Entrevistas

MALKUTH – Sem Subjugação! Seguindo Adiante com a Chama Negra Luciferiana!

"Somos, por natureza, antifascistas...a própria postura luciferiana do MALKUTH jamais aceitaria politicagens extremistas..."

Uma banda que não precisa de apresentações. MALKUTH segue sua jornada no Metal Extremo há longos anos. E entre  batalhas e obstáculos naturais da cena nacional, se mantém firme, proliferando seus hinos negros. Numa parceria entre a SANGUE FRIO PRODUÇÕES e  a LUCIFER RISING, conversamos com Sir Cernunnus Ashtaroth (Vocal/Guitarra):

Um dos nomes já conhecidos no  Black Metal sul-americano: MALKUTH! Primeiramente, muito obrigado por estar concedendo esta entrevista exclusiva ao nosso Portal. Vamos lá! A banda passou por recentes mudanças na formação, sabemos que isto constantemente ocorre no MALKUTH, poderia nos dizer qual o principal motivo dessas mudanças?

R.:Necrosaudações obscuras do MALKUTH! Nós é quem agradecemos por mais esta oportunidade e espaço para expressarmos a nossa ideologia e postura dentro do nosso underground extremo!

Sim, como único membro fundador original remanescente e mentor da banda devo confessar que tais mudanças na nossa formação não são do meu agrado absoluto, porém foram necessárias. Muitos dos nossos ex-membros saíram pelos mais diversos motivos como falta de tempo devido aos seus respectivos empregos e ocupações familiares e/ou até mesmo por falta de dedicação plena às atividades da banda exigidas na época, divergências de opiniões, etc.

Atualmente, estamos nos firmando por enquanto como trio: Sir Cernunnus Ashtaroth (Vocal/Guitarra), Ghoul (Contra-baixo) e Aeshma (Bateria). Estamos averiguando a possibilidade de recrutarmos um segundo guitarrista em breve! Anunciaremos…

Aproveitando a pergunta anterior, essas mudanças atrapalham o andamento da banda no quesito composição/produção de novos materiais?

R.:Cada mudança de formação refletiu na evolução musical da banda, me fez aprender mais sobre teoria e prática musical, a ter mais experiências nos palcos e a lidar melhor com o fator humano alheio. Estamos sempre melhorando em todos os sentidos e a busca pela excelência é um ato natural e essencialmente luciferiano! O único empecilho em cada mudança de formação é o fato de dar um hiato entre a finalização do processo de composição e produção para o lançamento de novos materiais, isto por que se exige um tempo para que os novos músicos “incorporem” as novas linhas musicais e as músicas do repertório antigo para eventuais apresentações.

Houve na trajetória da banda alguma divergência ideológica devido a integrantes terem participado de uma banda de NS Black Metal? *

R.: Isto é um assunto que deveras me causou bastante aborrecimentos há muito tempo atrás. Tentarei ser bem objetivo e não citarei nomes para evitarmos possíveis novos contrassensos desnecessários e inutilmente desgastantes. Em 2001, um conhecido nosso do RJ convidou a mim e ao vocalista do MALKUTH na época para fazermos participações na gravação de uma DT da banda dele. Na época, esta banda simplesmente tocava uma espécie de Black/Death Metal e aceitamos. Até então, tudo bem. O problema apareceu quando esta banda a partir de 2005 assumiu uma conotação WP/Neonazi e começou a lançar materiais fonográficos com este teor inaceitável. Isto, de certa forma, me causou problemas por que muitos da cena me associavam ao passado desta banda, porém tais pessoas têm de entender que na época da nossa participação como convidados eu não poderia adivinhar que posteriormente tal banda iria assumir tal postura e ideologia execráveis e incondizentes ao nosso sistema e cultura brasileiros. Tanto que, desde então, rompi imediatamente os laços de amizade com o mentor desta banda do RJ.

E em relação ao público em geral, causou algum desgaste ou problemas à banda esse vínculo? *

R.: Sim, como relatado na reposta à sua pergunta anterior. Mas, após eu explanar a real situação do que ocorreu na ocasião (sem as falácias e distorções de terceiros que tentaram nos difamar), muitos compreenderam. E quem nos conhece, sabe do nosso posicionamento quanto a este tema. Somos, por natureza, antifascistas, por diversos motivos: somos um povo mestiço e a nossa diversidade cultural e a própria postura luciferiana do MALKUTH jamais aceitariam politicagens extremistas que visam extorquir a nossa liberdade humana e segregar a sociedade em castas raciais. Isto é inaceitável!

Nosso intuito é esclarecer e deixar claro a opinião do entrevistado. Vivemos, infelizmente, numa cena que o “disse me disse” tem mais valor do que ir diretamente na fonte. Dessa forma, ainda referente ao que nos esclareceu sobre o vínculo com a banda carioca de NS; Muito também se falou sobre o cover do Burzum feito pela banda na década de 90. Uma banda que não tem meio termo, ou ame ou odeie. Fale nos um pouco sobre o assunto.*

R.: No início da década de 90 bandas da Noruega de Black Metal como Mayhem, Dark Throne, Burzum, Immortal, Emperor, entre outras, eram pioneiros no estilo, influenciaram sonoramente e a onda de igrejas queimadas inspiravam muitas bandas obscuras do planeta inteiro. Isso é inegável, assim como o Sarcófago e outrora grandes bandas como Bathory, Celtic Frost e Hellhammer influenciaram. Na época, quem se lembra ninguém estava antenado com esse lance de NS, naquela época chegamos sim a tocar uma música do EP “Aske” em um show local em Recife por acharmos a atmosfera sombria da música. Éramos jovens demais, claro, que alguns anos depois jamais tocaríamos músicas do Burzum após as declarações e posicionamentos políticos infelizes assumidos abertamente pelo Varg. E é óbvio que para um bom entendedor, isso jamais nos tornaria hoje simpatizantes desta ideologia lixo que é o Neonazismo.

“Voodoo” foi lançado em junho de 2018, neste ano completará 3 anos deste clássico. O MALKUTH já prepara um novo trabalho?

R.: Gratos pelas suas palavras referentes ao nosso álbum “Voodoo”. Sim, estamos no momento já iniciando as gravações para um novo opus, que creio deverá ser lançado até o próximo semestre.

Vamos falar um pouco sobre a discografia, particularmente acredito que “The Dance of the Satan’s Bitch” é um dos principais trabalhos do Pagan/Black Metal sul-americano, sem sombras de dúvidas. Como foi trabalhar neste álbum? As influências musicais e líricas seguem as mesmas até os dias atuais?

R.: Mais uma vez, gratos pelas suas referências ao nosso debut álbum “The Dance of the Satan’s Bitch”. Gravamos este opus com recursos bem limitados em 1997 (estúdio com apenas 4 canais analógicos) e a Demise Records (MG) o lançou em 1998. É um álbum considerado clássico por muitos, mas que poderia ter tido uma qualidade de gravação melhor, ao meu ver. Quanto às influências musicais e líricas serem as mesmas até hoje, diria que houve uma certa evolução em termos de qualidade sonora e no teor lírico. Tanto pela entrada de novos e melhores músicos a cada formação, como pela evolução tecnológica dos recursos em estúdios, como pelas minhas experiências espirituais, de leituras e de vida como fontes de inspirações líricas.

“Extreme Bizarre Seduction” foi o álbum que colocou o MALKUTH nos holofotes da imprensa nacional? Acreditam que este seja o trabalho – ao lado de “Voodoo” – que mais recebeu uma receptividade positiva da banda? Se sim, a que se deve esse fato?

R.: O álbum “Extreme Bizarre Seduction” foi um álbum bem significativo para nós e muitos do nosso cenário underground o apontam também como um dos nossos clássicos. Tanto este álbum, como o debut “The Dance of the Satan’s Bitch”, o “NekroKultKhaos”, além do “Voodoo”tiveram uma ótima receptividade. Diria que todos tiveram, mas existem aqueles que gostam mais da fase antiga e outros que gostam mais da fase mais atual. Creio que o fator preponderante foi tentarmos dar o nosso melhor a cada lançamento novo em termos qualitativos tanto no quesito sonoro como nas temáticas conceituais líricas.

Como você acredita que o headbanger brasileiro retornará após a pandemia? Tendo em vista o tempo que estamos sem shows, você acha que o público dará mais importância aos eventos undergrounds ou continuaremos com festivais esvaziados?

R.: Ótima questão! Acho que os headbangers deverão valorizar mais as vivências frente a frente com as bandas em shows e festivais. Virou nostalgia! O “boom” de festivais online como adaptação ao momento ruim de pandemia o qual estamos vivenciando não tem a mesma vibe, não é a mesma coisa. Quanto à questão de os festivais estarem esvaziados ou não, bem… isto dependerá da situação econômica pós-pandêmica, que creio não estará das melhores diante de tantas crises nos assolando…

Pernambuco é um Estado do Nordeste com grande destaque. Recife já foi palco de grandes apresentações, inclusive de bandas gringas como Morbid Angel, Possessed, Motorhead…como anda a cena de Recife atualmente? O que pode destacar nessa era Covid? *

R.: A cena local está viva, porém se manifestando mais intensamente a nível virtual. Isto por que estamos nos adaptando ao momento pandêmico. Não há shows ao vivo, então tudo se resume à divulgação das bandas via portais especializados na internet (festivais online, merchandise, etc) ou indo às lojas especializadas de Metal para trocar ideias com outros headbangers ou comprar materiais (isto quando não há decretos de lockdown locais). Mas, é uma fase. Espero que se reverta e os shows ao vivo normalizem o mais breve possível.

São 28 anos fazendo Metal Extremo. Cite pelo menos dois fatos que marcaram a trajetória da banda. *

R.: Ao meu ver os dois pontos altos da banda foram participar em 1996 de uma coletânea canadense intitulada “Under the Pagan Moon” como a primeira banda do álbum e ao lado de grandes bandas de Black Metal do cenário mundial como Avatar, Melechesh, Song D’ Enfer, Medieval Demon, Profanum, Moonblood, etc e sermos bandas de abertura dos shows do Morbid Angel e do Rotting Christ. Acabou ficando 3 fatos, rs… Mas, não poderia deixar de citá-los…

E se pudesse voltar atrás, o que a banda não voltaria a fazer? Algo que não deu certo ou que hoje vocês podem avaliar que não valeu a pena. *

R.: Eu jamais teria gravado em 2001 a linha de guitarra como membro convidado da citada banda do RJ se soubesse o que está iria se tornar…

Quais os principais projetos da banda para este ano de 2021?

R.: Lançarmos o novo opus com a nova formação, gravar um vídeo clipe com uma das faixas deste novo álbum e voltarmos a tocar ao vivo, quando esta desgraça de pandemia acabar!

Desde já agradecemos o tempo cedido, deixamos este espaço para as considerações finais.

R.: Gratos pelo espaço concedido e pelas ótimas perguntas. Não se deixem subjugar pelas falsas religiões, não sejam escravos, cordeiros, libertai-vos! Adiante com a Chama Negra Luciferiana, que isto ilumine os teus caminhos para a Sabedoria e o Poder eternos! Adoremus, LuciferRex! Salve o Maioral!

* Perguntas por: Giovan Dias. Todas as demais por: Sangue Frio Produções.

 

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Giovan Dias

Editor do The Glory Of Pagan Fire Zine, trabalho iniciado ainda na década de 90, voltado ao Black, Death, Doom Metal.

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