Entrevistas

INOCULATION – Sinfonias de morte e sofrimento desde 1992

...Resistência e Consciência\Atitude Underground Sempre!!!!...

Estamos diante de uma lenda do underground subterrâneo do Brasil, formado em 1992 e com o intuito de disseminar o caos e o desespero pelo mundo com sua música mórbida e cristofóbica. O inoculation através de sua negra jornada conseguiu respeito e admiração em muitas partes do planeta, convidamos aqui o seu mentor Zulbert Buery (Atualmente baixista do Headhunter D.C.) para uma entrevista esclarecedora sobre o início, meio e fim desta banda que mesmo inativa continua sendo muito cultuada. Digo com veemência que o Inoculation não foi apenas mais uma banda, foi e sempre será uma parte honrosa da história do underground brasileiro e em especial, do underground soteropolitano.

Você é um dos Deathmetallers mais antigos da Bahia e que honrosamente mantém a chama acesa até os dias de hoje. Em 1992 você decide montar o Inoculation, como foi esse surgimento na época em Salvador?

Zulbert Buery, Foto por: Divulgação

Zulbert Buery – Negras Saudações Eden!!! Resistência e Consciência\Atitude Underground Sempre!!!! Foi realmente muito obscuro! Natural, porém não tão fácil, claro, nunca nada foi fácil, e primeiramente sempre fazendo som pra nós mesmos, e se esse som agradava a terceiros, já era uma boa resposta! Eu morava na periferia de Salvador, e por lá fiquei por um bom tempo Campinas de Pirajá (antes de Pirajá ao lado de Marechal Rondon – só tinha punk por lá praticamente fora os meus dois amigos de Campinas), o guitarrista morava em Cajazeiras, o baixista na Vila Matos e o baterista em Ondina) pra se encontrar já não era tão fácil, e se deslocar com equipamentos pior ainda, chegando ao ponto e levar um bumbo e bateria de ônibus coletivo, e Ondina até São Caetano, guitarra e baixo sem capas mesmo, grana sempre contada, quando se tinha grana, e muita força de vontade, além da coragem pra encarar as ruas. E as coisas foram tomando forma, caos e desespero em nossas mórbidas sinfonias de morte e sofrimento!!!

No ano seguinte a banda fez sua primeira apresentação, você se lembra de como foi a reação do público soteropolitano referente ao Inoculation?

Zulbert Buery – Foi realmente INSANO!!! Foi fudido pra caralho a resposta, e tocamos o nosso setlist duas vezes sem dó!!! O Pessoal agitou demais!!! Regaço!!!! Algo que estará pra sempre na minha cabeça quem compareceu sabe como foi esta noite. Evento lembrado por muitos até hoje, realmente memorável essa noite de destruição Deathmetalica em Nossa Terra Sem Salvação!!!

Esq. para Dir.: Ricardo, Daniel Arjones, Zulbert Buery e Max, Foto por: Divulgação

Neste mesmo ano, 1993, a banda já teve sua primeira mudança na formação. Sai o baixista Daniel Arjones e você assume o posto de vocalista e baixista, assim assumindo duas funções. Foi fácil essa adaptação a uma nova função além de cantar? Qual o motivo do Daniel ter saído da banda?

Zulbert Buery – Quando eu consegui conciliar a voz ao baixo ou vice-versa, eu fiquei muito encantado com aquilo e empolgado também, no desenvolvimento!!!! E realmente descobrir por fim que era um baixista e que as quatro cordas é o que realmente corre nas minhas veias, nada além que 4 cordas… Pra não dizer que nunca procurei estudar nada, eu tomei uma aula de guitarra uma vez apenas, uma só aula, e não voltei mais pra segunda aula, e uma outra vez da mesma forma foi com a bateria…
Com o contra baixo eu nunca tomei aula, e nunca fui de estudar…
Eu mestre e mim mesmo!!! Posso afirmar!!! Logicamente com ajuda das minhas influencias escutando outros baixistas obviamente das bandas que eu já ouvia.
Eu não lembro exatamente porque ele saiu da banda, mas lembro da falta de compromisso com a mesma, daí em seguida ele saiu fora, e foi morar fora, mudou de bairro e depois foi morar em outro país.

1993 – Die For Rest “REH Demo Tape”

Antes do Daniel sair a banda gravou seu primeiro registro, a Reh “The Grotesque” e que contou com o apoio do respeitado Anton Naberius que outrora era conhecido como Antonio Natalício.  Como surgiu a ideia de chama-lo para assumir os vocais neste registro? E como foi a distribuição e receptividade desta tape?

Zulbert Buery – Isso foi antes d’eu assumir baixo & voz, ele teve participação sim por indicação do nosso baterista Max Gomes, teve sua fudida passagem pela banda, essa REH Demo foi distribuída por alguns contatos correspondentes da época e o pessoal se surpreendeu, foi uma grande época e experiência para todos nós. Estreei como baixista da banda pude praticar melhor por alguns ensaios enquanto sua participação como vocalista da banda e me desenvolver como músico e evoluir da minha forma, me convenci que aquele era o meu instrumento e que sigo até hoje tocando. E o tape obteve uma boa resposta diante de sua limitada distribuição de acordo com o que possuíamos na época.

1994 – Victim Of Imperfection “Demo Tape”

Em 1994 você já estabilizado em sua nova função como falamos acima, a banda grava sua primeira demo tape oficial chamada “Victim Of Imperfection”. Nos conte como foi toda a concepção deste trabalho…

Zulbert Buery – Cada em seus postos, fomos desenvolvendo o restante do trabalho e “Lapidando” nossas composições, ensaiamos bastante e com muitos poucos recursos atingimos algo grandioso. Foi muito interessante por que amadurecemos muito em tão pouco tempo e atingimos um objetivo que pra mim por mais clichê ou redundante que seja, histórico, a proposta daquele tipo de Death Metal e a forma de se executar aquilo, pra mim foi uma experiência única além das respostas super positivas desse trabalho que realmente foi muito gratificante até os tempos de hoje!

Este trabalho contou com o apoio de algum selo ou foi totalmente independente?

Zulbert Buery – 666% independente, material bem elaborado com capa em papel couche etc… Tudo produzido e distribuído pela própria banda, mas com edição limitada em 100 cópias a partir daí é bootleg (o que não me incomoda nem um pouco, sendo feito de forma correta).

Esq. para Dir.: Max, Anton Naberius, Ricardo e Zulbert Buery, Foto por: Divulgação

Um ano após, 1995, a banda apresenta um novo guitarrista em seu line-up, é então integrado à banda o Josias Lago assim somando mais uma guitarra ao lado do Ricardo Oliveira. Ele já era amigo de vocês? Já tinha participado de alguma banda? Como se deu a entrada dele ao Inoculation?

Zulbert Buery – A convite do Ricardo ele ingressou na banda, ele era amigo do Ricardo e acabou nos conhecendo e criamos uma amizade logicamente, comigo e com o Max, a entrada dele somou muito com o som que estávamos tocando e cada vez mais com sua personalidade maior, atingimos um certo ápice, do que queríamos executar, e foi mais um salto surpreendente pra banda e suas composições cada vez mais elaboradas e executadas, riffs, arranjos, solos e bateria cada vez mais original e muito mais técnico que antes, posso até ousar a dizer que beiramos ao “Progressive Death Metal” da nossa forma mantendo a brutalidade e sempre, nunca nos rendemos ou amolecemos e sempre Death Metal!!!

Agora com mais um novo guitarrista, vocês gravaram um live tape intitulado “Germins In Manifestation” e que teve uma distribuição bem limitada. Onde foi gravado esta live tape? O fato de a distribuição ser bem limitada foi por causa de alguma posição ideológica da banda ou foi por causa das (frequentes) dificuldades enfrentadas para uma boa distribuição na época?

1995 – Germins In Manifestation “Live Tape”

Zulbert Buery – Eis que a duas novas composições ficaram órfãs após o termino da banda e nunca gravadas em estúdio em nossa fase mais elaborada de acordo com a proposta que citei a na última questão a cima. precisava mostrar o material pras pessoas que estavam sempre do nosso lado e que permanecem até hoje mesmo após todo esse tempo sabendo o que realmente a banda significava naquela época, momento. Áudio foi extraído do nosso vídeo do show Garage Rock aqui em Salvador no extinto Creole Cajun Bar, no Centro Histórico da cidade em 1995, foi uma noite muito fudida, ao lados dos nossos irmãos do INAFAMOUS (Death Metal e Salvador,BA) e KADDISH  (excelente Death Metal\Grindcore\Deathgrind de Salvador,BA)

 

 

Josias Lago, Foto por: Divulgação

Esse foi um ano conturbado na carreira do Inoculation, dois de seus integrantes originais, Ricardo Oliveira e Josias Lago, deixam a banda. Quais foram os problemas que os fez sair?

Zulbert Buery – É sim, infelizmente foi isso mesmo, o que quebrou as pernas da banda, ficamos mutilados, o baterista desanimou porque ficamos na mão, resolveu ir cuidar de sua vida pessoal e a banda ficou na morgue, parou suas atividades por um pequenos prazo de tempo.
Problemas pessoais e de comunicação, ocorreu um pequeno desentendimento que foi o estopim pra os outros dois membros decidirem seguir com o seu projeto já em prática naquele momento.
Tenho uma grande irmandade com Ricardo até hoje, nos damos muito bem, ele sempre será um “Inoculator” e os demais também da mesma forma!!!
INOCULATION FOREVER (Palavras de Ricardo)!!!!

Dados as circunstancias e como declarado por você, “a precariedade de músicos realmente comprometidos com a postura adotada pela banda”. Você então decide encerrar momentaneamente as atividades do Inoculation. Como essa noticia foi recebida pelo seu público? E o qual a reação do Max Gomes ao saber de sua difícil decisão?

Ricardo Oliveira, Foto por: Divulgação

Zulbert Buery – As coisas aconteceram naturalmente por parte de Max que simplesmente naquela fudição dele (risos, podreira total), deixou tudo ir pelo ralo desanimado, eu meio sem saber o que fazer, deixei o tempo passar um pouco e fiz alguma coisa com dois amigos que se mostraram dispostos a tocar Death Metal e demos uma repaginada na coisa (no bom sentido é claro), mantemos a proposta de sempre DEATH METAL como sempre!!!

Neste período que a banda esteve em “Standbye” você esteve participando de algum projeto?

Zulbert Buery – Acabei finalmente gravando algo com WINTERMOON (Occult Dark Metal de Salvador fundada em 1994). Finalmente fiz uma tiragem limitada da demo; “Lua – Divina Mãe de Todas as Épocas” e finalmente divulguei o som desse “evil project” em uma fudida noite de Metal Negro da Morte aqui em Salvador. E dei forma ao PRODEATH ‘Zine, Death Metal ‘Zine! O que também me foi muito gratificante apesar de só ter feito um número, me fez lembrar e sentir o gosto do meu antigo ‘zine, o BLACK BOOK ‘Zine.

Esq. para Dir.: Vitório Amoedo, Tony Assis, Marcelo Benati e Zulbert Buery, Foto por: Divulgação

Depois de quase três anos de inatividade, em 1999 a banda retorna com a formação totalmente reformulada. Quem eram as pessoas que se aliaram à banda e como foi esse renascimento?

Zulbert Buery – Como disse a cima deixei o tempo passar um pouco e fiz alguma coisa, com dois amigos que se mostraram dispostos a tocar Death Metal e demos uma repaginada na coisa (no bom sentido é claro), mantemos a proposta de sempre DEATH METAL como sempre!!! Foi um ótimo retorno, posso lhe dizer, muito bem aceito e tocamos em todos os festivais de DEATH METAL daquele período em nosso estado, realmente chapante demais e com o muito reconhecimento ao nosso trabalho\esforço. Esses amigos eram Marcelo Benati que também fez parte do Impetuous Rage e o outro Marcos Mendes, que estava afim de colar e fazer esse som naquela época, e deu certo, seguimos tocando até a sua saída. Não esquecendo de nosso baixista Tony Carvalho, que também fez um excelente trabalho e o nosso guitarrista Vitório Amoedo, que da mesma fez um excelente trabalho e gravamos uma faixa que se tornou um hino o Death Metal soteropolitanos naquele período, com sua letra fora do comum e descompromissada o que envolveu a todos além dos riffs cortantes e solos mutiladores; “Wake Up To See…” FOREVER!!!! E por fim, mudar de formação pela última vez e finalizar as atividades por completo com chave de enxofre com mercúrio com a presença de Guilherme Saldanha nas guitarras e Marcelo Benati se mantendo na bateria e eu baixo e voz!!! Foi uma noite memorável ao lado do Funeratus, (um grande salve ai vagabundagem!!!!! hehehehe…)

Nessa nova formação o Max Gomes já não está mais participando da banda, você o convidou de volta ao Inoculation? O motivo da pergunta é que em 1996 ele foi o único membro junto a você a não desistir da banda…

Zulbert Buery – As coisas aconteceram naturalmente por parte de Max, que simplesmente naquela fudição dele (risos, podreira total), deixou tudo ir pelo ralo desanimado. Ou sei lá, pelo menos foi o que transpareceu, a desistência do mesmo que foi cuidar de sua vida pessoal, profissional em outras áreas e etc…

2000 – Wake Up To See “Promo Track”

Depois de um ano e já com nova formação vocês lançaram uma promo tape chamada “Wake Up To See…”, me lembro bem dessa promo ter sido comentada por todos e que inclusive chegou em minhas mãos através do guitarrista Marcos Mendes. No seu ponto de vista essa promo foi o material que fez o Inoculation ser ainda mais conhecida?

Zulbert Buery – Foi uma grata surpresa para muitos essa reatividade e nova composição mantendo músicas do passados e tocando as atuais (daquele momento) eu acredito que essa promo tenha feito sim a banda ter sido mais divulgada, também devido aos veículos de comunicação já existentes dessa época, além da compilação que participamos; “Darkness Sets In”, também com a promo propriamente dita, mostrando que a banda estava viva e com força, brutalidade, som poderoso e infernal, Unholy Death Metal!!!! “Wake Up To See…” se tornou um hino dos deathbangers de rua frequentadores de bares diversos e casas noturnas\night clubs de Salvador, mais uma vez destacando a sua letra fora do comum e descompromissada o que envolveu a todos além dos riffs cortantes e solos mutiladores e bateria pesada; “Wake Up To See…” FOREVER!!!!

Como foi a distribuição e a reação do publico que esperava ansiosamente pela volta da banda?

Sentido Horário: Marcelo Benati, Tony Assis, Marcos Mendes e Zulbert Buery, Foto por: Divulgação

Zulbert Buery – Esse momento o com foi uma rápida mudança de público em nossas terras e muitos já era uma outra geração e a sede de muitos foi saciada dos que já conheciam e os que queria presenciar apresentações nossas e ficamos fortalecidos e fomos abraçados pelo público mais extremo do país!!! Mas voltamos mais violentos e perversos e cada vez mais com ideologia extremante contra a maior mazela dessa sociedade hipócrita, o cristianismo. Muitas noites violentas de Death Metal, pesado! Público animal e avassalador, tinha que ter atitude pra colar em nossas apresentações. Aliás, pra quem conhece ou conheceu até aquele período de nossa cena soteropolitana sabe do que eu to falando. Nos 13 anos de brutalidade, foi foda… que publico, violento demais, tocamos e pude ver duas rodas de fogo infernal, onde nunca tinha visto aquilo e na naquela noite pra isso foi o destaque com todo respeito aos anfitriões!!! Teve gente pedindo calma no microfone, huahahahahahahaha… Como sempre ignorando qualquer frescura mandei rolar até o fim!!!!

Quando lemos a palavra “promo” isso nos faz pensar que logo um álbum está por vir. E foi o que pensei em ter acesso a este ótimo material. Essa promo foi gravada nessa intenção?

Zulbert Buery – Na verdade o que nos referimos como promo era de promocional, promoção de nossa banda e sua volta pra que as pessoa pudessem conferir a nossa volta e som,  etc… promoção da banda para o seu público e não e advance de qualquer release\lançamento. Foi uma forma de promover a banda e sua atividade e injeção letal!!!

Quanto aos shows nessa época para divulgação desta promo, como foram?

Zulbert Buery – Esse período após lançar o nosso promo tape, tocamos e fomos tocando até o termino da banda, show diversos antes do promo tape e após o seu lançamento, o foco mesmo foi um pouco depois o lançamento da nossa demo. “Christophobic”, em todos os festivais de Death Metal de nosso estado praticamente.

2002 – Christophobic “Promo Track”

Já em 2001 a banda entrou em estúdio para gravar a segunda demo tape “Christophobic” e que teve seu lançamento adiado, a banda declarou na época que os motivos foram problemas técnicos e também outros problemas. Que problemas técnicos foram esses? E desde essa época eu sempre tive vontade de saber… Quais foram os outros motivos para este adiamento?

Zulbert Buery – Sim, os problemas técnicos foram de estúdio, foda, o que nos atrasou um pouco mas também sempre deixamos tudo ocorrer de acordo com seu tempo sem pressão e nem nada do tipo, esse problemas técnicos foram de produção, creio que por parte da banda e em parte e do estúdio também, coisas tipo de execução nossa mesmo estando bem ensaiados, quanto do próprio estúdio, tanto é que parte da demo foi lançada um tempo depois, a demo ficou só com dois sons e um bonus track…  Certas coisas que eu também procuro entender até hoje com toda chapação…

E por causa destes problemas a banda conseguiu lançar a segunda demo oficialmente um ano após, 2002, e nesse trabalho a banda apresenta 2 faixas e 1 bonus track. Devido as dificuldades outrora passadas para este lançamento, a distribuição foi satisfatória? O que você nos fala a respeito deste trabalho?

Zulbert Buery – Valeu a pena! Foi sim, muito satisfatória foi muito bem distribuída realmente surpreendente, muitas distros por todo país distribuiu essa demo de forma significativa para nós a ponto e me surpreender até hoje com o número e cópias da mesma, realmente ficou de acordo com o que procurávamos e queríamos mostrar ao nosso público, ao público de Death Metal em geral e a todos interessados em nosso trabalho até os tempos atuais.

Logo após deste trabalho lançado a banda volta a ter problemas no seu line-up, desta vez foi o Tony Carvalho que saiu da banda. O que o fez sair da banda?

Zulbert Buery – Vitorio Amoedo não gravou “Christophobic”, ele saiu antes de Tony, realmente Tony saiu após Christophobic logo após Marcos Mendes ter saído… dai ficamos eu e Marcelo.

Sendo que antes dele sair também saiu o Vitorio Amoedo, assim deixando as guitarras sob a responsabilidade do Marcos Mendes. Como foi essa transição de você voltar a tocar baixo e a banda continuar com apenas um guitarrista?

Zulbert Buery – Após Tony Carvalho desistir eu toquei baixo até o termino da banda me senti como em 1995, que sensação, o último show do Inoculation foi algo mágico, muito tesão! foi tocando com força,  foi forte e verdadeiro, mais do que já era, pra mim é indescritível, quem quiser que ache o que quiser, hehehehe…

Na sua opinião, quais são as incompatibilidades que os ex-integrantes tiveram para que sempre houvesse essa desestabilização frequente no Line-up da banda?

Zulbert Buery – Houve uma incompatibilidade por parte de um membro ao meu ver, fora isso todos fizeram o que quiseram fazer, esse também é o meu lema, desde que não prejudique as atividades da banda, nunca fui general nenhum e qualquer pessoa que se dispor a somar com o nosso trabalho sempre foi bem vindo e nunca foi propriedade alguma de nada, sempre seres que fizeram parte disso tudo.

Inoculation ao vivo com Guilherme Saldanha à esquerda e Zulbert Buery à direita, Foto por: Divulgação.

Sendo assim a banda se tornou uma dupla, você agora assume três funções, vocal/guitarra/baixo. Como foi essa readaptação para continuar a banda?

Zulbert Buery – A banda não continuou… Fizemos apenas um ultimo release, tipo uma espécie de newsletter… e assim ficou, creio que terminamos mesmo como um trio.

Neste interim entra na banda o guitarrista do extinto Incrust, ótima banda que infelizmente acabou por motivos que não vou mencionar aqui. Entra na banda o Guilherme Saldanha. E logo após de uma apresentação ao vivo você decide encerrar totalmente as atividades do Inoculation. O Guilherme não conseguiu se adaptar a banda? Houveram outros motivos que o fez findar as atividades?

Zulbert Buery – Não, ele era perfeito sim pra banda e nosso amigo, se dava bem com todos os membros e todas as épocas do Inoculation, mas a banda estava certa de fazer aquela apresentação apenas e só… não cogitamos nada além aquele show… Que foi mais que fudido show!!! Sempre nos demos muito bem até hoje, sempre uma satisfação em rever e encontrar… mas foi isso… Músico excelente!!! Talentoso e criativo!!!

Neste conturbado ano de 2002 felizmente tivemos a grata noticia que você se aliou ao grande Headhunter D.C. assumindo as quatro cordas. Como surgiu essa oportunidade? E como foi a sua adaptação junto ao Headhunter D.C.?

Zulbert Buery – Eu me chapei muito durante esse período todo, durante esse tempo de transição pegando pesado, chapando muito com muitas coisas, naquela intenção dos anos 90, mesmo antes do termino do Inoculation, não lembro de muita coisa daquele período, sinceramente, claro que já era amigo da banda, lembro do Paulo conversando comigo já… Sérgio havia perguntado antes, aí ele veio a Salvador, e fomos ao bar, pedimos umas cervejas e coxinhas também, bem apimentadas!! E ele me admitiu antes do teste… E eu logicamente precisava chegar lá tocando tudo que me foi solicitado, naturalmente… Foi um dia de testes, com o nosso baterista Daniel “Beans” e comigo… todos estavam voltados para bateria e eu também…. Quando todos voltaram pra mim eu estava lá tocando como se já fosse um membro da banda, MEMORÁVEL! Ao final Paulo Lisboa confirmou dizendo pra mim; “arrumamos um batera”!!! batendo forte na minha mão!!! Que experiência!!! E me encontro até hoje como baixista e backing vocal de uma das maiores bandas de DEATH METAL do mundo com 31 anos ininterruptos onde faço parte como membro em metade dessa história, e a outra parte como amigo e eterno fã do HEADHUNTER D.C.!!!!

Zulbert Buery na República Tcheca em turnê com Headhunter D.C., Foto por: Divulgação

Mesmo desativada o Inoculation é uma referência muito importante na cena Death Metal Mundial. Eis que em 2003 foi lançado um Raw Mix Tape juntando os materiais gravados pela banda ao longo de sua existência. Nos fale como aconteceu essa oportunidade para este lançamento… ainda há distribuição deste material histórico?

Zulbert Buery – Muito obrigado por suas palavras a respeito do Inoculation!!! Esse “Raw Mix” tape contém dois sons, duas faixas que fariam parte da demo “Christophobic” de 2002, mas acabamos não colocando as mesma e então mostrei através desses tapes limitados a alguns amigos.

Em 2015 foi lançado pelo importante selo peruano Crypts Of Eternity Productions um live álbum chamado “To DIe Just Be Live (Desecrating Your Soul With Fire)”. Que teve sua prensagem em 300 cópias. Qual show ao vivo está registrado neste álbum? Como surgiu o convite para este live álbum?

Zulbert Buery – Sim, com uma honra imensurável esse CD foi lançado, “To DIe Just Be Live (Desecrating Your Soul With Fire)”, é um “live” nosso de um show de 2001, antes do nosso ultimo show, aqui em Salvador/BA, com certeza mais uma noite matadora de violência DEATH METAL… O Inoculation sempre despertou curiosidade a certas pessoas desde então interessadas em materiais da banda, seja como produtor ou como simplesmente fã de Death Metal, então um dia falando com o meu grande amigo Ricardo Lucas, comentamos sobre este lançamento ainda engavetado em nosso mausoléu perpetuo do Metal da Morte, cogitamos e fechamos esse contrato, mesmo que limitado, muito importante pra nós e praticamente um número ideal pras nossas expectativas (300 cópias), que foi superado, já que até hoje procuram por este lançamento e a sua ultra limitada tiragem de camisetas oficiais também lá no Peru. Mas fiquei muito satisfeito com o DigiCD, a arte ficou MATADORA, com aquele material fosco com o nosso logo metálico, além do adesivo, sem palavras. Eu só tenho a agradecer ao grande Hell-Lucas!!!!!!!!!!!! Might Hails CRYPTS OF ETERNITY Prods Eternal!!!!

2003 – Prodeath “Raw Mix Demo Tape”

Há a possibilidade de uma nova prensagem ou um relançamento deste material aqui no Brasil? Pois sei que ainda há muita procura por este material, eu sou uma dessas pessoas que o procura frequentemente nos selos e catálogos que recebo. 

Zulbert Buery – É justamente o que estou procurando agora, é que algum selo nacional interessado faça uma nova tiragem aqui em nosso país, seja no mesmo formato “DigiCD” ou “Regular CD” mesmo. No formato cassete eu já tenho quem faça aqui no Brasil, em breve revelaremos mais detalhes. Mas a versão CD estou começando a sondar. Por favor, quem se interessar pode entrar em contato; thetrueinoculation@hotmail.com

E em 2018 a banda conta com dois lançamentos o primeiro deles é uma compilação chamada “To Die Just Be Live (D.Y.S.W.F.)” gravado em um show de 2001 e foi lançado pela Rex Mortis Records. Como está sendo a distribuição deste material?

Zulbert Buery – Nosso Live Album ; “To DIe Just Be Live (Desecrating Your Soul With Fire)” foi lançado também no Peru em formato cassete via HEADBANGER Mags & EXPLOSION CEREBRAL Zine, que tem sua distribuição oficial via REX MORTIS REX,  lançamento em ProTape, limitado em 100 cópias, fiquei muito satisfeito a mesma forma que o CD, material de primeira qualidade!!!  O que posso dizer sobre a distribuição desse tape aqui no Brasil, ficou sold out em uma semana ou menos.
Brevemente a versão brasileira desse tape como havia comentado na questão anterior desta entrevista, fiquem atentos, será limitado em 100 cópias. Coming Soon!!!

2018 – To Die Just Be Live, “Live Album”

E o segundo lançamento foi a compilação das demos intituladas “Hidden Paths Of Death” desta vez lançada pelo selo mexicano Dark Recollections. Esse material também está sendo distribuído no Brasil? E como está sendo o resultado deste lançamento lá no México?

Zulbert Buery – Sim, “Hidden Paths Of Death” terá sua distribuição no nosso país e na America do Sul.  Ele ainda está por chegar, mas está pronto e brevemente estará em mãos, a distribuição ficará por parte da REX MORTIS Records aqui no Brasil… Mas com certeza no Peru, Chile, EUA, México, Europa… Em breve estará chegando por aqui, em algumas semanas eu creio.  A expectativa está grande por aqui e no exterior também da mesma forma, para aqueles sempre interessados maníacos pelo nosso som e estilo, os que também já apreciam a nossa origem, Salvador Death Metal City e suas maldições!!! Com certeza não irão se decepcionar de forma alguma!!!
Esse CD é muito importante pra história da banda, é uma grande homenagem a todos que fizeram parte da mesma, todos os que caminharam juntos conosco e com nossa história, e aos que apreciam a nosso som, arte & ideologia!!!

Mesmo desativada o Inoculation continua realizando grandes feitos. Isso de alguma forma te motiva a pensar numa possível volta as atividades?

2018 – Hidden Paths Of Death “Demo Compilation”

Zulbert Buery – Sinceramente, não! Já tentaram me convencer a montar a banda pra fazerem um show do Inoculation com bandas e abertura com tudo pago e achei melhor não fazer. Muitas pessoas, perguntam, pedem, opinam…
Ensaiando as músicas novas do próximo álbum do HEADHUNTER D.C., precisamos finalizar este trabalho o quanto antes, pois já está mais que nora desse nosso novo lançamento. Hail DeathCulters!!! LONG LIVE THE HUNTER!!!!
Estou tentando gravar com o meu projeto, o LEPROVORE (One-Zombie-Man Haunting Death Metal), estou em uma pré-produção, mas ainda com muitas coisas pra fazer, inclusive em minha vida pessoal, além do TRAUMATIC AUDITIVE POLLUTION (eu e o Daniel Excruciator do ROTTING FLESH) que é uma banda ativa, gravando ou se apresentando. D’entre outras coisas que se reservam para 2019, eu espero que tudo conspire para mais esse fechamento do ciclo deste futuro tão próximo.

Meu amigo Zulbert, saiba que sou um admirador de sua carreira e de você como pessoa. Sua postura segura e intacta é realmente uma referencia para a nova geração de cultuadores do Metal da Morte. Muito obrigado pela entrevista cedida e espero revê-lo em breve, as últimas linhas são suas….

Zulbert Buery – É com muita honra e satisfação que finalizo meus insultos por aqui e que toda essa escoria cristã seja desbancada em um futuro pelo menos nesse país “igrejão” a céu aberto apoiados por pessoas que se dizem Metalheads ou pessoas que realmente foram envolvidas, e que também foram peças importantes, mas hoje muitas mascaras caíram… Esses vermes merecem desprezo e serem expulsos do Underground, como sempre foi a medida tomada nas ruas!!! DEATH METAL de rua sempre, Profanação de Cemitérios eternamente!!!! Die Hard Metal Noizer!!!!!!!
MUITO obrigado pelo espaço cedido, e por essa oportunidade de poder estar colocando a nossa história em público de forma tão detalhada esclarecida e bem acompanhada, isso é um grande reconhecimento e será sempre lembrado e valorizado, gratificante! Você realmente fez sim parte de hall de amigos, com certeza, lembro muito bem de todos aqueles dias\noites daquela era que você presenciou, um pedaço de uma época de aço e fogo por aqui nessa Terra Sem Salvação que sempre foi o máximo subterrâneo ao extremo e hoje praticamente Salvador DEATH METAL CITY!!!
Gostaria de agradecer muito a Dark Recollections Production e Crypts Of Eternity Productions, Compilation Of Death Productions, Headbanger Mag & Explosion Cerebral ‘Zine, Angel of Cemetery Records, Rex Mortis Records. Um Grande Hail e brinde também a todos que se dispuseram a ler essas purulentas linhas do nosso Death Metal Soteropolitano até o fim!!!!!!
Morte a todos “duas caras” que cruzaram meus negros caminhos e seus argumentos falidos, apodreçam e morram com suas mentiras e falsidades, fracassados!!!
SALVADOR DEATH METAL LEGIONS.

Abaixo as promo tracks “Wake Up To See” e “Christophobic”, também a faixa “Mysterious Visionary…” pertencente ao live álbum To Die Just Be Live:

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Eden Lozano

Programador e designer gráfico para a web, com diversos trabalhos realizados com foco na informação e fortalecimento do underground.

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