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DEFIXION – The Cult to ABALAL !

Arte e brutalidade unidas em um antigo ritual

Quando nos deparamos com novas bandas sempre procuramos analisar os seus pontos mais positivos. O DEFIXION é uma banda americana, vinda da ensolarada Califórnia, que abraçou um caminho árido e obscuro, que envolve um grande esforço para decifrar o velho caminho da mão esquerda, invocando velhas tradições e as unindo ao moderno pesadelo musical chamado death metal. Conversei com o guitarrista Ousiri que nos brindou com uma entrevista fascinante.  

Por Fábio Brayner

Primeiramente eu gostaria de agradecer por ceder o seu tempo para responder as nossas perguntas. Bem, a primeira coisa que eu gostaria de te perguntar é sobre o início do DEFIXION. Quando a banda foi criada ?

Ousiri: Obrigado crianças de Lúcider por abrir o portal para nós, humildes mensageiros de Abalal.   O Defixion foi criado alguns anos atrás, tomando uma forma mais negra e estudos em anos recentes. Uma demo foi gravada como uma dupla com um amigo. Mudanças, locais e pessoas não são importantes. Conhecimento é. Um material amaldiçoado é. O mensageiro nunca é importante.

Uma coisa que eu percebi é o uso de diferentes nomes para os membros da banda. É possível sentir uma negra atmosfera ao redor dessas entidades chamadas “músicos”. Essa é uma maneira de evitar uma conexão entre os membros e a música por si só ? O quão importante são os nomes dos membros da banda na construção da entidade chamada DEFIXION ?

Ousiri:  Nós estamos encontrando nossos nomes em deidades menores, seres desconhecidos e vozes místicas (voxes mysticae). Nós queremos criar algo maior e mais estranho do que nós mesmos. Assim como um espetáculo. Tudo está transmutando e conectado com o que nós fazemos, não há nada por acaso, não há falta de inspiração, embora nós queremos manter um lado da música ortodoxa quando isso diz respeito ao death metal com uma pegada mais técnica.

Quando vocês usa uma negra imagem e nomes obscuros vocês estão tentando mostrar suas ideias a respeito da sua arte. Qual é a ideia principal por trás do seu conteúdo musical e lírico ?

Ousiri: Forças prejudiciais, Exotéricas e death metal combinados. Simples e profundo assim. A ideia é viajar para a antiguidade, para cultos do passado, encantamentos esquecidos, velhas expressões mágicas. Para de alguma forma trazer noções esquecidas de crenças e maldições. E ainda Abalal se move dentro de nós e nós dentro dele.

Eu estou curioso sobre todo o visual escolhido para ser usado pela banda. Vocês decidiram usar a cor branca enquanto todo mundo prefere conectar suas ideias a respeito de escuridão com a cor preta. Eu lembro de ler muito tempo atrás que o branco era uma cor de luto em vários países asiáticos. Isso é apenas uma coincidência ou há uma relação ?

Ousiri: Nós escolhemos a cor, o significado do ritual, proteção e textura do linho. Nossas vestimentas estão representando muitas coisas para nós, uma conexão com a antiga vestimenta dos iniciados. Vamos lembrar que o linho tem sido usado pela humanidade por pelo menos 36 mil anos, para uso no dia-a-dia e com própsitos rituais (especialmente para entrar no Inner Sanctum).  O DEFIXION quer procurar refúgio na Lux Diurma to abrandar os Deuses, para esfregar a cevada e pacificar a terra antes de derramar nossas gotas de sangue e realizar o sacrifício por cima dela. Então nossa vestimenta também representa a luz do dia, uma presença fantasmagórica e um culto à Abalal.  Estar no escuro em uma floresta com uma tocha é fácil, representar a escuridão sob a luz do sol é uma questão de essência, o que na verdade determina o caráter.

A sua música mistura diferentes concepções artísticas, tanto em termos musicais quanto líricos. As influências do metal extremo são evidentes e fáceis de perceber, mas que tipo de outras influências vocês trazem para a sua música e letras ?

Ousiri: Nós amamos pegar influências de diferentes estilos musicais como o Prog Rock, algumas vezes até mesmo de velhas trilhas sonoras de vídeo games, um pouco de Jazz, World Music, thrash e death metal. Mas os elementos místicos deve ser elevados dentro de nossa música e vamos, assim como a presença esotérica que fica mais alta e mais clara para todos nós. Esse é o nosso próximo objetivo.

 

Liricamente falando, eu pude ler algumas de suas letras e foi uma experiência realmente interessante. Elas não se conectam com o Satanismo clichê, mas podemos ver conexões com uma base mais espiritual, uma ideologia mais obscura e profunda. Quando você escreve as letras, o que você procura atingir ?

Ousiri: O DEFIXION não explora nada relacionada à concepção bíblica de bem e mal, que inclui o clássico embate entre Yahwe versus Satanael. Nada disso. Nossos conceitos são mais antigos, voltando mais de 35 mil anos no passado, passando pela Mesopotâmia e Europa, até agora. Eu quero invocar e evocar antigos e novos poderes. E, é claro, manter uma boa e saudável quantidade de lirismo relativo ao death metal também, mas me mantendo longe dos clichês como eviscerar sua namorada ou sobre um apocalipse zumbi.

O significado de DEFIXION traz algum conhecimento sobre antigas invocações e rituais de maldição. Na sua opinião o DEFIXION é um tipo de criatura (tal como o antigo  Golem) invocado e controlado para espalha uma diferente mas ainda assim brutal forma de arte ? O DEFIXION vai além das fronteiras musicais ?

Ousiri: Nós tentamos deitar nossa pele mortal quando isso se refere a essa oferenda. Ainda que o conhecimento seja o caminho, isso é também um espetáculo para entreter e se fazer lembrar. Nós não estamos tentando dar aulas sobre nada. Eu gostei sobre o que você falou a respeito de espalhar uma diferente mas ainda brutal forma de arte. Nossa velha pele do dia-a-dia é somente uma túnica sobre a cabeça de Abalal, Eulamon, Horosis, Santhenos, Besinor e Ousiri. Então voltando à questão das roupas, isso também representa nossa velha pele que nós todos vamos mudando na vida. Gracioso seja, observando, Ablathanal. Oh, Daxai, nos ajude.

“Tabella Defixionis” nos mostra um impressionante death metal: negro e brutal e, em minha opinião, um trabalho realmente incrível. Como tem sido as reações a respeito desse álbum até agora ? As pessoas estão entendendo a banda e sua arte ou somente apreciando os aspectos musicais ?

Ousiri: Nós estamos muito satisfeitos com as reações até agora. Nós estamos certamente felizes que o nosso lançamento independente chamou a atenção do Dave Rotten da Xtreem Music Records para nos ajudar a fazer parte da família death metal dentro daquele selo. Uma grande honra. Muito obrigado pelo seu feedback sobre nossa música. Isso é muito encorajador. Nós não queremos dizer às pessoas o que entender, o que pensar. É arte, recebam isso da forma que desejarem.

A Xtreem Music Records foi o selo responsável pelo lançamento de “Tabella Defixionis”. Como vocês encontram o caminho para o selo e como eles estão trabalhando até o momento ?

Ousiri: Eu estava me comunicando com o Dave e eu compartilhei nossa música e ele se interessou. Simples e orgânico dessa forma, então ele tem sido, até agora, alguém muito agradável de se lidar. Apesar de tudo, cada processo mágico tem diferentes componentes e isso é parte disso tudo.

A arte do EP tem muitos significados e símbolos. Você pode nos explicar o que está por trás daquela imagem ? Quem foi o responsável pela criação dessa arte ?

Ousiri: Ourisi é o responsável pela arte e concepção até agora. A capa representa a união entre a mortalidade e as maldições. Você tem o crânio representando a inevitabilidade da morte e a transmutação e você também tem a maldição em forma de uma boneca que representa a invocação material. O EP é um desenho de um ritual hexográmico, também explicado no encarte do material. Cada música tem um símbolo, cada símbolo é um passo ritual para uma maldição. Aqui vai a explicação:

– A flauta: música tomada como um movimento da alma, o alcançar de uma catarse, o despertar de uma paixão, medo e entusiasmo. Efeito purgativo e mania. Respiração como o provedor da vida.

– Cevada e pente de madeira: oferenda para as deidades, ritual de pacificação e respeito pela terra, calmaria e silêncio.

– Hecatamnus com três cabeças: uma divindade trabalhando a vontade, a tocha, fertilidade, caminhos de entras, ofício, necromancia, feitiçaria.

– Tablete e pregos: material para a prática de maldições, forças prejudiciais e poderes metafísicos. Pregos como apoio, transfixação, ação vinculante e sofrimento físico.

– Crânios e faca: o sacrifício e a ferramenta, sangue, oferendas, gritos estridentes, alcançando os mortos ou os Deuses.

– O Vaso de Água: purificação de todas as criaturas, rejeição dos impuros, limpeza dos banho de sangue e pragas, a condução, chuva.

Vocês estão atualmente trabalhando em novas composições ? Nós podemos esperar por novas interpretações artísticas para a sua música ?

Ousiri: Sim, nós estamos trabalhando em novo material. A ideia é lançar mais dois álbuns com a Xtreem Music. Como eu disse antes, elementos como cantos rituais irão se tornar mais presentes em nossa música. Nós deseje sorte, pois isso nunca é algo fácil de fazer, daí um desafio musical.

Bem, muito obrigado pelas suas respostas e grande música. Eu estou certo de que as legiões metálicas brasileiras irão apreciar sua música e palavras…

Ousiri: Quando falamos de legiões… poucas se aproximar das hordas brasileira. Há muito sangue quente e talento. Ave Brasil. Muito obrigado por abrir espaço nas páginas do livro de Lúcifer para nos deixar entrar, crianças do Esquecido.  Sou Ousiri, um estudante procurando por algo dentro Daquele que esconde a Luz das Estrelas. ABALAL.  Para a sua proteção:    Seberi, Seberi, Uulua.  Seberi, Seberi, Uurdux.

Para contatos: www.facebook.com/DEFIXIONES

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Fabio Brayner

Editor do The Old Coffin Spirit zine e um completo metal maniac desde 1985. Ex-membro de bandas como Sanctifier e As the Shadows Fall.

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