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DARK PARAMOUNT – “Adhuc Perversa”

CD - 2020 - Impaler Rec./Paramount Music From Hell/Black Heart Rec.

Aqui estamos diante de uma das bandas mais antigas do cenário nacional em atividade. Dark Paramount é uma das grandes representantes do underground dos anos noventa e vem se lapidando, dentro de sua própria proposta, neste espaço de tempo.

Minha primeira grande memória sobre a banda já se dá em 1997 com o lançamento de sua demo “Black Phallus” o que viria a ser seu terceiro registro em tape, porém eu não cheguei a conhecer suas demos anteriores a ”Perverse Laws” de 1995 e a “Yarva Archeus Daemonicus” de 1995, apesar de ter uma memória visual da capa desta última. Com certeza o que ficou mais marcado na cena foi a demo “Remphan Rites” lançada em 1999, o split com Intelectual Moment em 2001 e o seu Debut Album em 2002 “Reverence”. A banda acabou entrando num hiato de quinze anos até voltar a lançar material oficial, porém foi soltando uma série de novos materiais e relançamentos até chegar no atual material, objeto desta resenha, o álbum “Adhuc Perversa” lançado em 2020.

O que a Dark Paramount nos apresenta é um material muito bem elaborado, muito bem gravado e que consegue reunir bem suas ideias através da identidade gráfica que imprimiu ao trabalho. São praticamente duas capas, uma para o digipack e outra para o encarte, sendo a capa do digipack uma fotografia de autoria do próprio Kadax Azuhos e a capa do encarte um desenho do notório Emerson Maia, ambas possuem extremo bom gosto e boas escolhas, refletindo bem as intenções que podemos constatar no encarte desse álbum.

Musicalmente “Adhuc Perversa” contém trinta minutos insanos de uma sonoridade tipicamente “noventista”, com todos aqueles requintes de crueldade. Guitarras atormentadoras, bateria sentenciada e aquela atmosfera ecoante nos vocais cheio de ira e perversidade, aliás, o próprio título já anuncia que a banda continua perversa, desde lá, seu primeiro registro de 1995 na demo “Perverse Laws”. Tudo já começa muito bem emoldurado por uma introdução cheia desta perversão, entre gritos, sussurros e delírios em aproximadamente dois minutos na faixa “Fillis Daemonicus Pestilentiae”.

A música de abertura é uma faixa que fez parte da demo “Black Phallus” e cham-se “Oh! Sir Remphan, Dark Paramount” assim como quase todas as faixas do álbum, exceto a faixa “Noite de Sabá”, todas as outras figuraram na demo lançada em 1997, porém, claro! Estas ganharam versões mais lapidadas, com uma gravação um pouco melhor, como comentei acima, mas elas possuem, com clareza aquele espírito dos anos noventa impregnado em toda atmosfera criada por essa, digamos, atualização.

A terceira faixa é a “Wolferian Metempsychosis”, que começa com um mantra vociferado feito cântico ritualístico e logo em seguida o instrumental rasgando, cadenciando mortalmente seu ritmo, dando adorno a este místico entoar satânico. A quarta faixa é a “Gehena” que inicia com um belíssimo dedilhado ao violão acústico, aliás, a variação sonora usada pela Dark Paramount nesse material são de alta qualidade, muito bem arranjados e executados, essa música segue também a linha cadenciada da banda que, não investe em velocidade e sim em atmosfera sombria com mid tempo e por vezes lento. Aqui e ali é possível perceber a presença de algumas fortes influencias como Samael por exemplo, mas essas referências estão muito diluídas e o som da banda, após tantos anos de estrada, já ganhou contorno próprio.

A quinta faixa “Noite de Sabá” é a única música cantada em português do álbum e, também traz consigo um cântico satânico no início, transitando para uma base bem atmosférica em seguida mostrando uma riqueza em suas variações. As vociferações nessa musica são muito interessantes, após termos muitas experiências com bandas de Metal Negro cantando em português, acabou por naturalizar a audição, isso não soa tão estranho ou dissonante. Além dessa faixa ser em português, curiosamente a ficha técnica do álbum é toda escrita em português apesar da maioria das músicas serem em inglês.

Por fim “Black Phallus” música da demo de mesmo título, qual já comentei mais acima, com toda sua energia carregada pelo Metal Negro Tradicional e mantendo bem alto o nível das gravações, as escolhas das músicas para esse material qual faz justiça ao título e, talvez ao meu olhar, a intenção da banda em resgatar toda sua história em uma de suas demos mais emblemáticas e que deve ter alcançado um número considerável de pessoas no underground da época. Mais que ideal que esta obra esteja presente no acervo dos maníacos pelo Metal Negro Nacional, é o fato dela ser realmente indispensável.

Ouça a faixa “Noite de Sabá“:

 

 

 

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

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