Entrevistas

GRUESOME – Honrando o velho death metal à sua maneira

"...a música do DEATH significa o mundo para mim..."

Muita gente torceu o nariz para o que o GRUESOME faz e um outro tanto de pessoas adora o que esse americanos vem fazendo.  Eles tem honrando de forma inequívoca o legado do velho e bom DEATH, criando uma música que poderia ter sido facilmente criada pelo mestre Chuck.  Gostando ou não, a música que eles criam e vem criando já há alguns anos resgata um sentimento que tem se tornado cada vez mais distante no metal extremo atual. A simplicidade e o peso tem sido um norte a ser seguido. O portal LUCIFER RISING conversou com o extremamente simpático baterista Gus Rios e ele fala sobre o início da banda, as polêmicas por causa do som e dos próximos passos, além da sua própria carreira musical. Enjoy !

Gus Rios – Foto: divulgação

Hello Gus, muito obrigado por conversar com o portal LUCIFER RISING. Bem, O GRUESOME chegou agora a 5 anos de idade. No início, como vocês começaram a pensar em montar uma banda como o GRUESOME ?

Gus Rios: Voltando a 2013, eu era um baterista convidado no DTA  Human Reunion Tour (n.d.r. projeto que uniu ex-membros do DEATH e convidados para tocar o álbum “Human” e outros clássicos da banda), assim como o técnico de bateria do Sean Reinest. Sean era meu velho instrutor de bateria, assim como também um dos meus melhores amigos e ele tinha me pedido para ajuda-lo… e basicamente recebi aulas de bateria todas as noites de graça ! O EXHUMED  tocou uns dois shows conosco e o Matt Harvey realmente gostou do jeito que eu toquei “Baptized in Blood”. Nós tivemos uma conversa regada a muito álcool sobre começar a nossa própria banda “DEATH” por diversão. No início seria apenas uma outra encarnação do DTA com, talvez Terry Butler e Rick Ross tocando apenas músicas do “Scream Bloody Gore” e “Leprosy”. Acabou que nada disso aconteceu e alguns meses após eu sair do Malevolent Creation eu mandei uma mensagem para o Matt falando sobre a nossa louca ideia.

“Twisted Prayers” (2016)

Não é um mistério que o GRUESOME é uma banda que paga o seu tributo ao velho som do DEATH. Essa era a ideia desde o início da banda ?

Gus Rios: Sim, era 100% essa a ideia. Na verdade é uma ideia muito estranha… imitar uma banda até o logo e todo resto. Ainda que isso pareça louco, isso também soava muito divertido. Nós pensamos que se fossemos fazer isso, deveríamos realmente fazer desse jeito. Essa é a razão pelo qual trouxemos o Ed Repka para fazer as artes. Isso tinha que parecer como um álbum do DEATH !

O GRUESOME recebeu uma quantidade enorme de reações boas e ruins por parte dos fãs do velho death metal. Alguns elogiaram a banda demais por trazer de volta o bom e velho som do DEATH de volta à vida e outros amaldiçoaram a banda por ser somente uma cópia de algo que já estava morto. Como foi lidar com todas essas reações ? Vocês estavam preparados para isso ?

Matt Harvey – Live MDF 2016 – Foto por Fábio Brayner

Gus Rios: Nós definitivamente sabíamos que haveria um grande potencial para reações positivas e negativas. Nós estávamos e continuamos a estar totalmente conscientes de QUEM nós estávamos idolatrando, mas é também por isso que tudo que fazemos é 100% genuíno. Nós todos somos enormes fãs do Chuck e do DEATH e isso tudo vem do coração. Essa é a mais honesta verdade. Ninguém está ficando rico com isso… é apenas death metal.  No que diz respeito a qualquer coisa, só posso falar por mim mesmo, mas não permito que os comentários negativos me incomodem e aprecio os positivos. Novamente, eu sei que meu coração está no lugar correto e a música do DEATH significa o mundo para mim, então eu realmente não preciso da benção de ninguém para ser um fã do DEATH.  Isso dito, ANTES de qualquer um ouvir falar qualquer coisa do GRUESOME, eu enviei a demo para o James Murphy para ter sua opinião e sua aprovação. O próximo foi o Eric Greif (o empresário por longo tempo do DEATH), e caras como o Terry Butler (que tem tocando os clássicos do DEATH conosco em várias ocasiões) e o Rick Ross. Todo mundo apoiou muito porque eles nos conheciam pessoalmente e sabiam que nós vínhamos do lugar certo.

Apesar das reações boas ou ruins, o velho death metal se recusa a perder sua relevância. Na sua opinião, qual é a razão para isso ? Você vive na Flórida, certo ? Como é a cena death metal por aí hoje em dia, tantos anos depois do boom do death metal com tantas bandas e tantos álbuns clássicos sendo lançados ?

Robin Mazen – Live at MDF 2016 – Foto por Fábio Brayner

Gus Rios: O DEATH será sempre conhecido por muitos como a primeira banda de death metal do mundo, que também é minha opinião. Enquanto houver bandas tocando suas guitarras mais baixas, tocando riffs pesados ​​e rápidos, usando muitos pedais duplos e grunhindo vocais guturais, o Death permanecerá relevante e ponto final . Eu conheço garotos mais jovens o tempo todo em turnê dizendo coisas como: “Eu nunca tive a experiência de ver o DEATH porque eu não tinha nascido ainda ou era muito jovem e vocês são o mais próximo disso que irei conseguir vivenciar, etc”. Coisas assim significam muito para mim, porque eu sempre carrego comigo o que o death metal e o DEATH me deram ! Chuck é eterno! No que diz respeito à cena death metal na Flórida… eu realmente não sei para ser honesto. Eu acho que é o mesmo que sempre foi … underground e com não tantas bandas quanto você pensava. Além disso, o mesmo grupo de caras ainda está fazendo isso aqui… Deicide, Obituary, Canibal, Morbid Angel, etc etc. Nós todos ainda estamos agitando cara!

“Dimensions of Horror” – EP (2016)

Os três primeiros álbuns do DEATH são considerados as suas obras primas e então a música começou a mudar de um som mais pesado e primitivo para uma música ultra técnica. O GRUESOME tem a intenção de seguir essa mesma direção ? Criar sua música seguindo as mesmas mudanças musicais ?

Gus Rios: Eu acho que nós estamos seguindo esse mesmo caminho, com certeza. No início nenhum de nós sabia que a banda se tornaria tão popular quanto é, algo que nós, obviamente somos muito gratos e honrados, mas nós não estamos pensando tão longe assim a respeito do futuro. Assim que “Savage Land” saiu e foi tão bem recebido nós percebemos que nós deveríamos provavelmente seguir as suas pegadas e oferecer uma versão”Gruesome” para cada álbum. Somente isso já mostra um mundo de mudanças a cada vez. Eu quero dizer, nós estamos TENTANDO criar versões alternativas dos álbuns que você acertadamente chamou de obras-primas. Isso é um trabalho monumental meu amigo. Mas nós estamos sempre prontos para o desafio e espero que os fãs apreciem os resultados.

Daniel Gonzalez – Live at MDF 2016 – Foto por Fábio Brayner

O GRUESOME teve a chance de trabalhar com o Ed Repka, o artista original dos trabalhos do DEATH. Como foi o primeiro contato e como ele reagiu quando vocês mostraram todas as ideias por trás da banda ?

Gus Rios: Na verdade ele é um artista profissional. Eu enviei uma mensagem para ele no Facebook e ele respondeu simplesmente dizendo que era um “conceito muito legal e perguntando quais eram as ideias”. Então, nós apenas enviamos a ele, por exemplo, com Savage Land, as letras e uma ideia aproximada, e então dissemos a ele para se inspirar em 1988! Ter Ed nesse projeto era uma parte enorme do quebra-cabeça e sem ele duvido que tivéssemos até mesmo avançado.

Muita gente pensa (eu incluso) que mais cedo ou mais tarde o Chuck iria parar de tocar death metal. Eu sei que ele era um músico impressionante e nos anos anteriores ao seu falecimento, ele estava criando uma música muito distante de suas raízes. Você acha que o DEATH iria, inevitavelmente acabar e o Chuck se envolveria com outros estilos de música ?

Gus Rios: De falar com aqueles que o conheciam bem até o fim de sua vida, sim ele estava meio “saturado” com o death metal e queria se concentrar no Control Denied. Mas quem sabe?? Até mesmo o Paradise Lost voltou ao death metal, então você nunca sabe. Quanto a ficar longe do METAL, eu duvido porque o Chuck fodidamente amava o metal com todo o seu coração!

“Savage Land” (2014)

Eu tive a chance de ver o GRUESOME ao vivo durante o Maryland Deathfest 2016 e encontrei o Matt Harvey durante o festival e o show de vocês foi realmente muito fudido. Aqui no Brasil a banda tem muitos fãs, especialmente porque nós temos fãs totalmente dedicados ao velho DEATH. Há algum plano de vir para a América do Sul, em especial o Brasil ? Como você descreveria um show do GRUESOME para um maníaco death metaller que nunca teve a chance de ver a banda ao vivo ?

Gus Rios: Definitivamente existem planos de ir para o Brasil, talvez até mesmo com uma tour ao lado do poderoso KRISIUN. Aqueles caras são bons amigos nossos, então essa conversa realmente teve início. Eu descreveria ver o GRUESOME ao vivo como uma janela para o passado. Nós tocamos as músicas o mais duro e pesado que nós podemos enquanto mantemos aquele velho espírito e vibração. Sem distorções ou amps fakes sendo usados… somente malditos Marshalls e bateria com dois bumbos… do jeito que isso sempre foi e deve continuar a ser. E o Matt soa tanto como o Chuck que, às vezes, continuo tendo arrepios, especialmente quando tocamos um clássico do DEATH como “Open Casket”.

“Fragments of Psyche” – EP (2017)

“Twisted Prayers” rende seu tributo ao maravilhoso “Spiritual Healing” e foi um trabalho muito fudido. Nós podemos esperar uma evolução natural para a era mais técnica do DEATH agora ?

Gus Rios: Muito obrigado ! Nós já estamos trabalhando em um álbum ao estilo do “Human”, mas nós também estamos olhando para trás e revisitando o estilo mais simples e antigo de tempos em tempos. Você terá que esperar para ver.

Uma pergunta simples e direta. Qual é o seu álbum favorito do DEATH ?

Gus Rios: “Leprosy” … sem pensar duas vezes ! É o meu álbum de death metal favorito também… assim como para toda uma geração inteira. Na minha opinião “Scream Bloody Gore” foi o primeiro verdadeiro disco de death metal, mas “Leprosy” foi o álbum em que eu disse “foda-se, isso não é thrash metal… isso é death fucking metal”.

Vamos falar um pouco sobre a sua carreira como baterista. Quando você decidiu que a bateria era o instrumento certo ? Você chegou a frequentar alguma escola de música ?

Gus Rios: Eu ganhei uma guitarra com 9 anos de idade, que eu tinha que dividir com o meu irmão. Nós dois eventualmente ficamos bons o suficiente para ter nossas próprias guitarras, mas alguém tinha que tocar bateria se fossemos começar uma banda. Eu lembro que a parada com dois bumbos de “Angel of Death” sempre chamou a minha atenção e eu decidi que deveria tentar. Eu eventualmente sentei na bateria de um amigo da escola quando eu tinha 12 anos e o resto é história. Eu ainda amo guitarra e composição, mas NADA nesse mundo me dá o sentimento que eu tenho tocando bateria. Após cinco anos tocando bateria eu comecei a estudar com o grande Dave Culross, então quando ele retornou para Nova York, eu fui sortudo o suficiente para estudar com outra lenda, Sean Reinert. Dave me introduziu na técnica apropriada e eu tive que ajustar em 100% minha técnica, o que não foi fácil. Mas todo aquele treinamento me preparou para o que o Reinert eventualmente me ensinaria… tempos quebrados, jazz, fusion, etc…  Hoje em dia eu sou um músico em tempo integral, tocando de 3 a 5 noites por semana aqui no sul da Flórida em uma variedade de estilos que vão desde o pop/dance até o rock clássico e country. Eu tenho feito isso desde 2002. Além disso eu ensino bateria e guitarra, realizo clínicas de bateria e produção e mixagem em estúdios.

Um dos primeiros shows da banda, em 2015. Foto: divulgação

Eu sei que você toca em outros projetos como o impressionante CREATE TO KILL com outro grande baterista, o Alex Marquez. Isso foi apenas um projeto com lançamento único ou vocês tem planos de gravar outros álbuns ?

Gus Rios: Eu comecei a escrever um segundo álbum, mas agora estou focando no próximo álbum do GRUESOME. Eu irei eventualmente voltar a isso para terminar o segundo álbum do CREATE TO KILL, mas eu quero montar uma banda de verdade onde eu possa tocar guitarra ao vivo… que é um sonho meu.

Bem Gus, foi muito legal conversar com você e trazer mais sobre o GRUESOME para os nossos leitores. O espaço é seu…

Gus Rios: Muito obrigado pelo seu apoio e espero ver vocês em 2020. Let the metal flow !

GRUESOME online:

https://www.facebook.com/gruesomedeathmetal/

https://gruesomedeathmetal.bandcamp.com/

Ouça o último álbum da banda que foi lançado no Brasil pela KILL AGAIN RECORDS:

Mostrar mais

Fabio Brayner

Editor do The Old Coffin Spirit zine e um completo metal maniac desde 1985. Ex-membro de bandas como Sanctifier e As the Shadows Fall.

Veja também...

Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar