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INCESTUS KADAVERICUS – Profanação Incestuosa Cadavérica

Demo-Tape / 2019 / Demon’s Gate

Toda a desgraça musical deste opus começa depois de uma intro cheia de gemidos, gritos e outras manifestações quase pornográficas, aliás, pornográfica mesmo. Devo dizer que com o passar dos tempos fiquei meio chato em relação às intros, pois percebo que algumas delas estão lá meramente para encher linguiça, cumpris tabela, obedecer à uma formalidade, enfim, não acrescentam artisticamente ao trabalho. Nesse caso aqui entendo que a intro está conectada com a proposta lírica dessa turma de demônios pervertidos. Pelo menos se nos atermos ao nome da banda e ao título do material. Já que falamos do nome, o dito cujo já entrega as péssimas intenções acopladas nessa manifestação de saliências, profanação e metal negro. Isso não significa dizer que a intro não tenha lá seu gosto duvidoso, questionável, no entendimento de alguns, mas pelo menos está amarrada ao restante do trabalho, ou melhor dizendo: abre as portas para o restante do material.

A celebração maligna de fato se inicia com a primeira missa diabólica, com uma liturgia arrastada, apodrecida, condenando todas as almas ao inferno, bebendo o sangue do pecado, ‘Noite Infernal’ conduz sua carruagem satânica de maneira lenta e tenebrosa, abraçando os sacerdotes amaldiçoados do SAMAEL. Aliás, as lições destes mestres do mal acompanham essa gleba de mandriões por todo transcorrer do material. Também há que se destacar as contribuições dos apostatas gregos do ROTTING CHRIST, especialmente em algumas conduções de guitarra. Todos os cultos entoados na língua mãe de Camões, com vocais guturais de Allisson Kadavericus perfeitamente compreensíveis. Vez por outra existem vocais rasgados, disparados em desespero e enxofre, além de alguns gritos agudos típicos de speed metal (mas também usados por algumas bandas extremas). Aos todo são oito versículos satânicos (lembram que existe um livro com esse título, pertencente ao escritor indiano Salman Rushdie?) e todos possuem muito veneno e crueza. O ponto negativo fica indubitavelmente para a distorção utilizada na guitarra Licantropus Aeternus. O timbre ficou muito magrinho, parecendo que estava tocando com a distorção da caixa, o que fez a banda perder em peso e agressividade, especialmente nas partes mais rápidas. Pode ter sido uma falha na gravação ou produção, ou simplesmente ter sido uma escolha ruim de timbragem ou o resultado da ausência de um pedal de distorção, enfim, o que fica registrado é que precisam resolver este detalhe. Priest Di Luna (baixo) e Terror Drums (bateria) completam o quarteto maldito. “Quem é deus? O pai do verme que morreu? Quem é deus? O pai do verme que na cruz apodreceu”. Um trecho singelo de uma das letras, uma pequena amostra da violência lírica distribuída pelos solenes atos musicais que compõe este amalgama.
Contatos: Allisson Incestus (79) 99952-0248

Confiram uma prévia desta profanação:

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Carlos Soares

Edita os fanzines: Pecatório (desde 2001) e Sindicato Dos Assassinos (desde 2012). Já participou de diversas bandas dentro do underground.

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