Entrevistas

MOONSPELL – O enigma por trás do “Hermitage”

The enigma behind "Hermitage"

O que é que se pode dizer destes veteranos do Gothic Metal? Amados por uns e odiados por outros e com este álbum não será exceção. Mas com o passar dos anos (30 anos de carreira), já demonstraram não querer saber o que as pessoas pensam.
A Lucifer Rising teve o privilégio de conversar com o Fernando Ribeiro, vocalista, sobre o processo criativo, as inspirações para as letras, influências musicais, o novo baterista Hugo Ribeiro e saída de Miguel Gaspar e muito mais.
Até mesmo uma mensagem emotiva para o Brasil deixou. Vale a pena ler!

Fernando Ribeiro

Fernando. Em meu nome e da Lucifer Rising, quero agradecer a oportunidade por esta entrevista e espero que tudo esteja bem consigo, a sua família e com a banda.

Fernando Ribeiro – Está tudo bem, obrigado pela atenção.

Depois do sucesso de “1755”, que fala sobre o terramoto português, lançam “Hermitage”, que retrata vários assuntos, nomeadamente sociais. Começaram o processo de escrita, enquanto promoviam o álbum ou após? Que ideias tinham para o mesmo? O conceito foi difícil de criar?

Fernando Ribeiro – Nós começamos o processo de escrita, um bocadinho depois de completarmos o “1755”. É um bocado uma dinâmica, que os Moonspell, eu em particular, temos. Ou seja, há várias fases num disco. Esta fase que nós temos agora, é a proporção, é as pessoas ouvirem, gostarem ou não gostarem. Portanto, é uma fase que nos ultrapassa um bocado. Nós falamos com a Noir. Temos todo o gosto em fazer entrevistas, muito mais para esclarecer também e para satisfazer a curiosidade das pessoas. Mas todo o trabalho criativo, por assim dizer, fica fechado quando saímos do estúdio. Isso aconteceu em outubro de 2020, quando nós fomos a Inglaterra, terminar o disco. Mas este disco foi começado a fazer em 2017, um pouco depois do “1755” ter sido lançado e foi sendo composto, através dos outros dois anos, 2018-2019, particularmente. Em 2020, já tínhamos, antes mesmo da pandemia, o disco todo pronto, tivemos de mudar alguns planos, mas já estava pronto e já estava na sua parte quase final.

As ideias foram surgindo. As primeiras coisas, por acaso, que surgiram neste disco, foram o nome” Hermitage”, o feeling das letras. Umas letras que falavam sobre uma sociedade, com muita conetividade, mas com pouca conexão. Foi uma impressão que eu tive, muito antes de fazermos distanciamento social, por razões sanitárias. Achei que já andávamos a fazer um distanciamento filosófico. Já estávamos a fazer um distanciamento humano, uns dos outros. Dizia-se principalmente nas redes sociais, onde não se podia discutir absolutamente nada, nem sequer música, nem sequer coisas que nos dão prazer, sem haver discussão a sério. Isso estava a ser extremamente prejudicial, penso eu, para todos nós. Por isso, é um disco, sim, que aborda também alguns aspetos gerais. Aborda muito mais do que nos rodeia. Sempre pensamos nós, numa forma poética, filosófica, musical, mas não deixa de ter o nosso testemunho, daquilo de que melhor podemos dar. Também sobre os conflitos que vão na nossa cabeça, o que é que se passa, o que é que não se passa, para onde vamos, donde vimos. Todo este disco tem esta caraterística também muito evidente. Este disco faz muitas perguntas, não dá muitas respostas, digamos assim. É um disco que dá pistas para pensar, sobre o que é que queremos fazer, não é? Queremos mesmo um Mundo, em que todos nós sejamos uma espécie de ermita e que não consigamos ter relações verdadeiras com as pessoas.

Não! Foi sendo criado. Mas uma das coisas que, a nível de conceito, uma imagem que me apareceu na cabeça, foi que as pessoas pareciam que estavam a construir muros de pedra, à sua volta. Era uma imagem que eu tinha muito na cabeça, quando comecei a escrever as letras. Depois, acho que a própria história e os próprios tempos recentes, se foram encarregando de trazer a realidade deste conceito, cada vez mais à tona. Hoje em dia, nós ouvimos coisas que eram impossíveis de ouvir: “Não deem abraços, mantenham-se a 2 metros de distância!”. Tudo bem que é uma situação invulgar e particular, mas que terá os seus efeitos. Para mim, isto que acontece agora, é quase como a expressão física do que já acontecia a muita gente, que não se conseguia relacionar de forma verdadeira. Musicalmente, também havia um conceito que fomos também descobrindo, de alguma forma. Não ia ser igual ao “1755”. Nós queríamos um disco mais minimalista, sem tantas camadas, sons, arranjos. Um disco que não fosse tão sólido, mas que fosse mais fluído, que não fosse tão imediato ou urgente, mas que tivesse mais por onde pensar. Fosse um disco um pouco mais melancólico, nesse aspeto. E penso que isso foi conseguido. Nós na altura, até imaginamos, que seria um disco mais parecido ao “Extinct”, mas quando começamos a fazer as músicas, não ficamos apenas com a alma, da parte do “Extinct” (“Breathe” talvez) que estava lá e que este disco também tinha uma natureza própria, que advém todos os outros discos, mas também se configura na originalidade, perante as nossas opções para este disco.

Moonspell

Neste disco, nota-se um amadurecimento, quer na escrita, mas também musicalmente. Nick Cave desempenha um papel importante, já que é uma grande influência. Mas sem dúvida que Bathory e Pink Floyd foram essenciais para esta sonoridade. Como é que criaram e escreveram a música?

Fernando Ribeiro – Nick Cave é um grande letrista. É uma pessoa extremamente honesta. Chega a ser visceral, a maneira como dispõe. Penso que é uma coisa muito catártica. Até agora, vi concertos dele. Até vi um concerto dele, na RTP 2 (canal de televisão público), na televisão, no outro dia. Vê-se que há uma grande proximidade com o público, que não havia no passado. As grandes duas influências musicais neste disco, na minha opinião, são os Pink Floyd, sem dúvida. Penso que é uma banda que deixaram vários estilos e que permite às bandas, fazerem uma leitura de tudo aquilo que os Pink Floyd deixaram e de alguma forma, continuam ativos. Houve um disco que já não ouvia há algum tempo e ouvi ainda há pouco tempo, o “Delicate Sound Of Thunder”, que ainda é contemporâneo e tem muito por descobrir. Por coincidência, eu recebi um saco cheio de discos dos Pink Floyd, dos anos 70 e 80. Portanto, foi uma banda que eu ouvi muito também e os Bathory são uma influência incontornável, para os Moonspell. Muitas pessoas pensam que os Bathory são só uma banda de Black Metal, não. Os Bathory fizeram muitos estilos. Fizeram o Black, Death, Viking Metal. Fizeram aquilo que, provavelmente a influência mais direta para o “Hermitage”, que é um álbum chamado “Twilight Of The Gods”, inspirado pelo livro de Nietzsche: “O Crepúsculo dos ídolos”, e é uma música muito épica, muito melodiosa, também progressiva. Estes artistas, entre outros, mas esses à cabeça, ajudaram-nos a montar as nossas próprias peças. Não queremos fazer um plágio, como é óbvio. Tentamos trazer as influências de uma forma mais sustentáveis, também nos permite ter uma personalidade que as pessoas identifiquem como Moonspell, mas são influências óbvias neste disco.

Hugo Ribeiro é o sucessor do Miguel e este é o primeiro registo, onde claramente mostra as suas capacidades enquanto músico e baterista. Sentiu alguma pressão para o suceder e que ideias novas, trouxe para a banda? O que acham que o Hugo trouxe de novo à banda?

Fernando Ribeiro – Eu não sei. Eu acho que a pressão foi mais, não por substituir o Mike ou qualquer coisa, porque o Hugo é um músico muito bom, tem muito valor, quer humano quer técnico, mas eu acho talvez a pessoa, que por entrar nos Moonspell numa altura destas, num álbum novo, com todos os planos que nós tínhamos, que, entretanto, foram sendo adiados ou cancelados. Não foi uma escolha que eu me tivesse envolvido muito. Era um amigo muito próximo do Mike e como tal, queria mais pessoas que ligam mais com música, que procurassem o baterista certo, nesse capítulo. Claro que, também teria de ser uma boa pessoa. Teria de ser uma pessoa com que a gente se identificasse. Nós tivemos muita sorte de, num curto espaço de tempo, encontrarmos o Hugo, que apesar de ter o mesmo nome que eu, não somos parentes. E eu, a primeira vez que vi o Hugo, já o tinha ouvido a tocar, numa música dos Moonspell, que ele tinha gravado um vídeo para nos mandar. Oferecemos-lhe um casting, uma audição, umas coisas do Pedro Paixão. Sentimos que ele tinha uma boa energia, o que foi ótima, a primeira impressão do Hugo, enquanto pessoa. Quando ele foi tocar as músicas dos Moonspell, senti que havia uma energia nova, que já não havia tanto desgaste, que ele tocava de uma maneira muito própria, que não deixava nada também a haver com a performance do Mike. Nós tínhamos muitas das baterias já programadas para o novo disco, mas o Hugo veio e é um trabalhador muito exaustivo, profissional e acho que ele veio trazer muita coisa boa aos Moonspell. Nós ainda não tivemos oportunidade de tocar muitos concertos com ele. Foram só quatro, em alguns espetáculos em televisão, para gravação de conteúdos, mas noto que houve um impacto para cima da consistência da nossa música, na maneira como é tocada, nós os outros quatro, é que temos de nos adaptar, porque o Hugo está certo do que está a fazer. Nós às vezes, ganhamos vícios, de tocar tantas vezes. Acho que foi uma excelente aquisição e acho que, tal como nos poucos concertos que demos, como na relação connosco e como na gravação do novo disco (do primeiro disco dos Moonspell), está completamente de parabéns, porque provavelmente não seria fácil chegar a uma banda, como os Moonspell e integrasse desta maneira, mas ter o feitio e as capacidades do Hugo, fizeram com que isso acontecesse.

Moonspell

Devido à pandemia, viajar para fora, especialmente para o Reino Unido, para gravar, deve ter sido uma aventura. Pode-nos contar um pouco mais dessa aventura, por favor?

Fernando Ribeiro – Houve algumas peripécias, mas penso que não foi assim tão mau quanto eu próprio esperava.  Nós tivemos alguma sorte, porque acho que tem havido alguma falta de critério. De vez em quando, beneficia-nos, de vez em quando, prejudica-nos. E na altura, nós tivemos a sorte de apanhar uma altura, em que o Covid estava um pouco mais controlado, digamos assim. Penso no descontrolo que tem sido e podermos viajar para o Reino Unido. Não fomos todos de uma vez. Tivemos que nos cruzar, porque não podíamos estar mais que 4/5 pessoas em estúdio ou na casa. Portanto, tivemos este cuidado. Mas eu, quando cheguei lá, para além daquelas regras, de não puder ir a um sítio durante 2 semanas, só mesmo para ir trabalhar, usar máscara, aquelas regras que nós também temos cá e agora muito piores. Até foi bastante suave e agradável, porque também para nós foi uma mudança daquela coisa, que é muito opressora, de nós acordarmos, só podermos fazer certas tarefas, etc., mesmo quando nós vamos fazer coisas como banda, que podemos realmente fazer, temos de passar autorizações de trabalho para todos. Há aqui uma falta de critério e tudo e foi bom descansarmos um bocado, mas tivemos alguma sorte. Não contornamos as leis nem nada, na altura não conseguimos. Era permitido viajar para o Reino Unido. Podemos entrar, hoje em dia já não, portanto tivemos a sorte daquela janela do tempo e de a aproveitarmos. A sorte também se cria. Eu acho que uma das coisas que nós, músicos, alguns deles têm falhado nesta pandemia, é tentar adiar as coisas. Nós, conforme estabelecemos a data do lançamento a 26 de fevereiro deste ano, e a partir daí conta tudo para trás. Tentamos na medida do possível e do legalmente exequível, fazer tudo a que nos tínhamos comprometido (agendar concertos e rumar ao Reino Unido, com alguma sorte à mistura), mas conseguimos fazer, porque também estar a evitar nesta altura, estar à espera que melhore para fazer isto ou aquilo, não tem sido uma boa atitude e não tem sido uma boa decisão, porque há muitas bandas até que não editaram em 2020 ou porque já não vão editar em 2021, porque realmente não aquece e nem arrefece. Por isso temos outras maneiras de chegar às pessoas, nestas fases. Temos as fases de entrevistas, temos o nosso Fan Club, videoclipes. Vamos fazendo o que podemos, até de alguma forma haver um equilíbrio, alguma situação mais estável, em que a gente possa fazer outra coisas, nomeadamente mais concertos.

Rui Vasco é o fotógrafo responsável pela fotografia oficial da banda e Guilherme Henriques é o diretor de vídeo. Como é trabalhar com esta equipa?

Fernando Ribeiro – Fabuloso! É uma sensação ótima. São duas pessoas muito diferentes. O Rui Vasco é um fotógrafo da velha guarda. Foi o fotógrafo oficial, por exemplo, do Rock Rendez-Vous, que era uma sala mítica, em Lisboa, onde eu ia a bastantes concertos, e os meus primeiros concertos do Metal underground, quer internacional, quer nacional. Ele já tinha fotografado os Moonspell alguma ocasião. Nós precisávamos dum fotógrafo velha guarda, mas também, que conseguisse transmitir um impacto visual da banda. Fomos para as Grutas de Mira de Aire, fizemos a sessão toda num dia e acho que o resultado foi muito bom. Está muito característico.

O Guilherme é uma novidade a trabalhar com os Moonspell. Já conhecia o trabalho dele, como videógrafo nos Gaerea, noutras bandas: Secret Of The Moon, Belphegor, uma bandas que não conheço. Eu queria, já antes da pandemia, diminuir e simplificar os processos à volta do resto, não só da música. E nós fizemos já 4 vídeos, 3 já foram lançados: o ““The Greater God”, que é o lyric vídeo, pensado por mim e realizado pelo Guilherme. Depois fizemos um vídeo nas Grutas de Mira de Aire, “Common Prayers”, que tínhamos tido uma experiência fantástica nas fotografias e queríamos fazer algo mais em movimento, também naquele ambiente, que acho que é um vídeo fantástico. Fizemos o “All Or Nothing”, que tem sido um grande sucesso, a nível de vídeos. Um vídeo muito mais simples, filmado num teatro vazio, aqui ao pé onde eu moro. Moro em Alcobaça, aqui na vila da Nazaré. Eu tinha por acaso, encontrado e achei que é um teatro do princípio do século XX, tem muito charme, parece-me uma miniópera e uma casa de óperas italiana. E agora iremos lançar, mais próximo do lançamento do disco, o quarto vídeo. Estou muito satisfeito com o Guilherme. É uma equipa pequena. Por exemplo, para o vídeo do “Extinct”, nós tínhamos uma equipa quase, direi, de 50 pessoas. Desta vez, com 5 pessoas e a banda, conseguimos ter resultados, na minha opinião, artisticamente tão válidos e tão bons. Isso é importante. Eu acho a parte estética muito importante, sempre foi para os Moonspell e tivemos a sorte de conseguir trabalhar com dois ases: o Rui Vasco, na fotografia, com toda a sua tradição e o Guilherme, com toda a sua execução e todas as suas ideias. Estamos mesmo muito, muito satisfeitos, neste capítulo.

Moonspell

Não posso deixar de referir Jaime Gomez Arellano, produtor, que refere que trabalhar convosco foi das suas melhores experiências. Como foi trabalhar com ele? Que ajuda vos deu? Foi muito crítico no vosso trabalho?

Fernando Ribeiro – Foi ótimo! Na sequência do que estava a dizer, da parte de ir a Inglaterra, etc., encontrar o Jaime Gomez Arellano, conhecê-lo, ele, entretanto também teve um período, que veio cá a Portugal, para estar com a banda, trabalhamos também nalguns arranjos, etc., finais do disco. Para mim foi, para além do tempo que passei com a minha família, o estar com o meu filho e a minha mulher, é sempre tempo de qualidade, conhecer o Jaime, foi um dos momentos altos de 2020. Ficamos muito amigos. Acho que ele entendeu super bem a nossa música. Gostei imenso da maneira como ele trabalha. Uma maneira muito velha guarda. Não está ali à volta do computador. Está sempre dentro da cabine do estúdio ou na sala do estúdio, a mexer nos amplificadores e na bateria, a tentar que o som seja melhor, mais orgânico, mais humano. E que penso que para ele também foi ótimo, porque ele já conhecia os Moonspell há muito tempo. Ele está radicado no Reino Unido, mas ele é originalmente da Colômbia, de Cali e naquela altura, o “Under The Moonspell”, o “Wolfheart”, a onda mais Black Metal dos Moonspell, era muito conhecida e apreciada nos países da América Latina. Nós na altura não tínhamos noção. Íamos praticamente todos os anos, aos países da América Latina e realmente eramos recebidos muito bem. Não tenho nada a apontar à gravação deste disco. Acho que, para mim, até inclusivamente como vocalista e músico dos Moonspell, foi das melhores sessões de estúdio que tive, senão a melhor e penso que o som do disco fala por si. É um disco muito personalizado, que não usa os truques modernos da pré-produção. Estamos muito satisfeitos com esta produção.

Com algumas coisas, sim. Principalmente com a parte dos teclados e alguns arranjos de guitarra, etc., que é uma parte que ele domina bastante bem. Queria que a banda fosse um pouco mais desempoeirada, experimentar novos ambientes. Ambientes provavelmente com arranjos mais clássicos. Ele gostou muito do disco. Tenho também a citar a produção. É uma pessoa muito honesta. Isso é importante para um músico. Diz as coisas como são. Nós já trabalhamos com imensas pessoas. Pessoas com outro tipo de personalidade, etc. Ele é até um bocado pacífico connosco, por ser latino. Mas ele foi crítico, penso que foi uma pessoa que foi crítica, quando devia de ser, mas também foi encorajadora, quando as coisas davam realmente bem. Nessa dinâmica ficamos todos muito satisfeitos, ele inclusivamente, pelo seu trabalho final. Claro que os produtores são profissionais, têm muitas bandas, mas quando gostam da música e se identificam, o que foi o caso, também dão um bocadinho mais da sua personalidade e acho que este álbum tem um pouco a personalidade do Jaime.

Com este “Hermitage”, entramos num novo capítulo, principalmente de descoberta musical. Como foi encerrar um capítulo e abrir outro? O que é estavam à procuram musicalmente falando e finalmente encontraram?

Fernando Ribeiro – Bem, eu acho que não é assim tão radical, mas sem dúvida que há aqui, com a saída do Mike, com este novo álbum, etc., há aqui provavelmente metaforicamente, o início de um novo ciclo. Claro que os Moonspell são um livro que ainda está a ser escrito até ao seu final, e provavelmente o “Hermitage” será o primeiro capítulo desse desenlace dos Moonspell, porque eu sinto que para o ano vamos fazer 30 anos, mas que não vai haver outros 30 anos. É impossível haver outros 30 anos, na história dos Moonspell! Portanto, alguma das coisas já foram feitas e como tal, sinto-me magnificado com este capítulo. Acho que é bom pensar nas coisas boas, também é bom pensar nas coisas que não são assim tão boas. Acho que os Moonspell têm essa virtude. Esta fase faz bem, desde não só aos Moonspell, uma fase extremamente confusa. Nós não sabemos se o nosso estilo de vida vai retomar, não sabemos se nunca mais vamos ter concertos. Portanto, há aqui uma grande indefinição, mas temos de nos manter unidos, manter-nos a fazer boa música, música original, música que nos agrade também e música que também toque a nossa comunidade de fãs. Acho que nesse aspeto estamos bem, mas não sabemos como é que vai ser o futuro, mas sabemos que sim. Alguma coisa de diferente arrancou agora com este disco, “Hermitage”. Não quer dizer que a gente, daqui a 2 anos, vá fazer um disco completamente igual, mas acho que há aqui várias pistas para o futuro, digo eu agora. Mas o futuro é mesmo assim. É imprevisível.

Menos amarras musicais! Pensar menos do que podem pensar de nós e ter medo de ir por aí. Eu acho que fiz esse grito de independência mais cedo e tomei um bocado a responsabilidade de o passar aos meus colegas, principalmente ao Pedro e ao Ricardo, para eles quando estiverem assim a compor, compusessem assim livremente com todas as suas influências, que levam o Metal a outras coisas. O que é importante para os Moonspell hoje em dia, nesta fase da nossa carreira, é fazer coisas com muito significado. Nós não poderíamos estar agora a fazer os sacrifícios de uma banda que já tem 30 anos, porque já não é novidade do momento. Já não é uma banda que começa agora e que vai encantar toda a gente. Nós já tivemos esse tempo, um fardo desse tempo. Eramos um bocado os heróis da Pátria, agora também somos um bocado, mas de vez em quando também somos os vilões. É natural. Já temos algum percurso. Já temos alguma autoridade, que vá ser desafiada também aqui ou ali. Mas o que nos interessa claro, para além de retomar os espetáculos, retomar um bocado a nossa vida interrompida, é fazer música que valha a pena manter a banda viva. Eu acho que o “Hermitage” vale muito, muito a pena e acho que foi isso, mais do que qualquer outra coisa, que manteve os Moonspell ativos e sãos, neste momento tão difícil para a música.

Monnspell

“The Greater God” é o primeiro single de apresentação e não é um vídeo político, mas é sem dúvida um “Imagine” dos tempos modernos, com uma mensagem dos tempos em que vivemos. Como lidarão com as críticas associadas à música, sobretudo ao vídeo? Sobretudo que as pessoas pensarão que se tornaram políticos.

Fernando Ribeiro – Eu sinceramente pouco ou nada me interessa o que é as pessoas pensam nesse aspeto, porque eu e os Moonspell tivemos a liberdade, de fazer aquilo que queremos, com a música, os vídeos, etc. Entendo que possa haver uma reação mais negativa ou mais alérgica. Agora, as pessoas também têm que ser responsabilizadas, por muitas dessas reações são baseadas em coisas que acho que deveriam ser combatidas na humanidade e sociedade. Nós nunca tivemos pessoas a mostrarem-nos as armas que tinham em casa, que não devíamos mostrar aquelas coisas, que devíamos entreter as pessoas, etc. São opiniões que eu não procuro nem entender, nem acarinhar. Procuro combater. Combato como? Não vou um por um, na Internet responder, nada disso. Não tenho tempo, nem vida, nem quero fazer isso de todo. Mas continuamos a manter a nossa liberdade, independência e o facto que essas críticas nunca nos mandarão abaixo. Fazem-nos pensar, causar revolta, mas acho que essas pessoas deveriam, para ser honesto, ter vergonha do que dizem, porque muitas dessas pessoas até são jovens. Daqui a 10 anos, terão a argumentar outra coisa. O tema, é sobre o desequilíbrio do Mundo e foi isso que nós mostramos e também tivemos uma reação desequilibrada, entre quem pensa que está tudo bem, entre quem só quer saber de si e do que está à sua volta, tipo os Moonspell. Nós já temos outra visão do Mundo, porque também já saímos do nosso cantinho, da nossa zona de conforto. Já tivemos oportunidade de passar situações bastante complicadas, que essas pessoas se calhar nunca viram e nem nunca verão. Eu encaro essas críticas como algo destrutivo, mas que não consegue destruir aquilo que nós queremos fazer. O resto, gostar ou não gostar dos Moonspell, é uma coisa completamente normal. É uma coisa que eu não controlo. É uma coisa que eu não consigo convencer ninguém.

O single juntou-se também à playlist do Spotify: “Black & Dark Metal”. Como acha que a escolha é feita? Através do maior número de streamings ou de ouvintes? Conhece a política do Spotify e como funciona?

Fernando Ribeiro – A política do Spotify é igual a todas as plataformas. Há pessoas que têm uma ideia, que ganha dinheiro com ela e quem fornece os conteúdos dessa ideia, é explorado. Essa é a minha opinião sobre o Spotify. Quem diz Spotify, diz YouTube, diz essas coisas todas. Havia de haver pop fluxo de dinheiro, que estes conteúdos geram, porque ninguém via Youtube ou ouvia o Spotify, que não tivesse música ou vídeos. Há um grande desfasamento entre o que os criadores de conteúdos recebem e o que os acionistas dessas empresas recebem. Em todo o caso, como todas as coisas na indústria da música, é um mal necessário. Para combater um mal maior, que era o da pirataria. Combateu, mas não melhorou tanto a vida dos músicos como era de esperar. Nós temos uma equipa, como todas as editoras, em contacto com o Spotify. Cada vez que sai um disco, nós sugerimos o disco a um conjunto de pessoas, que decide essas playlists e tem critérios de gostar da banda, da importância da banda, se a banda tem importância, se é uma banda nova e tem muito potencial. São os critérios da música hoje em dia. Até os critérios de uma pessoa que gosta desta banda ou não da outra, e que não são muito diferentes, mas que felizmente, temos tido as nossas oportunidades no Spotify. Uma boa maneira de promovermos a música, não de vivermos dela, mas de promovermos. É só mais uma maneira de promover os Moonspell.

“Common Prayers” foi gravado nas Grutas de Mira de Aire. Como é que criaram os efeitos especiais?

Fernando Ribeiro – Não há grandes efeitos especiais. Eu acho que as grutas são o efeito especial. Claro que há ali uma pós-produção e tudo. Mas tal como eu disse, o Guilherme é uma pessoa de recursos extremamente simples. Ele é a única pessoa que filma e que faz os efeitos. Depois tem uma assistente, que é a Catarina e que também ajuda bastante, mas lá está. Nesta altura, temos de ter ideias boas, simples. Por exemplo, em “Common Prayers”, ficou mais surpreendente quando a música toca e muda tudo de cor. Isso é extremamente simples. Não é preciso uma grande máquina ou um grande investimento para fazer isso. Eu gosto de trabalhar com pessoas, que usam a cabeça muito mais. Eu acho que usar a cabeça é muito melhor, do que ter um orçamento muito grande. Nós fizemos 4 vídeos, desta vez e provamos que isso é possível. Basta ter-se uma boa ideia, produzir-se bem e tentar ser também economicamente fiável. Não houve assim uns grandes efeitos especiais, porque o sítio já ele próprio era extremamente característico e especial.

Alcides Burn & Fernando Ribeiro (Recife 2019 – Abril Pro Rock)

Com “Common Prayers” a ser gravado nas Grutas de Mira de Aire e “All or Nothing”, no Teatro Chaby Pinheiro, na Nazaré, vocês são sem dúvida, os principais precursores do turismo em Portugal. Têm recebido muitas mensagens sobre as localizações e histórias das mesmas, de fãs estrangeiros?

Fernando Ribeiro – Sim, inclusivamente quando a pandemia passar! Não só estrangeiros, como portugueses também. Por exemplo, fomos fazer uma visita técnica às Grutas e estavam lá dois fãs de Moonspell, coincidentemente que foram ver as Grutas, depois de terem visto o nosso vídeo, agora mesmo nesta altura em que as visitas são mais limitadas. É bom que isso aconteça, porque Portugal, além de todos os seus defeitos, é um país extremamente bonito, com sítios extremamente bonitos, não só os mais óbvios, tipo Lisboa, Porto ou Algarve, mas mesmo aqui na região do Centro onde eu habito, há muita História, Gastronomia, muitas coisas turísticas e temos recebido imensas mensagens: “Que teatro tão magnífico! Já não se vê teatros desses! Quando for a Portugal, vou ver!”. E nós até compartilhamos sempre, quando as pessoas também nos esperam e nós fazemos sempre uma espécie de visita. O meu caso mostrar a Nazaré, etc., tenho colaboração com a Câmara, porque como o Lisboa e o Porto já estão tão infestados de turistas por toda a parte, também há que descentralizar nesse aspeto, e podemos fazer um bocadinho pelas belezas naturais do nosso país ou por estes sítios carismáticos, tipo o Teatro Chaby Pinheiro. Não só o Teatro também está numa imediação da Nazaré, que é fantástica, ali mesmo perto de muitas coisas, acho que é ótimo as pessoas virem cá ver. É ótimo para nós. Há muita gente que já vem. Do nosso DVD, ao vivo no Campo Pequeno, e as pessoas veem logo que há lá muita gente também que não é portuguesa, que vem de fora, centenas de pessoas para verem os Moonspell.

Hermitage (Full-length) 2021

“Under the Moonspell”, lançado em 1994, via Adipocere Records e que teve uma nova reedição lançada em 2007 via Steamhammer com o título de “Under Satanæ”, este com bónus. Seria possível esclarecer se este é uma nova edição com músicas bónus, que não foram incluídas na época do “Under the Moonspell”?

Fernando Ribeiro – Não! “Under Satanæ” é uma regravação. Todas as músicas dessa altura, da demo tape e do “Under The Moonspell”, do nosso primeiro disco, foram regravadas de propósito, para essa edição.

Porque é que decidiram regravar a “Lanterna dos Afogados”?

Fernando Ribeiro – Isso foi para o “1755”. É uma canção que conhecia das novelas, até que me parecia uma canção extremamente bela e a sua letra e tudo, remetia para um ambiente que se viveu e que ainda se vive. Por exemplo, Portugal é um país com quase 900 km de costa, vilas piscatórias, etc. Claro que era uma opção estranha para os meus colegas, ter uma canção extremamente pop, mas acho que lhe demos uma volta fantástica e ainda por cima, não só os Paralamas Do Sucesso reconheceram a nossa versão, como também pessoalmente o público do Brasil. Quando nós lá fomos tocar, era arrepiante, nós estarmos a tocar essa canção, toda a gente a cantar.

Muito obrigada por esta entrevista e honra. Quer deixar alguma mensagem para os fãs que nos estão a ler?

Fernando Ribeiro – Eu queria-lhes agradecer. Queria agradecer também a entrevista. Realmente nós, a primeira vez que fomos ao Brasil, foi em 98, e temos sentido a adesão do público brasileiro cada vez maior. É um país que nos diz muito. Não é aquela coisa de ser parecido com Portugal, a mim não me interessa nada. Acho que é um país completamente diferente. Já tocamos em várias cidades do Brasil e sentimo-nos como quase em casa, sabendo que possui uma forte bagagem cultural, por causa das novelas, das músicas, da literatura, o Brasil é um país muito presente a nível cultural no nosso país, em Portugal e só o facto do privilégio de nós termos muitos fãs e cada vez mais no Brasil e penso que o “1755” também ajudou muito essa consolidação dos Moonspell, em território brasileiro. Por isso, quero mandar uma mensagem de saúde, sorte e que as coisas no Brasil não têm sido nada fáceis. Tenho falado com muitas revistas do Brasil e com muitos músicos brasileiros, que me contam uma história praticamente de terror. O Brasil tem muito mais potencial para se livrar dessa história de terror. Eu espero que aconteça cedo e que os Moonspell também continuem a dar música ao povo brasileiro, que gosta de Heavy Metal, de Portugal e particularmente dos Moonspell. Por isso, quero enviar um abraço, saúde, sorte e agradecer pela entrevista.

What can you say about these Gothic Metal veterans? Loved by some and hated by others and this album will be no exception. But over the years (30 years of career), they have already shown that they do not want to know what people think.
Lucifer Rising had the privilege of talking with Fernando Ribeiro, vocalist, about the creative process, the inspirations for the lyrics, musical influences, the new drummer Hugo Ribeiro and Miguel Gaspar’s departure and much more.
He even left na emotional message for Brazil. Is worth reading!

Fernando Ribeiro

Fernando. On my behalf and Lucifer Rising, I want to thank you the opportunity for this interview and I hope all is well with you, your family and the band.

Fernando Ribeiro – Everything is fine, thanks for asking.

After the success of “1755”, which talks about the Portuguese earthquake, you release “Hermitage”, which describes several subjects, namely social. Did you begin the writing process, while you were promoting the album or after? What ideas did you have for it? Was the concept difficult to create?

Fernando Ribeiro – We started the writing process, a little after completing “1755”. It’s a bit of a dynamic, which Moonspell, me in particular, have. Which means, there are several phases in a record. This phase that we have now, is the proportion, is for the people to hear, to like it or not. Therefore, it is a phase that goes far beyond us. We’ve spoken with Noir. We are happy to do interviews, much more to clarify too and to satisfy people’s curiosity. But all the creative work, so to speak, is closed when we leave the studio. This happened in October 2020, when we went to England, to finish the record. But this record was started in 2017, shortly after “1755” was released and was being composed throughout the two years, 2018-2019, particularly. In 2020, we already had, even before the pandemic, the record ready, we had to change some plans, but it was already finished and already in its final part.
The ideas came up. The first things, that appeared on this album, were the name “Hermitage”, the feeling of the lyrics. Lyrics that spoke about society, with a lot of connectivity, but with little connection. It was an impression that I had, long before we became socially distant, for health reasons. I thought we were already making a detachment. We were already making a human detachment from each other. It was said mainly on social networks, where there was absolutely nothing to discuss, not even music, not even things that give us pleasure, without serious discussion. That was being extremely damaging, I think, for all of us. So it is a record, yes, that also covers some general aspects. It addresses much more than what surrounds us. We always think, in a poetic, philosophical, musical way, but we still have our testimony, of what we can best give. Also about the conflicts that go on in our head, what is happening, what is not happening, where we are going, where we come from. All this record has this characteristic that is also very clear. This record asks a lot of questions, it doesn’t give a lot of answers, so to speak. It’s an album that gives you clues to think about, what we want to do, isn’t it? We really want a World, in which we are all a kind of hermitage and that we are unable to have real relationships with people.
No! It was being created. But one of the things that, in terms of concept, an image that popped into my head, was that people looked like they were building stone walls around them. It was an image that I had a lot in my head when I started writing the lyrics. Then, I think that history itself and recent times were in charge of bringing the reality of this concept. Nowadays, we hear things that were impossible to hear: “Don’t hug, stay 2 meters away!”. Okay, it is an unusual and particular situation, but it will have its effects. For me, what happens now, is almost like the physical expression of what has already happened to many people, who could not really relate. Musically, there was also a concept that we were also somehow discovering. It would not be equal to “1755”. We wanted a more minimalist record, without so many layers, sounds, arrangements. A record that wasn’t as solid, but that was more fluid, that wasn’t as immediate or urgent, but that had more to think about. It was a bit more melancholic, in that aspect. And I think that has been achieved. At the time, we even imagined that it would be a record more like “Extinct”, but when we started making the songs, we were not just with the soul, on the part of “Extinct” (“Breathe” maybe) that was there and that this record also had its own nature, which comes from all other records, but also shapes in the originality, given our options for this record.

Moonspell

In this album, there is a maturity, not only in writing, but also musically. Nick Cave plays an important role, as he is a big influence. But Bathory and Pink Floyd were undoubtedly essential to this sound. How did you create and write the music?

Fernando Ribeiro – Nick Cave is a great lyricist. He’s an extremely honest person. He becomes visceral, the way he disposes. I think it is a very cathartic thing. I even saw his concert, on RTP 2 (public television channel), on television, the other day. It can be seen that there is a great proximity to the public, which was not in the past. The two major musical influences on this record, in my opinion, are the Pink Floyd, without a doubt. I think it is a band that left several styles and that allows the bands to read everything that Pink Floyd left and somehow they are still active. There was an album that I hadn’t heard in a while and I heard a little while ago, “Delicate Sound Of Thunder”, which is still contemporary and has a lot to discover. By coincidence, I received a bag full of Pink Floyd records from the 70s and 80s. So it was a band that I heard a lot of and Bathory are an unavoidable influence for Moonspell. Many people think that Bathory are just a Black Metal band, no. Bathory made many styles. They did Black, Death, Viking Metal. They did what, probably the most direct influence for “Hermitage”, which is an album called “Twilight Of The Gods”, inspired by Nietzsche’s book: “The Twilight of the Idols”, and is a very epic song, very melodious, progressive too. These artists, among others, but those that come to my mind, helped us helped us assemble our own pieces. We don’t want to plagiarism, of course. We try to bring the influences in a more sustainable way, it also allows us to have a personality that people identify as Moonspell, but they are obvious influences on this record.

Hugo Ribeiro is Miguel’s successor and this is his first record, where he clearly shows his skills as a musician and drummer. Did he feel any pressure to succeed and what new ideas did he bring to the band? What do you think Hugo brought back to the band?

Fernando Ribeiro – I don’t know. I think the pressure was more, not to replace Mike or anything, because Hugo is a very good musician, he has a lot of value, whether human or technical, but I think maybe the person, who for joining Moonspell at a time like this, on a new album, with all the plans we had, which, meanwhile, were being postponed or canceled. It was not a choice that I was involved in much. I was a very close friend of Mike and as such, I wanted people, who were more into the music industry, who would look for the right drummer in this chapter. Of course, it would have to be a good person. It would have to be a person with whom we identify. We were very lucky to find Hugo in a short time, despite having the same name as me, we are not related. And I, the first time I saw Hugo, had already heard him playing, in a Moonspell song, that he had recorded a video to send us. We offered him a casting, an audition, some Pedro Paixão stuff. We felt that he had a good energy, which was great, Hugo’s first impression as a person. When he went to play the Moonspell songs, I felt that there was a new energy, that there was not so much wear that he played in a very own way, that was nothing like Mike’s performance. We had many of the drums already programmed for the new album, but Hugo came and is a very exhaustive, professional worker and I think he came to bring a lot of good things to Moonspell. We haven’t had a chance to play many concerts with him yet. here were only four, in some television shows, for recording content, but I notice that there was an impact on the consistency of our music, in the way it is played, but us four, we have to adapt, because Hugo is right on what is doing. We sometimes gain vices, from playing so often. I think it was an excellent acquisition and I think that, as in the few concerts we gave, as in the relationship with us and as in the recording of the new album (from the first Moonspell album), he’s completely to be congratulated, because it probably would not be easy to reach a band, like Moonspell and integrate in this way, but having Hugo’s character capabilities, made it happen.

Moonspell

Due to the pandemic, traveling abroad, especially to the UK, to record, must have been an adventure. Can you tell us a little more about this adventure, please?

Fernando Ribeiro – There were some incidentes, but I think it wasn’t as bad as I expected. We were lucky, because I think there has been some lack of criteria. From time to time, it benefits us, from time to time, it harms us. And at the time, we were lucky to catch a time, when Covid was a little more controlled, so to speak. I think about the lack of control it has been and being able to travel to the UK. We didn’t travel, all at the same time. We had to cross paths, because we couldn’t be more than 4/5 people in the studio or in the house. So, we had this care. But when I got there, in addition to those rules, I couldn’t go to a place for 2 weeks, just to go to work, wear a mask, those rules that we also have here and now much worse. It was very smooth and pleasant, because for us it was a change from that thing, which is very oppressive, that we wake up, we can only do certain tasks, etc., even when we are going to do things as a band, that we can really do, we have to pass work permits to everyone. There is a lack of criteria here and everything and it was good to get some rest, but we were lucky. We didn’t break the laws or anything, at the time we couldn’t. Traveling to the UK was allowed. We can enter, not today, so we were lucky to have that window of time and to enjoy it. Luck is also created. I think one of the things that we, musicians, some of them have failed in this pandemic, is to try to postpone things. We, as we set the launch date on February 26th of this year, and from there it counts everything back. We tried, as far as possible and legally feasible, to do everything we had committed to (scheduling concerts and going to the UK, with some luck, also), but we managed to do it, because we are also avoiding it at this point, hoping to improve to do this or that, it has not been a good attitude and it has not been a good decision, because there are many bands until they did not release in 2020 or because they will no longer release in 2021, because it doesn’t matter. So we have other ways to reach people at these stages. We have the interview phases, we have our Fan Club, videos. We are doing what we can, until somehow there is a balance, some more stable situation, in which we can do other things, namely more concerts.

Rui Vasco is the photographer responsible for the band’s official photography and Guilherme Henriques is the video director. How is it to work with this team?

Fernando Ribeiro – Fabulous! It feels great. They are two very different people. Rui Vasco is an old guard photographer. He was the official photographer, for example, of Rock Rendez-Vous, which was a mythical club in Lisbon, where I went to a lot of shows, and my first underground Metal concerts, both international and national. He had photographed Moonspell before. We needed an old-fashioned photographer, but also, who could transmit a visual impact of the band. We went to the Grutas de Mira de Aire, we did the whole session in one day and I think the result was very good. It is very characteristic.
Guilherme is a novelty working with Moonspell. I already knew his work, as a videographer in Gaerea, in other bands: Secret Of The Moon, Belphegor, bands I don’t know. I wanted, even before the pandemic, to slow down and simplify the processes around the rest, not just the music. And we have already made 4 videos, 3 have already been released: “The Greater God”, which is the lyric video, designed by me and made by Guilherme. Then we made a video at the Grutas de Mira de Aire, “ Common Prayers ”, that we had a fantastic experience in the photographs and we wanted to do something more in motion, also in that environment, which I think is a fantastic video. We did “All Or Nothing”, which has been a great success, in terms of videos. A much more simple video, filmed in an empty theater, right here where I live. I live in Alcobaça, here in the village of Nazaré. I happened to have found it and found it to be a theater from the beginning of the 20th century, it has a lot of charm, it looks like a mini opera and an Italian opera house. And now we’re going to release, closer to the release of the album, the fourth video. I’m very pleased with Guilherme. It’s a small team. For example, for the “Extinct” video, we had a team of almost, I will say, 50 people. This time, with 5 people and the band, we managed to have results, in my opinion, artistically as valid and as good. This is important. I think the aesthetic part is very important, it was always for Moonspell and we were lucky to be able to work with two aces: Rui Vasco, in photography, with all his tradition and Guilherme, with all his execution and all his ideas. We are really, really satisfied in this chapter.

Moonspell

I can’t help mentioning Jaime Gomez Arellano, producer, who says that working with you was one of his best experiences. How was it working with him? What help did he gave you? Was he very critical in your work?

Fernando Ribeiro – It was great! Following what I was saying, from going to England, etc., meeting Jaime Gomez Arellano, he, meanwhile, also had a period, when he came here to Portugal, to be with the band, we also worked in some arrangements, etc., when the record was almost complet. For me it was, apart from the time I spent with my family, being with my son and my wife is always quality time, meet Jaime, it was one of the highlights of 2020. We became very friends. I think he understood our music very well. I really liked the way he works. A very old guard way. He’s not behind the computer. He’s always inside the studio cabin or in the studio room, playing with amplifiers and drums, trying to make the sound better, more organic, more human. And I think it was great for him too, because he had known Moonspell for a long time. He is based in the United Kingdom, but he is originally from Colombia, from Cali and at that time, “Under The Moonspell”, “Wolfheart”, more Black Metal wave from Moonspell was well known and appreciated in in the countries of Latin America. We had no idea at the time. We went to the Latin American countries practically every year and we were really welcomed there. I have nothing to say, concerning the record of the album. I think that for me, even as a vocalist and musician of Moonspell, it was one of the best studio sessions I had, if not the best and I think the sound of the record speaks for itself. It is a very personalized record, which does not use the modern pre-production tricks. We are very satisfied with this production.
With some things, yes. Especially with the keyboards and some guitar arrangements, etc., which is a part that he mastered quite well. He wanted the band to be a little more open minded, to experience new environments. Probably environments with more classic arrangements. He liked the record very much. I also have to quote the production. He’s a very honest person. This is important for a musician. He says things as they are. We already work with a lot of people. People with another personality type, etc. He’s kind of peaceful with us, because he’s Latin. But he was critical, I think he was a person who was critical, when he should be, but he was also encouraging, when things were going really well. In this dynamic, we were all very satisfied, he included, for his final work. Of course the producers are professionals, they have a lot of bands, but when they like the music and identify themselves, which was the case, they also add a little more to their personality and I think this album has a little bit of Jaime’s personality.

With this “Hermitage”, we entered a new chapter, mainly of musical discovery. How was it to close a chapter and open another? What were you looking for, musically speaking and finally found?

Fernando Ribeiro – Well, I think it’s not that radical, but there is no doubt that here, with Mike’s departure, with this new album, etc., there is probably metaphorically, the beginning of a new cycle. Of course, Moonspell is a book that is still being written until its end, and probably “Hermitage” will be the first chapter of that outcome from Moonspell, because I feel that, next year, we are going to be 30 years old, but there will be no another 30 years. It is impossible to have another 30 years in the history of the Moonspell! So, some of the things have already been done and as such, I feel amazed by this chapter. I think it is good to think about the good things, it is also good to think about the things that are not so good. I think Moonspell have that virtue. This phase does well, not only for Moonspell, an extremely confusing phase. We don’t know if our lifestyle will resume, we don’t know if we’ll never have concerts again. So there is a lot of uncertainty here, but we have to stay together, keep making good music, original music, music that we like as well and music that also touches our community of fans. I think we are doing well here, but we don’t know what the future is going to be like, but we know it is. Something different started now with this record, “Hermitage”. It doesn’t mean that, in 2 years, we will make a completely identical album, but I think there are several clues for the future, I must say. But the future is still like that. It’s unpredictable.
Less musical strings! Think less than you can think of us and be afraid to go there. I think I made that cry for independence earlier and I took the responsibility to pass it on to my colleagues, mainly Pedro and Ricardo, so that when they are composing, they can compose freely with all their influences, which lead the Metal to other things. What is important for Moonspell today, at this stage in our career, is doing things with a lot of meaning. We couldn’t be making the sacrifices of a band that is already 30 years old, because it isn’t a novelty. It isn’t no longer a band that is starting now and that will delight everyone. We already had that time, a burden of that time. We were a lot the heroes of the motherland, now we are a lot too, but now and then we are also the villains. It’s natural. We already have some route. We already have some authority, which will also be challenged here or there. But what interests us clearly, in addition to resuming the shows, resuming our interrupted life for a while, is making music that is worth keeping the band alive. I think “Hermitage” is really, really worth it and I think it was that, more than anything else, that kept Moonspell alive and well, at this very difficult time for music.

Moonspell

“The Greater God” is the first single and is not a political video, but it is undoubtedly a “Imagine” of modern times, with a message from the times in which we live. How will you deal with criticism associated with the music, especially the video? Above all, people will think you have become politicians.

Fernando Ribeiro – I honestly have little or nothing interest in what people think about this aspect, because Moonspell and I had the freedom to do what we want, with the music, videos, etc. I understand that might be a more negative or more allergic reaction. Now, people also have to be held responsible, for many of these reactions are based on things that I think should be fought in humanity and society. We never had people showing us the weapons they had at home, that we shouldn’t show those things, that we should entertain people at home, etc. These are opinions that I neither seek nor understand nor cherish. I try to fight. Fight how? I won’t go one by one, on the Internet to answer, no way. I have no time, no life, nor do I want to do it at all. But we continue to maintain our freedom, independence and the fact that these criticisms will never bring us down. They make us think, cause revolt, but I think these people should, to be honest, be ashamed of what they say, because many of these people are even young. Ten years from now, they will have to argue otherwise. The theme is about the imbalance of the world and that was what we showed and we also had an unbalanced reaction, between those who think everything is fine, between those who just want to know about you and what’s around you, like Moonspell. We already have another view of the world, because we have also left our corner, our comfort zone. We have already had the opportunity to go through very complicated situations, which these people may have never seen and will never see. I see these criticisms as something destructive, but that fails to destroy what we want to do. The rest, whether you like or dislike Moonspell, is completely normal. It is something I don’t control. It’s something that I can’t convince anyone.

The single also joined Spotify’s playlist: “Black & Dark Metal”. How do you think the choice is made? Through the largest number of streamings or listeners? Do you know the Spotify policy and how does it work?

Fernando Ribeiro –  Spotify’s policy is the same for all platforms. There are people who have an idea, who make money from it and who provide the contents of that idea, are explored. That’s my opinion on Spotify. Whoever says Spotify, says YouTube, says all these things. There would be a pop flow of money, which these contents generate, because no one would see YouTube or listen to Spotify, who didn’t have music or videos. There is a big gap between what content creators receive and what the shareholders of these companies receive. In any case, like everything else in the music industry, it is a necessary evil. To fight a greater evil, that is piracy. It fought, but it didn’t improve the musicians’ lives as much as expected. We have a team, like all publishers, in contact with Spotify. Every time a record comes out, we suggest the album to a group of people, who decide these playlists and have criteria for liking the band, the importance of the band, if the band is important, if it is a new band and has a lot of potential. These are the criteria of music today. Even the criteria of a person who likes this band or not, and who are not very different, but fortunately, we have had our opportunities on Spotify. A good way to promote music, not to live on it, but to promote it. It’s just another way to promote Moonspell.

Alcides Burn & Fernando Ribeiro (Recife 2019 – Abril Pro Rock)

“Common Prayers” was recorded in Grutas Mira de Aire. How did you create the special effects?

Fernando Ribeiro – There are no great special effects. I think the caves are the special effect. Of course there is post-production and everything. But like I said, Guilherme is a person with extremely simple resources. He’s the only person who shoots and does the effects. hen he has an assistant, who is Catarina and who also helps a lot. At this point, we have to have good, simple ideas. For example, in “Common Prayers”, it became more surprising when the music plays and changes the color. This is extremely simple. It doesn’t take a big machine or a big investment to do that. I like working with people, who use their heads a lot more. I think using your head is much better than having a big budget. We made 4 videos, this time and we proved that this is possible. It’s enough to have a good idea, to produce well and to try to be also economically reliable. There were thus no great special effects, because the site itself was extremely characteristic and special.

With “Common Prayers” being recorded in Grutas Mira de Aire and “All or Nothing”, at the Chaby Pinheiro Theater, in Nazaré, you are without a doubt, the main precursors of tourism in Portugal. Have you received many messages about their locations and stories from foreign fans?

Fernando Ribeiro – Yes, even when the pandemic is over! Not only foreigners, but Portuguese as well. For example, we went on a technical visit to the Grutas and there were two Moonspell fans there, coincidentally who went to see the Grutas after having seen our video, right now at this time when guided tour are more limited. It is good that this happens, because Portugal, in addition to all its defects, s an extremely beautiful country, with extremely beautiful places, not only the most obvious ones, like Lisbon, Porto or Algarve, but even here in the Centro region where I live , there is a lot of History, Gastronomy, many tourist things and we have received many messages: “What a magnificent theater! You don’t see theaters like that anymore! When I go to Portugal, I will see! ”. And we always share, when people also expect us and we always make a kind of visit. My case showing Nazaré, etc., I have collaboration with the City Council, because as Lisbon and Porto are already so infested with tourists everywhere, it is also necessary to decentralize in this aspect, and we can do a little by the natural beauty of the our country or for these charismatic sites, like the Chaby Pinheiro Theater. Not only is the Theater also in the vicinity of Nazaré, which is fantastic, right there close to many things, I think it’s great for people to come and see it. It’s great for us. There are a lot of people already coming. From our DVD, live in Campo Pequeno, and people immediately see that there are many people there who are not Portuguese, who come from abroad, hundreds of people to see the Moonspell.

Hermitage (Full-length) 2021

“Under the Moonspell”, released in 1994, via Adipocere Records and which had a new reissue released in 2007, via Steamhammer under the title “Under Satanæ”, this with a bonus. Would it be possible to clarify if this is a new edition with bonus songs, that were not included at the time of “Under the Moonspell”?

Fernando Ribeiro – No! “Under Satanæ” is a re-recording. All songs from that time, from the demo tape and “Under The Moonspell”, from our first album, were re-recorded on purpose, for this edition.

Why did you decide to re-record “Lanterna dos Afogados”?

Fernando Ribeiro –  That was for “1755”. It is a song I knew from the soap-opera, until it seemed to me an extremely beautiful song and its lyrics and everything, referred to an environment that was lived and that is still alive. For example, Portugal is a country with almost 900 km of coastline, fishing villages, etc. Of course, it was a strange option for my colleagues, to have an extremely pop song, but I think we gave it a fantastic turn and on top of that, not only did Paralamas Do Sucesso recognize our version, but also the Brazilian public. We went there to play, it was chilling, we were playing that song, everyone was singing.

Thank you very much for this interview and honor. Do you want to leave a message for the fans who are reading us?

Fernando Ribeiro – I wanted to thank them. I would also like to thank the interview. Really, the first time we went to Brazil, it was in 98, and we have felt the Really, the first time we went to Brazil, it was in 98, and we have felt the adhesion of the Brazilian public is getting bigger and bigger. It’s a country that means a lot to us. It’s not that thing of being like Portugal, I don’t care about that. I think it’s a completely different country. We have already played in several cities in Brazil and we feel almost at home, knowing that it has a strong cultural background, because of the soap –operas, the songs, the literature, Brazil is a country that is very present culturally in our country, in Portugal and just the fact that the privilege of us having many fans and increasingly in Brazil, and I think that “1755” also helped this consolidation of Moonspell, in Brazilian territory. So, I want to send a message of health, luck and that things in Brazil have not been easy at all. I have spoken with many magazines in Brazil and with many Brazilian musicians, who tell me a story about terror. Brazil has much more potential to get rid of this horror story. I hope it happens early and that Moonspell also continue to give music to the Brazilian people, who like Heavy Metal, Portugal and particularly Moonspell. So, I want to send a hug, health, luck and thank you for the interview.

Reporting – Moonspell in Brazil

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Rak Miranda

Colaboradora e jornalista da webzine portuguesa, Metal Imperium e reviewer na revista grega MythofRock.gr. Apreciadora de Doom Metal.
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