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MGLA – Age of Excuses

Northern Heritage Records (Importado)

Eu estava ansioso. Eu realmente amo esta banda. Hoje a Polônia é um epicentro do metal extremo com grandes nomes já reconhecidos – e renegados? – e com o MGLA não podia ser diferente. Lembre-se que no alvorecer dos anos 2000 o Metal Extremo passava por certas nuances, e foi quando a banda surgiu, fincando suas raízes em um Black Metal conciso, técnico, mas peculiar, pois sua música e temáticas sem o “choro desesperado de Satã ganhando de Jesus, matar cristãos e negar o mimimi do evangelho,  etc…..“, a banda trouxe os alicerces da contemporaneidade e suas vicissitudes à prova, o quão líquida e moderna nossa estrutura mental como sociedade pode ser, é exatamente isso que o MGLA trata a banda traz a essência do “turbilhão” envolto em Kant, Fichte, Schelling e Hegel, em suas letras podemos achar os transcendentalistas Emerson e Thoreau, bem como Kierkegaard.

O álbum novo com o título de “Age of Excuses” acabou de sair e se você curte MGLA, sabe que os títulos das faixas seguem o título do álbum e são numericamente diferenciadas, então, vou apenas enumera-las, ok?!

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MGLA (Divulgação)

Em “I“, que abertura, típico do MGLA, deixar a mensagem embebedar o ouvinte para que o Black Metal estruturado, bem arranjado e cadenciado seja um alicerce. Em “II” os blasts  de bateria enchem seus ouvidos e o vocal de “M” é um destaque, bem como as cadências instrumentais com aqueles riffs tradicionais de BM mesclados com uma batida agressiva e moderna de Darkside. Não há nada que este duo não toque que não vire ouro. A pegada desta faixa é bem típica do álbum “Groza”, temos aqui velocidade e tensão. É um Black Metal polonês.

A próxima faixa  – III – nos aproxima bastante de “Age Of Futility”, temos uma batida pesada, a faixa é bem intensa e é bem característica do MGLA. É o que se espera quando se ouve os caras.  Uma das melhores faixas do álbum! Na sequência, a bateria é um destaque e o epicentro do furacão, estamos em “IV” e a faixa é austera, intensa, cirúrgica em seus arranjos, e tem elementos do álbum “With hearts Towards None”, a batida é firme e agressiva, guitarras rápidas e cortantes, é como passar a mão em uma lâmina afiada, você percebe que é agressivo, mas quando percebe, suave, sente seu sangue jorrando e p estrago já está feito.  Ouvi essa faixa 4x antes de resenhar!

Com “V” temos um pouco da ausência da essência do MGLA, acredito que aqui eles estão experimentando um pouco. As guitarras estão um pouco distantes, a voz enclausurada, falada, sussurrada, mas a bateria está lá, é MGLA, mas eu senti uma falta de essência aqui do que a banda é acostumada a fazer, mas sem deméritos, lógico, só não curti muito a transição após quatro faixas fodas.

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MGLA (Divulgação)

Já em “VI” estamos de volta. Riffs claros, bateria ensurdecedora, aquele vocal destruidor que não precisa cantar, basta entoar a mensagem de forma crua e sólida. Vibrante, um arrastar de arranjos e uma mistura de sensações provocadas pelas cordas dedilhadas misturadas com a bateria agressiva, mas harmônica, você deve estar se perguntando como isso é possível, amigo, é MGLA, só ouvindo!

Eis que finalmente chegou o álbum de uma das minhas bandas favoritas de Black Metal, banda polonesa, sem aquela saturada temática de negação do cristianismo, negócio batido que chega a encher o saco. Aqui você tem a oportunidade de repensar sua vida, as desculpas da contemporaneidade para ser guiada ao fosso sem fim de sua mísera irrelevância, sempre esquivando-se de tudo que a rodeia e confronta. Eu ainda vejo na última faixa um apelo ao resgate da essência baseada em pensadores como Russell.

NOTA: 9/10

Se você não leu a minha resenha do álbum anterior “Age of Futility”, basta clicar AQUI!

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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