Entrevistas

DAVID VINCENT (VLTIMAS) – “Algo perverso está surgindo!”

São 35 anos dedicados ao metal extremo! David Vincent é uma lenda. Ex-frontman do Morbid Angel com diversos projetos dentro e fora da cena metal. Hoje é a voz do Vltimas ao lado de Rune Eriksen (AURA NOIR, EARTH ELECTRIC, ex-MAYHEM) e Flo Mounier do CRYPTOPSY. David Vincent estava em turnê com o I am Morbid quando o contatei e prontamente agendamos a entrevista para quando ele voltasse da Europa e estivesse em sua residência no Texas.
Abaixo segue o resultado:

David Vincent, Foto Por: Divulgação

Mr. David Vincent é um prazer enorme poder fazer essa entrevista. Como estão as coisas no Texas?

David – Olá, você é muito bem-vindo! Aqui as coisas estão bem, um breve descanso após a turnê com o I am Morbid na Europa.

Você tem estado na estrada há um tempo: Morbid Angel, Genitortures, Terrorizer, The Head Cat, I AM Morbid, um projeto country…

David – Nossa! (Risos) Lá vem…

… e agora Vltimas, quando você olha para sua jornada, você na pensa: “Ok, agora basta!” Quando é a hora de falar “Chega!” pra você?

David – (risos) Olha só… olhando por esse lado… (risos), eu já estou na estrada há um tempo. Você mencionou coisas bacanas aí, o Head Cat, cara, o Head Cat é algo íntimo, eu vejo como um tributo e substituir o Lemmy em algo – aliás, dar continuidade – em algo é assim… um tributo, foi muito importante fazer isso, quer dizer, é dar sequência a algo que alguém como ele iniciou.
O I AM Morbid é o meu legado. É algo meu que toco porque tenho essa parte importante da minha vida e da minha música que vai me acompanhar sempre. Eu quero levar isso e atingir as pessoas com isso. Então vai estar por aí até quando eu estiver.

Então, não tem um “deadline”? um prazo para o I am Morbid?

David – Não, não. É uma herança, é algo que trago sempre para as pessoas lembrarem, viverem.

Rune “Blasphemer” Eriksen, Foto Por: Divulgação

Você fez muita gente feliz com o I am Morbid, eu lembro quando você saiu do Morbid Angel pela segunda vez e pensei “Putz, não posso mais ver ele com a banda ao vivo” e que bom que eu estava errado, aí está você!

David – Aqui estamos. Os dois lados são importantes, há uma conexão. Trazer esse sentimento é importante, é uma banda completamente nova. Algo paralelo, mas que é parte do que faço e venho fazendo há 35 anos.

O título do álbum do Vltimas “Something Wicked Marches in” é bem interessante, de onde ele saiu?

David – Da composição, eu ia compondo e há uma certa altura da letra eu tinha “Something Wicked”… ok… “marches in” ou “marches out”… então…

Ricky – “Tá de brincadeira, né?” (Interrompendo….)

David – Não, (risos), é verdade soou interessante porque dá uma certa preparação, evoca que devemos estar preparados para algo grande, pois algo está vindo, esta foi a dúvida dos dois títulos porque “comes out” passa a idéia de estar saindo, sendo exposto” e “marches in” algo a ser introduzido, apresentado… você sabe….sei que sabe. Tinha que trazer essa atmosfera urgente de algo brutal a caminho.

Flo Mounier, Foto Por: Divulgação

A capa deste trabalho também é interessante, tem muita informação acontecendo nela. De quem foi a idéia?

David – Sim, muito. É algo que indica processo a depender de onde você olhe, é algo eu está sendo caoticamente produzido, uma preparação. Ao longo do projeto fomos escolhendo e moldando imagens que se adaptassem a idéia que tínhamos.

(Perguntando) David – Mas você também se refere ao nome “Vltimas”, certo?

Ricky – Sim, agora sim, também me refiro a isso!

David – Então, o “V” – algarismo romano – é tratado como “U” no nome da banda, ele fornece uma idéia ancestral, antiga sabe? E tem essa relação com a palavra “última” em espanhol e português. É algo novo, mas é algo que é imemorial, sempre esteve aí.

Eu falei com você há umas duas semanas, você estava na estrada com o I am Morbid na Europa e agora você está de volta no Texas. Até quando você vai manter essa vida ocupada com mais de um projeto e as turnês no mesmo ano?

David – Ao mesmo tempo?

Ricky – No mesmo ano, pois o espaço é bem curto, em termos de tempo.

David – É, ao mesmo tempo, isso me mataria. É impossível, bandas diferentes, músicos diferentes, arranjos, público, eu estaria morto. (risos). É provavelmente isso me mataria. Então, agora eu estou umas duas semanas em casa. Vamos pegar uns festivais na Europa e há muita coisa para acontecer, vamos sair em turnê com o Vltimas e todos estão se organizando, afinal, estamos todos em continentes diferentes.
As turnês são parte importante para esses projetos, é quando captamos o que foi feito e estamos ansiosos para por em prática este novo projeto.

2019 – Something Wicked Marches In “Full Lenght”

Quais músicas você está mais empolgado para tocar ao vivo?

David –Tudo, o álbum inteiro, quero tocar o álbum inteiro na íntegra, ele foi pensado para ser executado por inteiro. Quero subir no palco e executar todo o álbum e captar toda a energia e potencial dele ao Vivo. Não criamos o álbum para selecionar “esta” ou “aquela”, ele vai ser apresentado por completo. Temos muito orgulho dele.

O álbum soa para mim um Morbid Angel misturado com algo Death/Thrash brutal… e não adianta David, quando ouvimos o álbum, aquelas linhas de baixo cavalgadas e quando os urros entram em cena, nós sabemos que é você, se você pensa um dia em se esconder em um projeto anônimo, você não vai conseguir, preciso te avisar isso. Como você descreveria o som da banda como um todo?

David – (risos) Eu nem penso em me esconder, jamais, não se trata disso, de forma alguma. Que interessante isso… Eu vou soar Morbid Angel muitas vezes porque investi anos da minha vida nisso. Hoje eu não sôo como outras pessoas. Eu sôo como David Vincent, é a minha cara, minha música é quem sou e meus elementos são meus, minha identidade e personalidade, nas músicas eu sempre vou soar comigo mesmo, assim como o Flo, soa como ele e o Rune que tem muitos projetos, tipo o Mayhem há um tempo, vai soar como ele mesmo, nós fizemos a junção em estúdio e cada um contribuiu com seus elementos e o resultado foi brutal. Muito peso e personalidade.

David – Você tem alguma faixa favorita no álbum?

Ricky – O álbum na íntegra.

David – Ótima resposta!

Vltimas, Foto Por: Divulgação

Estar geograficamente distante foi um problema? Sair do Texas foi algo que…

David – Não, sair daqui não é opção. Nós demoramos certo tempo, demorou um pouco porque tínhamos que sentar em estúdio e por tudo em prática, nada foi digital ou online cada um na sua casa a seu bel-prazer. Não funcionou assim.

E há quanto tempo o Vltimas existe?

David – Contando o que nós colocamos em prática, cerca de dois anos. Então, parece algo novo, mas vem sendo lapidado há um bom tempo. Demorou um tempo para nos reunirmos e no estúdio definirmos os patamares de contribuição e trabalho, tudo fluiu muito bem.

Eu gostaria de falar um pouco sobre o Morbid Angel, pode ser?

David – hm…

Caso não se importe…

David – (pausa) Ok, ok, vamos lá, sem problemas. Do que precisa?

Você deixou o Morbid Angel…

David – Saí do Morbid Angel…

…Saiu a primeira vez e fez outros projetos. Voltou e gravou Illud Divinus Insanus – um álbum que eu gosto! -, um álbum que tem elementos diferentes do que estamos acostumados no Death Metal tradicional que a banda faz. Depois você saiu novamente e lançou um puta álbum de Death Metal e o Morbid Angel lançou também um álbum excelente os moldes que fazia antes do Illud. A questão é: O que está acontecendo aqui? Você previu que este álbum seria experimental? O Trey topou fazer isso?

David – Então, o álbum foi feito em concordância de todos. Trey estava experimentando alguns elementos na época e eu também trouxe certos elementos. O álbum está gravado. Está feito, e ficou no passado. Uns amam, outros odeiam e nada vai mudar. O projeto atual não é nada “pós-Illud” ou uma redenção por ter feito algo diferente, eu sou quem sou e os projetos possuem suas identidades quando são feitos. Após a minha saída o Morbid Angel seguiu e eu segui e estamos na estrada.

Vltimas, Foto Por: Divulgação

Voltando um pouco no passado, como foi – lá nos anos 90 – a experiência de fazer shows em grandes arenas, com o Pantera para um público não tão Death Metal.

David – Ah, olha só, eu vou aproveitar e esclarecer isso que falam desde muito tempo. Eu não fiz turnê com o Pantera, no tempo eu já tinha saído do Morbid Angel, eu era amigo pessoal dos caras, acompanhei a distancia, mas não estava no palco. Acham que eu cheguei a tocar com os caras né? Que estive nesses shows e NÃO, eu não estive!

Você tocou baixo no álbum do Terrorizer “World Downfall”. O que você se recorda deste tempo?

David – Ah sim, foi divertido. Foi legal, era metal e um pouco de punk rock então achei interessante fazer, fiz as linhas de baixo e produzi o álbum.

Este álbum do Terrorizer é um dos marcos do grindcore…

David – Olha Ricky, aí é com você…eu só gravei o baixo e achei na época que foi divertido e interessante, o resto já não sei.

E quando vamos ver você por aqui e na América do Sul?

David – Depende de vocês, aí é totalmente com vocês, eu ao posso sair correndo atrás, até poderia, mas não (risos). Depende de muita coisa, organizadoras, promotores dos eventos, festivais, é algo burocrático que espero que possamos resolver e que estejamos por aí em breve. Eu gosto muito do Brasil e da forma eu vocês apóiam o underground. Todo apoio e suporte que dão às bandas é bastante conhecido.

Só falta o título para a entrevista e terminamos…

David –  “Something Wicked Marches in”…

Ricky –  “Something Wicked Marches out”

David – Risos. Muito obrigado por tudo, você é sempre muito bem-vindo!

 

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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