Entrevistas

HUMAN ATROCITY – O pesadelo atroz da existência humana!

"...mais puro e ancestral Death Metal."

O Human Atrocity é uma banda de Death Metal clássico formada em Brasília-DF no ano de 2014. Não obstante a pouca idade de banda, seus membros fundadores são veteranos de mais de 30 anos de atividades no underground extremo! Já no ano em que a banda se formou foi lançada a demo ‘’Crowded Tombs’’ que obteve ótima aceitação na cena. Em 2018 o Human Atrocity fez parte do cast de um dos mais respeitados festivais extremos do Brasil, o Setembro Negro, realizado em São Paulo.
Agora em 2019, com nova formação, a banda segue focada para lançar seu debut álbum, trazendo o que há de mais pútrido e corrosivo no âmbito humano sob a forma de um Death Metal embasado na escola clássica do estilo! Tive a oportunidade de bater mais um papo com meu hermano argentino, radicalizado no Brasil, Hernan Campos di Giralomo, que nos contou sobre tudo o que abarca o universo do Human Atrocity.

Hernan Sepulchral Voice, Foto por: Divulgação

Salve hermano Hernan! É uma honra falar contigo novamente! O Human Atrocity inicia 2019 com a formação estabilizada em um trio, tendo você como guitarrista, sua esposa Renata (Ex- Homicídio, ex-Valhalla) na bateria e o ex- Eminent Shadow, Rafael, no baixo e vocal, certo? Temos a probabilidade de conferir o lançamento sucessor da primeira demo ‘’Crowded Tombs’’ de 2015, gravada ainda com a formação original da banda que contava ainda com a ex-Valhalla e Eminent Shadow Andreia Tormentor nos vocais?

Hernan – Salve hermano , a honra é nossa (mais uma vez) Tiago. A respeito disso , está certo , só que o Rafael é o vocalista, de momento estamos sem baixista . Mas gostei disso, se o Rafa levasse o vocal e também o baixo, seria perfeito, pois gostamos da ideia de power trio .
Até conseguirmos um baixista, estamos ensaiando só nos três, mas se tivermos algum show pela frente, podemos contar (como já aconteceu no passado ), com a ajuda do nosso amigo David (Nightmare Slaughter).
De fato já estamos começando os preparativos para a gravação do nosso tão esperado primeiro álbum, muito aguardado principalmente pela própria banda e também por muitíssimos headbangers do Brasil e mundo afora, sem exagero .

No ano passado a banda estreou no palco a nova formação no altamente conceituado festival paulistano Setembro Negro, que terá esse ano sua melhor e avassaladora edição com 3 dias. Nos conte como foi aquela lendária apresentação, se o convite os surpreendeu devido ao relativo tempo curto de existência da banda. Para 2019 há alguma coisa planejada, agendada no quesito shows ou irão concentrar esforços para gravaram um material novo?

Renata Death, Foto por: Divulgação

Hernan – Após a saída de alguns integrantes, em 2017, a banda ficou apenas com dois membros, a Renata e eu . Tomamos a decisão de continuar apesar de todas as dificuldades, pois foi um período bem difícil, com enormes dificuldades pessoais. Mesmo assim tocamos o foda-se e continuamos em frente . Em Janeiro de 2018, convocamos o Rafael e ele aceitou imediatamente o convite para ser parte da nova formação como vocalista. Já em Fevereiro, recebemos o convite para sermos parte da volta do Setembro Negro, produzido pelo Edu (Nervo Chaos) da Tumba Produções. Aliás foi ele pessoalmente, que se contatou com a gente. Mas quem deu a ideia de chamar o H.A. foi o Roman Hödl, quem organiza, ou está envolvido na organização do Eindhoven e outros festivais monstros lá fora . Ele conheceu a banda em 2015, época em que ele “trouxe” o Asphyx em sua turnê latino-americana e com os quais tivemos a honra de dividir palco aqui em Brasília.  A surpresa foi enorme sim, até hoje estamos em êxtase. Mas depois de vários anos de luta constante, acreditamos que tivemos o merecido reconhecimento, apesar sim , de nossa relativa curta existência .
Ver o nosso nome ao lado de monstros como Purgatory, Razor, Enthroned,  At The Gates,  Aeternus e outros, assim como as bandas brasileiras, nossos brothers do Decomposed God, Infested Blood,  Amen Corner, rever amigos, conhecer outros, além de sermos tratados com um profissionalismo e um respeito incrível por parte da organização. O Human Atrocity deu tudo no palco e todos os presente o notaram. Foram oito meses de preparação. Quero mencionar que o David, entrou na banda apenas dois meses antes do show, pra dar uma força no baixo. Contudo a gente conseguiu representar o Distrito Federal de forma absolutamente à altura do acontecimento. Ficamos muito satisfeitos com tudo, foi muito marcante, pra vida toda . O Setembro Negro é de um nível de organização, como nunca tinha visto antes, obrigado ao Edu, Silvana Borba e todos os envolvidos.
No momento não temos shows em vista, como bem você citou, os esforços estão voltados totalmente pra gravação do álbum. Deste  posso te adiantar o título: ‘’The Black Wings Of Misfortune” que contará com a regravação de duas músicas da demo e 5 músicas inéditas, do mais puro e ancestral Death Metal .

A banda já é bem conhecida do público brasileiro, te aparecido em zines em possui alguns shows no currículo. Para o próximo lançamento do Human Atrocity há acertado o lançamento através de um selo ou um coletivo de selos? Receberam alguma proposta nesse sentido?

Rafael, Foto por: Divulgação

Hernan – Sim, já tocamos em vários shows e dividimos palco com bandas nacionais (vocês são foda ) e de fora. Temos aparecido em vários zines de respeito: Necrosis (BA),  Akkeldama (GO), Pagan Vastlands (DF), The Old Coffin Spirit (DF), Blasphemer(GO) e vários outros que escapam a minha memória decrépita . Olha a coisa toda esta só começando, pretendemos primeiro , gravar o material e depois ver o que faremos, se lançamos de novo em forma independente, ou por algum selo ou selos, mas respondendo pontualmente a sua pergunta, até agora não recebemos nenhuma proposta.

O som da banda traz aquela atmosfera obscura do Old Schol Death Metal à lá Bolt Thrower, Massacre e o antigo Death que é uma de suas (Hernan) principais influências! Digo isso comparativamente a debut demo. Agora com  a nova formação houve alguma mudança, evolução na forma de compor?
Falando sobre essa paixão pelo tradicional Death Metal quais seriam as bandas clássicas que ajudaram a moldar o som do Human Atrocity?

Hernan – Exatamente Tiago! Isso perdura ainda, desde o começo da banda . Quanto a se houve mudanças, posso dizer que sim, absolutamente. Mas não na forma de compor em si, mas no sentido que agora a coisa flui mais naturalmente, com pensamentos mais claros, com participação de todos os 3 integrantes.  O Rafael,  não tem tempo ruim e nem a Renata. Eles criticam tanto quanto respeitam, então os três, funcionamos como um todo, tudo se encaixa no lugar certo e isso é o que entendemos como evolução. Vou resumir pois não seria possível falar de todas as bandas que nos moldaram, mas vou colocar assim : 80s, 90s, Death, Thrash, Black, Heavy Metal e, também as bandas precursoras dos anos 70. Isso é basicamente o nosso DNA .

Você Hernan é natural da Argentina e vive no Brasil há alguns anos. Como se deu sua vinda para cá e como foi o seu entrosamento com a cena underground local, à ponto de formar uma banda de Death Metal no país? Lá na Argentina durante os anos de sua formação como headbanger você chegou a tocar em alguma banda ou manter algum projeto relacionado com o underground? Como era a cena argentina na sua época? E hoje? Você mantém contatos com bandas de lá? O que nos destaca sobre o metal de seu país natal?

2015 – Crowded Tombs “Demo”

Hernan – Eu vim pela primeira vez ao Brasil  em julho de 2012, quando rolou o Avalanche Metal Fest em São Paulo e que contou com o Incantation, Immolation e uma porrada de bandas do Brasil. Eu vim por convite da Renata, a qual eu já conhecia de antes  e já tinha me visitado na  Argentina. Na minha estadia em 2012, conheci muitas pessoas as quais são meus amigos até hoje. Fui muito bem recebido aqui em Brasília e posteriormente em outros lugares. O Death Metal é o responsável direto disso tudo, foi isso que me fez conhecer a Renata e me colocou onde hoje estou, não em um sentido de arrogância, mas no sentido de ter conseguido me radicar no Brasil, ser parte da banda e aportar um pequeno grão de areia. O lance de formar o Human Atrocity  veio da ideia da Renata,  em finais de 2013. Fui convidado a ser parte disso, até hoje, podendo dizer que sou membro fundador junto com ela .
Na Argentina tive pequenos projetos que não deram certo. Meu começo dentro do Metal veio graças aos meus irmãos de sangue Gustavo e Marcelo. Eles foram, junto com outros maníacs, os primeiros a começar uma cena metálica na minha cidade, Rosario, lá pelos anos 1982/83. Daí vem a minha raiz, a qual começa a crescer em 1986 .  A pesar do fato que nos anos 90 o Metal começou a virar moda para alguns, existia uma cena verdadeiramente underground, formada por aqueles que começaram tudo e aqueles que seguiam seus passos até hoje, longa vida aos fortes!  Hoje tem muita banda na Argentina, umas boas, outras ruins, umas reais, outra falsas. Mas no contexto geral é uma cena bem ativa. Destaque para os headbangers que deram início a tudo em Rosario, Buenos Aires, Córdoba e outras regiões do país e para as bandas que tiveram firmeza em aguentar preconceito, rejeição, as pauladas da polícia, as dificuldades para conseguir material, instrumentos, lugares para gravar, para organizar shows. Tem bandas excelentes na Argentina, vou nomear algumas que existem e outras já não: Vulvacult, Enterrado Vivo, Samas, Metallian, Avigorpaimon, Black Funeral, Dislepsya, Blood Fiend, Absemia, War Pestilence, Carnal Scum, Devastacion, Vomit of Doom, Infernal Curse, Mental Distortion, Necropolis, Sadistic Kill, Fibroma,  Vibrion, Black Vul Desruktor,  Belets Curse, Óbito . . .

Quem escreve as letras do Human Atrocity? Sobre o que elas tratam? As letras são escritas antes ou depois dos riffs?

Human Atrocity ao vivo no Festival Setembro Negro/2018, Foto por: Divulgação

Hernan – As letras foram escritas pela Renata no começo e depois por mim. Agora estamos colocando bateria e vocais na última música nova (que estará inclusa no álbum ). Desta vez é o Rafael que está criando a letra, com a intenção de continuarmos com o fluxo criativo e deixar o nosso mais novo integrante  mais a vontade dentro da banda.  As letras das músicas do H.A.  tratam de tudo que tem a ver com o lado perverso, escuro e macabro do ser humano. Tratamos temas como assassinos seriais, tortura, mutilação, morte,  genocídio, psicopatas, guerra, hipocrisia, mentira, controle . . . as atrocidades que o ser humano comete, consciente ou inconscientemente!. Mas nada do que falamos é invenção de nossa mente, é só olhar em volta e está tudo aí, e isso fica plasmado em nossas letras e músicas. Geralmente os riffs são criados antes da letra, fica mais fácil pra encaixar o vocal e contar uma história que tenha coerência .

Em vossa debut demo vocês trabalharam com o excelente artista Rubens Snitram, que inclusive também criou vosso logo. Ele tem no currículo ótimos trabalhos para bandas como Spell Forest e Vulturine. Essa parceria deve continuar no próximo lançamento ou planejam algo novo nesse aspecto gráfico?

Hernan – Bom o Rubens além de ser um excelente artista, é nosso amigo. Ele vive submerso em suas artes e estudos. Ele foi informado de nossas intenções de gravar material novo  e de nossa enorme vontade de que seja ele quem faça a arte de capa e tudo mais . Esperamos que tudo aconteça segundo o planejado .

Fique à vontade para falar sobre o planejamento da banda para o ano de 2019…

Human Atrocity ao vivo no Festival Setembro Negro/2018, Foto por: Divulgação

Hernan – Bom, os planos para esse anno bastardo de 2019 já estão em andamento desde 2018.  Ajeitar tudo pra gravação, pensar nos arranjos e modificações finais e lançar um álbum fiel ao Death Metal  que nos deixe satisfeitos e que seja o ponto de partida desta nova e insana etapa.  Aguardem  uma chuva de glóbulos vermelhos, a 666 rpm que vai estourar nos seus tímpanos aaaarrrrggggh -l-
Se tivermos algum convite para tocar ao vivo, provavelmente toparíamos, é sempre bom tocar ao vivo .

Muito obrigado velho amigo Hernan! O espaço é livre para finalizar essa entrevista e deixar sua mensagem para os leitores do Portal Lucifer Rising! 

Hernan – Primeiramente agradecer a você Tiago, velho amigo, muito obrigado mesmo.  Ao portal Lúcifer Rising, por abrir este espaço de vital importância  para as bandas de todo o underground ,.. Ao brother Giovan Dias que entrou em contato com a gente também.  A todos que tem oferecido apoio ao H.A.,  amigos,  zines impressos, web zines, produtores, a todos que de uma forma ou outra tem nos ajudado nestes 5 anos de existência.  Aos headbangers do Brasil e do mundo, WE SALUTE YOU METAL MANIACS , GOD IS FUCKING DEAD,  AAAARRRRGGGGH -l- -l- -l-

CONTATOS: deliriumgates@gmail.com

Assista abaixo um um trecho da apresentação do Human Atrocity na 12º edição do Setembro Negro Festival:

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Tiago Siqueira

Tiago Siqueira edita fanzines impressos desde 1994. É editor do Akkeldama e do Rip Ride. Trabalha com jornalismo comunitário em Planaltina-GO.

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