Entrevistas

GOATPENIS – “O underground nacional é uma lástima”!

O War Metal ainda carrega muitos estigmas. Muito preconceito. Vertente assumidamente bélica do underground extremo, é de Blumenau, Santa Catarina, que este expoente da cena extrema sai de seu bunker para nos conceder esta entrevista. Capitaneada por ninguém mesmo que Sabbaoth, o Goatpenis está nas trincheiras desde 1988, e aNuclear War Now! Productions é um dos selos que apoiam a banda, sem falar na Treze Listras de São Paulo que já lançou diversos splits e álbuns da banda, bem como dos projetos paralelos que o multifacetado Sabbaoth lidera.

O primeiro álbum veio em 2004, o aclamado Inhumanization, seguidos de diversas compilações e splits, temos Apocalypse War (2016) e mais recentemente Anesthetic Vapor (2017) e às sombras de um novo álbum neste ano de 2020 e com um integrante a mais na formação, tive a oportunidade de conversar com a mente bélica por traz desta mmáquina de guerra. Então tome seu lugar no fronte que a batalha vai começar!

Primeiramente obrigado pelo seu tempo Sabbaoth. Como vai você neste final de 2019? O ano foi bom para o Goatpenis?

Sabbaoth: Foi excelente! Além dos shows memoráveis nos EUA, Peru e Brasil, incluímos um novo integrante na banda que nos dará suporte na segunda guitarra. Estamos ensaiando e nos preparando para o ano de 2020 chegarmos com energia alta para encarar tudo que aparecer pela frente!

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Goatpenis (Divulgação)

 

Você não é só a máquina destruidora, o motor v8 por traz do baixo do Goatpenis. Você assumiu os vocais por um período, bem como as guitarras também. Tendo estado em todas as cordas do Goatpenis nestes anos e também nos vocais, é difícil estar apenas no baixo de 2005 para cá?

Sabbaoth: Não estou apenas no baixo. Desde 1992 estou no vocal pausando apenas no álbum Inhumanization, que fora apenas executado por “Schultz”. Desde então eu sou o vocal e baixo do GP!

Como você chegou ao nome “GOATPENIS”? A banda inicialmente era Supurated Fetus. O que causou a mudança?

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Goatpenis (Facebook)

Sabbaoth: Suppurated Fetus tinha acabado. Recomeçamos outra banda, outros membros e outras ideias com um novo nome!

Mas hoje há também o projeto Supurated Fetus, poderia nos dar um panorama do que se trata? Hoje há 03 lançamentos novos (Splits) pela distro Treze Listras. Há mais planos para o Supurated Fetus junto a Treze Listras?

Sabbaoth: Exato! Hoje o S.F. possui outra abordagem. Praticamente não tem nada a ver com o passado. Hoje eu faço tudo sozinho e talvez pode ser configurado como Power Electronic. O selo Treze Listras lançou 3 CDs e outros 10 splits. Há outros 3 projetos que serão lançados nos EUA e Japão também!

 

“Anesthetic Vapor” de 2017 foi o último lançamento do Goatpenis e tamos em 2019 um Split com o Defecrator entitulado “Bloodpact in Cataclysmic Warfare” pela Nuclear War Now! Productions. Temos um novo full album em breve?

Sabbaoth: Sim! Estamos com o novo álbum quase pronto. Falta alguns detalhes e no primeiro semestre de 2020 o teremos pronto para lançar pelo selo NWN!

Há uma problemática com os selos nacionais no que concerne o Death/Black ligado ao War Metal. Alguns camaradas vem sofrendo problemas para lançar álbuns, apresentarem-se ao vivo no Brasil ou mesmo ter seus álbuns distribuídos. A polêmica do temido NS” já chegou a bater às portas do Goatpenis em mais de uma ocasião. Como você lida com isso, já que é o único membro remanescente desde 1992?

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Goatpenis (Divulgação)

Sabbaoth: Não temos muitos problemas em relação a isso! Quem conhece a banda e já leu as diversas entrevistas, depoimentos e letras da banda sabe que a banda não possui viés político como uma grande parte de bandas que assumem esta posição. Somos bem claros em relação a este assunto!

Perguntei porque há uma postagem bem específica do GOATPENIS se desvinculando de qualquer ideologia, bandeira, segmento, política, etc. E sabemos que muitas vezes o WAR METAL é um campo engajado de disputa ideológica e política. Muitos não estão no WAR METAL apenas pela música, o que motivou a postagem nas redes sociais? Houve um incidente na Argentina, no qual o Goatpenis não se apresentou ao lado de outras bandas como Evil, se não me engano.

Sabbaoth: A postagem foi simplesmente para esclarecer qualquer dúvida ou questionamento. O incidente da Argentina não confere. Nunca tocamos por lá.

Multifacetado Sabbaoth, é como te descrevo. Outro projeto seu que tenho acompanhado eImagem relacionada acho bem interessante é o Blasphemagoatchrist. Tem uma demo lançada “Black Metal Warfare” pela Nuclear War Now! Productions. O projeto é brutal! Como ele surgiu? É uma verdadeira cruzada blasfema continental com o Canadá.

Sabbaoth: Surgiu entre conversas entre eu e Black Winds! Resolvemos arriscar em uma banda intercontinental formada por diversos membros. Recrutamos todos e estamos nos comunicando virtualmente, gravando e em 2020 nosso show de estreia no Brazilian Ritual VI!

Como você vê o UNDERGROUND NACIONAL hoje em dia? Você acompanha a cena nacional? Gostaria de um panorama geral vindo de alguém que está na cena desde 1988 e já passou poucas e boas com as parcerias e mesmo com os nossos selos nacionais.

Sabbaoth: Sinto muita falta do isolamento e radicalismo dos anos 80 e 90. Atualmente só me dá vergonha pelas atitudes imaturas e jocosas de 90% das pessoas! Uma lástima! Os selos nos tem apoiado bastante por aqui. No passado fomos sempre desprezados e esquecidos pelas grandes gravadoras. Nunca éramos atendidos e tivemos que penar anos sozinhos até sermos apoiados por gravadoras de outros países!

Quais bandas ainda te influenciam? Você ouve materiais novos? Consome materiais de outras bandas? Se hoje abrirmos seu acervo o que mais vamos encontrar por lá?

Sabbaoth: Tivemos alguma influência de Fear of God e Blasphemy no início da banda.
Não queríamos fazer um xerox destas bandas mas era algo que no inspirava como banda. Hoje ouço bastante RxAxPxEx, The Rita, M.O., Richard Ramires, Bespoke Decay etc….

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Goatpenis (Divulgação)

A imagem é importante para o Goatpenis. Isso é incontestável. A mensagem de guerra, terrorismo e sobrevivência é uma constante nas letras? Uma coisa que me prende muito ao som são os interlúdios, as introduções e os contextos que me lembram muito o Supurated Fetus.  Então temos “imagem” e “mensagem”, mas parece que tocar AO VIVO não é algo que te agrade ou que pelo menos não faz muita questão de ter agendas lotadas. Ou estou errado?

Sabbaoth: Na verdade não temos muitas propostas para tocar ao vivo. Quando temos, as vezes, é contramão para a banda devido o tempo, distância etc. Gostaríamos de ter mais oportunidades para bons shows em qualquer parte desde que em boas condições!

O anti-humanismo é bem característico no Goatpenis. O apelo bélico, mas não há um apelo à blasfêmia e profanação das religiões que seriam tão humanizadoras. Não há discursos anticristãos por exemplo, pelo menos ao que pude constatar ao observar as letras. Como o GOATPENIS vê o anti-humanismo ao longo de sua carreira? Como ele é construído?

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Goatpenis (Facebook)

Sabbaoth: Como nos enquadramos como “War Metal” não temos motivo para usar temas religiosos nas letras. A religião, de fato é o que conduz ás guerras, corrupção, divergências entre os povos, conflitos mundiais, loucura e degeneração, atraso social, filosófico e psicológico, escravidão mental e causa a grande cegueira em massa. Tudo isso… a banda apoia!

Finalmente, muito grato pelo seu tempo, pela entrevista e por ser tão receptivo. Deixe-nos uma mensagem. O Goatpenis é um grande ícone do Death/Black War metal nacional.

Sabbaoth: Agradeço pela oportunidade em esclarecer alguns posicionamentos da banda. Minha mensagem é: LEIAM MAIS e mudem a postura urgentemente!

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e pessoas no palco
Goatpenis (Divulgação)

 

https://www.youtube.com/watch?v=oWHpAcwG-es

https://www.youtube.com/watch?v=JpE8tuIKPyI

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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