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EiIGENSTATE ZERO – Sensory Deception (2019)

Independente Importado

“Ousado, uma verdadeira Hecatombe nuclear de pura criatividade extrema”; essa seria a frase que eu usaria para resumir “Sensory Deception” , debut álbum do projeto sueco EIGENSTATE ZERO . Fruto da doentia e hiperativa  mente de Chris Ludvig essa one man band executa um soberbo Death Metal  com peso , técnica, brutalidade e doses de melodia sem exageros, ou seja, na medida certa. A sonoridade a principio me lembrou o grande EDGE OF SANITY na fase “Purgatory Afterglow”, mas após algumas ouvidas percebi que essa semelhança se deva mais à produção do que à musica em sí, ainda que a banda seja um nome que certamente deva ter influenciado o projeto assim como AT THE GATES e alguns outros nomes do Metal Sueco, porém você percebe que Chris conseguiu imprimir sua personalidade em cada riff e a adição de elementos progressive , principalmente no uso de teclados e “soluções inesperadas” trouxeram uma individualidade única à musica do EIGENSTATE ZERO.

As letras são um show à parte unindo filosofia, literatura, ciência e ficção cientifica de uma forma instigante e inteligente. Há tempos eu não via letras tão bem elaboradas e isso é muito animador uma vez que, em minha opinião muitas bandas na atualidade estão  deixando essa parte da composição em segundo plano criando um conteúdo lírico muito pobre e relaxado.

O álbum começa de forma furiosa com “Fringe” que deixa transparecer algumas influencias de Death Metal Melódico mas sem exageros, o riff que entra aos 00’58” já valeria a música de tão sensacional. Prosseguindo após uma brevissima introdução a lá TANGERINE DREAM temos “1984.2 “   que já possui uma levada mais clássica e aqui você percebe bem como os timbres e a produção utilizada remetem ao já citado EDGE OF SANITY, o uso de alguns experimentalismos no meio da música feitos com teclados e alguns discursos sampleados  deram um charme extra à música. “The Nihilist” é a próxima da lista com seus épicos 11’39” alternando riffs rápidos e outros à meio tempo essa faixa tem alguns solos fantásticos em dois momentos da música que contrastam entre sí e evidenciam algumas das influencias  progressive da banda.

Continuamos com “Eigenstates” que abre com uma melodia melancólica amparada por uma “cama” de guitarras ultra pesadas e uma levada de bateria à velocidade da luz, outra faixa que usa alguns samplers de discursos de fundo que dão um clima totalmente apocalíptico à composição, o bizarro solo de teclados com suas dissonâncias é um show à parte e torna essa uma das minhas faixas favoritas do álbum.  A próxima faixa, “Zentropic” é mais direta porém com um final feito em violão e com Chris usando sua voz de outra forma fazendo um dueto com uma voz feminina. Aliás a versatilidade vocal do vocalista pode ser ouvida claramente na faixa seguinte, a violenta “Communion”  . Prosseguimos com “Godeater”, que segundo o mentor do projeto foi a primeira faixa a ser escrita para o mesmo e possui um riff lento com um clima muito mórbido . As duas faixas seguintes “Strangelet” e “Transhuman” são para mim o ponto alto do álbum , ambas épicas totalizando sozinhas mais de vinte minutos e com mudanças totalmente inesperadas  em suas estruturas; a primeira com seus corais monumentais  únicos na primeira parte, a interpretação vocal de Chris carregada de agonia e desespero, seu solo progressive de órgão e seu final que se conecta com o ínicio da segunda música citada funcionando como um interlúdio para uma faixa Death Metal construída de forma genial sobre uma espinha dorsal Progressive  cheia de reviravoltas e uma atmosfera caótica com um final Jazzy brilhante….. Sem palavras …

Chris Ludvig. Foto: Divulgação

“Comatorium” e “Decoherence” trazem  o Death Metal mais tradicional de volta aos alto falantes, continuando com  “Wraith” que mostra um Death Metal Sueco mais old school com um final macabro e doentio flertando com o Doom Metal atmosférico. O álbum fecha com a curta acústica “Fringes” com Chris cantando de forma melódica e que funciona bem como uma outro.

Confesso que “Sensory Deception” foi uma surpresa deveras agradável, a forma como Chris Ludvig consegue escrever música de forma tão variada unindo elementos tão diversos e mesmo assim manter as composições funcionando como uma unidade mostram  que ele é um compositor muito acima da média. Guardem esse nome pois certamente vocês ainda ouvirão falar muito dele.  Sobre o EIGENSTATEN ZERO: Recomendo fervorosamente; pesquisem, ouçam (link abaixo), adquiram e coloquem no volume máximo sem a mínima moderação.

9,5/10

 

 

 

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Juliano Bonacini

Tecladista e letrista da LoneHunter (Death Metal), historiador e editor do Crypt of Eternity - fanzine da década de 90.

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