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LITOSTH – “Crossed Parallels of Self Refraction”

CD - 2020 - Sulphur Records/ Cold Art Industry

Tudo nesse material é impressionante, visto o nível alcançado pela polidez da gravação ao bom gosto impresso em seu material físico. Um Digipack de três painéis onde se percebe o envolvimento profundo de (quero crer) seu criador Maicon Ristow, naquilo que tudo indicava ser uma one-man-band.

LITOSTH nos entrega um material muito rico, aparentemente muito estudado e muito bem realizado por Maicon, que assina a arte da capa assim como todos os instrumentos e composições dessa obra. Também aparece a figura de Wendel Siota como compositor das letras do material e o baterista Leonardo Pagani. Todos esses caras são experientes músicos, com uma boa quilometragem em bandas como MYSTERIIS, SWORDS AT HYMNS, PATRIA, DARK CELEBRATION etc., ou seja, experiência de sobra em grandes expoentes da cena nacional e nesse trabalho não poderia deixar de transparecer tamanho amadurecimento.

Crossed Parallels of Self Refraction” é um álbum cheio de sonoridades marcantes, com linhas melódicas sem perder o peso que requer uma banda com esse tipo música extrema. Suas passagens lidam muito bem entre o mid tempo e os acústicos que foram muito bem estruturados, preenchidos com teclados soturnos e linhas de guitarra que dão uma tônica incrível às músicas. As letras me parecem estar voltadas ao introspectivo, muito imersas num mundo interior e conexões metafísicas. Essa ambientação dentro da escala tradicional do Black/ Death praticado pela LITOSTH, faz com que o som seja extremamente interessante.

O tempo todo as músicas nos remete à uma atmosfera naturalista, mas aquele aspecto niilista das letras confronta com essas melodias ali impregnadas, deixando as músicas com o tom que citei acima, o tom metafísico, algo transcendental, uma viagem interior, porém com incessantes buscas espirituais negativistas em muitos casos, talvez “Kharmic Meditations” seja a melhor síntese desse álbum, que consegue mesclar bem as estruturas sonoras criadas por Maicon e escritas por Wendel, as composições se harmonizam num duelo que insisto em elucidar, sob os auspícios do naturalismo e a rispidez do niilismo: “Eu observo em silêncio a metamorfose dos séculos/linhas paralelas de existência que se cruzam/a razão do colapso versus a emoção em descargas espirais ascendentes de desejo e torrentes de lágrimas”.

O material é de fato muito bem feito e a musicalidade tende a nos parecer as bandas de Black Metal Europeias de uma veia mais próxima do Pagan Metal, com sonoridades peculiares, vocal semi-rasgado e vozes normais que surgem ocasionalmente, assim como narrativas, porém no geral é um Black Metal realmente atmosférico com suas composições criando um eixo dentro do seu próprio centro, ou seja, as músicas possuem o mesmo nível de composição com produção de Dave Deville (que também já produziu os materiais da SWORDS AT HYMNS) e arte gráfica do já renomado Marcelo Vasco.

Confiram a faixa ” The Ashes Of Our Discontent”:

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

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