Entrevistas

ETHEREAL DARKNESS – “A vida é como um rio que passa brevemente levando amor, desespero, ódio e esperança de forma finita”

O Ethereal Darkness é uma entidade sombria que aborda a brevidade da vida que flui como um rio, a mutação da nossa vida desagua em inúmeros locais e somos uma metamorfose viva até que a escuridão nos tome por inteiro.
O belga Lars é a mente por trás deste projeto “One-Man band” e sempre estivemos em contato desde o lançamento de “Smoke and Shadows”. A banda faz um Atmospheric Black/Doom Metal e tem crescido e ganhado a cena extrema.
O que antes era apenas um projeto de estudio evoluiu para ser tocado ao vivo e o Ethereal Darkness poucos meses após o lançamento de seu álbum já se organiza para a sua primeira turnê.
A entrevista foi feita com o Lars antes dos planos iniciais da turnê, cerca de um mês e meio atrás, então não deixe de conferir logo a seguir!

Lars, Foto por: Divulgação

“One-man band” é o jeito que você queria para um álbum de estréia? O que você fez antes deste projeto?

Lars – Originalmente, eu não planejei que fosse uma banda de um homem só, é algo que aconteceu naturalmente. Eu sempre criei metal e sempre quis ter uma banda de metal, o problema é que com uma banda vem outras coisas, como gerenciar pessoas e garantir que todos tenham as mesmas prioridades.
No começo, minha ideia era, criar a banda, começar a criar músicas juntos e depois tocar alguns shows e gravar um álbum. No entanto, depois de tentar algumas vezes e falhar (as pessoas desistem, não se esforçam o suficiente, ficam entediadas, etc.) eu decidi fazer o oposto, tentar lançar um álbum e formar uma banda em torno dele.
Também tenho feito coisas relacionadas à música, mas antes desse projeto, a única coisa séria que eu também tinha que fazer era tocar baixo em uma banda de rock. Caso contrário, eu sempre estive tocando música com amigos ou apenas compondo e tentando coisas novas.

A banda sua pesada, escura e há essa atmosfera oresente no seu som. Eu pareço ouvir uma mistura de Burzum e um pouco da segunda onda de bandas de Black Metal de Bergen. Como você descreve seu som?

Lars – Bem, meu som é muito influenciado pelo Melodic Death Metal, e eu diria que essa é a principal força motriz por trás disso. Então, para não torná-lo chato, há um punhado de outros gêneros que o apóiam. Por exemplo, Black Metal (Burzum é um dos meus favoritos, agora que você mencionou isso) tem sido um estilo muito importante para mim também, então obviamente isso reflete na música. Então, para completar a imagem, eu gosto da atmosfera que Doom Metal traz para as composições e como hipnotizante essas notas lentas e acordes podem ser.

2018 – Forgotten Shadows “Single”

Na Review do álbum você me impressionou muito. Eu nunca tinha ouvido falar sobre o homem misterioso por trás do Ethereal Darkness antes e depois de algumas faixas éa curiosidade que surge. Seu álbum está causando uma boa impressão underground?

LLars – Sim, eu não poderia estar mais feliz com a recepção geral da comunidade. Devo dizer que fiquei totalmente impressionado com a recepção e as palavras gentis que as pessoas têm dedicado ao meu trabalho humilde. No começo, eu nem tinha certeza se conseguiria terminar, mas depois de postar algumas das primeiras músicas online e ver como isso ganhava alguma força, realmente encontrei a motivação que me ajudou a completá-lo.

O que te inspira?

Lars – Bem, isso pode soar clichê, mas literalmente tudo. Por exemplo, se estou lendo um livro ou artigo e vejo uma sentença ou passagem que me impressiona, geralmente penso em como ele poderia caber dentro de uma música, ou quando estou ouvindo música não metálica e ouço algo que poderia trabalhe em uma música de metal. Mesmo às vezes apenas aleatoriamente dedilhando meu violão até que algo clica na minha mente. Eu tenho uma pasta no meu celular cheia de gravações de mim cantarolando algumas ideias que por acaso tenho nos lugares mais aleatórios haha

2018 – The Light That Fades “Single”

Como está o seu processo criativo? O que vem primeiro? Letras, os arranjos?

Lars – Eu costumo começar com uma ideia básica, provavelmente um riff que escrevi há algum tempo. Então, eu começo a tocar alguma coisa até encontrar a próxima parte, e a partir daí, continuo até ter uma música finalizada. Além disso, desde que a música também está definindo um clima e um tom, eu tenho uma idéia básica do que eu quero falar sobre quando chega a hora de começar a escrever as letras. Então, é só uma questão de começar a cantar linhas sobre a música até encontrar uma boa rima e um padrão de palavras. Basicamente, podemos dizer que a música só se escreve ou pelo menos me diz o que fazer a seguir haha.

Quem é/são suas principais influências musicais quando você gravou este álbum?

Lars – Minhas influências ao escrever este álbum são numerosas demais para começar a contá-las, já que qualquer artista que estou ouvindo de alguma forma deixou uma marca na música. De difícil notar influências como as bandas pós-metal Cult of Luna ou Harakiri From The Sky para as mais reconhecíveis como Insomnium.

2019 – The Dreaming Soul “Single”

O álbum foi feito para ser uma coisa só de estúdio? Ou as turnês vieram à sua mente?

Lars – Mesmo que este projeto tenha sido concebido como uma coisa de estúdio no começo, tocar ao vivo sempre esteve na minha cabeça. Eu amo tocar música e estar em um palco demais para não considerá-lo pelo menos. Mas no começo foi mais como, vamos liberar isso e ver o que acontece.

Você sabe alguma coisa sobre o underground brasileiro? Ou a América do Sul em geral?

Lars – Eu normalmente não classifico bandas com base na locação, apenas ouço a música e é isso, então quem sabe, talvez eu esteja ouvindo algumas bandas brasileiras e eu não estou ciente disso haha. De qualquer forma, eu não estou muito familiarizado com a cena underground brasileira, mas eu tenho algumas bandas favoritas mais mainstream de lá: Angra sempre esteve no meu cd player quando eu estava começando com metal (especialmente Rebirth) e Tuatha de Danann (especialmente o primeiro) álbum) foi uma das bandas que eu mais ouvi durante a minha fase de Folk Metal haha.

O que está por trás da capa do álbum? De onde vem essa imagem? Mal posso esperar para conseguir uma camisa de mangas longas com aquela capa fenomenal!

2019 – Smoke and Shadows “Full-lenght”

Lars – Para mim, uma capa de álbum tem que definir o clima para o que você está prestes a ouvir e ser um pouco relacionado ao tema geral do álbum. Pode soar um pouco extremo, mas às vezes, eu não posso apreciar completamente um álbum porque a capa não parece apropriada, então é por isso que, por exemplo, às vezes eu tenho problemas para ouvir discos de Death Metal com covers infantis.
Já que este álbum é muito melancólico e baseado na idéia de que nossas vidas são rios que correm para o mar … e rios nascem nas montanhas … essa foi a imagem que eu acho que reflete melhor essas duas premissas.

Quais são suas músicas favoritas do álbum? Se você foi convidado a apresentar sua banda para alguém que nunca a ouviu antes, o que você diria?

Lars – É complicado escolher uma música favorita quando eu coloco muito esforço em todas elas haha, mas se eu tivesse que escolher apenas uma para mostrar para alguém que nunca nos ouviu antes, seria Flow Into The Sea. Talvez tenhamos outros mais diretos ou comerciais como o Tempo, mas, na minha opinião, essa é a música que combina em igual medida todos os elementos característicos do nosso som: grandes atmosferas, elementos Doom e Black Metal, melodias em evolução que crescem em intensidade, a morte rosna e gritos negros, etc.

Ethereal Darkness, Foto por: Passion For Pics

O que podemos esperar de você em 2019?

Lars – Bem, por enquanto eu tenho estado ocupado principalmente gerenciando tudo para levar o projeto ao vivo, você sabe, encontrando as pessoas certas, preparando as músicas para que elas possam ser facilmente aprendidas pelo resto dos membros, encontrando promotores e locais, etc.
Eu também compus algumas coisas novas e talvez, se tudo der certo, nós possamos lançar um EP no final do verão com duas ou três músicas e cerca de 30 minutos de duração (eu posso dizer em exclusivo que uma das músicas já terminou e agora está entrando na fase de produção haha).

Esta é a sua hora. Você pode nos enviar uma mensagem no Brasil e na América do Sul.

Lars – Muito obrigado por esta entrevista e por continuar apoiando a cena do metal com seus esforços. Há exceções, é claro, mas no final, todo mundo no negócio do metal (bandas, zines, promoters, etc.) é motivado pelo mesmo sentimento: paixão pela garra, e isso é algo que eu aprecio muito neste gênero. Eu só desejo o melhor para Lucifer Rising e posso apenas esperar que vocês continuem trazendo para os fãs de metal o que os meios de comunicação de massa lhes negam, conteúdo honesto e interessante.
E finalmente, eu adoraria poder um dia poder fazer uma turnê pelo Brasil e pela América do Sul, é um lugar com uma comunidade de metal próspera que deveria ser um exemplo para outras partes do mundo.

Mostrar mais

Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

Veja também...

Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar