Entrevistas

INFECTED SPHERE – Brutalidade, peso e violência sonora

Cordiais saudações maníaco Luís. Tudo tranquilo contigo? Inicie saudando os nossos leitores.

Luis Tomasini – Saudações irmão, tudo certo. Saudações infernais a ti e a todos os leitores que estão aí acompanhando.

Se você fosse definir a INFECTED SPHERE em todos os seus aspectos como seria?

Luis Tomasini – Brutal, dedicada, firme e honesta \m/

Recentemente a banda lançou o debut álbum Abyss Ov Flesh. Gostaria que você aproveitasse o espaço para fazer a propaganda do mesmo e dizer o que este material representa para vocês.

Luis Tomasini – Sim, lançamos em outubro/2018 nosso debut álbum Abyss Ov Flesh, lançado via Rapture Records / Mutilation Records. Esse é definitivamente um álbum muito brutal e visceral, É um álbum que define muito bem o Infected Sphere. Nesse trabalho também contamos com a participação de grandes nomes da cena extrema tais como: Lohy Silveira (REBAELLIUN), Leozir Parisoto (SARCASTIC), Leonardo Schneider (DYINGBREED) e Murillo Rocha (ATROPINA), além da excelente produção a cargo do produtor Ernani Savaris (Soundstorm Studio). Esse é um álbum muito especial para nós, pois além de ser o tão esperado debut álbum da banda, também é como eu disse anteriormente, um álbum que define muito bem o Infected Sphere, com muito peso, brutalidade e violência sonora.

Luis Tomasini, Foto por: Divulgação

De fato a produção do disco foi muito cuidadosa e o som prima pela brutalidade, inclusive usam em diversos momentos os vocais pig squeals. Algumas pessoas (eu inclusive) prefiro produções um pouco mais sujas, mas para este tipo de som é vital que a produção seja a mais limpa possível?

Luis Tomasini – Acredito que deve haver um equilíbrio entre a sujeira e a produção mais “clean”, Principalmente no nosso estilo de som, não se pode deixar tudo muito limpo, justamente pois precisa daquela sujeira característica do estilo, porém também não se pode ser algo sujo demais a ponto de “embolar” o som, saca? Acredito que tudo deva ser bem dosado, justamente para primar pela brutalidade e violência do som hehe!

E esse equilíbrio foi atingido em Abyss Ov Flesh? Nesse processo de produção (lá vem uma pergunta técnica e chata hahahah) quais recursos foram utilizados para se chegar a esse resultado?

Luis Tomasini – Acredito que sim, Estou bastante satisfeito com o resultado final da produção do disco. Na verdade não usamos nada demais hehe! Foi tudo gravado de forma bem tradicional.

O disco Abyss Ov Flesh foi lançado pela parceria Mutilation / Rapture. Que suporte vocês receberam desse selo em matéria de divulgação, shows…?

Luis Tomasini – Temos recebido um ótimo suporte da Rapture e Mutilation em relação a distribuição, divulgação e promoção do álbum. Na parte de shows sou eu mesmo que agencio toda a agenda da banda.

Alguma razão especial para fechar parceria com essas duas gravadoras? Pergunto isso porque elas possuem estrutura para lançarem sozinhas o material da banda. Essa parceria vai continuar para outros materiais? 

Luis Tomasini – Na verdade são duas gravadoras que acompanho a um bom tempo, sempre gostei muito do trabalho de ambas, então com certeza já tinha interesse em trabalhar com eles desde o início, além de como tu mesmo disse, serem gravadoras de nome no cenário extremo, e possuírem uma ótima estrutura para viabilizar e promover todo o lançamento do álbum. Com certeza vamos manter essa parceria para os próximos lançamentos.

Você mencionou que agência toda a agenda da banda e pelo que vi no ano de 2018 a agenda foi bem lotada. Fale sobre a turnê que vocês realizaram. No cartaz de divulgação eu contei mais de 40 datas. Para uma banda de death metal underground e brasileira são números bem expressivos.

Luis Tomasini – Sim, sou que cuido de toda a “gestão” da banda, agencio a agenda da banda, cuido da parte de marketing e tudo mais… Sim, ano passado fizemos uma tour muito boa passando por 03 países (Brasil – Uruguai – Chile). Dentro do território brasileiro tocamos em 05 estados (RS, SC, PR, SP e MG), que foram shows sensacionais; isso sem contar os shows em território uruguaio e chileno que foram surreais. Foi realmente uma experiência fantástica, e que com certeza agregou muito para a banda, pois conseguimos levar ainda mais longe o nome e a música da banda além de fortalecer ainda mais os laços de amizade e parceria que já existiam, e também poder fazer todo esse intercâmbio cultural que é sempre fantástico.

Praticamente todas as bandas brasileiras que tocam no underground sul americano relatam terem tido ótimas experiências. O que tem de tão especial em lugares como: Chile, Uruguai, Paraguai, Argentina e Bolívia que não existe aqui no Brasil?

Luis Tomasini – Não sei dizer exatamente se é algo que “não tem” no Brasil, até porque a cena brasileira também é muito boa; claro que possui seus altos e baixos, porém isso se encontra em todo lugar. Algo que realmente gostei e me chamou muito a atenção principalmente em países como Argentina e Chile, é a estrutura que eles possuem para shows Underground, é realmente uma estrutura excepcional, os caras sabem o que estão fazendo hehehe; além disso, o público nesses países tem comparecido muito mais aos shows do que o público brasileiro; não estou dizendo que o público não comparece aos eventos no Brasil, comparece, claro, porém em questão de números, países como Argentina, Uruguai e Chile realmente têm tido muito mais presença e apoio do público.

No Brasil ainda existe uma mentalidade meio estranha em relação à algumas situações, como por exemplo: a banda é poser porque cobra um cachê, a banda quer ser estrela por que pede passagens de avião quando as distancias são muito grandes e outras tosqueiras… O que tu pensa acerca disso?

Luis Tomasini – Eu acho isso completamente ridículo. Pessoas que pensam assim é porque realmente não levam o Underground a sério. Uma banda tem inúmeros custos, desde os ensaios, até gravação, e viagens com shows e tours… Por mais que deva ser feito com um real sentimento em prol da música, tem que ter em mente que tapinha nas costas não pagam as contas de nenhuma banda, então nada mais justo que a banda receber pelo seu trabalho, afinal de contas tu está se dedicando a isso, eu vejo por mim por exemplo, eu larguei tudo (trampo, faculdade, namorada…) pra poder me dedicar 100% a banda, pois a banda pra mim não é apenas um hobbie de final de semana ou algo que faço quando não tenho mais nada pra fazer, a banda é minha vida, vivo e respiro isso 24 horas por dia, 7 dias por semana; e por isso acho um tremendo desrespeito quando escuto algo como: “banda que cobra pra tocar é poser ou estrelinha”; isso é ridículo, e é justamente esse tipo de pensamento retardado que está destruindo nossa cena.

Voltando a falar da turnê, eu soube que você teve graves problemas em relação à formação da banda, chegando ao ponto de ter que realizar alguns shows sozinho no palco. Rapaz, que loucura foi essa? Que diabos aconteceu?

Luis Tomasini – Hahahahaha, sim tchê. Isso realmente aconteceu. Na verdade, no 1° dia de tour os outros integrantes da banda (que haviam recém entrado na banda) decidiram simplesmente não tocarem, sem motivo algum, simplesmente disseram que não iriam cair na estrada, pois estavam com um “mal pressentimento”… hahahaha Na verdade eles eram caras que haviam entrado na banda justamente pra fazer essa tour, na época eu nem cheguei a divulgar os nomes deles como novos integrantes, até porque não deu tempo hahahaha! Eles entraram na banda num dia e no outro saíram. Foi foda, complicado isso, pois me deixaram na mão de uma forma muito complicada, mas eu decidi que iria fazer a tour mesmo assim, nem que tivesse de ser sozinho; pois como disse antes, eu larguei tudo pra poder me dedicar 100% a banda e fazer o trabalho crescer, não vou deixar dois bunda moles colocarem tudo a perder; então segui e fiz toda a tour sozinho mesmo; e em cada cidade por onde passava contava com o apoio de outros músicos, isso foi algo realmente incrível e que nunca vou esquecer. Isso foi um pedaço da tour do ano passado, pois já na parte chilena da tour eu já havia reformulado a banda novamente. Que foi justamente a mesma formação que além de fazer os shows no Chile, também gravou o 2° álbum lá no Chile mesmo, no Imperium Studio.

Rapaz, eu não conheço nenhuma história parecida com essa hahahah! Os companheiros de banda abandonam o cara, e mesmo assim o maluco vai fazer a turnê sozinho, arruma outros loucos pra tocar em um determinado show, em outro país e lá mesmo com esses outros doidos grava um disco hahahah! Com essa eu vou encerrar a entrevista. Obrigado pela atenção meu irmão. Deixe sua mensagem aos demônios metal bangers que estão lendo essa entrevista agora. Valeu!

Luis Tomasini – Hahahahahaha, mas isso pra mim é algo bastante natural, quando algo dá errado, o negócio é já tentar resolver e seguir em frente no mesmo momento, não dá pra se deixar abalar com as adversidades que ocorrem no caminho; essas coisas só nos fortalecem cada vez mais. Eu que agradeço pelo espaço e pela excelente entrevista, é sempre um prazer e um privilégio. Muito obrigado também a todos que têm acompanhado e apoiado o Infected Sphere, vocês são sem sombra de dúvidas, um dos maiores combustíveis que nos mantém cada vez mais firmes na estrada. E fiquem ligados, pois esse ano estaremos fazendo uma tour que passará por todas as regiões do Brasil, além de mais 10 outros países da América Latina. Nos vemos na estrada. Stay Brutal and keep spreading the Rottenness!

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Carlos Soares

Edita os fanzines: Pecatório (desde 2001) e Sindicato Dos Assassinos (desde 2012). Já participou de diversas bandas dentro do underground.

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