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HELL ABYSS – Unguent Sabbati (Advanced)

Covil Records\Necro Terrorist Org (Nacional)

A quantidade de paixão pelo que se faz, não importando do que se trate é o que separa algo com individualidade de algo mecânico, algo sensacional e imperecível de algo medíocre e esquecível.  Não importa o apoio que o mundo te dê, se aquilo que você se propõe a fazer for apaixonadamente uma parte de sua alma, então com certeza você continuará marchando em triunfo muito depois do mundo inteiro ter sucumbido e restar apenas cinzas ao seu redor.  Formado em 2017 no Paraná o Power trio HELL ABYSS com certeza se mostra uma entidade cheia de paixão demoníaca e um com um inesgotável fogo infernal queimando em suas composições. Em apenas quatro anos a banda já lançou duas demos e chega agora em 2021 a seu segundo álbum , o sensacional “Unguent Sabbati” que sucede o não menos brilhante “Tregenda” de 2019. Desde o principio da banda tenho observado com atenção a criatividade desses caras  e ficava me questionando o porquê da mesma não estar tendo a devida atenção de selos, da mídia especializada e sobretudo dos metalheads brasileiros, principalmente de muitos hipócritas que ficam bradando aos quatro ventos que devemos apoiar o Metal nacional, mas não reconhecem o verdadeiro valor de várias coisas preciosas que temos em nossa cena, como é o caso aqui, e preferem puxar o saco de porcarias de qualidade questionável apenas para seguir o eco das massas manobráveis….. Enfim, se você curte um Black Metal blasfemo e sem frescuras, que bebe de fontes primitivas como Hellhammer, Celtic Frost, Venom e Bathory e se encharca naquela atmosfera Speed\Thrash antiga vai se embriagar totalmente na sonoridade excruciante do HELL ABYSS .  Os destaques do álbum pra mim são as faixas  “Under Black Wings” que abre o álbum após a tétrica intro “Witchenchantment” e sintetiza de forma perfeita os principais elementos que você vai encontrar no álbum, ou seja, riffs de guitarra cortantes, impregnados de feeling e diretos,um vocal vomitado que parece querer regurgitar todas as pragas da criação sobre a Terra, um baixo acertadamente um pouquinho à frente na mixagem e que cai com o peso de uma marreta sobre sua cabeça, que esconde algumas nuances em seus arranjos que você precisará estar atento para sacar, algo  que eu achei formidável e uma bateria com algumas “soluções criativas inesperadas” que fogem da mesmice e mesmo sem inventar a roda conseguiu trazer algo de interessante e novo a meus ouvidos;  a sequência com “Satanic Mass” também merece uma atenção com sua introdução tirada da homônima “Missa Negra” (Satanic Mass no original em inglês) da Church Of Satan de Anton LaVey e que possui alguns momentos com uma pegada que beira ao Heavy Metal mais old school. Essa sensação só se intensifica na instrumental “Hellhorders March” que possui alguns momentos puramente Speed Metal e é a melhor faixa do álbum em minha opinião pessoal ; essa faixa se inicia com uma levada de bateria  insana, totalmente” fora da caixa” e aqui tenho que cumprimentar  o baterista Veigrodys Lomenik pela inventividade.  Continuamos com “Sadistic Sacred Whore” que traz o melhor trabalho vocal de toda a obra ; “Goatblood Baptism” e a faixa titulo “Unguent Sabbati” que possuem os dois melhores riffs desse trabalho sendo a primeira mencionada o riff de abertura e a ultima coincidentemente o riff que fecha a composição.  O álbum se encerra com a outro “Tregenda” que nada mais é que uma versão estendida  de uma faixa homônima  usada como intro no álbum anterior. A produção está perfeita com uma atmosfera totalmente orgânica e cheia de arestas como esse tipo de som realmente deve soar e a arte da capa a cargo de  Emerson Maia também caiu como uma luva na proposta da banda. Tenho que dar  os parabéns à parceria entre os selos “Covil Records” e “Necro Terrorist Org” por terem a visão afiadas e enxergarem ouro onde muitos não viram. Tenho certeza  que ainda ouviremos  falar muito do HELL ABYSS.  Ouçam os links abaixo, adquiram e flagelem impiedosamente os ouvidos dos vizinhos  no volume máximo.

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Juliano Bonacini

Tecladista e letrista da LoneHunter (Death Metal), historiador e editor do Crypt of Eternity - fanzine da década de 90.

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