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LOW LEVELS OF SEROTONIN – Katharsis (Advanced)

Heavy Metal Rock - Nacional

Depois da aparição magnifica da maior revelação do Doom Metal, o Deep Memories, banda que conquistou literalmente todos os quatro cantos do planeta tendo seu debult álbum lançado em várias versões internacionais, o seu mentor Douglas Martins este ano nos impressionou mais uma vez.

Volto a afirmar, impressionou. O cara nos mostrou seu extremo talento como produtor neste trabalho, e, não só produziu como mixou e masterizou todo o CD.

Low Levels Serotonin é uma banda comandada pelo Willian Gonçalves que foi companheiro de banda no Desdominus, mais especificamente no álbum Without Domain.

Depois de muito anos esse reencontro entre velhos amigos surgiu uma gloriosa parceria que nos trouxe esse que pra mim será o maior lançamento de 2019.

Estamos falando de músicos experientes e que uma forma magistral consegue fazer Doom Metal com uma identidade própria além de ser muito cativante. Ouso a dizer que estes caras estão recriando o estilo que esteve adormecido por muito tempo e agora volta a sua plenitude apresentando novas formas de execução que ainda digo que se tornou uma grande evolução no estilo.

Em Katharsis estamos falando de um trabalho que chega muito, muito próximo a perfeição, aqui encontramos peso, atmosferas caóticas e soturnas. Uma perfeita transcendência que vai do ódio as mais belas e gélidas melodias, tristes e suicidas.

Musica realmente feita para espíritos solitários, espíritos que estão mergulhados na saturnidade, no umbral seus pensamentos.

É de fato um estilo de músicas que nos envolve como tentáculos que nos abraça e nos imerge entre o extremo prazer auditivo e o desespero angustiante da melancolia que nos deixa frios e introspectivos.

Esse álbum é tão poderoso que eu te digo em verdade, ouça sozinho, nos momentos que você estiver pronto para viajar e se envolver emocionalmente com este artefato belo e maldito. Este trabalho não é feito para pessoas fracas, seu teor psíquico pode te afetar.

Eu me pergunto ao ouvir, como estas almas envolvidas neste trabalho conseguem criar algo que sentimos seu clima nocivo e ainda assim queremos ouvir mais e mais?

Um CD que vai te emocionar, vai acender seu intimo mais revoltoso e te deixará introspectivo, quando menos perceber, sentirá suas lágrimas escorrendo no rosto.

E neste artefato obscuro além do Willian Gonçalves, está envolvida a alma impura chamada Guilherme Malosso do renomado Motherwood nos vocais, então como descrito acima, prepare-se, pois, é um trabalho entorpecente, viciante e acima de tudo dominante.

A capa deste álbum de estreia do Low Levels Serotonin foi feita pelo artista Carlos Fides (Artside Studio) que conseguiu brilhantemente traduzir os climas misantrópicos deste artefato em uma imagem sombria e também intrigante.

Neste bonito e pálido trabalho a banda nos traz nove músicas que se inicia uma Intro que com suas belas melodias sentimentais anunciando a chegada de The Wind Tries To Say Something, música que nos causa calafrios e logo de primeira nos faz nos transportar entre partes com absurda melancolia às suas partes raivosas, nos remetendo um certo questionamento existencial com uma aura perturbadora.

Depois dos angustiantes guturais e sussurros vem a faixa O Saber, essa musica permeia entre o Doom Metal e o Death Metal, e ainda assim como uma sonoridade old school. Uma musica que nos lembra antigos trabalhos do Amorphis e bandas similares que fizeram história nos anos 90. Mas não se atenha completamente a minha referência, como já dito acima essa banda tem identidade própria e passa longe de ser um plágio.

E vem faixa Chaos que segue as mesmas características da música O Saber, só que mais intrigante e realmente caótica como o próprio titulo já diz. Essa música é uma bela expressão literal de introspecção e raiva.

E aqui também encontramos brutalidade, Redundant Lies Become Truths música a qual mesmo que estamos abalados sentimentalmente, consegue nos perturbar ainda mais… pois entre seus riffs executados nos moldes escandinavos dos anos noventa conseguimos absorver todo clima triste e desesperador.

Aí já imergidos no umbral vem A Pale Tone que ao ouvirmos só conseguimos enxergar a tudo de um modo pálido, sem cores, sem alegria… música para noites frias, nuvens negras e fortes neblinas onde você se pergunta o que poderá estar por trás…

E por trás desta neblina cinza e congelante vem Endorphin, instrumental quem vem carregada de angustias e tristeza…

…tristeza essa que se completa com Out Of My Control, que junto a toda viagem sonora já percorrido até aqui nos emociona e descontroladamente sentimos lágrimas escorrer dos olhos e que logo é tomada por um ódio em berros guturais e monstruosos. Essa música é como um espirito obsessor que você tenta de desvencilhar, mas ele sempre está ali ao seu lado te chamando… como uma doce voz que você tenta resistir e percebe que não consegue se libertar…  mesmo sabendo que te levará para baixo o prazer de estar ali é avassalador e inebriante. Dor e prazer….

E para finalizar este artefato ouvimos pianos soturnos… sim um Instrumental feito para almas suicidas e sofredoras, fazendo deste trabalho como um todo uma catarse explosiva de sentimentos que se afloram a todo momento, a cada parte executada aqui. Uma tradução literal do caos que envolve nossos pensamentos e nos faz externar nossas tristezas, frustrações e angustias. Um delicioso cálice venenoso que atinge a pisque humana com belas e torpes agonias na dualidade entre viver e morrer.

Nota 10/10

Lançamento previsto para Julho/2019

Ouça abaixo a faixa que foi liberada para audição, Out of My Control:

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Eden Lozano

Programador e designer gráfico para a web, com diversos trabalhos realizados com foco na informação e fortalecimento do underground.

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