Coberturas

EQUINÓCIO METAL FEST – Uma noite misantrópica repleto de climas sombrios.

Morfeus Club - 13/04/2019

Dia 13/04/2019 foi um dia muito especial, um dia que marcou o encontro de quatro grandes expoentes do Doom Metal brasileiro.

Uma noite magnifica onde tive o prazer de estar ao lado de amigos especiais como Daniel Aghehost da estimada Dark Radio e Erinnys Productions e o Paullus Moura baixista do grande Morcrof, onde nós pudemos bater aquele longo papo enquanto as bandas da noite preparavam seu arsenal misantrópico e repleto de climas sombrios.

Por volta das 22:30 começou a ecoar alguns riffs vindo do subterrâneo, onde já que por si só anunciava a penumbra do culto obscuro especialmente preparado para as almas negras que ali estavam sedentos para celebrar uma noite da mais nefasta e poética melancolia.

Dying Embrace, Foto por: Divulgação

Iniciava assim a apresentação da banda DYING EMBRACE numa atmosfera pálida e hipnotizante apresentando a Nightime Rain Drop primeira faixa de seu ótimo primeiro álbum “Chronic Delusion”. Os riffs fortes dessa música e seus vocais absurdamente guturais se mesclavam com indescritível magnitude às belas introduções de suas guitarras limpas e vocais também limpos e muito sentimentais que já no início fez o público imergir em uma viagem num plano astral como espíritos livres e moribundos.

Essa banda abriu com muito louvor esta noite, em seguida esta banda maravilhosa mandou uma música que eu desconhecia chamada From Distant Skies que fez a todos os presentes se regozijarem com soberba execução e continuando o set list vem Solitude, uma música que faço questão de comentar, uma canção opulenta e muito cativante que nos leva uma atmosfera tão inebriante que por muitos momentos não nos damos conta que  somos seres ainda encarnados neste mundo. Pianos, riffs maledicentes, vocais tenebrosos e uma levada única que a banda surpreendentemente mescla partes com blastbeats desesperadores… quem ainda não ouviu essa música, sugiro ouvir e boa viagem.

Dying Embrace, Foto por: Divulgação

Após essa catarse eles vem e executam Dreaming Awake surpreendo a todos com sua bateria meio jazzista e mais um ataque depressivo, uma música das mais diferenciadas de sua carreira e para finalizar Darkest Time fechando assim o primeiro opus dessa noite. Uma ótima apresentação em um ótimo início.

E depois dessa carga pestilenta e enigmática chegou a hora do FALLEN IDOL, com seu Doom Metal calcado no Heavy Metal e com letras voltadas a temas mais negros e suicidas dando um toque ainda mais especial a esta noite.

I, Psychotic foi neste clima obscuro que já começaram sua apresentação, uma música gélida que inicia também o seu primeiro álbum. Riffs pesados e vociferações que nos transmitia certa raiva em meio aos climas verdadeiramente mórbidos.

Estas almas impuras em seu set list executam em seguida a música Time To Mourn The Earth que se inicia mais cadenciada e que depois toma uma energia avassaladora com sua pegada voltada mais pro Heavy Metal nos velhos moldes do grande Dio, isso mesmo, isso sem falar dos ótimos fraseado executados no baixo e também suas passagens extremamente sabáticas.

Nesta apresentação extraordinária a banda se preocupou em viajar entre as músicas de seus álbuns como Worsheep Me e Nobody´s Life de seu segundo álbum “Seasons Of Grief”,  Shattered Mirror e Witches Of Lucifer de seu mais novo álbum “Mourn The Earth” lançado no ano passado e que teve ótimas criticas na mídia especializada. E pra finalizar este segundo opus a banda toca The Boy And The Sea, uma música de letra muito forte onde seu conteúdo é focado nas mazelas que assolam nosso mundo. E vale ressaltar que essa música também tem um vídeo clipe muito bem feito onde a banda consegue exprimir toda sua mensagem já comentada acima.

E nesse clima já permeado pelo Fallen Idol com seu Heavy Doom Metal com forte influência oitentista entra a próxima banda para continuar a celebração e agora ainda mais old school propriamente dito.

Sobe ao palco a banda UNHOLY OUTLAW com sua pegada ainda mais sabática e com maravilhosos toques a lá Candlemass. Então já dá pra imaginar a grandiosa apresentação que está se iniciando….

Unholy Outlaw, Foto por: Eden Luis Lozano

Já nos primeiros riffs a banda nos levou a uma viajem aos primórdios do estilo em sua INTRO que logo o carismático e dono de uma potente voz Makus Sword anunciava a música Mortal Desire que fez a todos celebrarem aquela noite com muito headbanging em uma magia indescritível que nos envolvia naquele momento.

Entre as esplendidas melodias e vociferações para lá de empolgantes vem Open The Gates, que música é essa???? Não tinha uma alma naquele obscuro recinto que não se envolvesse com tal atmosfera oriunda do verdadeiro sentimento e amor ao estilo. Ouso a proferir que estes caras conseguiram encontrar entre suas alquimias sonoras uma fórmula que de fato é arrebatadora.

E com todos já tomados pelo clima denso a banda executa a Forgotten, com seus riffs maravilhosos e uma incursão de bateria que chamava a atenção, a banda simplesmente conseguiu através de sua música penetrar em cada espírito ali presente.

E destacando muito o virtuosismo daqueles músicos que ali estavam em pleno poder, Thornegreen e suas quatro cordas que expressavam entre as linhas melancólicas sua fúria e seu sentimento satânico. E também o guitarrista que a cada solo nos deixava atônitos diante de seus fraseados, arpejos e mais algumas coisas que nem sei como descrever… essa criatura se chama Gustavo Guedes, um monstro absoluto nas seis cordas.

Unholy Outlaw, Foto por: Eden Luis Lozano

E segurando o peso um músico que dispensa apresentações, estou falando do Fábio Shammash, um guitarrista que tem uma história honrada. O cara é do Mythological Cold Towers, preciso falar mais alguma coisa?

E continuando seu set list são anunciados Mephisto, Eternal Gardens Of Pleasure e Ancient Hill Of War levando o público ao delírio, sim, presenciei uma bonita interação entre banda e público, uma fortíssima simbiose que quem estava presente tem ideia do que me falta palavras para descrever com exatidão.

E assim é chegada uma música muito esperada por todos, Dark Wings, de seu primeiro álbum de mesmo nome… assim finalizando esta grande apresentação que com certeza ficará na memória de todos os amantes do estilo que estavam presentes.

Uma pausa foi necessária para retomarmos as energias para a última e tão aguardada apresentação de um dos maiores nomes do Doom Metal deste país, o SCARLET PEACE.

Então é chegada a hora da apresentação que todos aguardavam com muita ansiedade.

Scarlet Peace, Foto por: Eden Luis Lozano

A banda ano passado lançou a obra magistral chamada Tempus Fugit que está sendo muito bem comentada por todo planeta e claro! A vontade de todos os presentes de conferir essas músicas ao vivo era muito notória.

E o Scarlet Peace inicia com uma INTRO onde a tensão e a ansiedade já mencionadas aumentavam cada vez mais… e então ouvimos as primeiras notas da belíssima Entre a Razão e a Fé já trazendo para os fãs logo de cara a segunda faixa do aclamado Tempus Fugit para regozijo de todos. Uma música fria e com uma aura que transcende as belas melodias e os vocais agonizantes e viscerais do multi-instrumentista André que capitaneou toda a apresentação dividindo-se entre seus teclados, guitarra e voz. Realmente admirável!

E assim sua passagem marcante nas terras paulistas já se tornava real e de fato arrepiante, pois notávamos que ali em cima daquele palco não estava apenas uma banda, e sim, verdadeiros amantes do estilo e que estão na luta desde 1996 mantendo-se sempre firmes e fortes em sua música de muita personalidade.

E ainda divulgando seu novo álbum a banda ecoa no recinto sob um denso clima negro a música Falling que já começa com uma pegada pesada com suas bases cadenciadas exprimindo muitos sentimentos e muita energia que fez literalmente a todos agitarem muito.

Scarlet Peace, Foto por: Eden Luis Lozano

E por falar em energia, afirmo que presenciei uma troca de energia muito forte entre banda e o público, o que me deixou ainda mais arrepiado, pois foi muito intenso.

E seguindo a trilha de lamentações e lágrimas vem a muito esperada Tempus que em minha opinião é uma das músicas mais marcantes do novo álbum.

E de fato ví que minha opinião estava certa pois ouvi muitas vozes cantando junto com a banda, e muita emoção tomou conta de todo o lugar.

Já totalmente entregues à aquela epopeia esplêndida, banda revisita o seu passado e manda a segunda faixa de primeiro álbum, a música Sunset, que foi uma escolha perfeita para continuar esta grande apresentação com seu clima mórbido, triste e encantador. Essa banda realmente sabe o que faz… foi o que escutei vindo de muitas pessoas que estavam próximas de mim.

Scarlet Peace, Foto por: Eden Luis Lozano

Eis que logo depois de sua execução ouvimos sons misteriosos e um coração pulsando lentamente… vem Dark Passage…  executando com maestria mais uma faixa de seu novo álbum. Essa música é de fato uma obscura passagem entre sentimentos de morte e o imaginário que todo esse clima nos causa.

Toda experiencia de todos esses anos fez o Scarlet Peace evoluir de tal maneira que se tornou uma banda com uma sonoridade única.

Remembrances Of Pain é a música que sucede, trazendo ainda mais de seu novo álbum à todos. Seus riffs que flutuam entre o peso e o tradicional, uma música muito envolvente.

A clássica Into the Mind´s Labyrinth não ficou de fora deste set list arrasador que também trouxe Forgotten As The Winds e Presente Moribundo, perpetuando assim a tão esperada passagem do Scarlet Peace no sudeste brasileiro.

E para fechar essa apresentação histórica o André com sua voz calma e muito sereno, anuncia a última música desta celebração, Everything Will Die, e falou à todos sobre a importância que essa música tem para a banda e de toda sua história, pois trata-se de uma das primeiras composições da banda, e, que faz parte da demo de mesmo nome lançada em 1998.

Pegando assim de surpresa os fãs mais antigos que ficaram claramente emocionados por poder ouvir ao vivo uma obra que marcou muitas vidas. Onde também me incluo, pois este foi o primeiro artefato que ouvi em tape do Scarlet Peace e que me marcou demais. Uma daquelas músicas que o tempo não consegue apagar de nossas memórias, pois além de estar sempre presente em nossos profundos pensamentos, está em nossos corações.

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Eden Lozano

Programador e designer gráfico para a web, com diversos trabalhos realizados com foco na informação e fortalecimento do underground.

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