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IMPURE ESSENCE – Nascido das Trevas

“Existem pessoas que falam de Satã de uma forma tão primária que chega a ser engraçado...”

Temos a honra de entrevistar uma das figuras mais respeitadas da cena nacional, daquelas que faz um trabalho de “formiguinha”, mas que mostra grande eficiência e verdade no que constrói com seus projetos. Simplesmente o Alan Luvarth, mentor da one-man-band Impure Essence, Black Seal Productions e um dos artistas gráficos mais habilidosos da cena nacional. Essa foi uma longa conversa que nos apresenta essa personalidade do Black Metal Nacional e sua dedicação a esta cena. O principal foco da entrevista é sobre a Impure Essence, mas acabamos por falar sobre o selo e seus trabalhos como designer, por tanto, trata-se de uma entrevista que nos mostra, ou melhor, traz à tona toda essa experiência de três décadas de trincheira.

Salve meu nobre e grande amigo de longas datas, é verdadeiramente uma honra poder entrevista-lo para as galerias profanas desse portal. Apresente essa magnifica entidade à todos nós seus asseclas e aqueles que ainda não conhecem dessa essência impura.

Luvarth: Salve Meu nobre aliado… primeiramente agradeço o espaço e o apoio de sempre…  Impure Essence trata-se de um projeto onde são abordados diversos temas, entre eles o satanismo (de uma forma livre, sem se prender a doutrinas e dogmas), a obscuridade da raça humana, todo o lado negro que habita na mente de cada um, além de perversões, e a parte musical como sempre buscando influencias na velha guarda da elite do heavy metal até o Black Metal.

A Impure Essence trata-se de uma one-man-band formada em 2006, você, particularmente já tem um histórico de trabalhos em outras bandas anteriormente, o que o levou a fundar essa entidade e mantê-la apenas como uma one-man-band?

Luvarth: Na verdade era pra ser um retorno de uma antiga banda do início dos anos 90 o “Balberith”, porém o distanciamento dos outros integrante acabou atrapalhando o retorno, e eu não queria colocar outros músicos, acho que ia tirar um pouco dessa essência… e como eu já tinha feito uma música chamada “Impure Essence“, decidi então adotar esse nome e fazer tudo sozinho.

Como é o processo de composição e gravação dos seus materiais sonoros? Nos conte sobre as gravações dos instrumentos, você se encarrega de tudo? Convida alguém para apoiá-lo, como funciona?

Luvarth: É tudo muito simples… mesmo por que a ideia é justamente esse soar sujo, sou muito fiel no que faço e chamar outros músicos ia tirar esta essência… faço as músicas deixo praticamente tudo pronto… em seguida faço a sessão de bateria que é a mais demorada, aí venho encaixando nos canais as partes de guitarras, baixos passagens de teclados e por último os vocais.

No mesmo ano em que você fundou a Impure Essence, foi lançada a demo “Born in the Darkness”, essa sendo lançada no formato CD. Qual foi a repercussão desse lançamento, qual foi o objetivo prático do lançamento deste material na época? Abrir portas, conseguir um selo/gravadora ou apenas apresentar a ideia de fortalecimento aos seus confrades, quiçá um misto de tudo isso?

Luvarth: Nunca tive pretensão nenhuma com o Impure Essence, era apenas minha vontade de colocar aquilo que estava em minha mente em pratica, sem me importar se iam ou não gostar daquilo, a primeira demo “Born in the Darkness” saiu horrível, muito tosca e primitiva até mesmo devido as condições que eu tinha na época para poder gravar… e eu na verdade nem sei como foi a repercussão daquela demo…

Após o lançamento da primeira demo, Impure Essence atacou em diversas frentes lançando muitos materiais, entre eles Split e um compacto em vinil, nos conte sobre esses materiais, se ainda são fáceis de serem encontrados ou se estão fora de catálogo e como surgiram essas propostas de lançamento etc.?

Luvarth: Sim foi muito legal, recebi alguns convites para fazer alguns Splits, e eu sem me importar aceitava sempre… pois eram Splits bem undergrounds (pelo menos comigo estão fora de catálogo), já o compacto em vinil foi uma ideia do meu amigo Afonso da Metal Maniac de fazer esse registro, pois as músicas gravadas naquela época (apesar de estarem bem sujas) a musicalidade e até mesmo a gravação estava bem melhor, particularmente gosto desse trampo. Esse vinil compacto ainda pode ser encontrado com o Afonso na Metal ManiacStore.

Em 2013, foi lançado o primeiro álbum da Impure Essence “In The Form of a Black Goat”, mesmo sendo um intervalo considerável entre a demo e o álbum a banda nunca parou de produzir de forma efetiva e contínua, como se deu a parceria para o lançamento através da ObskureChaos e como você avalia este primeiro álbum?

Luvarth: Esses músicas foram sendo criadas e guardadas, pois foram uma continuidade do compacto em vinil lançado pela Metal Maniac, e na sequência a ObskureChaos se interessou em lançar o álbum, num formato CDR-Pro, algum tempo depois, mais uma distro do México a BaalberithMtzFdz, pediu para lançar algumas peças em Tape, recebi 10 tapes pelo trabalho (10%), e logo em seguida a mesma distro lançou o registro oficial em Digipack, mas até hoje não recebi porra nenhuma…

Ideologicamente, pensando no quesito underground extremo em que o Metal Negro se insere, o mesmo vem sofrendo alguns anos com uma série de prejuízos de dentro para fora, como perda de valores, transições de estereótipos do radicalismo, confusões sobre a mão esquerda e o nacional socialismo e mais um punhado de paradoxos, paradigmas e contradições, como você Luvarth, se posiciona diante deste cenário?

Luvarth: Tudo isso é foda… li uma postagem certa vez que dizia: “Saudades do tempo em que o Black Metal só falava do capeta…”. Eu particularmente vejo o Black Metal real com temas que abordam justamente o lado negro, ou tudo aquilo que envolve diretamente e indiretamente no lado negro, outros temas pra mim foge daquilo considerado Black Metal. Black Metal não é só um estilo musical, é temática, obscuridade, o mal e tudo aquilo que envolve as contradições das doutrinas cristãs. Quando foge disso começa a aparecer bandas contraditórias a esses reais conceitos do Black Metal.

Ainda no campo ideológico, você consegue enxergar uma banda ou alguém que se “rotule” como componente do “Metal Negro” que não tenha nenhuma conexão com o ocultismo, você acha isso possível?

Luvarth: Existem pessoas que falam de Satã de uma forma tão primária que chega a ser engraçado, outras já usam uma linguagem direta porem eficaz naquilo que acreditam, e outras já são poetas do lado negro, onde realmente buscam conhecimento naquilo que vivem, eu particularmente detesto conversar sobre ocultismo com alguém, pois pra mim é muito frustrante conversar com alguém sobre determinados temas e notar que realmente a pessoa não entende daquilo, porem quer ser um “expert”. Mas isso é algo que existe muito no meio… pessoas que falam e mostram toda essa ideologia, porem nada tem haver com ocultismo.

Em 2015, dois anos após o lançamento do primeiro álbum, Impure Essence lança a sua segunda obra sob o título “Diabolic”, considerando o intervalo entre o primeiro e o segundo curto, como você descreveria o “Diabolic”?

Luvarth: Eu prefiro o anterior… achei que o “Diabolic” poderia ter ficado melhor, foi feito meio que nas pressas ainda com aquelas dificuldades para fazer gravações e o tempo para poder entregar o material para ser gravado, porem tudo é valido.

Você, em minha opinião, é um dos grandes designers do underground nacional e sei que você não costuma explorar esse seu lado de uma forma, digamos, explícita. Qual sua relação com essa arte, tão importante para a cena? Nos fale os trabalhos que você já assinou e que, talvez, muitas pessoas não saibam.

Luvarth: Sim, são trabalhos que faço com muito gosto e como tudo que faço não gosto muito de expor meus trabalhos da maneira que vejo alguns artistas exporem os deles, prefiro ganhar meu espaço mais nas sombras. Minha artes é como se fosse um livro que aos poucos vou deixando minhas escritas nele, tenho um enorme prazer de fazer a arte e depois contemplar o feito, entre alguns trabalhos que fiz estão eles: Eternal Sacrifice “Ad TertiumLibrvmNigrvm”, “Esbat – SacrificivmIgnisCalixSangvis”, “Demongorgon – a HistoryofRites, Skulls, SerpentsandFire”. Stress “nacional, Blasfemador, “Death SS – In death…” (nacional),Acheron – “30 Years…”, Hellkonfessor, Sortilege – EP (nacional),SilentCry–“Compilation demos”, Bulldozer- Lançamento Nacional… e por aí vai…

Assim como seu intenso trabalho como músico, designer, recentemente você vem mostrando uma ousada iniciativa em colocar pra frente o selo Black Seal. Assim como grandes lançamentos que já aconteceram esse ano, alianças com outros selos, quais são os planos para o mesmo e o que levou você a erguer esse selo num momento de tantas reclamações e insatisfações que nos cercam?

Luvarth: Justamente as reclamações, insatisfações, entre outras coisas me levaram a criar a Black Seal Prod. Pois uma vez um cliente reclamou de um trabalho com uma gravadora, e eu como cliente achei um absurdo, foi aí que coloquei tudo em pratica, e claro que a vontade de trazer coisas que ainda não tinham sido lançadas aqui no nosso país, e por enquanto as coisas estão engrenando, pois esse ano foi um ano péssimo pra todo mundo. E minhas alianças com outros selos é um modo de dividir minha satisfação, faço meus contratos com as bandas adquiro as licenças e convido os selos para dividir aquilo que é mais importante pra mim… como já tinha dito, “a satisfação de trabalhar com aquilo que gostamos…”

Essa perspectiva que você nos apresenta sobre a Impure Essence ser uma permanente one-man-band, você já chegou a pensar em ser uma banda completa e fazer shows por exemplo?

Luvarth: Já até recebi convites para que isso acontecesse, porem acho que assim está muito bom… sem compromisso com ninguém, sem lidar com outros integrantes e sem preocupação nenhuma, afinal vou discordar de quem na banda? assim é bom que sempre vou manter a essência criada desde o início.

Ano passado a Impure Essence participou do Tributo Brasileiro Oficial ao Bathory com a música “Man of Iron”. Nos conte como foi essa experiência.

Luvarth: Foi uma grande realização… sem palavras mesmo, devo muito ao meu amigo pelo apoio para que isso fosse realizado… Muito grato à VOCÊ!!! Mestre!!!

Ainda em 2019, o terceiro álbum foi lançado mais uma vez pela ObskureChaos, por sinal um belíssimo trabalho que merece toda atenção. Nos fale do processo para a realização desse álbum, esse intervalo de quatro anos entre o segundo e o terceiro álbum e a escolha do cover da Death SS, qual você demonstra muito apreço em suas redes sociais e entre os lançamentos da Balck Seal.

Luvarth: Esse álbum ” Evil Ascension of the Horned God” foi um álbum gravado com  materiais novos, experimentos novos, diferente daquilo que eu vinha usando nos anteriores, porem acho que deveria ter ficado melhor, apesar de ter gostado… É um fato, gosto muito de Death SS e escolhi essa faixa que é bem antiga e que me influenciou bastante, apesar de ter influência da velha guarda da elite do Black Metal, também ouço muito Death SS, Coven, Black Widow, Black Sabbath (com Tony Martin) e até farofas como “Shoutat the Devil” do Motley Crue.

Por fim, agradeço muito essa gratificante participação em nosso Portal, gostaria que você discorresse sobre os projetos futuros tanto da banda quanto do selo ou mesmo essa sua jornada como designer gráfico, fique bem à vontade para falar o que desejar.

Luvarth: Agradeço imensamente meu irmão Naberius por esse apoio, como sempre… O futuro próximo estarei fazendo e terminando músicas novas para o Impure Essence, sem muita pressa, tudo no seu tempo… e a Black Seal Prod. vai continuar com essa caminhada prezando e colocando a frente como sempre as bandas lançadas, o respeito pelos clientes e o compromisso com os trabalhos e parceiros, e as artes gráficas sempre estarei na ativa, pelo menos enquanto tudo fizer sentido….

 

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

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