Coberturas

ENSLAVED – Bárbaros nórdicos aportam em São Paulo

Carioca Club, São Paulo/SP, 31 de março de 2019

Foto por: Miriam Regiane

A Overload sempre nos proporcionou grandes eventos com bandas distintas e no caso do Enslaved não foi diferente.  Embora eles já tenham tocado em nossas terras no ano passado, esta é a primeira vez que consegui presenciar uma apresentação da banda, da qual acompanho desde os primórdios. O Enslaved teve início na efervescência do black metal norueguês nos anos 90, lançando os primeiros álbuns na linha mais tradicional do estilo e em seguida a banda começa a apostar num direcionamento mais voltado ao progressivo e post-rock mantendo  a essência do black metal.

A abertura do show contou com a presença da banda paulista Basalt.  Confesso que eu não tinha assistido uma apresentação deles.  Ouvi antes o álbum O Coração Negro da Terra, disponível no Bandcamp para conhecer sua música. A banda iniciou sua apresentação às 19h em ponto. O que eu pude constatar é que eles executam um black metal com influências diversas e atípicas, passando pelo sludge, post metal, doom e crust. Em vários momentos, a sonoridade me remete algo entre o Shining e o Eyehategod. Foi uma apresentação fria e densa e ao mesmo, tempo bem executado. Em um determinado momento, durante o intervalo entre uma música e outra, o vocalista aproveita para criticar a comemoração referente ao dia do golpe de Estado, promovida pelo governo nos últimos dias, mostrando o posicionamento sólido da banda sobre o atual cenário político do país.

Foto por: Miriam Regiane

As 20h em ponto, com um público estimado entre 500 e 700 pessoas,  finalmente o Enslaved entra no palco tocando a poderosa “Ethica Odini”, do álbum Axioma Ethica Odini (2010), uma canção energizante e robusta com passagens inspiradas em post-rock, com os vocais de Grutle alternando com os vocais limpos do tecladista Håkon Vinje e na sequência, eles emendam a “Roots of Mountain”, do álbum RIITIIR (2012), uma das mais belas músicas da banda, com um refrão marcante, dando uma animada no público que até então estava um pouco tímido. Em seguida, vem a música “Ruun” do álbum de mesmo nome, lançado em 2006, com uma pegada mais experimental e psicodélica, levantando os ânimos da galera presente. Ao término da música, o guitarrista/vocalista Grutle aproveita para agradecer o público e anuncia a próxima canção que faz parte do novo álbum E, chamada “The River’s Mouth”, pesada e com arranjos diversos, caracterizando a verdadeira essência do Enslaved, levando o publico ao delírio. Em seguida, Grutle anuncia a próxima parte do show, onde serão executados vários hinos do álbum Frost (1994), marcando a fase mais black metal da banda, para satisfação dos fãs mais antigos. E assim começa com a matadora “Loke”, dando sequência a barbárica “Fenris”, fazendo o publico mais “roots” agitar freneticamente.

Foto por: Miriam Regiane

Depois emendaram a “Gylfaginning” e finalizaram a sequência de forma emocionante com a épica “Isöders Dronning”. Então, a banda retorna executando as músicas mais vanguardistas, começando com a maravilhosa “Havenless”, do álbum Below The Lights (2003), soando bem pesada ao vivo, com uns vocais bem graves, influências de folk norueguês combinando com elementos progressivos bem complexos. Logo em seguida, o Enslaved executa outra canção no novo álbum, a fabulosa “Sacred Horse”, com direito a solo de teclado moog bem progressivo a la Emerson, Lake & Palmer impressionante.  Depois, a banda abre uma pequena pausa, enquanto o baterista Iver Sandøy executa um solo preciso e virtuoso, arrancando vários aplausos. Então, eles retornam com “Isa”, do álbum de mesmo nome, lançado em 2004, fazendo o publico presente vibrar e cantar o refrão. A presença de palco da banda como um todo é um show a parte.  Grutle sempre interagindo de forma simpática com o público e, em alguns momentos, ele tirava uma onda com os demais membros da banda que respondiam de forma agradável e divertida. No bis, eles encerraram a noite de maneira apoteótica com “Allfǫðr Oðinn”, do EP Hordanes Land, de 1993, registro que marca início da trajetória desses vikings talentosos.

De fato, faltaram alguns hinos de álbuns como Eld, Blodhemn, Monumension e In Times, no entanto, o repertório foi bem seleto com músicas marcantes que caracterizam a saga do Enslaved como um todo e que, ao vivo, de forma alguma decepciona. Que venham ao Brasil mais vezes! Aproveito para parabenizar a produtora Overload por mais um evento incrível e ao Carioca Club pela excelente estrutura que nos proporcionou este que foi um dos melhores shows internacionais de 2019 até então.

Veja as fotos do show abaixo gentilmente cedidas por Miriam Regiane:

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Fabio Shammash

Músico e integrante das bandas Mythological Cold Towers e Unholy Outlaw. Fundador da Nuktemeron Productions, apreciador de Doom Metal, Rock Progressivo 70', Dark ambient, Darkwave, post-punk e post-rock.

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