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HOLOCAUSTO – Diário de Guerra

Nuclear War Now! Productions (Importado)

Os amigos da Nuclear War Now! Productions me enviaram algo que eu fiquei de queixo caído. Sim, Holocausto, banda histórica nacional que ditou a cena extrema do Brasil a partir do seu Bunker em Belo Horizonte, então pronto para esse lançamento em 31/07/2019? Tive acesso exclusivo e não posso deixar de mandar essa resenha pra você sofrer 30 dias aguardando, criatura ansiosa.

O Holocausto estava entre as primeiras bandas de metal extremo a se formar em Belo Horizonte, uma cidade hoje reconhecida por gerar um dos mais importantes estilos regionais de metal extremo. Juntamente com o Sepultura, o Sarcófago, o Mutilator e um punhado de outras bandas, o Holocausto tocou uma linha de deathrash particularmente sinistra (ou deathcore, como costumava dizer em 1987), que, devido à vantagem maligna que exibia, é agora considerado como uma expressão inicial do então emergente movimento black metal.

Holocausto era indiscutivelmente o mais primitivo do grupo formado na época, com riffs imprudentes equilibrados à beira do abandono, mantidos juntos por pura intensidade feroz e agressividade sem medidas. O Holocausto se destacou de seus pares devido à fascinação da banda com temas relacionados às atrocidades da guerra e um som perfeitamente adequado ao assunto.

Depois de lançar seu clássico de estreia, Campo de Extermínio, o som do Holocausto mudou drasticamente. Liderado por Rodrigo Führer, e não mais tocando o mesmo estilo frenético e primitivo, o Holocausto mudou para um som convencional de thrash metal para seu segundo álbum antes de entrar no metal mais polido, técnico e até influenciado industrialmente no início dos anos 90. A produção do Holocausto desde então tem sido esporádica, mas ao longo dos anos, o Campo de Extermínio reteve seu poder, assumindo um lugar de direito no cânone do metal extremo brasileiro.

Em 2016, a formação original do Warfare Noise da banda reuniu-se para ressuscitar o seu antigo som para o inesperado e soberbo álbum War Metal Massacre. A demo de Guerra Total do ano passado, com a mesma formação do Campo de Extermínio, não foi nada menos do que surpreendente. Holocausto provou que é possível para uma banda recuperar a intensidade juvenil de suas gravações anteriores depois de se afastar do som original, um feito que quase nenhuma banda conseguiu realizar.

Com o Diário de Guerra, Holocausto produziu indiscutivelmente o melhor álbum deathcore / black metal brasileiro em cerca de 30 anos. É uma exploração vingativa e violenta do horror humano. O som cru de arame farpado do violão de Valério Exterminator está enrolado na fúria do baixo e da bateria, entregues por Anderson Guerrilheiro (Insulter) e Armando Nuclear Soldier (Insulter, Mutilator e Sarcófago). O álbum é implacável, cada riff é uma explosão selvagem, cada música é um ataque inabalável.

Dirigindo o ataque estão os vocais de Rodrigo Führer, cujos rosnados ditatoriais rosnados acentuam as tendências misantrópicas da banda. De acordo com o som clássico do Holocausto, as músicas aqui são irrestritas e, às vezes, parecem ser capazes de voar fora dos trilhos, mas a banda sempre consegue aproveitar o caos e a cacofonia de uma maneira que é essencialmente brasileira.

Após uma intro, temos “Holocausto” uma pancada crua e seca que vai agredir aos mais sensíveis. O peso da guerra se fz sentir. Muito peso e intensidade. Quando ouvimos “Refugiados: Solução Final” entendemos porque o holocausto é tão adorado. A música parece explodir, tem umas viradas e contratempos que darão torcicolo ao ouvinte. Curti muito os contratempos de compasso. Coisa brasileira que impressiona.

“Zona de Conflito (Faixa de Gaza” vai  fazer Gaza parecer pacífica. Há zumbidos de tiros cortando os acordes. A guerra vai vir para dentro da sua casa e puta que pariu que guitarras e bateria intensas.

“Guerra Total Apocalipse” é bem Death Metal, aqui me lembrou os anos iniciais do Sodom, um pouco da batida do Hypocrisy. Aqui o barulho reina, a cacofonia tem ritmo e temos um despejar pegajoso que nos faz pensar nos horrores da guerra.

A pancada segue em “Símbolos da Discórdia”. Muito anos 80, as guitarras muito Thrash Metal, muita intensidade e muita frieza quebradas por contratempos avassaladores que dão um ar ainda mais intenso e intrincado a progressão.

A faixa título chega com suas guitarras cortantes como bisturis afiados que vão limar seus ouvidos. Estou falando de “Diário de Guerra” que ilustra muito bem a formação atual e parece que cada um arrumou um espaço para demonstrar o quão foda são. A música é muito boa e pude visualizar diversos pits se abrindo em meio ao público e a pancadaria comendo solta com direito a moshs. Essa faixa me ganhou. A ouvi 5x antes de escrever é muito intensa.

“Prisioneiro” gira em torno do cárcere e quão claustrofóbica é a música e os vocais do Führer. Prisioneiros de guerra, prisioneiros de uma guerra mental que vai além das barras e grades. Aula de Thrash/Death com os brazucas caralho!! Muito bom!

A bateria no melhor estilo Slayer abre “Ocupação Hostil”, Anos 80 com riffs que cortam os anos 90 e chegam a albuns como Devine Intervention? Sim, eu achei bem intenso, algo nas guitarras que o Kreator facilmente fez ao lingo de sua carreira e me impressionou muito.

A pancadaria e o terror da guerra chega ao final com a faixa Pelotão da Morte e sua narração cruel interrompida por um deathcore intenso e brutal. A banda é cruel e quando parece que eles não tem controle da música os contratempos nos fazem calar e o que temos é uma aula de metal extremo.

Estou impressionado. Vale a pena conferir os soldados da guerra e entoar os hinos hostis de violência e domínio.Você não vai digerir este álbum fácil, como a guerra, ele vai descer torto pela sua garganta.

NOTA: 10/10

 

Bandcamp pra você curtir:
http://nuclearwarnowproductions.bandcamp.com/album/di-rio-de-guerra 

Mais Informações:
www.nwnprod.com
www.facebook.com/pages/Nuclear-War-Now-Productions/114864651994141

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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