Dark Reflections

Meu Metal Negro nunca morre

Baseado em um desafio feito através de uma rede social, onde se pedia que publicasse capas de álbuns que marcaram a vida da pessoa, cada um escolhia seus 10 álbuns, publicava a capa, uma por dia, porém não era necessário fazer nenhum comentário a respeito. Resolvi que eu queria comentar sim, cada uma daquelas capas publicadas, pois senti a necessidade de expor sentimentos, curiosidades e alguns fatos interessantes que cada álbum daqueles escolhidos me causou.

Notei que ali existia um rico material que poderia ser publicado como um bom artigo que fala sobre álbuns importantes, não apenas para mim, mas para toda a formação da cena cultural que o Metal Negro desenvolveu durante estes anos pós Venom, Celtic Frost, Hellhammer, Buldozer etc. As reflexões passam desde cenas peculiares da cidade de Salvador e seu eixo cultural ligado ao extremismo da época à pensamentos e reflexões sobre o transito das décadas de lá dos anos 1980 até os tempos atuais.

Começo, então com Blasphemy (CAN) – “Fallen Angel of Doom” 1990 Wild Rags Records. Nesse caso, um dos marcos do Metal Negro Mundial, uma das bandas que mais representa, em muitos aspectos, o que acredito como conceito estético, musical, atitudinal, aliás o Blasphemy podia/pode ser considerado a contracultura do Metal, principalmente quanto a estética, não à toa tem tantos seguidores e bandas similares que abraçaram a linha criada através da tal Ross Bay Cult, como Revenge, Conqueror, The Black Witchery atualmente apenas Black Witchery, Archgoat, Proclamation, Teitanblood e mais algumas que me fogem da memóra agora. Ross Bay é o nome de um cemitério inaugurado em 1873 (cem anos antes de eu nascer) na ilha de Vancouver no Canadá, país de origem da Blasphemy.

Fato que as fotos em cemitério entre metade dos anos 80 do século XX pra frente é algo muito comum as bandas do gênero Death Black como Sarcófago, Mystifier, Impurity e etc. o próprio Sarcófago fez de sua foto no cemitério capa de seu primeiro álbum e se tornou uma foto clássica e histórica dentro da cena. Então, as fotos nestes locais sombrios, remetem à blasfêmia, à violação do sagrado, pois os cemitérios possuem simbologias ligadas ao sagrado para a religião cristã católica, muitos nobres pagavam a igreja para serem enterrados na nave central das igrejas, porém como isso se tornou uma temeridade, tamanho odor e insalubridade dentro das igrejas, se tornou impraticável, e a presença destas figuras grotescas nestes espaços depredando-os, insultando-os, violando-os agregam-se aos valores típicos de atos anti-cristãos, seria, por tanto a tradução mais próxima que consigo fazer sobre a postura do Blasphemy e das demais bandas da época.

Quanto ao álbum em si, este tem muitas referências, principalmente na capa e nas suas músicas infernais, acho que até hoje não conheço nada tão barulhento e infernal, talvez por se tratar de uma das minhas primeiras experiências com essa sonoridade.

Mercyful Fate (DIN) – “Don´t Break the Oath” 1984 Roadrunner Records. Interessante deste disco na minha história é o fato de eu ter conhecido esse álbum sem conhecer a imagem!… sim, conheci esse disco ouvindo através de uma fita K7 e não sabia como era a capa, quem cantava, como era o “visual” da banda, apenas a música. Ahhh, a música me arrebatou de primeira e esse é um daqueles discos que não canso de ouvir, aliás ouvi a fita K7 por uns 10 dias sem parar – quanto mais escuto, mais prazer sinto.

Várias coisas me chamaram atenção, primeiro e o mais óbvio, a voz: “PUTA QUE PARIU, quem é esse cara?”, disse eu em pensamento! Enlouqueci com o jeito peculiar de cantar, os desdobramentos da voz. Segundo a temática, isso me seduzia muito, falar de satanismo sempre foi essencial pra mim no Metal, minhas bandas prediletas abordam satanismo (sem sombra de dúvidas).

Apenas alguns meses depois que pude conhecer a concepção visual do álbum e aí fudeu, porque me tornei mais fã ainda a ponto de hoje ser um voraz consumidor de tudo que consigo obter do mestre King Diamond (disse tudo que consigo $$$$, ou seja, esse tudo, não é tudo). Claro que é um disco clássico de Heavy Metal, mas para mim é mais um disco de Metal Negro, daqueles que têm todos os ingredientes necessários para estar na prateleira de um metalhead até morrer.

Samael (SUI) – “Worship Him” 1991 Osmose Prod. Em verdade eu queria mesmo, se não fossem os álbuns, comentar aqui as demos: “Into the Infernal Storm”, “Macabre Opereta” e o EP “Medieval Prophecy” que, em minha opinião, são os melhores materiais já lançados pelo Samael em toda sua carreira, o álbum me fez, na época, torcer muito o nariz, mesmo assim ainda manteve um pouco da essência maligna que a banda conseguiu imprimir em seus materiais anteriores.

Essa banda foi uma das principais, dentro do estilo, que me fez enveredar por ele e permanecer até hoje. Foi através do Samael, posso afirmar, que descobri o timbre de minha voz (que gutural não era padrão) e que a morbidez unida à melodia, podia sim, traduzir pensamentos satanicos, ocultistas… De fato, Worship Him e Blood Ritual são dois marcos em minha história pessoal.

Este disco também desconstruiu uma série de paradigmas que criávamos sobre as bandas por causa de nossas experiências com as demos em K7 e suas precárias produções gráficas, ficávamos achando que era tudo proposital, mas em verdade era por falta de uma série de coisas e entre elas uma tecnologia que ajudasse o material ter uma boa qualidade, era época em que se fazia montagens caseiras datilografando as fichas técnicas por exemplo, e fazendo xerocópias das fotos e das imagens de uma forma bem rudimentar. Worship Him vem com essa referência, porém mostra que a arte gráfica em preto e branco também funciona bem em um trabalho de maior qualidade como a capa de um LP e o encarte requerem.

Mortuary Drape (ITA) – “Into the Drape” 1992 Decapitated Records. E, não, eu nunca tive esse disco, continuo sem ter (o material fisico original), mas foi um dos discos que mais ouvi na vida e que me influenciaram/influenciam na minha história, aliás as fitas K7 foram as minhas principais fontes de conhecimento metálico durante muitos anos, ter poder aquisitivo mesmo, para LPs importados e mais tarde CDs, só veio beeeeeem depois na idade adulta, quando adolescente a fita K7 foi a minha principal companheira.

Sem capa, e muitas vezes sem nome das músicas, títulos escritos errado, nacionalidade trocada e por aí vai, muitas delas eu desenhava a capa, colocava o logo da banda nas fitas (risos), exercício bom de desenho. Claro que procuro esse material para fazer parte da minha coleção, principalmente dessa banda que marcou toda minha história dentro do culto ao Metal Negro. Mortuary Drape é uma daquelas bandas peculiares, que faz um metal único e próprio ha simplesmente 32 anos.

Uma das bandas mais “cults” do cenário e influente da mesma maneira. Pude vê-los ao vivo em meu estado em 2014 pra nunca mais esquecer. Por outro lado, também quis sair um pouco do óbvio, pois é claro que as referências tradicionais são as primeiras que vêm a cabeça, mas eu também sei que outras coisas ouvi muito, escuto muito até hoje e me parecem mais escutadas que as figuras carimbadas, aliás minhas predileções sempre foram por bandas consideradas de “segunda” linha do underground como Master Hammer, Candle Serenade, Opera IX etc. Root (Czech Republic) – “Zjeveni” 1990 Zeras. Comecei essa jornada pensando nos discos mais óbvios, mas depois, refletindo pensei: cara, tem muitos discos que me influenciaram e que escuto muito mais que os medalhões que todos estão cansados de ver, que todos estão mortos de conhecer e meu gosto não é tão peculiar assim, então vou chutar essa porra e escrever sobre os que de fato marcaram minha vida.

Isso marcou minha vida demais, foi uma das bandas mais surpreendentes que tive a oportunidade de escutar no iniciozinho dos anos 90. Porra, que som é esse? que esses caras estão fazendo? que voz é essa? e que porra de língua é essa? várias perguntas sem respostas, pois era a velha fita K7 gravada de alguém que gravou da fita K7 de alguém e veio parar por aqui. Tudo no escuro, não sabíamos de nada e os caras podiam estar falando da margarida plantada nos seus jardins, que nós não saberíamos, mas cá entre nós, não dava pra falar de margarida com a atmosfera desse disco, isso só podia ser coisa do Diabo, era aterrorizante demais, ritualístico demais, esbravejado demais pra ser delicado, definitivamente não dava pra ser, mesmo sem compreender o que estava sendo dito.

Fato era que o Metal Negro vindo dos instrumentos e da voz desses caras era soberbo e surpreendente demais, me influenciou demais, principalmente a parte vocal (claro). Beeeeem depois pude saber como era as faces desses malditos e capa do disco, sem citar que alguns títulos estavam escrito errado na minha fita K7, pra variar (risos), e é bom que os mais jovens saibam, anos 80 e 90 não tinha internet, as maquinas fotográficas eram caras, os filmes eram limitados em 12, 24 ou 36 poses e revelar custava uma grana preta, sem falar que cada foto tinha de ser meticulosamente enquadrada pra dar certo, o que não ocorria, se você tivesse 12 poses e salvasse 3 fotos já saia no lucro, não tinha como ter acesso a essas informações do subterrâneo do underground com essa facilidade que existe hoje, uma palavra chave e aparece até se você cagou naquele dia.

Não senhores, não era assim não, tudo era mais difícil, bem mais e uma pérola dessas cair nas suas mãos e você saber todas as informações… “negativo, se vire pra saber!” era o que torturava nossas mentes na época.

Impurity (BRA) – “The Lambs Fury” 1993 Cogumelo Records. Realmente eu quis sair da curva do óbvio, e resolvi exatamente buscar o que, de fato, eu escutei/escuto com frequência, que marcou minha história tanto quanto as obras mais conhecidas, talvez aquelas obras que tenho mais visto nas postagens (me referindo às postagens do desafio na rede social) de outras pessoas que estão participando dessa “brincadeira”.

Dessa vez eu vou comentar esse álbum, que mesmo eu os conhecendo do embrião da história da demo “Lucifer Vomiting Blasphemies Over christ’s Head”, o que realmente marcou mais minha história que o álbum propriamente, muita gente esqueceu que o Black Metal Nacional na transição dos anos 80 para os 90 nós tínhamos bandas de excelência, principalmente de Minas Gerais e daqui da Bahia, aliás as bandas aqui da Bahia costumavam lançar demos que mais pareciam álbuns completos, visto a quantidade de músicas e duração dos lançamentos, a maioria delas guardo até hoje, fisicamente e na memória, por se tratarem de escolas de Metal Negro blasfêmico e satânico como deve ser!!!

Esse álbum causou um pouco de polemica na época por causa do figurino de um dos integrantes, mas nem vou entrar nesse mérito, quero só colocá-lo aqui como um marco do Black Metal sujo e violento de muitas outras bandas do cenário que findaram e não alcançaram o lançamento merecido de um álbum, vale ressaltar que nessa época gravar era caro demais e as bandas realmente dependiam das gravadoras para terem seus trabalhos reconhecidos e gravados, lançados.

Muitas ficaram pelo caminho, fosse por perder as forças, fosse por mudarem de rumos ou realmente desistido do mundo underground. Me dei conta que tenho esse álbum em várias versões, tanto LP quanto CD, mas quando entramos nesse desafio só lembramos mesmo das bandas mais medalhões da história e esse álbum, em minha opinião, foi injustiçado pela história dos “Black Metallers” contemporâneos…

Beherit (FIN) – “The Oath of Black Blood” 1991 Turbo Music. Dessa vez minha escolha tem outra intenção, tem a vertente a ver com a arte da capa… Sim, a arte da capa! Esse álbum não me marcou tanto quanto a demo “Demonomancy”, aliás as demos na época em que comecei a conhecer melhor o metal extremo, era a principal forma de idolatrar certas bandas, porém os seus lançamentos oficiais, ou seja, os debut álbuns eram um pouco distantes daquilo que imaginávamos conhecendo seu som a partir da demo, poucos conseguiram, muitos não, por outro lado, esse material não é considerado primeiro álbum oficial da banda e sim o “Drawing Down the Moon” de 1993 lançado pela Spinefarm Records, porém para mim o “The Oath…” é o primeiro álbum.

Lógico que é um marco no Black Metal, não há como negar… “Seventh Blasphemy” e “Demonomancy” foram materiais que eu mais ouvi durante muito tempo, e apreciava aquele primitivismo sonoro… mas o álbum, mais especificamente a capa, me deu uma noção estética sobre o que era Metal Negro, daquelas de invejar alguns amigos que tinham a camisa desse disco, nunca tive até hoje a camisa, mas invejava quem tinha, por achar que era uma das coisas mais maravilhosas, em termos de arte underground, que já tinha visto na vida, tanto o logo, quanto o desenho de Christophe Moyen, mais até do que a capa do “Fallen Angel…” que também me marcou muito.

Tá certo, esse disco tem as mesmas músicas das demos, cara! Eu sei, mas estou falando de outra coisa, tô me referindo ao sentimento e, até onde sei, o material deste lançamento são re-gravações das músicas e não suas gravações originais, mas aí eu não sei mesmo… essa época era um momento de informações muito truncadas e de fato nem sei mesmo. Fato que a capa é foda, o logo é foda e o disco é histórico… o resto é foda-se!

Holocausto (BRA) – “Campo de Extermínio” 1987 Cogumelo Records. De uma época em que não se tinha tanto ranço quanto hoje e tudo que cercava toda essa temática, era apenas um fulgor adolescente em querer falar sobre algo tão “terrível” quanto a guerra pode representar, e nada como um capítulo da segunda guerra mundial para figurar, como temática, um álbum… mais tarde, e só mais tarde que o fato dos integrantes usarem trajes que reproduziam soldados nazistas, e a imagem da capa… pronto, fudeu… os críticos das obras prontas estavam a postos para analisar, julgar e condenar a banda como uma banda nazista.

Recentemente, numa nova versão do Warfare noise, as suásticas das roupas foram censuradas, talvez para deixar de causar tanta celeuma. Em fato, esses caras são simplesmente os pioneiros do War Metal e não tem como negar que esse é um puta álbum e ponto final.

Mutilator (BRA) – “Immortal Force” 1987 Cogumelo Rec. Bem verdade que eu esperava um pouco mais dessa banda depois daquelas músicas fantásticas no Warfare Noise, porém esse disco não correspondeu as minhas expectativas.

De fato que empregamos mais expectativas sobre as coisas do que a capacidade dessas “coisas” corresponderem, por outro lado, muitas nos surpreendem ultrapassando essas expectativas e olha que não foram poucas. Esse disco veio abaixo do esperado, mas manteve aquela essência do split. Marca, sim porque é um trabalho pioneiro, no Brasil e em se tratando de long plays tínhamos pouca coisa pra ouvir, não pela oferta deles, mas pelas condições de aquisição.

É fato que, naquela época, digeríamos mais os discos por diversos fatores, entre eles estava a escassez financeira que não permitia ter acesso a tantas coisas, por ser adolescente e não ter dinheiro mesmo e as coisas serem tão ou mais caras que hoje, talvez hoje continuem tão caras, porém pesem menos pelo fato de termos renda própria e fazermos esforços próprios para conquistar o que queremos, diferente de antes que dependíamos de nossos pais ou parentes para comprar o que quer que fosse.

Como disse, esse disco veio abaixo do que eu esperava, mas a época me fez ouvir muito este, devido as circunstâncias, e me fez aprender a ouvi-lo e aprecia-lo, não tanto quanto o split, mas se tornou um dos meus prediletos no decorrer do tempo, ou seja, o disco precisou me convencer que ele era “bom” kkkkk. Já o segundo… bem, o segundo disco pra mim é um fiasco e minha admiração começou no “Warfare Noise” e terminou no “Immortal Force”.

Expulser (BRA) – “The Unholy One” 1992 Cogumelo Rec. Esta publicação faz menção ao Expulser, uma banda que conheci desde a demo “Fornication” (1989); já mantive contato com Profano (vocal) durante alguns anos, e ter contatos via carta além de um prazer, valia ouro nessa época, se não, como conheceríamos as bandas e pessoas dentro do Metal nacional e internacional? Não teria como!

As cartas na época equivaliam mais que as redes sociais e e-mails de hoje, já que carregavam uma áurea ígnea intransponível, um valor emocional sem tamanho… Quando saiu o split, qual adquiri imediatamente junto ao Profano, tinha em mãos um material precioso, apesar dos rumores que eram comuns na época, aliás, falar mal das bandas parecia mais legal que apreciá-las para muitas pessoas do metal que hoje nem figuram mais na cena, ou aquelas que ainda estão por aí, mas nunca fizeram nada de especial ou de grandioso por essa mesma cena que insistiu tanto em desfazer.

O split com Brutal Distortion era um discaço, mas veio o “The Unholy One” um álbum completo, com gravação soberba e um Death /Black de dar inveja. É certo que minha admiração pela cena mineira da época não era só minha, uma pena que essa cena tenha ficado de lado aos olhos dos outros de estados diferentes no final dos anos 90 e neste novo século, talvez o enfraquecimento da Cogumelo tenha contribuído para isso (hipoteticamente falando).

Quero dizer que adquiri esse álbum em LP assim que foi lançado, mas tive de me desfazer do mesmo vendendo-o, na época, para o grande amigo Max Gomes (Inoculation drumer) e nunca mais comprei outro. Recentemente surgiu um re-lançamento do mesmo, mas meus investimentos em minha própria banda, me impediram de resgatar essa joia para minha tímida coleção.

Em fato, trata-se de um material maravilhoso, que marcou muito, talvez pelo fato de conhecer (ainda que por carta) membros da banda e sentir orgulho quando você vê aqueles que te cercam alcançarem tamanha realização, pois, lançar um LP naquela época era uma realização ímpar… quiçá até hoje continue sendo, como um vinil maníaco, meu sonho continua sendo ver uma das obras, se não todas, de minha banda serem lançada (s) em vinil… Nestes textos eu ainda gostaria de comentar bandas como Sex Trash, Necromantia e o próprio Warfare Noise (compilação da Cogumelo Rec. Com Sarcófago, Chakal, Holocausto e Mutilator), mas vai ficar para uma outra vez.

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

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