Resenhas - LPs/Cds/K7s

DREADFUL RELIC – Hyborian Sorcery

Frost & Fire Records (Importado)

Criminoso, ilegal e odioso. Em uma era de “cancelamentos” pelas mídias sociais e por um mundo moderno sensível, um underground choroso, ainda temos o marchar firme e imponente de alguns criminosos impunes que estão na linha de frente contra a modernidade e espalham o ódio pautado no true black metal de raízes noventistas. Um resgate às origens. Um clamor às tradições.

O que temos é o Dreadful Relic um trio noventista de aclamados membros do submundo da Grécia, Estados Unidos e Finlândia. O que começou com uma demo em 2014 – que inclui dos covers do Celtic Frost! – desaguou neste primeiro full Hyborian Sorcery de 2018. A banda só tem este álbum, então nada mais justo trazer a visibilidade e os seus ouvidos para esta obra prima.

Imagine Samael do “Worship Him” com as gélidas e cortantes guitarras do Celtic Frost e se imagine no front de batalha com um general sangrento bravejando as ordens de não recuar, é essa a linha vocal: Um brado de guerra. Poderia ser um álbum do Celtic Frost perdido na mesma época do lançamento de “To Mega Therion”. A questão é, você se cansa de ouvir Celtic Frost? Com certeza não!

Então vamos lá:

Temos a intro “Crom’s Ruinous Winds ” e em seguida as lâminas afiadas das guitarras nos trazem “Combat Alchemist ” que é rápida, brutal e característica de um war metal militante. O destaque é a faixa “Hyborian Sorcery ” que tem seu refrão urrado a plenos pulmões.

Wrath of the Phantom Monarch ” traz peso e um solo ruidoso e coeso. Uma faixa forte com riffs firmes e lembram muito Samael. “The Runik Citadel ” e “Gravedigger of a Rotten World ” coadunam com a proposta noventista e temos uma pegada de Sodom aqui, uma palhetada agressiva e ritmada, aqui lembra muito o Hellhammer. São pontos fortes do álbum e o vocal é um show a parte.

O Dreadful Relic não é uma banda com a premissa de recriar um som já explorado em toda a história do Black e do death metal. Eles fazem isso por uma razão, no entanto. A ligação entre os elementos arcaicos do black e do death metal nas letras é o entrelaça as músicas e simplesmente as fazem existir. Dreadful Relic explora não apenas as bases do Black e do death metal musicalmente, mas também exploraram e mergulharam fundo nos escritos pré-históricos de Robert E. Howard, que serviram perfeitamente para ilustrar e justificar sua introspecção musical.

Hyborian Sorcery” é uma jornada para as fundações do metal antigo e reinos míticos antigos, onde Deuses, Homens, Semideuses e Demônios interagiram em uma forma de Conflito Bárbaro e luta pela dominação. Para ilustrar bem isso, eles escolheram ir até as raízes do metal, sendo Hellhammer / Celtic frost e o velho Samael suas principais influências. Sim, suas músicas podem se tornar intuitivas para aqueles que estão familiarizados com essas bandas, mas eles conseguem de alguma forma impressionar com elementos inesperados em suas músicas. Tal como acontece com os lançamentos anteriores, eles também incluíram algumas peças ambientais para definir o clima do disco e, surpreendentemente, eles funcionam bem.
Dreadful Relic é uma banda que está a mostrar às novas gerações os elementos primitivos e básicos que forjaram o Black e o Death Metal, e fazendo tudo de novo como uma recordação do que foi o Metal Arcaico e como isso não pode ser alterado com o Tempo, mesmo que as tendências mudem no estilo como um todo.

Eu acredito que ouvir Dreadful Relic é retornar aos primórdios, mais ainda, é poder trazer para as novas gerações o que de melhor os anos 90 tinham e reviver no presente as glórias de um momento único para o metal extremo.

Em “Unleash The Dogs of War ”  temos uma ponte de death/black metal que se molda  resume bem a proposta da banda, assim como na brutal “Burnt Offering (Tower of Set) ” A introspecção musica e a força da faixa encontram fim em uma posfácio instrumental “Blackdoom in the Serpent’s Nest“.

Recomendo este álbum? Só se você quer saber o que eram os anos 90 para a cena Black/Death mundial, afinal o projeto envolve membros da Grécia, Estados Unidos e Finlândia, todos membros de projetos de renome que estremecem os ouvidos ao serem mencionados, mas que com certeza instigou a sua curiosidade.

NOTA: 10/10

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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