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DISRUPTION PATH – Death Metal até o osso

O Metal sempre será resistência a tudo!

O Brasil sempre esteve muito bem representado no cenário do Metal Extremo internacional. Desde os primórdios com VULCANO, passando por SEPULTURA , SARCÓFAGO, HEADHUNTER D.C, etc até o presente momento com KRISIUN entre outras, nossas bandas sempre foram referência para o resto do mundo , Mas e o que o futuro nos reserva ? EXTERMINATE, SANCTIFIER, QUEIRON, etc vários são os nomes que começam a se destacar em meio a uma cena repleta de inúmeros talentos formidáveis e ótimas surpresas tendo em seu meio alguns nomes novos e outros nem tanto. Nesse mar de Metal da Morte eis que em 2015 surge a DISRUPTION PATH com a proposta de fazer um Death Metal mais tradicional, com forte influência dos  nomes clássicos do estilo. Tendo lançado em 2019 pela “Extreme Sound Records” seu EP de estréia, o fantástico “Warped Insanity”  (ver resenha completa aqui ) a banda vem caminhando a passos largos abrindo seu espaço em meio à multidão com uma sonoridade extremamente acima da média e com apresentações ao vivo avassaladoras  . Se você ainda não ouviu a banda , fica aqui a dica, corra atrás por que você ainda vai ouvir falar muito sobre essa banda. Nós da “Lucifer Rising” não poderíamos deixar de trazer a banda para nossas páginas e num papo descontraído o grande Helton Henrique nos colocou à par sobre o passado e presente da banda e o que o futuro reserva.

 

Foto : Divulgação

1) Como você apresentaria/descreveria a “DISRUPTION PATH” a um leitor que ainda não tenha sido apresentado à banda?

Helton: Olha difícil de falar de si próprio imagina da sua banda kkkk Cara fazemos um Death Metal honesto, influenciado pelos intocáveis do Metal , e também pelos Mestres do estilo, flertamos com várias vertentes do Death Metal, mas sempre mantendo a pegada tradicional 80/90 , podemos dizer que somos uma banda tradicional , que parte para violência.

Nós somos o DISRUPTION PATH !

2) Falando um pouco sobre a criação da banda. Como vocês se encontraram e decidiram montar a “DISRUPTION PATH”?

H: A banda ja era formada, ja existia com Adler e o Daniel falando de membros remanescentes, os caras estavam naquela fase, hora que vai, um pula fora, e nessa estavam sem vocalista. E um certo dia de bobeira passei e trombei o pessoal no estúdio, e o Dani me mostrou o som do DP, eu me empolguei achei do caralho, e falei com ele caso necessário eu faria a as linhas  de vocal para banda, tendo em vista que o Maithungh estava parado.

Foto : @fotosboby

Saiu tudo da forma mais Natural possível. Depois de mais um entra e sai, ficamos sem um guitarrista,  lembrei do Fernando, que ja tinha tocado comigo no Setharus, ligamos para ele, topou instantaneamente, isso foi num sábado ,no outro ele ja estava tocando as músicas. Ai o outro guita saiu… Ai decidimos por não colocar mais ninguém e fechar o circuito! E estamos hoje nesta formação.

3) O EP de estréia de vocês “Warped Sanity” está fantástico, com uma produção formidável que consegue passar totalmente a proposta musical da banda. Porém particularmente eu  achei que ao vivo a música da banda consegue soar ainda mais forte. Você concordaria com isso? Explique.

 H: Eu concordo sim! Acho que ao vivo soa mesmo mais forte, a energia de estar no palco tocando para o público é algo insano, inexplicável, a música fica intrínseca na alma e sua sobrevivência depende daquilo no momento e o Death Metal transforma, e ai o negócio foge do controle, a pegada muda a, velocidade aumenta, ai vem a explosão do inferno! Esse é o sentimento kkkkk

4) Ainda falando sobre a “Disruption Path” ao vivo me surpreendi com a quantidade de músicas que vocês apresentaram no “Franca Metal Fest”. Vocês tem material mais que suficiente pra um álbum completo. Quais serão os próximos passos? Teremos material novo em um futuro próximo?

H: Na ordem vamos lançar um single com a música Hellish illusion, aguardem! Álbum a vista, bem provável que em meados de fevereiro devemos partir para o full. Atualmente tocamos 9 músicas no show, e temos mais 2 saindo, devemos fechar o album com essa média de 11/12 músicas! Talvez mais um video nesse meio tempo. Falando sobre o Franca Metal Fest, foi foda pa caraio tocar lá, público insano de toda parte do Brasil presente, tivemos uma boa recepção, foi fodastico! Esperamos voltar em Franca em breve! Tenho raízes aí!

5) Helton creio que você seja o mais clássico (velho jamais rsrs) da banda e viveu todo aquele clima dos anos 90 e tudo o que era romantizado na cena na época. Quais foram as maiores mudanças no metal de lá pra cá em seu ponto de vista? O que todas as facilidades dos novos tempos trouxeram de positivo e de negativo para o metal em sua opinião? Fazendo um balanço final era melhor ter uma banda em 1999 ou agora em 2019?

H: Classico é boa Juliano! Kkkkkkk , velho jamais

Foto : Divulgação

Olha não tem almoço grátis né? Nos anos 90 a dificuldade de comunicação  ou melhor divulgação era gritante. Tudo era feito através de cartas ,trocas de material, creio que era mais amador, mas como o próprio nome diz, o negócio era movido pelo amor ao Metal, tanto por banger como por bandas, chegavamos a todos os lugares seja de bus ou trem, o amor pelo metal, fazia a mágica acontecer, shows lotados, apesar das dificuldades era bem divulgados. Tudo tinha sua dificuldade, pegar som era foda e quando se pegava algo diferente, era aquela copia de fita da copia de fita,da copia que chegava nas mãos kkkkk. A coisa era realmente verdadeira, porque só vc ficava quem aguentava e curtia de fato. Para pegar banda gringa eu era bem muleke, lembro disso:  Tinha os amigos clássicos kkkk como Cláudio Rovani (Campinas) e o Tico tape list (Ribeirão Preto) estes caras dominavam o inglês e sempre trocavam material lá fora e chegavam com muita coisa boa…. Tinha muita dificuldade mesmo essa parte…

Hoje temos streamings , várias plataformas digitais internet etc. .. ahh então é melhor? Não, como eu disse não tem almoço grátis. Com o surgimento desta facilidade veio também a banalização, a falta de interesse pela musica, hoje tem vans que levam para shows, carros , e mesmo assim a galera não vai. Anteriormente não tinha vans, era ônibus e raramente enchia e a gente chegava de ônibus ,carona, trem de todo jeito. A galera atual, raramente compra material, colecionam no spotify, e outras plataformas, tem milhares de bandas no pc ,mas sequer ouviu 100. Não é ser nostálgico é ser realista. Geral não cola em show, só vai em cover, digo isso, pela experiência que tenho morando em Campinas uma região com quase 2 milhões de pessoas não coloca 50 pessoas no show autoral. Mas se depois vc passa na frente do cover, ta lá os “fodão” cara não ta fácil a coisa, ter banda hoje é foda.

Foto : Divulgação

Um parêntese aqui nos anos 90, tinhamos zines e mais zines feitos com dificuldade absurda, amor ao negócio mesmo. Hoje as editoras estão falindo, tudo digital. Ao mesmo tempo que temos acessos as bandas no mundo todo, o desinteresse veio junto, banalizou neh. Ter banda hoje é anos luz mais fácil, acesso a equipamentos de primeira, tecnologia, parcelamento em infinitas parcelas. Anteriormente era um caos de equipamentos, quem tinha cubo, Samic ou Peavey era rei kkkkkkkkk

 Rendo as minhas homenagens ao poderoso Ciclotron  que aguentava o tranco, quem teve Banda naquela época e não tinha Ciclotron que atire a primeira pedra kkkkkkk. Ciclotron reinava… Meteoro também. Hoje se grava uma demo num notebook com plugins. Antes era um gravador de fita bem centralizado no lugar de ensaio e rec… Ja saia uma rehearsal. Kkkkkk quando o gravador era bom ,mano todas  as bandas em torno gravavam nele. Estudio?? Onde? na região de Porto Ferreira não tinha.

Questão de divulgação hoje seu som chega no mundo inteiro em segundos!! Seu video é acessado e assistido em tempo real. A facilidade hoje é monstruosa. Mas vem com aquilo que eu disse, a facilidade leva ao desinteresse, não tem aquele tesão em pegar o som e levar na casa do broo para ouvir tomando uma breja. Manda o link e pronto Para banda, publico anos 90 anos luz melhor e mais fiel. Divulgação anos 2000 o som viaja a velocidade da luz. Galera atual não da valor às facilidades que tem.

Foto : Divulgação

Meu balanço final. Tem muita coisa positiva dos anos 90 que caberiam nos anos 2000 e suas facilidades. Amor verdadeiro ao metal, ser headbanger de fato real, comparecer a shows, adquirir material. Dar valor a cena local comparecendo e participando de fato, fazendo parte da cena, seja banda ou banger, nenhum sobrevive sem o outro

6) Ainda ponderando sobre o ontem e o hoje, antigamente as bandas clamavam ter um maior fervor ideológico e muitos headbangers daquela época reclamam dizendo que atualmente tudo se resume a apena…

H: Sobre o teor ideológico. Sim os anos 90 era forte inclusive rolava até uma certa segregação musical de quem tocava ou escutava Black. Eu não acho que tudo era da boca para fora,mas hoje existe uma inteligência em torno de ideologia. Vamos dizer que o pessoal esta mais tolerante, respeitando pontos de vistas. Claro que o que estou dizendo não é uma verdade absoluta, existe sim ainda uma certa intolerância e separatismo por parte de alguns,mas não mais da maioria.

Sim, acho que a geração nova se preocupa mais com a musicalização do que com ideologia em si. Mas novamente dizendo não sou dono da verdade absoluta. Resumindo tinha muita fachada sim,mas tem muita gente verdadeira também. Difícil falar sobre este tema… Dorsal Atlântica, protestava em sua musica : Metal desunido vai se matar, vai se destruir…e foi um dos primeiros a pular do barco kkkkk. Sem faltar ao devido respeito a essa banda que gosto muito.

Ainda sobre a ideologia, a briga hoje é mais política né? O pessoal se digladiando em redes sociais por um bando de filhos da puta que se quer lembram da nossa existência, subiu no poder o ser humano mostra sua real face, sua podridão intrínseca. Hoje acho que esta girando por este lado, mais politizado. A massa está cega!!

Foto : Divulgação

7) Abordando um pouco sobre essa questão política e as brigas que ocorrem sobre esse tema atualmente . Vemos muitas bandas de metal hoje em dia se engajando politicamente e militando em prol ou contra determinados tópicos. Em sua opinião Metal e política podem caminhar juntos ou é melhor não se misturarem e deixar essas coisas apenas no âmbito pessoal?

H: Cara metal é político né… sempre foi, a musica em si pesada ,visual já é uma forma de protesto contra tudo e todos .Contra as correntes religiosas tudo que oprime. Agora que tem maluco passando dos limites endeusando a corja de políticos tem muitos. Um dia eles vão acordar e perceber que ninguém esta preocupado conosco. Se tiver censura vamos para guerra, ja saimos na porrada. Agora tem gente ae demasiadamente que deveria guardar suas opiniões de merda para si. E parar de endeusar essa corja políticos,

Todos que governam ou governaram nosso país, vão tomar no cu!! O metal e a política caminham de certa forma lado a lado, mas cada um deve ficar no seu lugar! Não acredito nos homens de “bem” da moral e bons costumes.

Independente da gestão  ou partido , o Metal sempre será resistência a tudo!

8) O metal dos anos era eclético e as linhas que separavam o Heavy, Thrash, Death e Black Metal não estavam claras. Nos anos 90 houve uma segregação com os estilos meio que se isolando em si sem se misturar tanto (ao menos nas aparências). Nas últimas décadas porém parece ter havido uma reaproximação e além das fronteiras terem se ampliado é comum ver pessoas do metal mais extremo envolvidos em projetos Heavy, além de festivais com maior mistura. Qual sua opinião sobre isso? O que você acha que levou a essa separação e posterior aproximação? O que os membros da Disruption Path ouvem?

Foto : Divulgação

H: Cara o que fez o metal no Brasil dar passos largos para trás foi essa segregação musical, enquanto la fora músicos de extremos se alinhavam com bandas de outros estilos de metal, aqui o pau comia!! Isso foi um retrocesso total e hoje acordamos e o respeito pelos que tocam heavy e metal extremo é mutuo, alias é isso que esta segurando a cena para ambos. A cena esta fraca, sem público produtores , e essa união em torno dos verdadeiros que curtem metal, independente do estilo é que esta mantendo. Antes o cara que tocava metal extremo não podia sair por ai com uma camisa de Heavy ou Thrash que era “falso” hoje comum ver músicos ou bangers com camisas de bandas de ambos estilos por ai.

O importante é ser verdadeiro!! Real e isso é algo que não abro mão, ser verdadeiro dentro do metal. Não temos mais espaço para moda. A separação em outrora se causou por conta de falta de informação e de inteligência nossa, sim me incluo nesse meio. O Metal extremo nasceu do Heavy para mim através do Dio, primeira manifestação extrema. Então não faz sentido para mim essa segregação! Todos pelo metal unidos pelo metal.

 Eu sou um apaixonado pelo Death metal mas ouço também outras coisas dentro do metal e Clássicos. Os demais da banda tb vão nessa pegada, por isso temos esse entrosamento forte.

9) Como vocalista Helton, quais são suas principais influências. Que vocais dessa nova geração te chamam a atenção?

Foto : Divulgação

H: Minhas influências musicalmente falando. Dave Ingram, Barney , Chris Barnnes, Ola Lindgren (Grave)Mike van Mastrigt ( Sinister Cross the styx) Dessa nova geração, podemos dizer …que nada me inspira ou influencia sem ser pretencioso , soberbo ou algo assim….muito breakdow estranho não gosto kkkkkk. Gosto da fase do Victor Rodrigues (TORTURE SQUAD, gostava de ver ele ao vivo)

10) Além de tocar na Disruption Path Daniel toca na banda Death Metal MADNESS e vc era vocalista da MAITHUNG. Os outros membros tem algum outro projeto paralelo? Qual o status atual da Maithung? Existe alguma abordagem dentro do metal que você gostaria de tentar algum dia e que não se encaixaria na Disruption Path?

H: Não, os outros caras não tocam em nenhuma banda; O Fernando tem uns rascunhos dele, mas nada formatado pelo menos ainda. Adler só a banda mesmo. MAITHUNG eu tenho como um coma profundo, quase irreversível.

Cara um dia eu vou cantar como André Matos kkkkkk sqn, sem talento para isso.Cara nunca me passou a possibilidade de tocar algo fora do metal extremo.Talvez algo na linha do Amorphis, seria um desafio, algo que eu tentaria.

Foto : Divulgação

11)O que vocês tem ouvido atualmente. Existe alguma banda nacional que você acha que é ou foi meio injustiçada e Mereceria um maior reconhecimento?

H: Temos ouvido muita banda nacional , alguma coisa de fora também, mas temos ouvido muita banda nacional… Citar é sempre algo preocupante para mim, porque é foda deixar banda de fora…mas muita coisa mesmo , inclusive o LONEHUNTER hahaha. Que a camisa insiste em não me aceitar kkkkkkkk

Injustiça ahhh bixo é foda, la vem o citar novamente…desde o STRESS do Pará pioneira no Heavy Metal nacional, ( alias merecia ter sua história contada) SANCTIFIER da Bahia (nota da redação,a banda é do Rio Grande do Norte), FUNERATUS ,puta banda lazarenta, merecia maior exposição, citar  essas 3 apenas é covardia. Tem muita banda foda nesse país que merece reconhecimento por parte dos bangers e da midia especializada, odeio citar, sempre acabo sendo o cara a injustiçar os injustiçados kkkkkk

12) E essa parceria com o Caio da Extreme Sound como se deu? Você acredita que mais frutos possam surgir daí?

H: Cara o lance com o Caio e a Extreme Sound foi bem natural, foi a sede com a vontade de beber, fizemos alguns shows que ele estava presente e tocamos no evento do selo o Extreme Sound fest, ali surgiu o convite oficial. Pow esperamos sim que essa parceria seja duradoura e que nosso próximo material seja lançado por ele. Essa parceria ainda vai render bons frutos podres hahahaha.

13) Sobre quais tópicos vocês abordam nas letras da Disruption Path? Há alguma mensagem pra ser passada ou não? Em sua opinião qual a importância de uma letra na composição de uma banda?

 H: Nossas letras abordam temas do cotidiano mesmo dessa humanidade podre e desprezível do qual fazemos parte. Não temos um direcionamento específico como tema, exemplo do Black metal. Estilo que gosto e ouço também.. Não passamos mensagem nenhuma não temos essa preocupação. Ou se passamos é de forma natural sem ter conceito. A letra é parte da música também, sozinha pode ser uma poesia sombria apenas, assim como uma musica sem letra é um instrumental chato kkkkkk.

Foto : Divulgação

Acredito muito que seja um ponto vital, aquele refrão lazarento….maze of torment…maze of torment…o que seria instrumental sem essa poesia sombria?

14) Algo mais a ser dito meu nobre camarada? O espaço é seu

H: Primeiramente agradecer o espaço cedido pela LUCIFER RISING, hoje um dos mais importantes e respeitados meios de comunicação da cena metal. Obrigado a Você por conduzir a materia de forma inteligente e dinâmica. Agradeço também em nome do DISRUPTION PATH a todas as pessoas envolvidas diretamente ou indiretamente com o DP. Aos DP legions que acompanham a banda em quase 100 % dos eventos. Vitor Hugo Franceschini (Vhpress) pelo apoio, e ao Caio da Extreme Sound Records. Agradecemos a todos Headbangers pelo apoio. Estamos com agenda livre neste inicio de ano e queremos tocar por todo lado possivél, aos promotores só entrar em contato.
Fiquem atentos, este mes ainda ira sair um single da musica Hellish Ilusion e posteriormente vamos lançar nosso full!

Valeu headbangers! Vamos nos encontrar nas estradas do metal !

Foto : Kubo Metal

 

Abaixo os canais para contato com a banda:

 https://www.facebook.com/disruptionpath/
https://www.instagram.com/disruptionpath/
 https://www.youtube.com/channel/UCLUB7ru80K2RaK1KWvjn34Q

 

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Juliano Bonacini

Tecladista e letrista da LoneHunter (Death Metal), historiador e editor do Crypt of Eternity - fanzine da década de 90.

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