Resenhas - LPs/Cds/K7s

ELFFOR – Unholy Throne of Doom

(Independente)

Sombrios e obscuros são os tempos em que vivemos e coroando este ano e lançando um álbum bem durante o intenso período de quarentena, o ELFFOR chegou com seu Epic/Atmospheric Black Metal e toda sua grandiosidade em um álbum digno de ser aclamado como uma obra de arte.

Fundado em 1995 e tendo seu primeiro álbum lançado em 1998 (Into the Dark Forest…), Eöl, único membro e fundador esbanja criatividade e talento neste novo álbum com o título propício de ” Unholy Throne of Doom”.

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Se você consegue idealizar algo melancólico e agressivo, brutal e profundo ao mesmo tempo, você está diante deste álbum. Ao começar pelo visual assustador e enigmático da capa do álbum em que temos Elffor rodeado por dois médicos usando a típica máscara de “bico” criada pelo médico Charles de Lorme, –  que cuidou da realeza francesa durante o século 17, entre eles o rei Luís XIII – são, diga-se de passagem assustadoras, mas que combinam bem com o período atual em que vivemos.

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O álbum abre com “March of the Dead Souls ” ….são mais de 12 minutos em que somos lançados a um caminho longo e sinuoso de um estado mental fadado a encarar a morte diante de si e somos arrebatados por um Black Metal sinfônico bem trabalhado com uma atmosfera sinistra, mas calmante. Eöl é um gênio e hoje é um dos alicerces do Dungeon Synth. Não dá pra falar de Dark Ambient e similares dentro do metal extremo sem tocar em seu nome. Aos 6:10 da primeira faixa eu já estava sem fôlego. Deve ser a coisa mais incrível que 2020 trouxe e que cai perfeitamente para a atual realidade do mundo.

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Basoaren Marmarrak” escrito no idioma do País Basco (Euskadi) é a sequência, podemos traduzir como “Whispers of the Forest” traz os vocais mais típicos do Black Metal. Aqui em uma linha para fãs de Summoning, Caladan Brood, Mortis, Lord Wind. O toque do mundo natural e a devoção é visível nesta faixa que é um enchant à natureza em si e ritualiza sua existência e como nos relacionamos com ela. É pesado e ao mesmo tempo tem passagens de guitarras limpas e acordes bem harmônicos. Essa faixa me lembra os primeiros anos do Dimmu Borgir (Mourning Palace talvez?).  Acredito que esta faixa simbolize bem o trabalho do Elffor e traduza seu espírito ancestral que já embalaram tantas e tantas escritas, poesias, músicas e momentos de refúgio, sono e depressão, e por que não, restauração, que é o tema próprio da música.

A terceira e penúltima faixa é “Old Wizards Cavern” e tem uma mistura de Lord Wind e Summoning muito clara. Além do vocal típico de um Black Metal sinfônico, temos corais estilo Lord Wind e Summoning, muito cadenciado e bem impressionante. São 11 minutos que martelam nossa consciência e surpreendem nossos sentidos com tamanho misto de sons, harmonia, peso e intensidade. ÉPICO, acredito que seja a palavra que bem define esta mistura.

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Chegamos ao final, mas não se engane o álbum tem quase 50 minutos, as músicas são incrivelmente trabalhadas e podem ser caracterizadas como grandes sagas. Estamos na quarta e última faixa “Kaosaren Profezia” (The Prophecy of Chaos) que se inicia trazendo um pouco de cadência e escuridão. O som é escuro e denso. A sonoridade é pandêmica, traz angústia e inquietação, e ao mesmo tempo conformidade. Sem dúvida um dos melhores lançamentos de 2020, um trabalho que pode ser colocado entre os melhores do ELFFOR – olha a responsabilidade que a discografia é longa – e do estilo.

Álbum altamente recomendado.

 

Nota: 10/10

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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