Entrevistas

IMPACTO PROFANO – Caminhando pelo submundo

Que os traidores...caiam em suas desgraças..."

“Na desconstrução de nossa carne, surgiu o impacto que matou nossa profanidade. Assim ressurgimos das sombras de nosso abismo e ascendemos nossa obscura chama interna.” 

Apresento-lhes a horda IMPACTO PROFANO!

A horda IMPACTO PROFANO se apresentou pela primeira vez neste mundo carnal há 17 anos atrás. Como foi estrear já num evento com uma banda internacional e outra nacional que na época já estava fincando seu nome na cena? O que se lembra de mais significativo daquela noite?

Lord Anti-Christ: Salve guerreiro!  Obrigado pela oportunidade de falarmos um pouco de nossa trajetória! Então esse evento foi uma noite extremamente marcante para a Impacto Profano, pois tivemos a oportunidade de dividir o palco com uma das bandas de nosso cenário nacional que estava em grande evidência na época que era o UNEARTHLY, que já tinha um grande público e com o ICONOCLASM da Bélgica uma excelente banda. Isso nos proporcionou um grande público no dia 04 de abril de 2003, noite muito satisfatória e honrosa para a Impacto Profano dando início a primeira aparição nos palcos!

Primeira apresentação. Ano 2003.

Falando em apresentações, algo que ficou marcado na carreira da horda foi a apresentação junto ao MAYHEM no RJ em 2008. Conte-nos um pouco a sensação de tocar com uma das bandas mais conhecidas mundialmente no Black Metal mundial.

Lord Anti-Christ: Essa foi uma das noites mais marcantes, pois dividir palco com uma banda que faz parte da escola do Black Metal, onde muita polêmica surgiu por meio disso e ainda é propagada até os dias de hoje, é sem sombra de dúvidas, uma sensação de grande nobreza. Um evento lotado com pessoas de vários estados prestigiando. Foi uma das noites marcantes e que temos o orgulho de termos em nossa história, nossa trajetória.

Ainda sobre o MAYHEM, algo que vem acontecendo cada vez mais, não só com a banda em questão, é uma divisão que fazem nas histórias da banda. MAYHEM ou THE TRUE MAYHEM, MORTEM Ou THE TRUE MORTEM (Peru). O que vocês acham ? Para muitos o MAYHEM que temos hoje é um “clone” do que verdadeiramente foi.

Lord Anti-Christ: Não vejo “MAYHEM” como clone. Embora aquela essência com “Euronymous” e “Dead” na formação tenha ficado no passado, mas a banda continuou com integrantes que fizeram parte da história da banda desde o início e assim se mantém até os dias de hoje. “MAYHEM” sempre terá meu respeito!

Azi Dahaka: Não vejo o “MAYHEM” de hoje em dia como um “clone”, pois foi como o Lord Anti-Christ mesmo expôs acima, alguns integrantes que fizeram parte da fundação da banda, ainda continuam com o trabalho da banda e inclusive lançaram um excelente álbum atualmente intitulado “Daemon” e que lembra muito as épocas de ouro do “MAYHEM”. É uma banda lendária e que todos devemos respeitar sua trajetória, contribuição e influência dentro do Black Metal mundial!

Todas essas lembranças do passado, me faz recordar de uma cena extrema carioca com hordas que admirava muito como SONG D’ENFER, NOCTURNAL WORSHIP, ANCIENT SIGN GLORIFY…como anda a cena atualmente no contexto geral do Estado do RJ ? Em muitos locais a cena é formada por “panelinhas” por motivos diversos. Isso também acontece por aí?

Azi-Dahaka: O Black Metal carioca era uma das maiores potências em nosso cenário nacional. Tínhamos grandes representantes e que propagavam seus conceitos com muito fervor e convicção. O Black Metal carioca tinha sua real essência, seu real sentimento. Hoje em dia a maioria das bandas, só querem aparecer, só querem status, fazem algo de forma supérflua, sem conhecimento nenhum do que estão querendo passar e muitas das vezes de forma leviana. E com isso formam panelinhas, e vindo a caluniar e difamar aqueles poucos que realmente fazem um trabalho real. O cenário carioca na atualidade é totalmente decadente, conto nos dedos de uma mão, aquelas bandas e pessoas que realmente levam a sério e praticam aquilo que propagam, são muito poucos. Mas infelizmente, hoje em dia parece que as pessoas não visam aquelas bandas que realmente propagam sua verdadeira essência e sabedoria. Parece que as pessoas, preferem serem enganadas e preferem acreditar que a verdadeira essência do obscuro está numa simples propaganda fútil, sem contexto e sem prática nenhuma.

Lord Anti-Christ: Panelinhas sempre existiram, a diferença é que antigamente existiam muitas bandas na ativa, hoje você consegue contar nos dedos as bandas que realmente levam a sério seus reais trabalhos.
Pois surgiram muitas pessoas com histórico curto e que não agregam em nada, que não fizeram e não fazem nada de útil e ainda com o avanço e expansão da internet, muitos se preocupam em causar discórdia e inimizades no meio que nunca foi fácil sobreviver e manter.
Antigamente eu recebia uma carta de uma banda de outro estado com flyers de outras bandas e eu fazia o mesmo quando respondia as minhas, em dias de hoje temos uma facilidade maior por meio de internet e o que ocorre são boicotes em muitos shows e histórias sem fundamentos, e isso não ocorre só aqui como em todos lugares; Essa contaminação por meio de seres que agem como vírus se espalhou e por conta disso, essas e muitas outras bandas, vieram a encerrar suas atividades.

Algo que percebo com a IMPACTO PROFANO ao longo do tempo, são as diversas mudanças de formação. Vocês acham que isso pode ocasionar uma mudança de identidade da banda ? Cado novo membro trazer influências diversas e assim modelar musicalmente a banda a cada formação?

Lord Anti-Christ: A IMPACTO PROFANO desde que fundei minha intenção sempre foi praticar e manter um Black Metal rápido e brutal. Infelizmente acontece de um músico ou outro venha a não se adaptar à proposta da banda, que é o correto, e não a banda se adaptar ao músico. Se todos adicionarem suas influências e não seguir o padrão que assim foi intencionado desde da fundação da banda, aí sim deixa de ter uma identidade própria. Não existe lógica de eu fundar uma banda com uma proposta e integrantes que passaram tentar mudar! Por conta desses motivos alguns integrantes foram removidos e outros que passaram e tiveram boa participação e vieram a se desligar, foi por problemas pessoais. E o trabalho sempre continuou, com a mesma proposta inicial e isso nunca vai se perder. Quem não vir para somar, simplesmente será excluído.

Recentemente foi exposto o problema que o AMEN CORNER teve por colocar um membro (conhecido dos caras de longas datas) e que descobriram um vídeo dele tocando numa igreja. Mesmo vindo à público e repudiar a situação, colocando o cara para fora da banda, foi uma repercussão negativa para banda naquele momento. Continuando o assunto sobre formação da horda, quais os principais critérios que vocês adotam para convocar um membro novo ?

Lord Anti-Christ: Buscamos músicos responsáveis, competentes musicalmente e principalmente que nunca tenham tido nenhum tipo de envolvimento com escória do white metal. Sendo assim o mesmo possa se adaptar a banda e se inteirar a ideologia seguida e praticada que propagamos.

Vi um vídeo de 2013, em que numa entrevista vocês reclamam da presença cada vez menor do público. Que só dão valor as bandas gringas que se apresentam por aqui. Algo mudou de lá pra cá? O que vocês acham que é o principal motivo para isso?

Lord Anti-Christ: Na década de 90′ os shows eram todos com casas lotadas, as pessoas faziam questão de estarem presentes e se deslocarem para onde rolassem eventos, isso aconteceu até o início dos anos 2000, mas depois isso foi ficando escarço, muitos dão preferência em ficar de frente ao computador ou mexendo no celular do que ir prestigiar as bandas nacionais de sua localidade. Por conta disso é muito complicado tomar iniciativa e organizar um evento e trazer bandas das antigas de outros estados, porque o público não comparece para apoiar, sendo assim fica extremamente inviável fazer um investimento em um evento que não dá mais do que 20 pessoas em uma cidade que já teve uma cena bastante comentada como a nossa.

Azi-Dahaka: Antigamente as pessoas tinham vontade e a gana pelo underground e faziam questão de apoiar as bandas de sua localidade. Nos dias de hoje, parece que as pessoas não tem mais essa gana, esse fervor. Hoje em dia as pessoas preferem ficar em suas redes sociais dando atenção a coisas fúteis, ao invés de apoiar sua cena local. Com isso os eventos ficam vazios, produtoras sérias acabam encerrando por conta de muitos prejuízos e consequentemente algumas bandas acabam até encerrando suas atividades. Infelizmente o underground ultimamente só vêm enfraquecendo.

Realmente, o público hoje muitas vezes preferem o conforto do lar do que está num evento underground. Em contra partida, muitos também falam que além de do público, os próprios membros de bandas/hordas também são responsáveis pela escassez, só aparecendo em shows que vão tocar! Vocês concordam?

Lord Anti-Christ: Sim com toda certeza. Infelizmente isso ocorre. Já fizemos várias apresentações em que nem 1/3 da metade de membros de bandas estavam presentes. Sabemos que a vida de todo mundo que tem banda é corrida, mas da mesma forma em que nós damos nosso jeito de comparecer nos eventos, os outros também podem fazer o mesmo.  Pois se o apoio, principalmente de pessoas que são da antiga não ocorrer, realmente vai ficando mais escarço.

Azi-Dahaka: Concordo e muito. A maioria de membros de outras bandas/hordas, só vão a evento que vão tocar e muitas das vezes tocam e vão embora, não apoiando e nem respeitando as apresentações das outras bandas que estão naquele evento. Entendo que problemas todos temos, todos temos uma vida corrida e por conta disso, não se é em todo evento que dá para comparecer, isso é totalmente entendível. O que não dá para entender e nem aceitar é o que muitas das vezes ocorre, de ocorrerem eventos e a maioria de membros de outras bandas, ao invés de irem prestigiar o evento, acabam se encontrando em bares e ficam por lá ao invés de irem aos eventos e ajudar a fortalecer ainda mais o underground. Membros de bandas/hordas, também são público e tem que dá o exemplo.

Single 2019

Ano passado foi lançado o single “Samael-Serpens Elixir” sendo uma prévia do debut “Baphomet”. Como está o andamento para este lançamento. O que pode nos falar deste trabalho em termos sonoro e lírico ? Já tem alguma gravadora para lançar?

Lord Anti-Christ: Estamos com tudo finalizado e prestes a entrar em estúdio para gravar o debut “Baphomet”, onde mostraremos nossa sonoridade rápida, técnica e brutal tendo como parte lírica, que nosso vocalista “Azi-Dahaka” está responsável por todas as partes líricas e que ele está vindo a abordar nosso conhecimento após nosso renascimento ao seguirmos no caminho da mão esquerda.

Azi-Dahaka: Sim ano passado soltamos o Lyric Vídeo da “Samael- Serpens Elixir” e nesse primeiro semestre de 2020 estamos entrando em estúdio, para prosseguirmos com as gravações do Debut: “Baphomet”. A parte lírica do Álbum está abordando de uma forma mais aprofundada os regentes das Qliphas que estão na Árvore Qliphotica, mais conhecida como a Árvore da Morte, e consequentemente estamos abordando os aspectos da essência que vem desses regentes vêm a despertar no nosso mais íntimo ser. Ou seja, quando entramos em comunhão com nosso obscuro, com a morte em todos seus aspectos. Sobre selos para lançar o Debut,estamos em busca de selos que venham a fazer um trabalho sério e compromissado. Mas esse trabalho estará sendo lançado no segundo semestre do ano de 2020.

Numa entrevista recente concedida ao NOCTUM ZINE vocês comentam que este álbum terá duas continuações. Pode nos explicar melhor o que vem por aí?

Azi-Dahaka: Sim, esse álbum terá como subsequentes mais 2 álbuns. O segundo álbum continuará abordando sobre os regentes das Qliphas (não irei explanar agora quais são), e o terceiro álbum abordará sobre a caminhada por cada Qlipha em si e sobre os túneis que ligam umas as outras. Ou melhor dizendo, abordaremos a caminhada sobre os túneis Qliphoticos, sobre os aspectos que cada Qlipha carrega e o processo alquímico causado em quem trabalha e percorre essas vias. “Ao nos despirmos de aspectos mundanos, passamos a ter as chaves, que nos dão acesso aos portais do submundo”.

Vocês seguem alguma corrente do caminho da mão esquerda?

Azi-Dahaka: Fazemos parte sim de uma corrente, de um templo, de mão esquerda. Porém preferimos não divulgar a Ordem e nem o Templo em si, para não atrair curiosos e pessoas fracas que não venham a agregam a nada e que não venham contaminar a egrégora em que fazemos parte. Muitas pessoas acabam procurando cultos de via da mão esquerda, de forma totalmente leviana e só para enaltecerem seus estados egoicos, principalmente no meio do underground, existem muitos que procuram os cultos e sem ter nenhuma devoção aos nossos ancestrais, aos Deuses obscuros e etc…
De fracos e curiosos queremos distâncias, esses são simples ovelhas, são simples comidas.

Lord Anti-Christ: Seguimos sim, mas é algo pessoal nosso e sigiloso.

“O Black Metal é satânico e sua guerra é espiritual”. Sobre esse prisma, devemos apenas alimentar nossos espíritos e esquecer a luta tanto física quanto ideológica contra o cristianismo? Esquecer a atual forma de governo onde o lema é “ Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” ?

Azi-Dahaka: A guerra sempre foi espiritual. O “Black Metal” que propagamos, sempre foi e sempre será unicamente Satânico. Porém nos dias atuais não podemos dizer e afirmar isso por outras bandas e seus membros ou de uma forma mútua, pois não vejo membros e bandas vinculadas à tais sendas da mão esquerda; as que tem, as que realmente são vinculadas às sendas dá mão esquerda, sabemos quem são e que levam seus trabalhos totalmente a sério. Porém nos dias atuais a maioria das bandas e seus membros usam o “Black Metal” unicamente de forma teatral e vazia, sem essência nenhuma, sem conhecimento nenhum. A luta contra o cristianismo sempre será combatida até mesmo por outras religiões no sistema vigente. Mas eu gosto de ver a forma que seres humanos seguem o dito cristianismo de uma forma cega e sem limites, pois assim eles cairão em sua ruína, como meras ovelhas. O Black metal e política não se encaixam e nunca eis de se encaixarem. Pois a real essência do Black metal, deturpa qualquer tipo de embate político, pois a espiritualidade está muito acima de meras burocracias de cunho político; partindo desse princípio, qualquer discussão política torna-se totalmente sem importância…Independente de direita e esquerda que vejo como asas de um mesmo pássaro.

Uma frase que já virou um jargão no Metal é “Morte aos Falsos”. Quais os principais aspectos vocês acham que essa frase sentenciosa faz mais sentido ?

Azi-Dahaka: Essa frase faria mais sentido se normalmente fosse dita por pessoas que realmente sabem do que e de quem estão falando e o motivo de falarem isso. Porém, não vemos pessoas sérias, com um embasamento intelectual e compromissado com seus trabalhos e segmentos, usarem tal frase. Geralmente essa frase é usada por pessoas ou grupos de uma forma covarde para caluniarem as outras, por problemas muitas das vezes pessoais.  Na minha visão, você acusar alguém de falso é um tanto quanto complexo, partindo do princípio que muitas das vezes ou na sua maioria, esse termo é usado por causas pessoais. E vejo “a Morte” em si, como uma forma constante de libertação e renascimento. Enfim, acho essa frase um pouco chula e sem sentido nenhum. Se fosse para eu usar uma frase, que não seria o caso, eu dedicaria uma frase aos traidores e usurpadores da real causa, aqueles que não agregam a nada e só sabem fazerem seus teatrinhos vazios.
“Que os traidores e os usurpadores, caiam em suas desgraças, dor e sofrimento.”

Conte-nos como se deu o convite para o IMPACTO PROFANO participar da 7ª Edição do Extreme Hate Festival ? Como está a expectativa de dividir o palco com IMPALED NAZARENE, NECROPHOBIC, GENOCIDIO, ASAGRAUM, AZARATH,JUSTABELI … ?

Azi-Dahaka: É uma honra para nós da Impacto Profano, termos a oportunidade de nos apresentar em um dos maiores festivais do Brasil e com uma produção totalmente profissional e atenciosa. Termos a oportunidade de dividir o palco com grandes bandas como: Impaled Nazarene, Necrophobic, Azarath, Asagraum e com todas grandes bandas que estarão presentes nesse grande festival, é de uma honra e de um orgulho inestimável para nós. Ficamos muito agradecidos pelo convite, pela oportunidade e muito orgulhosos em podermos participar do grande “Extreme Hate Festival, em sua 7° Edição”.

Agradecemos a disposição para nos conceder esta entrevista. Deixe aqui seus comentários finais e o que mais lhe convier.

Azi-Dahaka: Agradecemos a ti Giovan pela grande oportunidade de falarmos um pouco da trajetória, conceitos e trabalhos da Impacto Profano. Foi uma grande honra em respondermos essa entrevista.

“Que a obscura essência que se faz presente em cada um do ser, entre em expansão nos dignos e fortes e os mostrem a real caminhada para o submundo, para a verdadeira libertação”

CONTATOS: impactoprofano.oficial@gmail.com

Facebook: www.facebook.com/impactoprofanohorde

Instagram: www.instagram.com/impactoprofano

Fiquem com o vídeo do Single “Samael – Serpens Elixir”:

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Giovan Dias

Editor do The Glory Of Pagan Fire Zine, trabalho iniciado ainda na década de 90, voltado ao Black, Death, Doom Metal.

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