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LORD WIND – The Forest is my Kingdom

Warheart Records (Importado)

Tivemos acesso ao novo álbum do Lord Wind, o que agradeço muito a Olya Fudali e seu esposo pela amizade e por pacientemente ceder a minha insistência em resenhar este trabalho o quanto antes. Esta é a segunda Review publicada do Lord Wind sobre seu material novo, a primeira, claro, pertenceu a própria banda. Lembrando que a versão física em CD sai dia 10 de Agosto mundialmente!

Após anos de silêncio, o Senhor do Vento está de volta e já havíamos dado uma prévia deste trabalho com a news e a faixa inédita “Rusalki”.

O álbum abre com a faixa “Chants of the Forgotten Palace“, uma bela faixa instrumental que realça bem as características da banda: ritmo, arranjos elaborados e rusticidade. Aqui lembramos o tempo que o Lord Wind não possuía vocais. Evocava através dos instrumentos as forças mais antigas.

Na sequência somos recebidos por “Severnyj Veter” e que faixa. As vozes de Olya Fudali (Lantseva) dão ao álbum como todo uma aura mágica. É bem impressionante. Destaque aqui para o violino de Katarzyna Nowosadzka que também divide os vocais com Olya.

A lenta “Leshy ” é linda e em inglês. O quanto esperamos por isso. Aqui as chamas da fogueira aquecem as mãos, o coração e afasta as feras da noite. O drama lírico é surpreendente. Olya é uma verdadeira Skald. Essa faixa é uma das minhas favoritas! Rob não decepciona nas cordas e há muita engenhosidade dos acordes.

Czarny kruk ” vem logo em seguida e temos o ritmo eslavo mais encantador, digno das rodas pagãs e música eslava tradicionais. Destaque aqui para Paweł “Lumir” Semrau e com seus instrumentos escandinavos parece nos transportar para outros tempos, outras eras, outro solo, para a Escandinávia medieval da era viking. Inevitável não sentir a bênção dos deuses ao ouvir esta faixa. O dueto das vozes femininas é de arrepiar. Muita melodia para poucos 5 minutos.

Em “Królowa Śniegu ” literalmente “Rainha da Neve” em polonês podemos ouvir um conto onde o inverno toma a terra, escurece o dia e seus ventos rondam as árvores como asas de corvos. Muito impressionante o apelo cultural e ao naturalismo que é apresentado, A intimidade com a natureza. Tudo isso à pálida luz de uma lua triste.

Oj, moroz moroz ” Oh, geada, geada” que tanto encanta, mas que se cair, vai impedir que eu chegue em casa em meu cavalo branco e de acordo com o conto, a esposa é bastante ciumenta e não vai entender o atraso de seu amado. Destaque aqui para as cordas e para o dueto de vozes de Olya e Katarzyna, o quanto amo essas vozes juntas. Que a geada não caia e que o nosso cavalo não sofra e que cheguemos logo em casa.

Drzewo Przodków ” literalmente “Arvore Ancestral”, se você não se arrepiar com o hino feito em tributo à Yggdrasil nada mais vai te comover. Arvore Sagrada que protege seu povo e que faz os raios caírem sobre os inimigos e cujas raízes escuras e profundas atam o destino pelas fiandeiras trançados a todos os homens. Vozes e o conjunto instrumental são o atrativo aqui. Uma das melhores do álbum. Muita maturidade instrumental e ao mesmo tempo mantendo os elementos arcaicos que tanto gostamos.

Com a dançante “Pagantiga ” celebramos o paganismo e o culto ancestral. Entorne sua cerveja, prepare seu festim porque hoje é dia de os guerreiros contarem seus feitos à luz da fogueira em meio a neve. Não deixe que a sensibilidade passe despercebida aqui. Robert Fudali tem muito a oferecer criativamente e esses arranjos mostram sua versatilidade incomparavelmente.

Chegamos a única faixa conhecida na época em que o Lord Wind introduziu as vozes das valkyrias a primeira vez. Trata-se de “Rusalki “, retratando seus cabelos castanhos dourados ao sol. Sua dança, a forma que adorna seus cabelos. A faixa é um tributo ao trovadorismo. Dançante, então libere o guerreiro festivo que há em você. Destaque essencial para o álbum!

Tributo aos deuses ancestrais? Temos isso em “Cult of Seth” que traz uma aura ritualística com os mesmos instrumentos, sem os samples que eram comuns nos álbuns anteriores para geral aquela atmosfera clássica de cultos ancestrais, mas acredite, o Lord Wind consegue manter o padrão das faixas ritualísticas mesmo sem os samples e interlúdio.

Tenho um apreço por esta última faixa. É tudo que imagino do Lord Wind, as Skalds cantam um uma história com Trolls e um pobre menino, bastante comovente, ela se chama “Herr Mannelig” e é a faixa em sueco do álbum. Comovente e uma lição como as histórias do Lobo Mau, lembra? Vale a pena conferir sem spoilers o final da história e deste álbum lúdico e encantador.

NOTA: 10/10

O Lord Wind me comove bastante. Traz elementos culturais eslavos e medievais que compartilho e você pode sentir o cuidado em tratar os arranjos e as faixas para que tudo soe coeso e harmônico. Que as vozes se mantenham e materializem tudo que os deuses sonharam para nós em Midgard!

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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