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EXEQUIAL – Atmospheric Black Metal

É fato que o underground sempre nos presenteia com obras musicadas em sentimentos dos mais diversos formatos, desde o desespero humano ao isolamento social, e foi neste clima que o ser ‘‘Nefarious Herald’’ criou a fúnebre melodia nominada de EXEQUIAL.

 

Nesta conversa o Nefarious Herald nos fala um pouco cerca do início do projeto, planos futuros, pandemia, próximos petardos…

Confiram!

Nefarious Herald, meu grande amigo, mentor do EXEQUIAL, comente um pouco acerca da ideia inicial do projeto e o porquê de ser um one-man-band.

Nefarious Herald – Para mim é um prazer e me sinto honrado por ser entrevistado por um dos cabras mais antigos e atuantes no underground, ainda mais neste veículo de primeira linha que é o Lucifer’s Rising!

Eu sempre gostei de expressar minhas ideias musicais, mas há anos estava parado. Toquei em bandas com amigos entre 1991 e 1993 mais ou menos e depois que alguns se afastaram por motivos diversos nós paramos. Infelizmente não há nenhum registro daquela época.

Então, em 2016 decidi fazer música sozinho, sempre pensando em algo que tivesse uma atmosfera mórbida, fúnebre e melancólica, sentimentos que me atraem quando ouço música.

Fazer as coisas sozinho é bom porque você faz no seu tempo, mas não desvalorizo de modo algum o trabalho em grupo, compartilhamento de ideias e parcerias. Tenho uma vida bastante ocupada e não existe condições de assumir compromisso com banda.

 

O significado de EXEQUIAL no dicionário é, adjetivo que se refere ou semelhante, que diz respeito às exéquias; que pertence ao funeral; funérea. Disserte a nomenclatura EXEQUIAL musicalmente!

Nefarious Herald – É exatamente isso. Eu buscava um nome em língua portuguesa e achei que Exequial traduzia bem a ideia de questões relacionadas à morte e toda a mística que a envolve.

A morte é tratada de diferentes formas em culturas distintas, e isso é fascinante.

Apesar de algumas pessoas não saberem pronunciar Exequial, é bem simples: o “x” tem som de “z”.

Misanthropic Mediation About Suicide, DT 2018

“Misanthropic Mediation About Suicide” (2018) foi o primeiro material lançado pela horda, e, o mesmo possui 2 outras versões lançadas, sendo uma em versão tape via Depressive Illusions Records e a outra CD silkado, com a parceria da Six Serpentis Fidelis Prod/Distro! Este repress (limitado a 66 cópias), se deu pelo motivo da primeira versão ser limitada a 33 cópias somente?

Nefarious Herald – Na verdade quem fez o contato para lançamento em tape pela Depressive Illusions na Ucrânia foi o Gabriel, já que esse selo já havia lançado outros materiais de bandas que ele participou. Porém, como a maioria das pessoas não compra materiais no exterior, quanto menos fita cassete, tivemos a ideia de lançar em CD, 50 cópias. A primeira versão, apesar de constar as marcas da Baptism of Fire e Rex Serpentis, foi feita por mim. Somente no final de 2019 a Rex Serpentis lançou uma nova tiragem limitada para suprir alguns camaradas que não puderam adquirir a primeira.

Misanthropic Mediation About Suicide, CD Demo 2018

Para o Misanthropic Mediation About Suicide você convocou meu amigo “Supremous Ncromancy” (Gabriel, Formiguinha do MIB, viciado em açúcar, kkk!) para fazer os vocais, já no “Prelúdio da Imortalidade” (2020) creio que você fez tudo sozinho, não foi? O que distancia o Misanthropic Mediation About Suicide do Supremous Ncromancy?

Nefarious Herald – O Misanthropic na verdade é uma demo baseada numa compilação de músicas que estavam engavetadas, que foram compostas e gravadas em períodos distintos e com equipamentos diferentes, por isso não tem uma “uniformidade”, digamos assim…

Quando eu as mostrei ao Gabriel ele gostou bastante e se propôs a gravar os vocais, e fez isso em tempo recorde. Algumas pessoas gostaram do resultado, outras disseram que o vocal não combinava, mas é óbvio que não é possível e nem uma meta agradar todo mundo. Eu fiquei satisfeito e sou grato pela participação dele.

Prelúdio da Imortalidade, DT 2020

O Prelúdio da Imortalidade é diferente. Foi preparado seguindo uma ideia central, portanto é coeso nesse sentido, em relação às músicas e letras. Foi gravado no segundo semestre de 2020 e fiz quase tudo sozinho. O Léo Herege da banda Ancestral Cântico e selo Rex Serpentis Fidelis deu uma ajuda na equalização e compressão das guitarras base e vocais, o Sammael da horda Cultum Luciferium contribuiu na letra de Hipatia de Alexandria e Malevolus, baterista da Ancestral Cântico gravou o vocal de Drowned Memories. Essa última música seria de outro projeto chamado Caligem, que não foi pra frente, mas como a música tinha tudo a ver com o conceito de Prelúdio da Imortalidade eu achei que desperdiçá-la seria uma má ideia.

Eu decidi gravar o vocal para dar um novo rumo ao projeto, nada demais. Considerando que se passaram quase 30 anos sem pegar no microfone, até que o resultado não ficou tão aquém daquilo que eu esperava.

Aqua Abyss e o Preludio da Imortalidade, Split DT 2020

Aliás, o Exequial saiu recente em um split com o fuderoso ANCESTRAL CANTICO, como se deu esta parceria? Aliás, sendo que o selo de Leandro já havia lançado o repress do Misanthropic Mediation About Suicide!

Nefarious Herald – Apesar de não nos conhecermos pessoalmente, eu converso com a banda há um bom tempo, já adquiri materiais deles, vendi materiais do meu selo e fizemos trocas. Esses maníacos baianos foram os primeiros a apoiar o Exequial e naturalmente planejamos esse split como uma entre diversas parcerias, mas essa foi realmente a mais ousada e gratificante.

O resultado superou as expectativas de todos nós.

Foi feito um lyric vídeo para divulgar o split tape, a música escolhida foi “Mestre Nolano”, que por sinal é uma música bem marcante, como diríamos antigamente, riffs grudentos que ficam preso na mente! Explica-nos um pouco acerca do Mestre Nolano e a história cantada.

Nefarious Herald – Esse lyric video foi produzido por um cara que sabe das coisas, ele criou algo plenamente alinhado à atmosfera da música. Só tenho que agradecer muito a um tal ZArtan, não sei se você já ouviu falar dele hehehehehe! (N.E.: Sim, acho que conheço esta peste, kkkk!)

Eu acho que quando surge um riff marcante a gente deve persegui-lo até criar uma música que o complete, mas sempre tendo o cuidado para não se tornar enjoativo. Eu pensei inicialmente que a música Hipatia de Alexandria seria a principal música do lado do Exequial nesse split, mas depois de ouvir tudo pronto achei que Mestre Nolano tinha algo a mais, e foi por isso que a escolhi para o vídeo.

Giordano Bruno, também conhecido como Nolano, devido a sua origem (porque nasceu em Nola – Itália), foi um livre pensador, um dos mais brilhantes de sua época, e apesar de sofrer a pena capital, não voltou atrás em suas convicções e especulações sobre questões relativas à ciência e espiritualidade. Vítima da ignorância e da manutenção do poder eclesiástico.

As capas dos trabalhos do EXEQUIAL sempre são bem sorumbáticas e até em certo ponto refletem um pouco da beleza póstuma de figuras em devaneios

Nefarious Herald – A capa da demo é uma foto cedida por um ex-colega de trabalho que faz um excelente trabalho e inclusive fez uma exposição na Avenida Paulista, o Rafa Rugiero. Eu nunca perguntei, mas provavelmente é um sepulcro do Cemitério da Consolação. Nesse lugar há túmulos e capelas lapidadas por artistas italianos numa época em que os barões providenciavam a última morada com muito esmero e requinte. A capa traduz uma atmosfera pra lá de fúnebre.

A capa do split foi desenhada pelo George Campos do RJ e a ilustração apresenta alguns elementos que podem ser interpretados de diversos modos, mas que se fundem numa ideia central de imortalidade, uma passagem para outra dimensão ou plano, e tudo aquilo que envolve uma espécie de transmutação. É algo metafísico e consequentemente sorumbático.

Depressive Suicide BM, até que ponto este subgênero do Black Metal os indica algo ou até os é motivo de comparação? Pergunto, pois, há uma divergência de ideias referente a bandas/projetos Atmospheric Black Metal (estilo escolhido pelo projeto) que sempre é comparado ao citado inicialmente!

Nefarious Herald – Acho difícil classificar Exequial nessas categorias, como se existisse um grande armário repleto de gavetas com etiquetas dizendo: brutal death metal, power metal, raw black metal, melodic não sei o quê…

Acho que pela temática de algumas músicas da demo é possível classificar como DSBM apesar de não ter uma sonoridade instrumental e vocal característica do gênero, mas se você olhar bem verá que o tema é sempre a morte. Por exemplo, a música Tribunal of Osiris não trata de suicídio, mas ela está lá.

Também não é possível colocar as músicas do split Prelúdio da Imortalidade na mesma gaveta aonde estão bandas como Elderwind, Eldamar, Severoth, mas eu sinto que as músicas são bem atmosféricas e essa é uma meta que eu sempre tenho em mente quando componho.

Acho que Exequial deve ser ouvido e se você gostar classifica como achar melhor. Se existe algo que não me preocupa de modo algum é essa ideia de rótulo.

Davidson Garcia, Foto por Divulgação

Falemos um pouco de sua militância em lançar materiais underground, falo do selo “Secutor Brutal Records”, especializado em lançar material analógico, demo tapes! Quantos e quais lançamentos feitos até hoje e, o porquê de sempre lançar Demo Tapes?

Odeio essa palavra “militância” hehehehe!

A ideia de criar o selo veio quando eu procurava alguém para lançar minha demo, apesar de termos conseguido o apoio da Depressive Illusions. Porém, precisava lançar algo aqui no Brasil.

Então, como eu sempre comprei tapes e sou da geração que ficava horas esperando aquela música tocar no rádio para gravar uma fita, achei bacana lançar bandas underground. Fiz isso somente durante um ano e consegui fazer várias trocas interessantes, mas quando os contatos vêm em sua maioria procurando você para lançar mas quase ninguém compra os materiais, isso acaba se tornando uma via de mão única, aí você não consegue tornar a coisa auto sustentável. Outro ponto bem chato é que a maior parte das bandas não entendem o que é um selo independente, que precisa que a banda também ajude a divulgar o material.

Parece que os caras pensam que estão fazendo um enorme favor em ceder as músicas para o selo lançar e por isso viram as costas. Tem gente que não menciona o seu selo nem quando concede entrevista. Por isso decidi utilizar meus recursos e esforços somente para lançar materiais que eu mesmo vou produzir. Deixemos esse negócio de tapes para os mestres, como o José Ivo da Unholy War Productions, e outros selos como Acta Non Verba, Hammer of Damnation, Angel of Cemetery, Blasphemy Productions, Baphomet Revelations, Damnatio Memoriae, Nihil, entre outros.

Lancei só um material em CD numa parceria com a Baphomet Revelations, a demo da banda Blasphemy Contemplation, e os demais foram em fita cassete. Bandas como Ancestral Cântico, Diáballein, Promethean Gate, Morpherus, Myrkgand, Reffugo, Hell Abyss e o próprio Exequial.

Só quem tem selo vai entender o trabalho que é, e, igual sua atitude, muitas bandas/projetos tem criado selos para lançar seus respectivos materiais, para assim, não terem que ficar “caçando” selo X ou Y, mas, que no caso, são poucas as que realmente divulgam/apoiam…, mostrando assim que nem todos estão acomodados, hehe!

Nefarious Herald – Isso é verdade. Acredito que qualquer artista pode se auto produzir, correr atrás para lançar seus trabalhos, divulgar e distribuir quando um selo ou gravadora não têm interesse. Mas é sempre satisfatório quando alguém se interessa e lança suas músicas. O que não dá certo é ficar parado esperando sem nenhuma perspectiva.

Se a arte que a gente faz não nos permite viver dela, podemos viver através dela, ultrapassar as barreiras e continuar criando e mostrando nossas produções a quem tiver interesse.

Com esta pandemia, você aproveitou para tomar umas cervejas geladas e criar sons para um novo CD/K7 do EXEQUIAL?

Nefarious Herald – Nesse aspecto a pandemia me afetou negativamente porque estou trabalhando em casa, o famoso home office. Tenho trabalhado mais horas do que se estivesse em regime presencial, o que dificulta organizar o tempo para me dedicar a compor novas músicas.

Mas recebi um convite para lançar um full lenght e mais um split, então já comecei a compor e a me preparar para gravar.

A cerveja não pode faltar, né? Curtir um som em CD, cassete ou LP em casa tomando umas brejas é meu programa favorito, sem dúvida!

Sim, era isso que estava formigando no cérebro, este full CD, você chegou a comentar em nossas conversas, mas, sem maiores detalhes, aproveite aí e revele alguns detalhes deste (merecido) CD, será lançado por algum selo da gringa ou é nacional? As letras, o seguimento poético …

Nefarious Herald – Ainda não divulguei nada porque as tratativas estão muito recentes e eu não tenho músicas prontas para esse lançamento. Possivelmente será para o segundo semestre de 2021. Então não dá para falar muito sobre o que ainda não foi arquitetado, planejado com firmeza. Se tudo correr bem será um selo nacional muito ativo e respeitado pela qualidade de seus trabalhos.

O que tenho mais próximo para anunciar é um split que será dividido com a banda Promethean Gate. Será independente, em CD, e também uma participação numa coletânea que por enquanto o mentor pediu para não divulgar, somente com bandas nacionais.

São dois trabalhos confirmados e em andamento, e outro em vistas.

Eu gostaria muito de lançar mais e em menores espaços de tempo como Drowning the Light, Hermodr, entre outras bandas que são difíceis até de acompanhar, mas faço o que é possível.

Meu amigo Neferious Herald, agradeço imensamente o tempo cedido para responder meus questionamentos…, deixo este espaço para algo mais que o amigo deseje relatar!

Nefarious Herald – Eu agradeço novamente pelo espaço cedido a mim. É gratificante, e acredito ser resultado de um trabalho artístico no qual me empenho para fazer o melhor e me superar a cada dia. Vida longa a você, ZArtan, Anaites Records, Lucifer’s Rising e a todos que me acompanham nessa jornada à beira do abismo!

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Hioderman ZArtan

Editou os zines "Anaites" e o "Guerreiros Zineiros". Designer gráfico Underground e mentor do Anaites Records.

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