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HEILUNG – Futha

Season Of Mist (Importado)

Eu tenho uma relação muito especial com o Heilung. Normalmente ele é a segunda opção quando estamos conhecendo o estilo. Normalmente você começa ouvindo Wardruna e ele vem como consequência.

Heilung
Foto: Divulgação

Quando conheci o Heilung eu fiquei maravilhado. Quais as razões? Vamos lá: A genialidade, a criatividade, o apelo ancestral a originalidade dos sons antigos, bárbaros, celtas e vikings. Um paganismo da ordem do dia, mas principalmente pela mescla do imemorial e do moderno.

Heilung no Extramuralhas 2018 © Gil de Lemos
Heilung no festival Extramuralhas em Leiria a 23 de Agosto de 2018. © Gil de Lemos

O presente álbum “Futha” adquiri desde a pré-venda, eis meu grau de ansiedade, então após ouvi-lo todos os dias durante uma semana posso fazer a review. São 09 faixas ritualísticas. Bem demarcadas. A abertura do álbum parece te por cara a cara com um lobo. As vezes e o rugido do animal vão estremecer seu lar. Estou falando da sinistra e tensa “Galgaldr”, prepare-se para ser chamado pelas trombetas Vikings, a cada entoar dela você irá agarrar seu martelo de Thor em volta do pescoço – isso mesmo, sei que como eu, você também o usa -, não é pouco pedir auxílio aos deuses para a devida compreensão de algo ancestral.

É um ritual e ele vai te atrair para as profundezas do culto aos deuses. Há uma energia primitiva que é evocada e os sons da natureza não são apenas efeitos, são parte integrantes e senão, a parte mais importante do álbum. A tecnologia permite a mescla de vozes alucinantes, demonstrando transe, transe profundo. Christopher Juul é um gênio por trás dos arranjos e de toda maestria ancestral vivificada aqui.

“Norupo” traz a voz linda de Maria, muito amor por esta voz. Hipnótica, ela e a voz de Kai Uwe Faust se mesclam. Kai é muito intenso. Sua vocalização vai muito além de muitos cantores de Heavy Metal. O ponto chave aqui são as vozes. Faixa incrível.

Em “Othan” temos um acervo tribal, interligado à natureza. A batida aqui é um complemento harmônico à estética visual com certeza. Ao vivo deve ser impressionante. Muitos tambores tribais e muita cultura trazida à tona com um coral fenomenal de arrepiar!

Heilung no Extramuralhas 2018 © Gil de Lemos
Heilung no festival Extramuralhas em Leiria a 23 de Agosto de 2018. © Gil de Lemos

Eu fiz uma postagem aqui no portal sobre a premiere de “Traust”, então ela é nossa conhecida. Não tenho dúvidas que  Brági, deus nórdico da sabedoria, da poesia e da música, conduziu a banda para que se encontrassem. Cada música é um tributo aos deuses. A faixa Traust me trouxe lágrimas aos olhos, desde a primeira vez que a ouvi, não vou mentir. O primeiro e o último verso são encantos mágicos de “Merseburg ” e cada estrofe seguinte evoca um entidade  imaterial. “Traust”, é “Confiança”.

“Vapnatak” é ofegante. Uma batalha é o background seguido de uma oração feita, falada. São 4 minutos de preparação para o grito visceral de guerra de “Svanrand” e mais uma vez temos vozes e sons tribais, instrumentos ancestrais que soam incríveis e nos deixam órfãos das imagens que evocam. Se você ainda não viu uma performance do Heilung, você não entende o quão forte é o apelo visual das letras cantadas. O dito entra em sintonia com o visto.

Em “Elivagar” temos um ar lupino. Há uma evocação. Há um dessabor no ar. A faixa é uma consulta aos que podem ver além e prever batalhas, ver o futuro, rever o passado e ensinar os guerreiros. Ela abre para a mais eletrônica do álbum: “Elddansurin”, batida viciante e marcante. Looping de palavras, um cântico? é o que nos sugere o arranjo e o frenesi que a faixa proporciona.~e nunca ouviu Heilung.

O encerramento é feito com “Hamrer Hippyer” de treze minutos. Aqui temos uma faixa ideal se você nunca ouviu Heilung. Há tecnologia, mas há tambores tribais. Aos poucos a faixa se abre e revela corais ao longo da névoa. As embarcações Vikings vão navegando intensas até que o looping vocálico se aposse de nossas almas e nos conduzam a um transe … quando achamos que nos acostumamos com a batida, temos a harmonia típica dos canticos vikings e celtas. Uma obra de arte sonora.

Você tem que deixar a música entrar, fazer parte de você. Há algo ancestral e primal em todos nós. Conecte-se, resgate-se em meio aos deuses e a natureza. Mais uma vez, renasça como seus ancestrais.

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Nota: 10/10

 

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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