Coberturas

GUTTURAL BRUTALITY FEST – São Paulo devastada por expoentes da brutalidade

Espaço Som, 17/02/2019 - São Paulo/SP

Este evento realizado em São Paulo foi realmente devastador, um encontro de três bandas de altíssimo nível e que contra-atacaram com suas mais famigeradas brutalidades. Sim, brutalidade como o próprio nome do evento já diz, a palavra de ordem que foi muito bem entendida e executada com muita maestria.

Apesar de ter sido realizado em um domingo, o público compareceu em peso para prestigiar este evento que com certeza já marcou seu nome na história.

O produtor deste evento e também fundador do selo Guttural Brutality está de parabéns pela ótima organização, o local foi muito bem escolhido com fácil acesso e uma sonorização impecável.

Bom, venho acompanhado todas as informações à respeito deste festival desde quando houve a sua divulgação oficial nas redes sociais e posso dizer que foi algo inédito no Brasil, pois a Guttural Brutality fez dentre várias formas de divulgação um belíssimo hotsite do evento para que todos pudessem conhecer com riqueza de detalhes sobre as bandas e todo festival. Muito profissionalismo e um exemplo a ser seguido.

Ramon Andreas “Behatred”, Foto por Leandro Cherutti

Por volta das 18 horas sobe ao palco a primeira banda a se apresentar, trata-se de uma das bandas mais brutais oriundas de Belém, o Behatred. Esses paraenses vieram com sede sangue, iniciando o evento com seu brutalíssimo Death Metal.

A banda já começou surpreendendo com uma intro caótica que logo foi seguida pela massacrante Blood Stool, um início mais que perfeito para os amantes da brutalidade que ali estavam.

E entre vociferações e riffs destruidores a banda ataca com mais uma música, a violenta Buried Inside e assim para todos que já acompanham a carreira desta ótima banda paraense, todos puderam ouvir o EP “Blood Stool” na íntegra e na ordem exata. Então vieram para completar essa epopeia sangrenta as apresentações das músicas Terrorize e Tomb.

E após apresentar o seu primeiro trabalho na íntegra sob uma performance de tirar o fôlego o Behatred apresenta ao público a faixa divulgada em seu mais novo single Those Who Dominate, lançado pela Guttural Brutality Productions, que quase levou a casa a abaixo levando todos ao êxtase. Daí veio o som, Precession Sothic Cycle uma música técnica e impressionante, um belo final e que nos deixou atentos, pois essa música é inédita e pode ser um anuncio que logo a banda vai nos trazer mais novidades.

Aron Romero “Anarkhon”, Foto por: Leandro Cherutti

Após 15 minutos de intervalo para os preparativos da segunda apresentação deste início de noite, sobe ao palco o Anarkhon. Umas das bandas mais aguardadas deste festival e que apresentando sua nova formação fez o local tremer.

Esse foi um momento histórico de fato, o Anarkhon marca a volta aos palcos depois de um longo hiato de três anos em uma grandiosa apresentação onde o público aguardava com ansiedade por estes monstros do gore.

Uma apresentação com cara de volta as atividades e que vieram com força total, o Aron Romero com sua experiência à frente da banda por anos, conduziu de forma magistral toda a apresentação e instigando o público já completamente cativado com suas intensas interações, sendo assim, uma troca energia muito forte entre a banda e todos os presentes. Uma simbiose arrebatadora.

Como dito acima o Anarkhon apresentou sua nova formação, dois músicos gabaritados, acho que não poderiam haver escolhas melhores. São eles, Kleber (ex-Gestos Grosseiros) e o virtuoso baixista Jean Neves que deu um show assumindo as quatro cordas.

Wellington Backer “Anarkhon”, Foto por: Leandro Cherutti

Na bateria estava lá o membro e fundador da banda Wellington Backer numa performance arrasadora, tive a impressão de vê-lo executar seu instrumento de uma forma mais visceral, mais gana…

Foi uma apresentação que digo com veracidade, impecável, isso mesmo um show onde a banda escolheu um set-list para realmente colocar a casa a baixo iniciando com um clássico de seu primeiro álbum, a música Espetáculo de Horror e Tortura onde víamos boa parte público agitando muito e cantando junto suas atrocidades líricas.

Em seguida e sem tempo pra respirar a banda manda outro som do mesmo álbum, A Dor da Imortal Putrefação. Trazendo a este festival um clima podre e muito doentio… e como já não bastasse e brutalizando ainda mais, a banda traz duas músicas de seu terceiro álbum muito cultuado “Welcome To The Gore Show”, Watching Her Bleed e Rotten Flesh Reanimated apresentando com muita competência uma imundície maravilhosamente bem executadas e demonstrando uma banda que está pronta pra ganhar o mundo.

Quando todos já estamos tomados com toda putrefação que tomou conta daquele ambiente, a banda impiedosamente arranca a cabeça de todos com a muito esperada Execução Fetal, um delírio sádico e violento.

Kleber “Anarkhon”, Foto por: Leandro Cherutti

E continuando com muito vigor a banda agora trouxe para seus fãs duas músicas de seu segundo álbum “Into The Autopsy” são elas Medicinal Slaughter e a aclamada Return To Cum, músicas as quais realmente são destaques em seu segundo álbum, músicas aniquiladoras e apavorantes.

E como uma máquina de guerra esmagando a todos a banda faz uma homenagem a uma extinta banda cujo seus membros estavam presentes, Corporal Sores, tendo a participação de seu vocalista David Ferreira que muito empolgado soltou seu gutural e seus pigs dando um toque ainda mais especial a música. Foi um momento que nos damos conta que foi realmente foda presenciar.

Depois da homenagem feita, o Aron Romero atende a muitos pedidos e traz dessa vez um clima saudosista executando para delírio de todos um clássico absoluto de 1994. Stripped, Raped and Strangled (Cannibal Corpse) que realmente fez absolutamente à todos agitarem muito em um headbaging frenético e todos catarem juntos fazendo um coro ensurdecedor. Incrível!!!

Depois deste êxtase em massa, o público incansável gritava… Satisfação… Satisfação…, eles estavam clamando pela execução de um dos maiores clássicos do Anarkhon, “A volta do Anarkhon não poderia ser melhor…” diz o Aron Romero se referindo a este festival como a melhor oportunidade de marcar a todos com sua volta as atividades.

Jean Neves “Anarkhon”, Foto por: Leandro Cherutti

E continua “Foi quase tão bom… Foi quase tão bom quanto…” e atendendo às centenas de vozes que pediam com fervor por esta música, é anunciado o último som de sua apresentação marcante… “…Foi quase tão bom quanto Costurar um Corpo Retalhado Com Arame Farpado”, fazendo assim uma analogia entre suas palavras e o título da música, Satisfação em Costurar um Corpo Retalhado com Arame Farpado.

Realmente nesta música o público veio ao mais completo delírio, não tinha uma só cabeça que estivesse parada… foi algo tão grandioso que chego a me estender de dizer que foi emocionante ver um dos maiores nomes do Brasil de volta, ali na minha frente… realizando um show muito bem apresentado. No final ficou aquele gostinho de “quero mais”.

Espero muito que nunca mais esta banda pare novamente, são músicos muito talentosos e que sabem fazer Brutal Death Metal calcado no que tem de melhor no estilo, em seu estilo único.

Mais uns 15 minutinhos de pausa para respirar e recompor as energias, afinal o Anarkhon não deixou pedra sobre pedra… ou melhor… esses zumbis contaminaram à todos com sua energia pestilenta.

Rodrigo Fatality Artiga “Kataplexia”, Foto por: Leandro Cherutti

Público devidamente recuperado chega a hora do headliner desse festival, a banda finlandesa formada por membros de El Savador e do Brasil, Kataplexia, isso mesmo e que contou com outro brasileiro assumindo o baixo, o fundador do selo Guttural Brutality David Ferreira.

E eles levaram a palavra de ordem “brutalidade” ao pé da letra, foi um show impressionante. Digo isso por que entre muita técnica e uma performance arrasadora onde o seu baterista Rodrigo “Fatality” Artiga além de comandar ferozmente as baquetas, o cara é o vocalista…

De fato, foi estupendo ver aquele trio destruindo ainda o que restava naquele local. Esse show também apresentou ao publico o novo CD “The Rise Of The Unknown” lançado em nosso país pela Guttural Brutality Productions.

O David Ferreira como session member e junto ao guitarrista Davi Moreira fizeram uma dupla muito sincronizada parecendo até que o David já era membro da banda por muito tempo.

Para quem não sabe o Davi Moreira é o brasileiro pertencente ao Kataplexia e que aqui no Brasil ele fez história com a banda Side Effectz que lançou em 2002 um trabalho muito conceituado intitulado “Traitors Execution”, uma mescla de brutal Death Metal e Grind Core muito bem dosado tornando este álbum ainda muito procurado por todos que amam a música extrema.

Davi Moreira “Kataplexia”, Foto por: Leandro Cherutti

Dadas as premissas cima, é chegada a hora do Kataplexia onde público brasileiro pôde ver de perto sua performance mais que brutal. E pra iniciar seu set-list a banda já começa o massacre que está por vir com Morgue’s Reality música que também nomeia seu primeiro álbum lançado em 2003.

Realmente não poderia ter início melhor, e sob muita interação do público que estava ali muito empolgado, a banda ataca com Profanities Of Artificial Incubation apresentando neste momento toda brutalidade de seu novo álbum, e sendo assim executaram mais duas infames bestialidades de seu novo trabalho, Snared Into Parallel Dimmensions e Unearthly Atrocities.

Trazendo a todo público seus riffs cruéis e vociferações desgraçadas que infestaram o lugar com suas energias e atrocidades, nos mostrando que este álbum está definitivamente devastador.

E com todos e inclusive eu que estava presente nesta celebração brutal e impressionado com as músicas apresentadas, eles voltam no tempo e mandam a violenta Brutal Addiction de seu segundo álbum “Catastrophic Scenes”.  Que na minha opinião foi o ápice desta apresentação, um verdadeiro clássico de sua carreira executada com ódio… era notório que nesta música o público não se aguentou e trouxe o caos ao lugar.

Kataplexia e o público, Foto por: Leandro Cherutti

A banda percebeu que já tinha dilacerado tudo e mesmo assim não houve misericórdia e mandou em seguida Genetic Intervention de seu novo álbum, aniquilando o que ainda restava. Uma sádica e sanguinária epopeia.

Depois de toda destruição e com forte odor cadavérico no ar, O Kataplexia absolutamente cremou o local atacando com a última música do show. Outro clássico de sua carreira que não poderia estar de fora e uma ótima escolha para finalizar sua apresentação em nosso país. Estou falando de Endless Suffering, uma das músicas mais empolgantes de seu terceiro álbum “Supreme Authority”.

Com o lugar reduzido as cinzas, o Guttural Brutality Fest nos deixou já ansiosos pela sua segunda edição. Todos organizadores que estiveram por trás deste evento estão de parabéns, como dito nas primeiras linhas deste review, a organização e a escolha do Espaço Som para sediar o evento foi muito assertivo.

O público que compareceu em peso também estão de parabéns, pela troca de energias devastadoras e que com certeza fez deste festival um belo exemplo demonstrando que com o apoio de todos poderemos presenciar celebrações como esta sempre.

Que venha a segunda edição, a Lucifer Rising com certeza estará lá!!!

Confira a baixo a galeria de fotos da Guttural Brutality Fest: (Clique para ampliar as fotos)

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Luis Lozano

Programador e designer gráfico para a web, com diversos trabalhos realizados com foco na informação e fortalecimento do underground.

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