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INCANTATION – Sect Of Vile Divinities (Advanced)

Relapse Records (Importado)

Aqui estou diante de mais uma obra prima desta veterana banda de Death Metal, a qual, posso afirmar, que sou um fã! Não apenas por colecionar toda sua discografia, mas por admirar tanta perseverança e fidelidade à um estilo maldito como o Metal da Morte. Satisfação em receber em primeira mão um material que só chega ao mercado daqui um mês, poucos são aqueles que terão esse privilégio.
O petardo já começa destroçando com a faixa: Ritual Impurity (Seven of the sky is one) daquelas típicas músicas da banda cheias de chamadas turbulentas e gritos profanos rápidos feito facas cortando carne humana, um verdadeiro ritual impuro. Como não delirar com “Lamashtu is I, daughter of the skyn – Paths forgotten I govern thereby – By beheading blades I purify”? A poesia doentia da mão esquerda presente. E assim segue a faixa: Propitiation, trazendo aquele ar fétido tradicional da banda numa música cadenciada e ar de expectativa e logo violar o ambiente ao som de muito bate-estaca e bumbos rufando estremecendo tudo, pois sim, não dá pra ouvir esse disco se não for alto, alto feito trovão!
A capa tem aquela bela obra de Eliran Kantor (Testament, Hate Eternal, Bloodbath, My Dying Bride, Krisiun), com mais um trabalho primoroso, talvez um pouco fora da linha de capas de antigos álbuns do Incantation, trazendo uma proposta um tanto mais figurativa que o habitual, de qualquer sorte, em minha opinião esse é o artista das capas de bandas de metal dos últimos anos, o que mais criatividade e talento vem demonstrando com seu trabalho. Foi a moldura perfeita para esse álbum que substitui muito bem seu antecessor “Profane Nexus”.
Algo que está bem destacado nesse álbum é a parte de solos infernais, aqui e ali aparecem pontas muito bem encaixadas de solos atormentadores, sem citar a avalanche sonora provocada pela bateria coesa de Kyle Severn e um baixo de Chuck Sherwood que faz o som sombrio do Incantation ficar ainda mais grave, mais sonoro nas caixas de som…
Não tem como resenhar um álbum desse sem falar da performance destruidora de John McEntee, um daqueles caras que mostra tanta influencia no mundo underground, há tanto tempo e lá se vão uns trinta e tantos anos de estrada e ele continua com uma voz podre poderosa, devastadora, algo inumano de dar calafrios na espinha, basta ouvir a triunfante Ignis Fatuus e você vai entender perfeitamente o que quero dizer, uma aula de vocal de death metal pra quem quiser aprender e nem falei das composições, aliás a resenha de alguém que admira demais a banda fica um pouco difícil não ser passional, mas tenho certeza que se fosse um álbum abaixo da média eu não conseguiria falar bem dele, esteja certo disso.
Fato curioso do disco é que em seus créditos informa que o álbum foi gravado em estúdio próprio, ou seja, a banda bancou gravar em seu próprio estúdio, talvez essa seja uma boa tendência de gravações na atualidade e para o futuro, tenho percebido algumas bandas investirem nessa empreitada de terem seu próprio estúdio e isso é realmente louvável. Outra coisa importante que deve ser salientada é a mixagem e masterização ter ficado a cargo de nada menos que o também veterano Dan Swanö, sim senhores, nosso caro multi-instrumentista que se tornou notório na grandiosa Edge of Sanity e tem se mostrado um excelente produtor também.
As letras desse álbum ficaram a cargo do baixista Chuck Sherwood, e que letras, muito bem adornadas, com toques funestos e, como disse antes, bem dosadas de referências ocultistas. No geral “Sect Of Vile Divinities” é um álbum de mão cheia, o qual fica muito difícil destacar músicas, mas posso afirmar que ouvir Scribes Of The Stygian, Unborn Ambrosia,
Propitiation e Black Fathom’s Fire sem sentir calafrios, realmente você vai precisar rever seus conceitos sobre Death Metal.

10/10

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

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