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EHLDER – Nordabetraktelse

Nordvis Produktion (Importado)

Hoje amanheci com uma surpresa enorme. A exclusividade de fazer a resenha do EHLDER, lançado pela Nordvis Produktion, estou falando do álbum “Nordabetraktelse“. Fenomenal e quando soube que estava sendo lançado, pedi a exclusividade e mais uma vez a Lucifer Rising sai na frente. Vamos conferir?

Graavehlder

Embora seja uma entidade nova, as raízes de EHLDER são quase tão antigas quanto as florestas de sua Suécia natal: EHLDER é a mais recente face criativa do sempre prolífico Graavehlder (anteriormente conhecido como Graav), que co-orientou entidades de culto tais como ARMAGEDDA, LÖNNDOM e o recém-ressuscitado LIK. Como tal, Nordabetraktelse tem a inconfundível magia de Graavehlder – antiga, solene, quase monástica. Black Metal na superfície, mas exalando o mal; sob esse alicerce, na terra, no cascalho e na terra, existe um misticismo da floresta e uma fascinante hino musical que se embrenha entre as árvores.

De certa forma direta e indiretamente, como explica Graavehlder, o LÖNNDOM acordou e evoluiu para o EHLDER, incutindo a idéia de que sempre há duas maneiras de olhar para uma árvore: você tem a parte visível acima do solo e depois a parte que não é visível, o que você sabe que existe, então você tem que reconhecer os dois sem se enganar.

Orgulhosamente pagão, EHLDER vem se formando há muitos anos através de adversidades, através de ancestrais, através do tempo e da ideia do que está por vir. Em sua opinião, Graavehlder apenas emprestou músicas e palavras que já foram escritas de uma maneira ou de outra, mas foi interpretada em EHLDER e na primeira gravação pública da banda, a Nordabetraktelse. Esta é a plataforma para EHLDER liberar o animal dentro de si, para saudar o fogo, animais, espíritos, irmãos e irmãs, orgulho, família e herança. Este é o velho renascido de novo. Vivo de novo! Que os deuses ouçam esta obra.

“Stridskall” a faixa inicial mostra um pouco do que o one-man band é capaz. O quanto ele acrescentou ao Armagedda e a tudo que ele toca, tudo se enraíza e dá frutos. Crueza e muito peso por traz de uma atmosfera épica. Não há definição melhor para esta música. O Black Metal típico da Noruega na abertura de “Ändlös” me surpreendeu bastante, a faixa não é tão pagã, mas é bem ritualística em sentido de apreciar o que veio inicialmente de bandas como Mayhem. Lembra de Funeral Fog? Ela tem essa atmosfera. O Black Metal aqui tem guitarras bem trabalhadas que preenchem todo o pano de fundo do álbum e que contratempos fantásticos. Muito peso e a faixa se arrasta sem ser enfadonha. Uma das melhores do álbum!

Graavehlder

A terceira faixa “Döden I En Döende Kropp” é bem o que eu esperava do Graavehlder. Pagan Metal brutal e cru. Aquele som doentio de bandas como Burzum. Destaque aqui para o clímax anos 90 do surgimento do Black Metal. Este projeto parece atemporal, você se sente lá atrás, nos primórdios do âmbar negro que florescia e chegava até nós, chocando com sua agressividade e frieza. Esta faixa é gélida.

Com “Hedningadrapa” temos uma pegada Darkthrone. Aquele ritmo meio Metal Extremo meio Punk que o Fenriz consegue fazer tão bem. Então, aqui a pegada é parecida, o que dá um ar bem viscoso às guitarras que tentam acompanhar a batida e seus acordes sujos parecem fazer parte dos vocais arrastados quando eles entram em cena. É bem doentio e inesperado, mas muito bom. Há um ar de psicopatia nesta faixa que me agrada muito.

As guitarras rasgadas suecas nos recebem em “Gammelmod” e de um lado apenas da sua saída sonora (com fones de ouvidos achei que ia ficar surdo!”) em seguida os blasts de bateria e um urro nos transportam para as fechadas florestas. É possível sentir o frio, a neve e toda a atmosfera criada aqui. Cortantes os riffs, Euronymous deve estar rindo. Eu acho que é a faixa mais próxima do que se fez nos primórdios do Black Metal. Lembra muito o que o Taake faz. Então é BOM!

“Tagen” tem acordes simples, mas poderosos. O som ganha espaço e amplitude a medida que as guitarras e o contrabaixo se mesclam à bateria. Batida forte. Pesada, pedais cruéis. Aqui o destaque é a voz de Graavehlder. Ela parece parte da música, um instrumento musical, pois não há nada para preencher o vazio. Sua voz é a atmosfera. E a medida que o ritmo fica intenso, ela faz parecer que estamos ouvindo a música dentro de um túnel. Efeito caleidoscópico. Impressionante!

“Varerytm I Varganord” traz tambores rituais, vozes em êxtase aos deuses. O culto aos antigos começa logo no início do hino. Os tambores são inebriantes e te transportam para dentro do culto. Vale conferir. Acenda suas velas, sente-se em silêncio, queime um incenso e deixe que EHLDER guie sua mente ao Pai de Todos.

Um dos melhores One-Man band que ouvi em 2019. Graças à Nordvis! Não deixe de conferir! O lançamento será 04/10/2019! Muito grato por ter tido acesso exclusivo de forma antecipada.

NOTA: 10/10

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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