOBHM saiu primeiro em CDR e depois em K7 pela Peso Diabólico do meu amigo Dunga Maineaxe. Muita gente me pergunta se darei continuidade e inclusive tenho propostas de lançar por um selo daqui e outro da Espanha caso eu o grave, está em aberto, vou me esforçar pra fazer isso em 2020. Quanto aos demais da banda nosso guitarrista Jobson fez parte do Schizofrenia que depois virou Vociferate e fazia um Thrash Metal violento no inicio dos anos 2000 inclusive foi a banda que fez o primeiro show na inauguração do saudoso Castelo do Rock, eles gravaram uma demo que nunca foi lançada, depois disso ele ainda participou como vocal do Sakianata banda de heavy melódico que durou pouco durante o boom do estilo. Leo nosso baixista tocou comigo e Jobson no Heaven and Hell mas não chegamos a tocar em shows e Ítalo já integrou muitas bandas de Black e Death Metal como Oath, Bellhharar, Ordo Satani, Sardon e atualmente além do Canyon toca no Demonic Hate e é baixista do poderoso From The Abyss ah e está colocando em prática seu projeto solo Sempiternum que vai surpreender com um som Black magistral.

Canyon, por Divulgação

A CANYON tem tocado bastante em eventos da Ilha, mas, e shows fora do Estado, tem rolado algum convite? Como está a agenda de shows da banda?

Ramon Silva – Nós já nos apresentamos em Teresina ano passado, pra gente é meio complicado por causa do trabalho de cada um, mas é bom ver outros cenários e levar nosso som pra novas paragens, inclusive fomos muito bem recebidos em Teresina.

Eu particularmente tenho um sonho de tocar em Fortaleza pois acho a cena de lá fora de série. Quem sabe 2020 dê certo. No momento nossa agenda está parada e em janeiro estamos com planos de começar a pré produção do nosso próximo trabalho. Que deve ser outro full álbum.

Amigo Ramon, creio ser tudo por esta. Deixo-te a vontade para algo mais que deseje relatar…, obrigado pelo tempo cedido pra responder minhas perguntas!!

Ramon Silva – Eu agradeço o interesse e o contato. Fico muito lisonjeado por figurarmos nas páginas da Lucifer Rising, isso é motivo de orgulho real da nossa parte pois sabemos quão criterioso musicalmente é o apreciador das vertentes do Metal extremo, pessoas engajadas com uma linha de pensamento diferenciada e uma visão singular do mundo ao seu redor. Sermos recebidos nesse meio fazendo um som esteticamente fora dos padrões musicais desse segmento mostra que a imagem do radicalismo tolo e do preconceito relacionado ao headbanger cada vez mais caem por terra. Fica aqui registrado meu respeito por todos vocês e em nome do Canyon expresso nosso mais sincero agradecimento.

Contatos:

rush-1969@hotmail.com

https://instagram.com/canyon_hardprog?igshid=1g0rh989fho2n

https://canyon1.bandcamp.com/

https://www.facebook.com/CanyonHardProg/

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Hioderman ZArtan

Editou os zines "Anaites" e o "Guerreiros Zineiros". Designer gráfico Underground e mentor do Anaites Records.

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