Entrevistas

FUATH – O Black Metal e a beleza da Escócia

"I feel that a lot of the mystery and magic of black metal is missing these days and I blame the internet for that."

Andy Marshall, é o homem por trás da banda e do projeto Saor, mas “II” foi lançado no dia 19 de março de 2021, via Season Of Mist. Ele conversou com a Lucifer Rising sobre as suas influências, como ele compôs o álbum e muito mais. Vale a pena ler!

Andy Marshall, foto por: Divulgação

Saudações sombrias às nossas páginas, Andy. Muito interessante este álbum “II”, devo dizer. “Fuath” significa “ódio” em gaélico. É um grande desafio falar essa língua, não é? Porque é que a escolheste, dentro de todo o vocabulário?

Andy Marshall – Sim, eu nem a falo, sou apenas um grande admirador da língua.  “Fuath” significa “ódio” e também é um espírito da água maligno na mitologia das Terras Altas. Por isso, achei que era um ótimo nome para meu projeto mais sombrio.

Andy Marshall – Vens da Escócia, mas a Escandinávia tem um grande papel na tua música. Por exemplo, natureza. A Escócia tem algo que se assemelha aos países nórdicos? Adquiriste o costume de andar na floresta, para obter inspiração como eles fazem?

Andy Marshall – A Escandinávia não teve um grande papel na minha música. O Black Metal norueguês dos anos 90 teve um grande papel na música que escrevo para o Fuath mas não tem nada a ver com a natureza. Porque é que eu precisaria da natureza da natureza escandinava se moro num país com muitas montanhas e florestas? A Escócia é um país do norte da Europa, então há semelhanças em nossas paisagens naturais e clima, eu acho.

I (Full-length 2016)

Também a cena Black Metal do início de 1990, como Burzum, Mayhem e Darkthrone, tem uma grande influência, musicalmente falando, neste álbum. Também Drudkh e Windir são importantes. Quais são as diferenças entre o som deles, que foram a chave principal para o álbum?

Andy Marshall – Todas as bandas que listaste têm um som e espírito diferente. Burzum tem uma atmosfera incrível, Darkthrone é mais caótico e cru e Mayhem está provavelmente em algum lugar entre eles. Todas são ótimas bandas, mas eu só gosto de álbuns específicos delas. Os Drudkh têm em uma discografia impecável na minha opinião e é uma das maiores bandas de Black Metal do mundo, no momento. O álbum “Arntor” de Windir é um dos meus álbuns favoritos em geral. Adoro a mistura do Black Metal dos anos 90 com elementos Folk / Viking.

O teu outro projeto “Saor” é classificado como “Caledonian” Metal. O que é que queres dizer com isso? Foi difícil escrever letras e sons tão diferentes? De que maneiras?

Andy Marshall – “Caledonia” é um nome romântico ou poético dado à Escócia. O nome foi originalmente usado pelos romanos para se referir à Escócia. Decidi chamar o meu estilo musical de “Caledonian Metal”, porque acho que se encaixa perfeitamente no som de Saor. É Metal misturado com temas e influências musicais escocesas. Eu também acho que isso faz a banda destacar-se da multidão atmosférica de Black Metal e Folk / Pagan Metal.

II (Full-length 2021)

Escreveste este álbum no inverno de 2019 e gravaste-o em agosto e setembro de 2020, no Fortriu Studios, na Escócia, cantaste todas as músicas e tocaste os instrumentos, exceto a bateria. Foram tocadas por Carlos Vivas, em Espanha. Tinhas material suficiente, entre os dois álbuns, ou apenas tiveste de fazer alguns arranjos? Foi difícil escrever? Como entraste em contato com o Carlos e conversaste sobre os instrumentos com ele?

Andy Marshall – Trabalhei com o Carlos no meu álbum dos Saor “Forgotten Paths”, então já era amigo dele. Eu vi-o pela primeira vez na internet depois que ele postou alguns vídeos da sua bateria e fiquei realmente impressionado. Entrei em contato com ele e o resto é história. Eu escrevi todas as partes da bateria nas demos e pedi-lhe para melhorá-las com suas as próprias ideias. Carlos é um tipo muito fácil com quem se trabalhar!

Decidiste com este álbum, transformar “Fuath” num projeto mais sério, o que não foi o caso após o lançamento do lançamento anterior “I”. O que te fez mudar de ideias?

Andy Marshall – Fizemos os nossos primeiros concertos com os Fuath em 2019. Eu realmente gostei e isso inspirou-me a escrever mais demos no estilo Black Metal. Eu tinha então um álbum cheio de material, então decidi continuar o projeto. É bom ter uma válvula de escape para as minhas influências de Black Metal, já que Saor está a afastar-se desse estilo de música.

Andy Marshall, foto por: Divulgação

“Propheces” e “Into The Forest Of Shadows” são os singles. Quais são os critérios para as suas escolhas e haverá outro?

Andy Marshall – Achei que eram músicas fortes e a discográfica concordou. Não haverá mais músicas lançadas até que o álbum seja lançado.

Falando em single, decidiste colocar a letra por trás de um véu de sigilo e não será lançada junto com o álbum, o que não foi o caso, já que tens outro projeto (Saor) e aí a letra é bem explícita. Porquê todo o sigilo?

Andy Marshall –Eu sinto que muito do mistério e da magia do Black Metal está a faltar atualmente e eu culpo a internet por isso. Podes ir ao Google e pesquisar as informações que desejares agora. Achei que seria bom pelo menos manter algo em segredo e honrar as origens do género.

Luciana Nedelea é a responsável pela capa. Que ideias lhe deste? Apenas a ouvir a música? Foi difícil para ela?

Andy Marshall – Ela desenhou a capa do primeiro álbum “I”, então eu disse-lhe que queria continuar com esses temas. No primeiro álbum, a figura encapuzada está a entrar na floresta sozinha, mas em “II” ele reaparece com um exército completo a cavalo.

Quais são as novidades dos “Saor”? O que esperas que “II” te traga para o futuro?

Andy Marshall – Estou a terminar as demos para o próximo álbum dos Saor e espero começar a fazer os arranjos das gravações em breve. É muito difícil no momento, por causa de todas as restrições do Covid. Com os Fuath, espero fazer mais concertos ao vivo no futuro.

Obrigada pela entrevista e algumas palavras finais para os fãs brasileiros e fãs em geral?

Andy Marshall – Obrigado e espero que possamos vir ao Brasil no futuro!

Andy Marshall, is the man behind the band and the project Saor, but “II” was released 19th March 2021, via Season Of Mist. He talked with Lucifer Rising about his influences, how he did compose he album and more. It’s worth reading!

Andy Marshall, photo by: Media Press

A very dark welcome to our pages, Andy. Very interesting this album “II”, I must say. “Fuath” means “hatred” in Gaelic. This language is quite a challenge to speak, isn’t it? Why did you choose it, from all the vocabulary?

Andy Marshall – Yes, I don’t even speak it, I’m just a huge admirer of it. “Fuath” means “hate” and it’s also an evil water spirit in Highland mythology. So I thought it was a great name for my darker project.

 You come from Scotland, but Scandinavia has a huge role in your music. For example, nature. Has Scotland something that resembles the Nordic countries? Did you get the custom to walk into the forest, to get the inspiration they do?

Andy Marshall – Scandinavia hasn’t had a huge role in my music. 90’s Norwegian black metal has had a huge role in the music I write for Fuath but it has nothing to do with nature. Why would I need Scandanavian nature when I live in a country with plenty of mountains and forests? Scotland is a northern European country, so there are similarities in our natural landscapes and weather, I guess.

I (Full-length 2016)

Also the Black Metal scene from the early 1990’s, such as Burzum, Mayhem and Darkthrone, have a huge influence, musically speaking, in this album. Also Drudkh and Windir are important. What are the differences between their sound, that were the major key to the record?

Andy Marshall – All of the bands you listed have a different sound and spirit. Burzum has an amazing atmosphere, Darkthrone is more chaotic and raw and Mayhem is probably somewhere between. They are all great bands but I only like specific albums from them. Drudkh has a flawless discography in my opinion and is one of the greatest black metal bands in the world, at the moment. Windir’s album “Arntor” is one of my favourite ever albums in general. I love the mixture of 90’s black metal with the folk/viking elements.

Your other project “Saor” is classified as “Caledonian” Metal. What do you mean by that? Was it difficult to write such different lyrics and sounds? In what ways?

Andy Marshall – “Caledonia” is a romantic or poetic name given to Scotland. The name was originally used by the Romans to refer to Scotland. I decided to call my musical style “Caledonian Metal”, because I think it fits the Saor sound perfectly. It’s metal mixed with Scottish musical influences and themes. I also think it makes the band stand out from the atmospheric black metal and folk/pagan metal crowd.

II (Full-length 2021)

You wrote this album in the winter of 2019 and recorded it in August and September 2020, at Fortriu Studios, in Scotland, you sang all the songs and played the instruments, except the drums. They were performed by Carlos Vivas, in Spain. Did you have enough material, between both albums, or you just had to make some arrangements? Were difficult to write? How did you contact Carlos and discuss the instruments with him?

Andy Marshall – I worked with Carlos on my Saor album “Forgotten Paths”, so I was already friends with him. I first saw him on the internet after he posted some videos of his drumming and I was really impressed. I contacted him and the rest is history. I wrote all the drum parts on the demos and asked him to improve them with his own ideas. Carlos is a very easy guy to work with!

You decided with this album, to turn “Fuath” into a more serious project, which was not the case after the release of the previous release “I”. What made you change your mind?

Andy Marshall – We played our first shows with Fuath in 2019. I really enjoyed it and it inspired me to write more black metal style demos. I then had a full album worth of material, so I decided to continue the project. It’s nice to have an outlet for my black metal influences as Saor is drifting away from that style of music.

Andy Marshall, photo by: Media Press

“Propheces” and “Into The Forest Of Shadows” are the singles. What are the criterion for their choice and will there another one?

Andy Marshall – I thought they were strong songs and the label agreed. There won’t be any more songs released until the album is out.

Speaking of single, you decided to put the lyrics behind a veil of secrecy and will not be released along with the album, which was not the case, since you have another project (Saor) and there the lyrics are quite explicit. Why all the secrecy?

Andy Marshall – I feel that a lot of the mystery and magic of black metal is missing these days and I blame the internet for that. You can go on Google and search for any information you want now. I thought it would be nice to at least keep something secretive and honour the origins of the genre.

Luciana Nedelea is responsible for the artwork. What ideas did you give her? Just hearing the music? Was it difficult for her?

Andy Marshall – She designed the artwork for the first album “I”, so I told her I wanted to continue those themes. On the first album, the hooded figure is walking into the forest alone, but on “II” he reappears with a full army on horseback.

What are the news from “Saor”? what do hope “II” will bring you to the future?

Andy Marshall – I’m finishing up the demos for the next Saor album and hope to start arranging the recordings soon. It’s quite hard at the moment, because of all the Covid restrictions. With Fuath, I’m hoping to play more live shows in the future.

Thanks for the interview and any final words for the Brazilian fans and fans in general? Thanks and I hope we can

Andy Marshall – Come to Brazil in the future!

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Rak Miranda

Colaboradora e jornalista da webzine portuguesa, Metal Imperium e reviewer na revista grega MythofRock.gr. Apreciadora de Doom Metal.

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