Entrevistas

HÉIA – Mergulhando na Corrente Tifoniana!

"...eu adentrei na Grandiosa Obra de Kenneth Grant e isso mudou a minha vida e muda cada dia mais".

Numa parceria entre a LUCIFER RISING e a SANGUE FRIO PRODUÇÕES, Hoje conversamos com a goiana HÉIA, que segue trabalhando pesado na divulgação do seu atual álbum “Magnum Opus”.

Para iniciar, agradeço antecipadamente pela entrevista e começo pelo citado material, conte-nos, como foi trabalhar no processo de composição, produção, gravação e lançamento do mesmo?

Místico: Saudações, primeiramente início agradecendo essa grande oportunidade, pois a Lucifer Rising é um portal de maior relevância no Brasil, para as artes negras. Bom, e respondendo à pergunta, eu quis escrever mais um full da horda mas, dessa vez eu quis escrever um álbum conceitual (com um tema só) e também, que fosse todo escrito na língua inglesa. O conceito inicial era Thelema, mas houve uma transformação e o compendio fez uma imersão a Tradição Tiphoniana de Kenneth Grant e Aleister Crowley e outros autores que iniciaram na década de 50. As gravações e as mixagens foram feitas em Goiânia no Phantom Estúdio, e para o lançamento foram feitas parcerias entre vários selos, para todos os formatos, CD – vinil LP e tape cassete.

Vimos que muitas resenhas vêm ‘pipocando’ nas redes sociais. Para a horda, como vem sendo a recepção da imprensa e público acerca deste álbum?

Místico: Eu estou muito satisfeito com esse lançamento, mesmo tendo sido feito no meio da pandemia do corona vírus (falo porque: Atrapalhou muito na distribuição) mas mesmo assim o resultado para mim está sendo positivo.

Magnum Opus” marca uma grande evolução musical da horda, quais a principais influências para compor este trabalho?

Místico: Excelente pergunta, e obrigado pelo elogio, evoluir com certeza é algo que sempre busco trazer nos discos, seja ela técnica ou ideológica. Para compor esse disco; além das referências literárias citadas acima eu ouço muito bandas como: Creptum, Watain, Grave Desecrator, Nargaroth, Azaghal, The Kryptik, Khaotic e muitas outras…

Aproveitando a pergunta anterior, vemos que desde o início a HÉIA tem como base lírica interessantes estudos místicos e neste álbum não foi diferente. Como foi trabalhar na parte de composição das letras, e em quais estudos você se aprofundou para compor este material?

Místico: Excelente pergunta, para escrever o disco, a proposta inicial era a Thelema de Aleister Crowley, e percorrendo toda a sua vida mística, eu percebi que o legado que ele deixou era mais rico, e quem melhor para falar do Legado de Aleister Crowley do que o grande escritor Kenneth Grant, então eu, me aprofundei nas pesquisas de Kenneth Grant de 1955 a 1970 que foi quando ele fundou a Corrente Tifoniana.

Aproveitando o assunto, qual a relação da HÉIA com o Mahavakyaratnamala? *

Místico: Eu, sou um buscador das artes negras, um investigador, estou sempre lendo e pegando novas referências bibliográficas além da tradição tifoniana, thelema e OTO. Você está perguntado sobre Bhagavan Sri Râmana Mahârshi, mestre de Advaita Vedanta um homem dito como “santo” do sul da Índia. Considerado um dos maiores sábios de todos os tempos. No período de 1953 a 1961 – Kenneth grant se tornou um seguidor de Bhagavan. Agora a pergunta é sobre o Mahavakyaratnamala certo?

Eu, Místico Cultos minha é relação é apenas de pesquisador, investigador, para escrever o disco Magnum Opus eu adentrei na grandiosa Obra de Kenneth Grant e isso mudou a minha vida e muda cada dia mais.

Atravessamos um momento em que se parou literalmente TUDO, como foi para a banda lançar um álbum em meio a essa pandemia? Acreditam que a falta de shows pode ser um aspecto negativo na hora de divulgar melhor esse álbum?

Místico: Isso, atrapalhou bastante a banda, não só em shows, mas na distribuição do disco, vários países que iam distribuir o disco; seja em CD ou vinil ou fita cassete, estão fechados para o Brasil até hoje, não podemos enviar e nem podemos receber, apenas conseguimos enviar para um número pequeno de países como: EUA, Holanda, Romênia, Itália, Polônia, Rússia voltou tem menos de um mês, enfim atrapalhou bastante a distribuição.

A horda acredita que um álbum tão bem recebido e elogiado como este merece um videoclipe? Se sim, há alguma previsão de lançamento de um trabalho neste sentido?

Místico: Olha eu pensei nisso várias vezes e cheguei a escolher a música para compor esse vídeo clipe, mas como estamos até hoje cercados por essa pandemia insuportável, eu decidi escrever outro disco, então não vai haver vídeoclipe.

Sigilo.

Em algum momento os shows voltarão, certo? Quais os planos da banda neste sentido, já focar em novas músicas ou aguardar tudo isso passar para que uma turnê seja executada? Aproveitando, há contatos em vista para uma turnê pela Europa?

Místico: Bom, vamos gravar outro disco, e sobre turnês, antes da pandemia eu já estava negociando e retornei as negociações para uma futura turnê, e com certeza, assim que voltarem as atividades nós já vamos anunciar.

Para não passar em branco, fale um pouco sobre a atual formação, como está sendo trabalhar com Sanatas (contrabaixo e backing vocal) e Flavio (bateria)?

Místico: Muito bom, eu adoro trabalhar com eles, a gente se dá muito bem, fizemos uma turnê inteira juntos e ninguém matou ninguém (risos) o que significa que vamos ficar um bom tempo tocando juntos isso param mim é muito bom, porque eu detesto troca de integrantes (procurar novo integrante, passar as músicas, isso é um saco).

Fale um pouco mais aos nossos leitores, como eles podem adquirir “Magnum Opus” e em quais formatos e valores estão disponíveis.

Místico: Muito bom, para adquirir Magnum Opus e outros discos da horda disponíveis, podem procurar a horda nas redes sociais (facebook, Instagram e you tube) que sou eu mesmo que respondo e também temos a acessória de imprensa a Sangue frio prod. É só buscar no google que tem o site por lá também você encontra as páginas da horda. Ainda temos disponíveis Vinil lp, Cd e tape cassete.

Vinil LP – R$ 80,00

CD – R$ 20,00

Fita cassete – RS 20,00

Uma pergunta básica, mas que particularmente acho fundamental, quando o nome não é óbvio demais. O nome da horda tem algum relacionamento com “o feminino” e o “conhecimento”, estou certo? Explique-nos melhor este conceito. * 

Místico: Você está correto, o ocultismo sempre me atraiu, e quando eu montei a banda em 1.999 eu escolhi esse nome. Héia é uma entidade Feminina, é umas das Mães primordiais, a senhora das 7 estrelas do norte, está presente em todas as culturas antigas que forjaram toda a humanidade, ou seja, é uma presença universal. Na aurora da humanidade o papel masculino na reprodução é desconhecido, toda a fertilidade é associada ao feminino, então as divindades primordiais são todas femininas. Em um certo período da História a necessidade do masculino na reprodução foi identificada e as divindades masculinas começaram a figurar. E a adoração ao masculino superou o feminino, e o feminino passou a ser demonizado. Então esse Kulto mais antigo é o que Kenneth Grant chama de Corrente Tifoniana. Os seguidores da corrente Tifoniana passaram a ser vistos como opositores

O termo Tifoniano: Implica na expansão da consciência além dos níveis normais de percepção.

Em 2019 a HÉIA fez 6 apresentações na Bolívia, onde foi registrado em CD no “Maldicíon de la Serpiente – Live in Cochabamba“. Conte nos um pouco dessa turnê em solo boliviano. Alguma curiosidade em especial? *

Místico: Muito bom, adoramos ter feito essa turnê, foi a primeira da banda fora do Brasil, o país é muito bonito e a cultura deles é intrigante, apesar de ser do lado do brasil (faz fronteira) mas, não tem nada a ver com o Brasil. Aa bandas são muito brutais, e os headbangers são radicais dá até para comparar com o radicalismo do Brasil na década de 90 daquele tipo. E na Bolívia não tem fábrica de CD, então as bandas lá, só lançam Tape cassete, algumas maiores prensam CD no Peru ou no Brasil (que é onde tem fábrica de CD) e pouquíssimas fazem Vinil LP.

Muitas bandas/hordas, faz algum tempo, que expandiram sua divulgação além dos CD’s, LP’s, cassetes e camisas. Hoje vemos um merchandising completo com bolsas, chaveiros, shape de skates, tênis, sandália… o que você acha sobre o assunto? *

Místico: Olha, a gente vê, muita coisa relacionada, até mesmo café, vinho, cerveja, nós mesmo já lançamos bolsa feminina e tal. Acho interessante, mas quase não tem saída. Tanto que quando fizemos a bolsa (saiu muito pouco), se não me engano tenho até hoje aqui, então assim eu não vi vantagem nesse tipo de investimento, prefiro realmente investir em qualidade de gravação e em prensagem como por exemplo o vinil LP.

Mas e em termos ideológicos? Muitas vezes esse merchandising excessivo é bem criticado, principalmente por quem faz Black Metal. O que acham? *

Místico: É quando a banda é pequena, bandas como Blasphemy, Beherit e Marduk ninguém fala nada e ainda compra.

Desde já agradeço pela entrevista, deixamos este espaço para as considerações finais.

Místico: Muito obrigado pela oportunidade, a Lucífer Rising é o portal de Maior relevância para Cena Negra underground nacional é com certeza uma grande honra participar dessa entrevista.

Obrigado a todos que apoiam a horda.

“Visita Interiora Terrae, Rectificando, Invenies Occultum Lapidem”

(*) Perguntas por: Giovan Dias

Confiram ‘Liber Qoph Vel Hecate’ , faixa que está no novo álbum:

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Giovan Dias

Editor do The Glory Of Pagan Fire Zine, trabalho iniciado ainda na década de 90, voltado ao Black, Death, Doom Metal.

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