Entrevistas

LUVART – Não temos problemas em nos colocar como uma banda de Black Metal, pois é o que somos!

“Esculpimos nossa própria identidade trazendo referências que são significativas para nós!”

Mais uma grande banda nas galerias sangrentas da Lucifer Rising, esta traz com muito orgulho a presença da veterana Luvart, apesar de seu hiato de quase quinze anos fora de cena, os mesmos conseguiram manter todo seu ideal ao retornarem e construíram um império de sentidos opulento e marcante. Nesta conversa poderemos conferir seus pensamentos sobre seus álbuns, seu tempo de reformulações, revelações e um pouco sobre a ideologia que cerca essa entidade.

Brucolaques, Foto por: Divulgação

Salve, nobres! Apresente-nos vossa banda para os leitores das galerias da Lucifer Rising:

Brucolaques – Saudações, Naberius! LUVART é uma banda de Black Metal, fundada por mim em 1993, na cidade de Juiz de Fora/MG, com um curto período de atividade nestes primórdios já que, em 1995, a banda entrou em um profundo silêncio que durou quatorze anos, mas em 2009, resolvi retomar as atividades e dar continuidade de onde havíamos parado, em 1995. Como lançamentos, tivemos as demos “Killing for Religion” (1994), “Bestial Devotion” (2010), os álbuns “Necromantical Invocation” (2012), “Rites of the Ancient Cults” (2015), o 7”EP “Book of Shadows” (2015) e o mais novo álbum “Ruler of Chaos” (2018). A atual formação consiste em Brucolaques (vocal/guitarra), Necromayhem (baixo), Kholddun (teclado) e Blood Devastator (bateria).

A banda iniciou em 1993 e se dissolveu em 1995 só retornando quatorze anos depois. Quais acontecimentos influíram para a ruína e o renascimento da banda em 2009?

1994 – Killing for Religion “Demo k7”

Brucolaques – Chegamos a um ponto, em 1995, que não havia pessoas em condições, ou disponíveis, para integrar a formação da LUVART após termos a saída de três integrantes em curto espaço de tempo. Diante disso, optei por adormecer a banda ao invés de profanar seu nome com pessoas que não tivessem conexão com os princípios filosóficos e objetivos estabelecidos pela banda em sua fundação, já que ter meros músicos era algo totalmente fora de questão. No início de 2009, em uma de minhas conversas com o grande camarada Hashcloud (ex-Songe D’ Enfer) sobre os gloriosos anos 90, lhe apresentei a demo “Killing for Religion”, lançada em 1994 e, daquele momento em diante, a necessidade de cumprir antigos objetivos postergados foi o fator determinante para que LUVART retornasse do ponto onde havia parado, quatorze anos antes. As poeiras do tempo não puderam impedir o renascimento e sua sinuosa caminhada, desde então.

Logo ao retornarem vocês lançaram uma demo numa limitadíssima tiragem de 50 cópias e mais tarde assinaram com a grande Hammer of Damnation para lançarem seu primeiro álbum. A repercussão da demo rendeu esse contrato ou fatores outros como amizade e contatos que o underground proporcionam, foram primordiais?

Brucolaques – Eu diria que um pouco de cada coisa. Eu e Luiz Carlos, dono da Hammer of Damnation, tínhamos contatos na década de 90 e retomamos estes contatos após o renascimento da LUVART. Quando a demo “Bestial Devotion” lhe foi apresentada, houve um interesse de ambas as partes em trabalharem juntas e iniciamos as conversas para firmar a parceria entre selo e banda o que, posteriormente, resultou no lançamento do álbum “Necromantical Invocation”, em 2012.

2010 – Bestial Devotion “Demo K7”

Entre o primeiro e o segundo álbum houve uma troca de selo, a que se deveu essa troca e quais as diferenças que vocês encontram entre estes álbuns?

Brucolaques – Não houve e nem há qualquer tipo de problema entre a LUVART e Hammer of Damnation. Nossa opção em assinar com a Drakkar Productions foi uma oportunidade que consideramos importante para o ciclo evolutivo da banda. Seremos sempre gratos à Hammer of Damnation pelas portas abertas e por investir em seus esforços no lançamento do álbum “Necromantical Invocation”. Posso dizer que este álbum capturou bem aquela velha atmosfera sinistra dos anos 90, porque foi inicialmente composto naqueles anos, resistindo ao teste do tempo, quando lançado. O desafio maior neste álbum era restabelecer LUVART como sempre foi, mas já ter um ponto de partida, que era trabalhar em idéias que estavam inacabadas ou apenas lapidar o que já estava feito, tornou as coisas mais fáceis para nós. Já, no álbum “Rites of the Ancient Cults”, tivemos o desafio de iniciar todo um novo trabalho, tomando o devido cuidado de não repetir o que havíamos feito no álbum anterior, mas ao mesmo tempo, preservando nossas características principais. Um fator importante a ser mencionado entre um álbum e outro foi a troca de vocal, já que assumi esta função com a saída do vocalista anterior o que impactou positivamente em “Rites of the Ancient Cults”. Este álbum soa mais profundo e ritualístico que “Necromantical Invocation”, retratando os antigos Cultos da Mão Esquerda, entidades pertencentes ao Caos-Gnosticismo Sumeriano, Magia Draconiana e Luciferiana, Quimbanda, baseando-se na sabedoria ancestral gnóstica, abrangendo entidades antiquíssimas. É perceptível também uma evolução no que diz respeito à produção musical e trabalho gráfico entre estes dois álbuns. Sugiro que adquiram os dois álbuns e tirem suas conclusões.

2012 – Necromantical Invocation “Full-length”

O material lançado em vinil é certamente o sonho maior das bandas de Metal Extremo, não só por aqui, mas creio que em toda parte do mundo, qual a sensação de lançar material nesse formato que foi o caso do EP “Book of Shadows”?

Brucolaques – Por termos vindo de uma época em que os vinis estavam em evidência, fazendo parte de nosso período de conhecimento e formação dentro do Metal, foi com muita satisfação que recebemos e aceitamos o convite dos selos Songs for Satan e Misanthropic Records para fazermos o 7”EP “Book of Shadows”, lançado em edição limitada de 333 cópias numeradas à mão. Foi a oportunidade perfeita para gravar uma nova música e um cover da música Symbol of Ignorance, da lendária banda brasileira de Black Metal MURDER RAPE, deixando este lançamento ainda mais especial, fazendo jus a seu cultuado formato em vinil.

Após o retorno da banda em 2009, houve uma boa estabilização na formação, vocês acreditam que isso foi o principal fator que deu alicerce para a banda permanecer ativa por estes 10 anos?

Brucolaques – Nestes 10 anos, tivemos algumas mudanças na formação que foram extremamente necessárias. Escolhas foram feitas e consideradas erradas, com o passar do tempo. O maldito ser humano é sempre uma caixa de surpresas e o conteúdo interno só é descoberto quando a tampa é aberta. De 2009, até agora, somente eu e Blood Devastator permanecemos firmes na condução de tudo, sendo o principal alicerce da LUVART. Hoje, posso dizer com convicção que a banda enrijeceu ainda mais seu alicerce com as vindas de Kholddun e Necromayhem, velhos atuantes e camaradas que comungam dos mesmos objetivos e filosofias dentro da LUVART.

2015 – Rites of the Ancient Cults “Full-length”

Recentemente vocês lançaram o magnífico “Ruler of Chaos”, que nele é possível perceber boas influencias do Death Metal mais cadenciado dos anos 1990. Como foi o processo de criação da concepção do álbum como um todo, essas fontes dos anos 90 são uma constante influencia para vocês ou vocês consideram uma fonte natural, porém buscando traduzir estes conceitos com originalidade?

Brucolaques – Metade do álbum “Ruler of Chaos” é a demo “Bestial Devotion”, de 2010 e optamos por regravar estas músicas porque o que foi apresentado na demo não foi satisfatório para nós. Não queríamos manter músicas tão boas registradas como estavam, então regravá-las com a atual formação foi a oportunidade de dar o devido toque que elas mereciam. A partir daí, trouxemos mais quatro músicas novas com o clima e atmosfera das outras já existentes para que tivéssemos um álbum conectado lírica e musicalmente, como um todo. Algumas pessoas costumam associar nossa sonoridade ao velho Death Metal dos anos 90, mas para ser honesto, não temos quaisquer influências de Death Metal deste período, ou outro qualquer, dentro da LUVART. Nosso trabalho sempre foi calcado no velho Black Metal da década de 90, porque é dali que viemos. Esculpimos nossa própria identidade trazendo referências que são significativas para nós, como os velhos SAMAEL, ROTTING CHRIST, VARATHRON, SARCÓFAGO, MURDER RAPE, etc.

2015 – Book of Shadows “7” Vinyl EP”

Como está a divulgação deste novo material da banda, a repercussão no país e fora dele, assim como os shows e tudo que cerca um lançamento novo para uma banda do underground?

Brucolaques – A divulgação tem sido satisfatória já que a Drakkar Productions faz uma distribuição do álbum na Europa, além de sua base nos EUA, com a Drakkar USA e na América Latina, com a Drakkar Brasil, que foi a responsável direta pelo lançamento do álbum, nos dando todo o suporte necessário. A mensagem proliferada por LUVART tem sido bem compreendida, tanto no Brasil quanto fora e a apreciação tem sido grandiosa, diante do retorno que temos recebido. É inegável que “Ruler of Chaos” é um passo adiante no que estabelecemos como busca constante por evolução. Ainda não tivemos um convite, após o lançamento do novo álbum, para shows, mas se houver um show que nos pareça ser certo para nos inserirmos, então o faremos.

Quais as principais temáticas abordadas pela banda, já que vocês mencionam que produzem a partir de conceitos espirituais poderosos? É possível perceber que a tônica sonora da banda está bem calcada no Death Metal, mas as temáticas próximas ao Black Metal, como vocês a classificariam?

2018 – Ruler of Chaos “Full-length”

Brucolaques – LUVART transmite uma carga de energia que deriva do além, o fluxo do Caos que mergulha profundamente em uma fonte de fogo que não é deste mundo. Como dito anteriormente, nossa sonoridade está direcionada e calcada no velho Black Metal, sem qualquer tipo de influência do Death Metal. Isso não quer dizer que não gostemos ou que não ouvimos bandas deste gênero, mas é algo inexistente na LUVART. Não temos problema em nos colocar como uma banda de Black Metal, porque é o que somos, liricamente e musicalmente falando.

Agradecemos a poderosa participação neste espaço dedicado ao Extremo Metal. Deixo-os livres para suas palavras finais:

Brucolaques – Eu agradeço a você, Naberius, e ao portal Lucifer Rising pelo espaço cedido e interesse em apresentar LUVART a seus leitores.

LUVART Oficial Webstore:

https://luvartshop.loja2.com.br/

Segue abaixo dois vídeos ao vivo:

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

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